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Cosme, Damião e os tranplantes

Hoje é Dia de São Cosme e de São Damião e esta é a Semana Nacional de Doação de Órgãos. A maioria das pessoas vai pensar: “Sim, mas qual é a relação entre uma coisa e outra?”. Bem, de acordo com a Igreja Católica, Cosme e Damião teriam sido os primeiros a realizar um transplante. Curioso, não?!

No século II, os gêmeos teriam operado o sacristão de uma igreja na Sicília, (Itália), que teve em uma das pernas amputadas,  com gangrena. Os dois religiosos foram, então, ao cemitério da localidade e o único cadáver disponível era de um negro etíope. O transplante foi feito com sucesso e o sacristão passou o resto da vida com uma perna de cada cor*. Mas a mistura de raças simbolicamente representada pelo transplante dessa história, porém, não foi o que fez Cosme e Damião tão populares no Brasil, mas o fato de serem gêmeos. Em alguns candomblés, gêmeos são “ibêji” ou um orixá duplo, reverenciado com guloseimas. Está aí a origem da distribuição de doces no Dia de São Cosme e de São Damião.

Mas o que importa, neste nosso espaço e nesta semana, é chamar a atenção para a questão dos transplantes no Rio de Janeiro e, mais especificamente, para os transplantes de coração no Estado. Talvez a maioria das pessoas também não tenha conhecimento dessa informação, mas, até julho deste ano foram realizados apenas quatro transplantes de coração no Rio, enquanto que São Paulo fez 40 procedimentos. Vamos repetir o fiasco de 2010, quando o Rio de Janeiro fez seis transplantes do órgão de um total de 166 em todo o país, mesmo com instituições aptas a realizar a cirurgia em nível de excelência, tecnologia de ponta e capacitação técnica?

Alguns importantes nós dessa complexa malha do transplante de órgãos continuam atados e sem a devida atenção das autoridades competentes, como a precariedade de atendimento nos hospitais públicos, onde é quase impossível dedicar atenção às pessoas com morte cerebral e com chances de doar órgãos. Outra questão é que grande parte dos médicos do Estado do Rio não sabe da capacidade instalada do Estado para a realização do transplante de coração, assim seus pacientes também seguem desinformados e acabam procurando (quando podem) outra unidade da federação para conseguir o órgão.

Será tão difícil assim sanar essas falhas em prol de muitas e muitas vidas? Recursos, certamente, não faltam. Vontade política já é uma coisa bem rara em nosso país…

 

 

Postado por flaviocure às 17:38

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