publicidade

Jornal do Brasil

À Sua Saúde – JBlog – Jornal do Brasil

Álcool: beber com responsabilidade para melhor usufruir

Segundo dados dos agentes da Operação Lei Seca no Rio de Janeiro, neste carnaval 786 pessoas foram flagradas dirigindo após a ingestão de bebidas alcoólicas, número que representa 13,1% dos 5.980 motoristas parados nas blitzen montadas na cidade do Rio. Não chega a ser um número excepcional, mas já revela um nível de adesão à campanha contra o álcool no trânsito considerável. Principalmente quando levamos em consideração as informações do coordenador da operação, major Marco Andrade, de que a média de pessoas flagradas no início das operações, em março 2009, era de 30%, mesmo em períodos normais, ou seja, fora da festa que é o carnaval, quando o consumo de álcool se eleva exponencialmente na cidade.

A consciência de evitar a combinação do álcool com a direção é saudada, uma vez que sabemos que um dos problemas da bebida é sua ação sobre o sistema nervoso, com indução à sonolência. Esta ocorre no estado conhecido como de “Intoxicação pelo álcool”, ou seja, quando há a embriaguez. Os sintomas são a chamada fala arrastada, descoordenação motora, instabilidade no andar, falha de memória e de atenção, nistagmo (os olhos oscilam horizontalmente, como se fosse uma leitura acelerada) e até o coma, em casos mais graves. Ou seja, um conjunto de problemas que pode ser fatal a um motorista.

O limite de álcool no trânsito permitido no Brasil é questionado pelo rigor. Em uma lista de 92 países pesquisados pelo International Center For Alcohol Policies (Icap), instituição sediada em Washington (EUA), ficamos entre os 20 com legislação mais rígida sobre o tema. Dos países pesquisados nossa lei é mais restritiva do que as de outras 63 nações. Somente 13 são mais rígidos. Cinco têm o mesmo nível de rigor: Estônia, Polônia, Noruega, Mongólia e Suécia. Na América do Sul, o Brasil ficou atrás somente da Colômbia, onde o limite é zero.

Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Venezuela estipulam limites de 0,5 g/l, 0,8 g/l, 0,8 g/l, 0,7 g/l e 0,5 g/l, respectivamente. Estados Unidos (0,8 g/l), Canadá (0,8 g/l) e alguns países europeus – Reino Unido (0,8 g/l), Alemanha (0,5 g/l), França (0,5 g/l), Itália (0,5 g/l) e Espanha (0,5 g/l) – também são mais tolerantes no assunto.

Portanto, temos que estar atentos, pois mesmo quem ingere uma taça de vinho, um chope ou até dois bombons de licor pode ser flagrado, pois se chega facilmente à dosagem superior a 0,2 g de álcool por litro de sangue. Com este índice o motorista já pagará multa de R$957, será punido com sete pontos na carteira e terá suspenso o direito de dirigir por um ano. Caso a dosagem de álcool no sangue ultrapasse 0,6 g/l (duas latas de cerveja) será preso em flagrante com penas que variam de seis meses a três anos de cadeia,

Independentemente desta vertente legal, devemos alertar quanto aos problemas clínicos do consumo de álcool de forma intensa e prolongada. No sistema cardiovascular o uso contínuo e em doses elevadas provocam lesões no coração, geram arritmias e enfermidades como trombos (coagulação de sangue nos vasos sanguíneos), derrames e AVC (acidente vascular cerebral).
A vida sexual também pode ser afetada, com problemas como lesões testiculares com prejuízo à produção de testosterona e síntese de esperma nos homens. Nas mulheres o álcool pode afetar a produção hormonal, com diminuição da menstruação, infertilidade consequências sobre as características sexuais femininas.

Os efeitos no sistema nervoso, já citados, levam a que entre cinco e 15% dos alcoólatras apresentem a chamada neuropatia periférica, que é um permanente estado de hipersensibilidade, dormência, formigamento nas mãos, pés ou ambos.

No sistema gastrintestinal uma quantidade excessiva de álcool pode provocar inflamações no esôfago e estômago, com sangramentos, enjoos vômitos e perda de peso. São problemas reversíveis, mas já varizes decorrentes de cirrose hepática não o são e podem ser fatais. Outro problema é a pancreatite aguda e crônica. Estudos também revelam que alcoólatras estão 10 vezes mais sujeitos a qualquer forma de câncer que a população em geral.

Outro problema é a possibilidade de desidratação, pois há a inibição da produção de hormônio antidiurético, dessa forma a pessoa urina mais, com maior perde de água do corpo.

É possível ainda que o alcoolizado tenha perda calor pela pele, com diminuição da temperatura corporal. Nesse momento, aquele tradicional banho frio ou a ida para lugares onde haja ar fresco, não é recomendável, pois o corpo está pedindo agasalho.

Nas síndromes alcoólicas podemos ainda encontrar diferentes patologias psiquiátricas, tais como estados de euforia patológica, depressões, estados de ansiedade na abstinência, delírios e alucinações, perda de memória e comportamento desajustado.

A continuidade do uso excessivo de álcool agrava os efeitos sobre o corpo. O cérebro, o coração, o aparelho digestivo, os músculos, sangue, glândulas hormonais são progressivamente afetados. O surgimento das patologias cardíacas pode levar dez anos, mas com a interrupção do vício elas podem ser revertidas, ao contrário de outros problemas, como, por exemplo, a cirrose.

Portanto, temos que estar sempre atentos aos limites de nosso corpo. Assim como têm fatores benéficos, já abordados em outros artigos, o álcool, se utilizado em excesso, pode ser um grande problema. O importante é o equilíbrio.

No mais, um brinde ao fim de semana que promete ser ensolarado, fechando a semana do carnaval. E, se beber, evite o excesso.

 

Postado por flaviocure às 13:25

Compartilhe:

Nenhum comentário