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EUA vacinam meninos contra HPV

A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda, desde o final de 2011, a vacinação de todas as crianças entre 11 e 12 anos – inclusive meninos – contra o papilomavírus humano (HPV), como parte da plataforma de imunização de adolescentes nos Estados Unidos. Até então, a vacinação contra o vírus era recomendada apenas para meninas, já que a infecção com os tipos de HPV de alto risco é responsável por grande parte dos cânceres de colo de útero e anal entre mulheres. Nos últimos anos, no entanto, os HPVs tipo 16 e 18 também têm sido responsáveis pelo aumento significativo de casos de câncer anal, peniano, de boca e de faringe em homens, no país. Além de beneficiar a população masculina diretamente, espera-se que a ampliação do programa de vacinação norteamericano proporcione proteção às mulheres com a redução da circulação do HPV.

No Brasil, o debate atual entre os órgãos competentes e o Poder Legislativo ainda gira em torno da gratuitade da vacinação contra o HPV para as mulheres, apesar de a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) já ter se pronunciado sobre a importância da aplicação da vacina em homens. Segundo a Federação, o Brasil tem o segundo maior número de casos de câncer de pênis do mundo e metade deles está associada à infecção por HPV.

As discussões sobre a vacinação das mulheres contra o HPV via Sistema Único de Saúde (SUS) começaram no ano passado, a partir de um projeto de lei da senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB do Amazonas, que quer garantir a vacinação gratuita contra o papiloma vírus humano para mulheres entre 9 e 40 anos. Explica-se: a maior incidência do câncer do colo do útero e de mortalidade feminina pela doença está concentrada na Região Norte, muito provavelmente pela dificuldade de acesso aos diagnósticos e tratamentos.

O Conselho Federal de Medicina já externou apoio integral ao projeto, mas o Ministério da Saúde é contrário à inclusão de vacinas, por meio de lei, no Programa Nacional de Imunização (PNI). De acordo com o órgão, o público-alvo da vacina contra o HPV seria de meninas entre nove e 13 anos e antes do início da vida sexual, já que a vacina é preventiva e seria ineficaz em mulheres já expostas ao vírus. Para a outra parcela da população feminina, defende-se a ampliação do acesso ao exame de papanicolau para detectar lesões causadas pelo HPV e também o câncer do colo do útero, doença associada em 90% dos casos ao HPV.

Enquanto isso, a vacina contra o HPV só está disponível em clínicas particulares e por um custo de cerca de R$ 400 cada uma das três doses necessárias. A vacina quadrivalente contra o vírus, adotada pelo sistema público de saúde da maioria dos países, cria anticorpos para os dois principais tipos causadores de câncer (16 e 18), e também para dois tipos de HPV que geram verrugas genitais (6 e 11) e cuja prevenção é feita pelo tipo bivalente da vacina, menos comum nas redes públicas.

Os HPVs são os vírus sexualmente transmissíveis mais comuns em todo o mundo e prevalecem entre adolescentes e jovens adultos sexualmente ativos. A maioria das infecções por HPV é assintomática, sendo que essas são as mais perigosas (só os tipos mais suaves de HPV provocam verrugas na região genital). O HPV é transmitido pelo contato genital, pelo sexo oral e por via sanguínea, de mãe para filho na hora do parto.

 

Postado por flaviocure às 15:06

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