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À Sua Saúde – JBlog – Jornal do Brasil

Insuficiência cardíaca provoca perda de memória

Esquecer de tomar a medicação correta no momento certo, prescrita pelo cardiologista, pode não ser apenas um sinal da idade avançada, com se costuma pensar.  Pesquisadores australianos descobriram que doenças do coração afetam o cérebro e que as mudanças das funções cardíacas e de circulação associadas à insuficiência cardíaca (IC), especificamente, podem agravar essas consequências. O estudo foi publicado na semana passada no European Heart Journal e coordenado por Osvaldo Almeida, professor de psiquiatria geriátrica na Universidade Western Australia e diretor de pesquisa do Centro de Saúde e Envelhecimento da instituição.

Ele e seus colegas realizaram testes cognitivos em 35 pacientes com IC, em 56 pacientes com doença isquêmica do coração (DIC) que também podem ter IC, mas não sempre, e em 64 pessoas saudáveis sem nenhuma das duas enfermidades. Também usaram ressonância magnética para avaliar as diferenças no volume de massa cinzenta em diferentes partes do cérebro. As análises mostraram que os pacientes com IC tiveram piora na memória imediata e de longo prazo e menor velocidade de reação (psicomotora) do que as pessoas saudáveis. A insuficiência cardíaca também foi associada a perdas de células cerebrais importantes em regiões de processamento mental cognitivo e emocional. Em menor escala, o mesmo foi observado nos pacientes com doença isquêmica do coração.

Para o coordenador do estudo, as conclusões sinalizam para a importância reforçada da prevenção primária e secundária (recorrência) da IC e da DIC, visando, também, a preservação da estrutura e das funções cerebrais; sugerem, ainda, a criação de abordagens mais simples pelos profissionais de saúde junto aos pacientes com IC, principalmente, para que consigam cumprir as prescrições médicas. Segundo ele, são necessários estudos mais aprofundados e longos para esclarecer as vias fisiológicas pelas quais a insuficiência cardíaca leva à perda de células cerebrais e piora de processos mentais, além de identificar se essas mudanças são progressivas. Outro objetivo é verificar se pacientes com IC poderiam se beneficiar de reabilitação cognitiva ou estimulação.

 

 

 

Postado por flaviocure às 15:56

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O frio e a fragilidade do corpo humano

A onda de frio glacial que atinge a Europa, há cerca de duas semanas, com a estimativa de mais de 360 mortos volta a expor a fragilidade do corpo humano frente à natureza. São graves problemas provocados pela perda excessiva de calor, com a diminuição da temperatura em seu interior, a chamada hipotermia, além da possibilidade de outras lesões.  Por isso, mesmo quem está apenas de passagem pelo continente pode tomar atenção a alguns cuidados de segurança.

Quando as condições de saúde já estão fragilizadas, como por exemplo, em idosos, pessoas que têm alergias, problemas vasculares, fumam ou ingerem excesso de bebidas alcoólicas, além da utilização de alguns medicamentos, os efeitos do frio podem se agravar. Também em alguns ambientes onde há neve aumenta a probabilidade de acontecerem acidentes, como as quedas. Outro alerta deve ser para o local onde estará hospedado, pois, mesmo que indiretamente, acontecem fatalidades como o envenenamento por monóxido de carbono e lareiras.

Por isso, se você planeja a esperada viagem ao Hemisfério Norte neste momento, se previna. Roupas de frio, incluindo proteção para a cabeça, luvas, meias e botas isolantes, malhas térmicas, camisas com gola alta etc.

No congelamento corporal ocorrem lesões produzidas pela ação do frio. Às vezes são imperceptíveis na hora, pois o próprio frio atua como inibidor da dor. Elas afetam principalmente as extremidades do corpo, como dedos, pés, mãos, rosto, orelhas e nariz.

Entre as doenças dermatológicas as principais são as ulcerações, a  frostbite, o  fenômeno de Raynaud, pé de imersão e urticária pelo frio, e enregelamento dos membros. Nesses casos formam-se cristais de gelo dentro das células da pele, o que provoca a morte dela, embora doloroso é ainda uma fase inicial. Em caso mais extremo, o congelamento pode chegar aos músculos e ossos e levar à amputação de partes do corpo.

Os estágios obedecem à seguinte sequencia:

  • pele vermelha no estágio inicial
  • pele branca no estágio intermediário
  • pele endurecida quando começa a ficar grave
  • bolhas no estágio grave
  • pele escurecida no estágio avançado

A hipotermia ocorre quando o corpo não é capaz de compensar a perda de calor provocada pelo ambiente frio e sua temperatura interna diminui. O corpo em geral consegue se manter regulado com uma queda interna entre 1°C a 2°C, ou seja, até 35°C. Abaixo dessa temperatura acontece o sinal de alerta, com fortes tremedeiras. Caso a situação perdure, a sensação de frio e dor tende a diminuir, pois a pessoa perde sensibilidade, à qual se segue fraqueza muscular e adormecimento, ocorre quando a temperatura chega a ficar abaixo de 33°C. Outros sintomas são a redução da percepção e o dilatamento das pupilas. Quando a temperatura baixa a 27°C, vem o coma. A atividade do coração para ao redor de 20°C e, a cerebral, a 17°C.

O socorro imediato a quem for vítima de hipotermia é o aquecimento imediato com cobertores  e a remoção da pessoa para um ambiente quente. Se o problema for causado, por exemplo, pela imersão em água fria, o melhor é reaquecer o corpo em água entre 40-42°C. Lembramos que recentemente o estudante brasileiro Henrique Vasques de Haro, de 20 anos, morreu após cair num lago congelado na Rússia, mesmo depois de ter sido hospitalizado não resistiu ao efeito do congelamento.

Em geral a recomendação é de que se cubra as orelhas e coloque os dedos das mãos embaixo dos braços. Deve-se ter cuidado com a pele já machucada, para não piorar os danos, por isso não a esfregue. Também é necessário facilitar o fluxo sanguíneo, por isso, remova qualquer roupa apertada. Cuide para que dedos não se grudem. O ideal é enxugar a umidade e colocar um pano limpo ou gaze entre eles.

Mas – lembre –se em qualquer situação que envolva a saúde, o ideal é buscar o socorro especializado de equipes de atendimento.

Se for viajar pro frio, se agasalhe  e boa viagem.

 

Postado por flaviocure às 18:45

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Infecções e AVC na infância: uma relação

Por mais que a incidência de derrame/acidente vascular cerebral (AVC) na infância seja rara nos Estados Unidos – de cinco crianças em 100.000, a cada ano – pesquisadores do Centro de Doenças Cerebrovasculares da Universidade da Califórnia descobriram que o risco de um AVC entre crianças é maior na primeira semana após uma infecção aguda comum. 

Este é o primeiro grande estudo a estabelecer a relação e foi apresentado nesta quarta-feira, dia 1º de fevereiro, na Conferência Internacional sobre AVC, da American Stroke Association, que acontece em Nova Orleans, EUA. A infecção já é um fator de risco estabelecido para o AVC isquêmico em adultos, que é a quarta principal causa de morte naquele país e uma das principais causas de incapacidade grave.

De acordo com a pesquisa, a maioria das crianças previamente saudáveis que teve um AVC do tipo isquêmico (entupimento dos vasos sanguíneos cerebrais) tinha uma doença vascular ou arteriopatia, e este problema pode ter sido gerado por um processo inflamatório. Eis a maior contribuição que esta investigação pode ter, já que as infecções, na infância, são bastante comuns. O tratamento padrão para AVC isquêmico em crianças é a diluição do sangue (uso de anticoagulantes), mas o estudo sugere que pesquisas futuras devam se concentrar sobre o papel potencial de medicamentos anti-inflamatórios na prevenção da recorrência do AVC isquêmico nesta população.

Infecções agudas requerem mais atenção do que as crônicas

Os pesquisadores descobriram que as infecções agudas são mais importantes para o desencadeamento de um derrame do que as crônicas, ao longo do tempo. Numa revisão de 2,5 milhões de crianças, foram identificados 126 casos de AVC isquêmico; depois de uma seleção aleatória e da aplicação da metodologia da pesquisa, concluiu-se que 29% das crianças que haviam sofrido um derrame foram levadas ao médico para tratar de infecções nos dois dias que precederam o acidente vascular cerebral. Eram infecções do trato respiratório superior, urinárias e de ouvido, principalmente, sem predomínio de nenhuma delas no resultado. Foram investigados de bebês a adolescentes, com média de 10,5 anos a 19. Não houve nenhum aspecto diferencial entre meninos ou meninas ou grupos étnicos.

Heather Fullerton, investigador principal do estudo e diretor do curso de pediatria e do Centro de Doenças Cerebrovasculares da Universidade da Califórnia, disse que os pais não devem ficar alarmados com as conclusões, pois há grandes suspeitas de que fatores genéticos raros podem colocar algumas crianças em risco para este efeito incomum de infecções comuns. Concordo com ele e acrescento: converse sempre com o pediatra do seu filho sobre medidas simples para prevenir doenças. É menos trabalhoso, menos arriscado, menos oneroso. Não há nada mais bonito que uma criança saudável.

 

Postado por flaviocure às 11:31

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