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São Cosme e Damião e os transplantes que podem salvar vidas

Nesta semana comemoramos o Dia Nacional de Doação de Órgãos, mais precisamente ontem, quinta-feira, dia 27, numa homenagem a São Cosme e São Damião, os santos gêmeos que eram médico e farmacêutico e atendiam à população gratuitamente. No Rio e em muitas partes do Brasil eles estão associados a uma das festas mais famosas, num sincretismo com religiões afro-brasileiras e a católica. É o dia da distribuição de doces para as crianças. Mas, além deste aspecto popular, eles são os padroeiros dos transplantes. Diz a história que fizeram uma amputação de pernas, seguida de um implante. Um paciente branco teria tido uma gangrena e perdido o órgão. O substituto seria de um cadáver de um negro. O beneficiado, a partir de então, ficou com uma perna de cada cor.

A história deles é imprecisa, mas prevalece a versão de que viveram na hoje conturbada Síria e teriam morrido por volta do ano 300. Seus verdadeiros nomes seriam Acta e Passio. Eles são padroeiros, ainda, das faculdades de medicina, dos farmacêuticos, dos barbeiros e cabeleireiros, além de estarem associados à proteção aos orfanatos, creches, doceiras, filhos em casa, contra a hérnia e contra a peste. Em suas imagens carregam uma caixa com unguentos, frasco de remédios e uma folha de palmeira. Ou seja, de saúde, eles entendem.

Mas aproveitemos para falar sobre os transplantes, que apadrinham e, mais especificamente dos de coração, minha principal área de interesse. Os números do Brasil seguem aquém da nossa capacidade como país. Em todo o primeiro semestre foram 108 procedimentos. Podemos fazer mais. Esses números são muito tímidos. Volto aqui neste espaço a conclamar uma ampla mobilização para o incremento desta modalidade que pode salvar tantas vidas. Temos hospitais e equipes qualificadas, por exemplo, aqui no Rio de Janeiro, mas não evoluímos o suficiente.

Vamos aos números: São Paulo foi responsável por 40 (37%) dos 108 procedimentos.  Seguido de Minas Gerais, com 18; Ceará, com 17; Distrito Federal e Paraná com dez; Rio de Janeiro, com cinco; Espirito Santo com três e Rio Grande do Sul com um. Muito pouco.

O anúncio de criação de um Centro Estadual de Transplantes, localizado no Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro (Iecac), no Humaitá é uma boa notícia. O esforço de profissionais do estado para que consigamos aproveitar o máximo de órgãos em condições de aproveitamento também. É hora de melhorarmos a comunicação entre os profissionais nas emergências, nos hospitais e também com as famílias, para ajudarmos a salvar mais vidas. Apenas cinco durante todo o primeiro semestre no nosso estado está abaixo das necessidades e das expectativas.

É preciso trabalhar para conscientizar a sociedade da importância de cada um ser um doador de órgãos. Devemos nos cadastrar como doadores e deixar nossas famílias informadas de nossa decisão. Se fizermos nossa opção e comunicarmos, facilitamos a ação dos profissionais responsáveis pela captação e evitamos a indecisão de nossos familiares. Dessa forma, podemos oferecer aos possíveis beneficiários um tempo imprescindível.

A doação, é sempre importante ressaltar, não envolve riscos ao doador. A retirada de qualquer órgão só é realizada após o diagnóstico da morte encefálica do paciente. Nesse momento os profissionais entram em contato com o Programa Estadual de Transplantes (PET) para que todo o processo seja organizado até o mapeamento dos possíveis beneficiários.

Portanto, vamos fazer nossas partes e contribuir para diminuir o sofrimento de milhares de pessoas que necessitam de novos órgãos, sejam corações, rins, pulmões, córneas, medula, pele etc. Mesmo mortos podemos ajudar a salvar vidas.

Bom fim de semana e aproveitemos a vida.

 

Postado por flaviocure às 18:42

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Capacitação para fim de limitações no atendimento aos deficientes auditivos

Nesta quarta-feria, dia 26 de setembro, é comemorado o Dia Nacional do Surdo, com ampla mobilização em todo o país por melhores condições de vida para esta parcela da população. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 15 milhões de brasileiros têm problemas auditivos e de cada mil crianças nascidas no país, três a cinco já nascem com deficiência auditiva. Vou destacar um aspecto em especial neste artigo, que é a necessidade de estarmos todos preparados para o atendimento às necessidades específicas, como, por exemplo, a da comunicação deles com os profissionais de saúde.

Se para os não deficientes auditivos já é difícil explicar seus problemas ao médico, mais complicada a comunicação quando falta entendimento prévio dos códigos utilizados. A possibilidade de uma conversa aprofundada, que ajuda na investigação do quadro do paciente, assim como ajuda a estabelecer laços de confiança fica prejudicada. Hoje a maior parte dos profissionais da saúde não tem conhecimento sobre, por exemplo, a língua brasileira de sinais (Libras) e dependem da intermediação de acompanhantes para a comunicação.

As condições desfavoráveis do deficiente auditivo se dão mesmo antes de sua chegar ao consultório. Faltam canais de difusão das informações sobre saúde com a linguagem adequada. Enquanto a maior parte da população conta com um mix de meios, como os veículos de comunicação (TVs, rádios, programas na internet) palestras, familiares e amigos, os deficientes auditivos ficam alijados.

Mesmo veículos escritos, como este blog, muitas vezes são ineficientes, pois, por vezes, pessoas que nasceram deficientes auditivos ou assim ficaram na fase chamada de surdez pré-lingual (antes de apreenderem a falar), encontram maiores dificuldades para aprender a ler e escrever.

A falta de escolas inclusivas por todo o país agrava a situação, principalmente para as parcelas mais pobres da população. Muitas vezes essas pessoas apresentam ainda dificuldades cognitivas e se isolam do convívio com os demais. Dessa forma, deixam também de frequentar os serviços médicos e se expõem a sofrer de maior número de doenças que poderiam ser prevenidas com o atendimento regular.

Até mesmo pequenos detalhes que são corriqueiros nos serviços hospitalares contribuem para a inibição dos deficientes auditivos. Um deles é o hábito de se chamar o paciente a ser atendido pelo médico em voz alta. Normalmente um assistente hospitalar chega à recepção e fala o nome do próximo a ser atendido. O deficiente não ouve sua chamada e enfrenta mais uma forma de constrangimento.

A mobilização deste dia 26, comandada pela Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, tem entre suas reivindicações a implantação de escolas bilíngues para surdos (crianças, jovens e adultos).

Existem diferentes causas para a deficiência auditiva, desde a exposição contínua a som muito alto até infecções e doenças como a rubéola, meningite, sarampo, caxumba, toxoplasmose ou varíola. Mesmo a incompatibilidade entre os fatores RH dos sangues da mãe e do bebê é causador. Mesmo o acúmulo de cera no canal auditivo gera perda da audição. Entre as causas evitáveis alguns cuidados são necessários.  As mulheres, por exemplo, devem se vacinar contra a rubéola ainda na infância, de forma a se proteger e ao bebê da doença durante uma possível gravidez.

É necessário também tomar muito cuidado na hora de limpar os ouvidos, pois são frequentes acidentes com palitos, tampas de canetas ou grampos, por exemplo. Nesses casos, a indicação é procurar um médico de imediato, nada de soluções caseiras.

A audiometria e a observação do comportamento, para menores de quatro anos, e emissões otoacústicas, para menores de seis meses, são os exames feitos para averiguação. A especialidade é a otorrinolaringologia.

Aqui no Rio de Janeiro funciona a Central Carioca de Intérpretes de Libras – CCIL, com o objetivo de oferecer acompanhamento às pessoas com deficiência auditiva  que precisem de atendimento médico, jurídico, entrevistas para trabalho etc. O serviço deve ser agendado previamente pelo telefone 21- 2224-1227, por  SMS: 8909-1375, e-mail: centraldelibras@smpd.rio.rj.gov.br;  MSN: centraldelibras@hotmail.com ou no Skype: centraldelibras. O serviço funciona  na Av. Presidente Vargas, nº 1997, Centro.

 

Postado por flaviocure às 17:46

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Sobre menopausa e doença coronariana

Mulheres que chegam à menopausa de forma precoce têm o dobro de risco de sofrerem doença cardíaca coronariana ou de terem um acidente vascular cerebral do que as demais. O alerta foi ratificado esta semana em um trabalho batizado de Estudo multiétnico da Aterosclerose (MESA), conduzido por pesquisadores da University do Alabama, Birmingham, EUA, onde se considera a precocidade quando a menopausa ocorre antes dos 46 anos de idade.

Embora para nós aqui no Brasil caibam ressalvas, como por exemplo, as referentes às faixas etárias médias da chegada à menopausa, os resultados deste estudo são interessantes para ajudarem na prevenção das referidas doenças. Em geral, consideramos como precoce a menopausa antes dos 40 anos e a faixa média na casa dos 48 anos de idade. Então, uma vez que o médico tem a informação sobre a data da entrada na menopausa, pode identificar as mulheres que têm maiores riscos potenciais de sofrerem de doenças cardíacas ou AVC e definir procedimentos preventivos.

Um deles é o de uma forte recomendação para evitar ou suspender o vício do fumo, já que as fumantes chegam à menopausa, ou seja, à perda da função reprodutora em função da falência ovariana, em média, dois anos antes das não fumantes.

Vale lembrar que além da menopausa natural, muitas vezes as mulheres passam por procedimentos de ooforectomia ou ovariectomia, quando ocorre a remoção cirúrgica de um ou dos dois ovários. Este procedimento é recomendado para tratamento de quistos, ou cancro no ovário.

Ao longo dos cinco anos de estudo foram acompanhadas 2509 mulheres não portadoras de doenças cardiovasculares no início do estudo.  Delas, 693 (28%) apresentaram menopausa precoce, com idades abaixo dos 46 anos, quando a idade média da menopausa são os 51 anos. No grupo, 23 (3,3% do total) sofreram ataque cardíaco ou morreram de doença cardíaca, enquanto no grupo das que não tiveram menopausa precoce, o percentual chegou a 1,5%.

Já o AVC acometeu 18 (2,6%) das mulheres do grupo com menopausa precoce.  Enquanto no grupo das que tiveram menopausa mais tarde (1809 mulheres) chegou a 19 (1%).

De forma geral, de acordo com dados do Ministério da Saúde, o infarto e o AVC (Acidente Vascular Cerebral) são as principais causas de morte em mulheres com mais de 50 anos no Brasil. A maior incidência de morte nas mulheres se refere às doenças cardiovasculares, um índice de 53% quando comparado aos 4% do câncer de mama.

Recomendo algumas medidas que podem ajudara evitar a ocorrência das doenças. A principal delas é a visita regular ao médico desde a infância, de forma preventiva e orientadora. Provavelmente ele vai recomendar ações como o controle da pressão arterial regularmente já a partir dos 20 anos de idade; a adoção de dietas saudáveis, a realização de exercícios regulares, a visita a especialistas, como os ginecologistas e cardiologistas (especialmente se verificar a ocorrência de menopausa precoce).

 

Postado por flaviocure às 13:23

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