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À Sua Saúde – JBlog – Jornal do Brasil

FDA alerta sobre azitromicina

Um importante alerta foi dado pelo FDA (Food and Drug Administration), órgão dos EUA responsável pela fiscalização e liberação de drogas e alimentos na última semana, quanto ao consumo do antibiótico azitromicina (Zithromax ou Zmax). De acordo com a informação, a substância pode alterar a atividade elétrica do coração, levando-o a um ritmo cardíaco irregular, que pode causar o óbito.

A azitromicina é indicada em infecções respiratórias, incluindo bronquite e pneumonia, sinusite e faringite/tonsilite, infecções da pele e os chamados tecidos moles, em otite média. Há indicação também para doenças sexualmente transmissíveis no homem e na mulher.

Segundo o comunicado do FDA, a comunicação teve por base análise de dois estudos, um realizado por pesquisadores médicos e o outro feito por um fabricante de drogas.

De acordo com o alerta, os pacientes com maiores riscos são os que utilizam alguns medicamentos para tratar arritmias, os que apresentam hipocalemia, hipomagnesemia e prolongamento do intervalo QT.

O FDA determinou a atualização dos rótulos dos medicamentos com azitromicina para apresentar os alertas.

Este comunicado  do FDA é em continuidade a um que havia sido emitido em maio de 2012, no qual comparava os riscos de morte para pacientes submetidos a tratamentos com azitromicina, amoxicilina, ciprofloxacina (Cipro) e Levofloxacina (Levaquin) ou nenhuma droga antibacteriana. Naquele momento já foi aferido o aumento de 47 mortes cardiovasculares em cada milhão em comparação com pessoas tratadas com amoxicilina, ciprofloxacina ou nenhuma droga. Num grupo de pacientes com maior risco cardiovascular o índice subiu para 245.

De qualquer forma, a recomendação deve ser encarada como um alerta aos pacientes tratados com azitromicina, que devem imediatamente procurar seus médicos e avaliarem suas situações. Até que tenhamos maiores esclarecimentos recomendo que esse antibiótico não seja usado. Nós, profissionais, com certeza, já estamos fazendo nossa parte de buscar informações precisas, para podermos oferecer a melhor orientação.

 

Postado por flaviocure às 17:02

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Paciente, muito além de consumidor

No Dia Mundial do Consumidor, comemorado nesta sexta-feira, 15 de março, vale a pena abordar as relações estabelecidas entre médicos e seus pacientes, que, para mim, não podem e não devem ser encarados como consumidores. Essa é uma tendência que tem se consolidado nos últimos anos, mas que considero um erro. Afinal, os cuidados com a saúde, mesmo que envolva uma prestação de serviços, está muito além de uma relação meramente comercial.

Esta pode gerar consequências irremediáveis quando levada ao extremo, como a morte de uma pessoa, por exemplo. Por diversas vezes temos vimos casos graves provocados em função da recusa ao atendimento sem o pagamento pelo mesmo.

A relação entre o médico (que é sim um prestador de serviços) e o paciente envolve – ou pelo menos deveria envolver – valores muito acima da mera relação comercial. Os médicos ao se formarem fazem um juramento e assumem compromissos de caráter ético com a vida.

Vivemos todos no sistema capitalista e sob suas regras onde a sobrevivência depende da nossa capacidade de gerarmos recursos, mas isso não significa a mercantilização da medicina.

Não se trata de nos apegarmos a conceitos tradicionalistas e desconhecermos as mudanças da sociedade. É claro que – infelizmente – o médico de família, aquele que acompanhava a pessoa e seus parentes durante quase toda a sua vida, praticamente desapareceu. Em seu lugar a medicina adotou a especialização. Então, para cada enfermidade há um profissional específico, que, se aprofunda naquele determinado tipo de doença e alcança resultados provavelmente melhores do que poderia fazer o generalista.

No entanto, esse caminho cobra seu preço. A relação com o paciente tornou-se mais distante e pontual, sem a preocupação com a integralidade do paciente. O especialista cuida do ouvido, mas não conhece o rim ou o pulmão, afinal, o “consumidor” o procurou apenas para que ele cuidasse desta parte determinada do organismo. Outra parte demanda outra especialidade. Outra consulta, outra guia do plano de saúde.

Dessa forma, a relação médico-paciente foi se deteriorando. Quando passa a ser visto como um “consumidor”, vira apenas mais um número na estatística de atendimento. As consultas são no estilo “fast food”. Rápidas para o médico poder receber logo outro consumidor e alcançar o faturamento mínimo para sobreviver. Na consulta o “consumidor” não é devidamente investigado. Muitas vezes um auxiliar preenche um formulário básico com perguntas de praxe, sobre nome, doenças familiares e alergia a medicamentos, de forma que o médico não tenha que “perder” tempo.

E assim, uma parte fundamental do atendimento, que é a investigação feita pelo profissional de saúde para melhor conhecer o paciente, inexiste. O atendimento de qualidade, reservado ao paciente, se perde com sua transformação em “consumidor”.

Advogados dizem que a relação é sim entre um prestador de serviços/profissional liberal e consumidor, à luz do Código de Defesa do Consumidor. Que seja legalmente, para assegurar direitos de ambas as partes, mas que não se extrapole para o essencial, que é o exercício da medicina.

Cuide dos seus direitos, previna-se e bom fim de semana.

 

Postado por flaviocure às 16:40

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Atenção para as doenças raras

“Não contém glúten”. Todos já vimos essa inscrição nos pacotes de alimentos que compramos, mas porque esse aviso está lá? A resposta é simples, é um alerta para parte da população que tem a chamada Doença Cilíaca, considerada uma doença rara e caracterizada pela intolerância a esta proteína presente no trigo, no centeio e na cevada. Quem sofre com o problema e consome o glúten pode ter anemia, perda de peso e outras doenças, com sintomas como vômitos, diarreias e inchaço no abdome, enxaqueca, entre outros.

No fim do mês passado, no dia 28 de fevereiro, aconteceu o Dia Mundial das Doenças Raras, aquelas de baixa incidência individualmente, mas que, no conjunto, são representativas. Nesse grupo estão entre seis e oito mil enfermidades, 80% delas de causa genética. Segundo a definição do Ministério da Saúde, se enquadram neste grupo aquelas que atingem até 65 pessoas em cada universo de cem mil. De acordo com o censo de 2010 ficam entre 13 e 16 milhões de pacientes nesta situação no Brasil.

Algumas dessas são mais conhecidas, como a Doença falciforme, o Hipotireoidismo congênito ou a Deficiência do Hormônio do Crescimento. Outras nem mesmo de nome a maior parte das pessoas já ouviu falar. Algumas delas são: Doença de Gaucher, Hiperplasia adrenal congênita, Fenilcetonúria,  Doença de Wilson, Síndrome de Turner, Fibrose cística, Angioedema hereditário, Ictioses, Mucopolissacaridoses, Doença de Fabry e Doença de Pompe.

O colega Carlos Ruchaud, especialista no tema e consultor clínico da Associação Brasileira de Enfermidades Raras (Feber), lembra que somadas as incidências, essas doenças são um problema para o sistema de saúde, pois atingem cerca de uma a cada 500 pessoas. Não há números precisos, mas estimativa da Organização Europeia de Doenças Raras (Eurordis) aponta que entre 6 e 8% dos europeus sofre com alguma delas.

A prevenção por meio do acompanhamento de um médico é primordial no caso de qualquer anormalidade na saúde. Ele poderá definir com precisão o diagnóstico, o que nessas doenças raras, muitas vezes, é mais difícil. Sabemos que existem sintomas comuns entre as diferentes doenças e – em função da menor incidência na população – há uma literatura mais escassa sobre elas, o que fator atrapalha até mesmo profissionais de saúde experientes.

Vale lembrar que uma das especialidades médicas de grande importância na identificação das doenças raras é a pediatria, pois boa parte das doenças é de origem genética e já se manifesta desde o nascimento ou ainda na infância. No entanto, a atenção deve ser permanente, pois mais de 50% delas se manifestam em adultos.

 

Postado por flaviocure às 18:22

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