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Equação perversa: melhora de renda eleva número de cardíacos

Uma perversa equação se delineia no Brasil, com a associação da elevação da renda ao aumento da incidência de doenças cardíacas.  O fenômeno, no momento, ocorre nas regiões Norte e Nordeste. Segundo estudo feito por pesquisadores da PUC paranaense, a taxa de mortalidade provocada por doenças como infarto e angina entre os homens subiu em 34% em 100 mil habitantes, quando comparado os anos de 2000 e 2010.

Os dados do Brasil em geral dão a ilusão de serem positivos, pois indicam uma estagnação no número de casos, quando, na realidade, há um rearranjo.  Isso porque a elevação dos números negativos no Norte e Nordeste é compensada pela queda no Sul e Sudeste. Nestas regiões, houve menos 25% de casos.

Esses dados reforçam a pregação cotidiana em favor da prevenção. A queda nas regiões Sul e Sudeste, com certeza, tem relação direta com hábitos de alimentação e cuidados físicos mais presentes; assim como uma rede de atendimento mais bem estruturada.  Não que estejamos, mesmo nessas regiões, alguma maravilha em nenhum dos aspectos, longe disto. As pessoas se alimentam mal e os hospitais e postos de saúde deixam a desejar, mas, infelizmente, na comparação com outras regiões do país, o Sul e Sudeste se destacam.

O cardiologista e professor da PUC/PR, José Rocha Faria Neto, membro da equipe de pesquisa, afirma em entrevista à Folha de São Paulo que “as pessoas estão deixando de morrer por doenças infectocontagiosas e passando a morrer de infarto.”

É o lado triste da boa notícia, que é a elevação da renda e que poderia vir acompanhada de hábitos saudáveis. Mas sabemos que predominam os produtos industrializados, na maior parte com quantidades de açúcar, sal e gordura acima dos indicados para um bom regime alimentar. São eles que chegam primeiro e mais facilmente às prateleiras, têm propaganda mais agressiva e preços populares. Um conjunto nefasto que contribui para problemas de saúde da mais variada ordem, os mais comuns a elevação da pressão arterial, do colesterol e da obesidade.

Se as ações preventivas não prevalecerem, a pesquisa alerta que em 2015, enfrentaremos a elevação do número de mortos, mesmo que decresçam os óbitos no Sul e Sudeste. Ou seja, as mortes no Norte e Nordeste vão puxar os números gerais para cima.  As estimativas indicam que serão cerca de 110 mortes por 100 mil habitantes, números semelhantes ao do Sul e Sudeste em no ano de 2000.

O alerta está aí e a realidade é visível.  É, portanto, mais do que hora dos governantes adotarem as medidas preventivas.

 

Postado por flaviocure às 0:08

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