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À Sua Saúde – JBlog – Jornal do Brasil

Contém glúten, que aviso é esse?

“Contém glúten” é uma expressão que estamos habituados a ler nos rótulos de boa parte dos produtos,  mas o que significa poucos sabemos. Porque é lei a inclusão dela nas embalagens? O que é o tal do glúten? Para que serve este aviso? Pois bem, é sobre o que vou falar no artigo de hoje.

O “glúten” é a principal proteína encontrada em cereais como o trigo, a aveia, o centeio, a cevada e o malte (um subproduto da cevada). Esses produtos são as bases de grande parte dos alimentos, das bebidas industrializadas, dos medicamentos e até de cosméticos. E, por conterem o glúten, são também riscos potenciais para pessoas que sofrem da “doença celíaca”, que é a intolerância do organismo à substância.

O problema atinge a cerca de 1% da população do Brasil, especialmente as mulheres, numa proporção de 2X1, comparadas aos homens, e exige muita atenção e sacrifício por parte dos afetados. Nas crianças entre nove e 24 meses normalmente há sintomas intestinais e problemas de crescimento quando entram em contato com alimentos que contenham glúten. A disciplina com a dieta é fundamental, pois a única forma de evitar a manifestação da doença é com a não ingestão dos produtos com glúten, pois não há medicamentos.

A doença que faz parte do grupo das autoimunes, sobre as quais escrevi na última semana, atinge crianças e adultos. Muitas vezes só se manifesta na idade adulta. Uma das suas características é não apresentar sintomas específicos, o que pode dificultar o seu diagnóstico. Os mais comuns, no entanto, são as crises de diarréia, o excesso de gases intestinais, dores abdominal, cansaço, dor de cabeça, úlceras na boca, além de alteração no regime menstrual das mulheres.

Como uma doença autoimune, o celíaco sofre com uma reação imunológica que leva o próprio organismo a atacar o intestino delgado todas as vezes que há a ingestão do glúten. Nesse processo há a destruição das vilosidades da mucosa, que são as dobras existentes no órgão para a absorção de nutrientes, sais minerais, água e vitaminas. Dessa forma, há a diarreia, perda de peso e consequências como a anemia.

Alimentos como macarrão, pão, bolo, pizza feitos com receitas tradicionais, ou bebidas como a cerveja têm que ser evitados. O tratamento orientado por um médico deverá contar com um nutricionista, que determinará uma dieta para substituição desses produtos.

Os grupos que reúnem os celíacos colecionam receitas com diferentes ingredientes sem a presença de glúten. São biscoitos e bolos à base de tapioca, fécula de batata, polvilho doce e azedo, milho e maisena, por exemplo. A lista é variada, inclui farinha de mandioca, arroz branco e integral; leite fermentado/iogurte/coalhada, queijo, manteiga e creme de leite; ovos; peixes gordos: salmão, atum, sardinha, cavala; gelatina, pudim de arroz, sagu ou maisena, geleia  de mocotó, geleia  de frutas, goiabada, bananada, marmelada; azeite de oliva extra-virgem, óleo de canola, milho, soja ou girassol; soja e derivados: leite, tofu, proteína vegetal texturizada; sucos de frutas, chás claros, cacau. frutas e verduras à vontade.

A Universidade Federal Fluminense (UFF) conta com um atendimento a pacientes celíacos com orientação nutricional gratuita e que agenda consultas pelo telefone (21) 2629-9850.

Os alertas do grupo Rio Sem Glúten deixam claras as preocupações que os celíacos têm no cotidiano. Até uma simples visita à padaria da esquina pode representar risco, uma vez que mesmo que um produto não contenha glúten entre seus ingredientes, há a possibilidade de contaminação. Basta ter sido feito num forno onde tenha sido assado um produto com farinha de trigo e pronto.

Um “Manual do Celíaco” ajuda à prevenção, com dicas que envolvem, por exemplo, a recomendação de o celíaco se alimentar em casa, antes de ir para uma festa, e –dessa forma – evitar o risco. Assim como a melhor forma de se aventurar em restaurantes ou até na escola infantil.

A Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), em parceria com a Proteste, está em campanha para regulamentação da Lei 10.674/03, que definirá o percentual máximo de glúten em produtos que se denominem “livres de glúten. Hoje são estipulados 20 ppm (partes por milhão) de glúten. A demanda é para que o limite fique em 10 ppm (mg/kg).

É uma justa preocupação para redução ao mínimo dos riscos. Afinal, se é possível prevenir, devemos fazê-lo.

 

Postado por flaviocure às 18:42

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O que é a Arterite temporal ?

Na terça-feira escrevi sobre as doenças autoimunes, aquelas que ocorrem quando o sistema imunológico está desregulado e cria anticorpos que atacam e destroem tecidos saudáveis do próprio corpo. Entre as mais de 80 diferentes doenças deste grupo está a arterite temporal, também conhecida como doença de Horton.

Recentemente um paciente me indagou sobre as causas e consequências deste mal, pois um amigo dele –jornalista e político conhecido – havia informado que foi pego de surpresa pela doença durante uma viagem de turismo a Paris.

Aparentemente sem sintomas prévios esta pessoa teve que ser internada às pressas. Retornou ao Brasil sem a visão de um dos olhos e com riscos em relação ao outro.

Pois bem, a síndrome de Horton é a principal vasculite (inflamação em vaso sanguíneo) em adultos com mais de 50 anos, mas predominantemente em torno dos 72 anos. Além dos problemas oftalmológicos, pode causar complicações otorrinolaringológicas graves, como a perda de audição e necrose da língua, entre outros que veremos adiante.

Embora ainda demande estudos para melhor precisar os mecanismos autoimunes que desencadeiam a doença, algumas conclusões são conhecidas. Entre elas o fato de as mulheres formarem o principal alvo da doença, numa proporção de três para um, comparadas com os homens. Os estudos suspeitam que a diferença se deva a fatores hormonais. Outra conclusão já alcançada é que os tabagistas sofrem mais com a doença.

Ainda faltam estudos para melhorar o tratamento dessa doença que atinge as artérias de maior calibre do sistema sanguíneo, como as carótidas, as vertebrais, a aorta e as temporais, além das oftálmicas, ciliares e a central da retina.

Os pacientes que têm a doença sofrem com dor de cabeça, febre, sensibilidade no couro cabeludo, redução da força muscular, perda de peso, dores na mandíbula na hora de mastigar, visão reduzida e cegueira súbita, rigidez do pescoço e dos músculos da cintura escapular e pélvica e sudorose noturna. Qualquer dessas indicações acima deve levar o paciente à consulta preventiva. Afinal, estima-se que ocorram 200 casos em cada 100 mil pessoas.

O médico deverá investigar as causas deles e poderá chegar ao diagnóstico prévio, evitando o desdobramento da doença. Em geral será feita uma biópsia, com retirada de parte pequena do vaso sanguíneo, para avaliação. Caso positivo, o médico estabelecerá o tratamento necessário. As avaliações indicam que 76% dos casos atingem os olhos, podendo – como no amigo citado – levar à cegueira abrupta.

O alerta, em geral, acontece quando o paciente acumula pelo menos três dos seguintes fatores: idade igual ou superior a 50 anos; dor de cabeça recente e localizada; alterações na artéria temporal, biópsia arterial anormal e velocidade de sedimentação dos glóbulos vermelhos elevada.

Portanto, não seja pego de surpresa. Visite seu médico regularmente e, em caso de qualquer desconforto, procure-o imediatamente.

Aproveite bem seu fim de semana.

 

Postado por flaviocure às 12:30

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Doença autoimune, um erro de inimigo

Dormindo com o inimigo ou como e quando nossos próprios organismos nos atacam. Esse pode ser um resumo do tema de hoje, que são as doenças autoimunes. Ou seja, aquelas que ocorrem quando nosso corpo confunde as próprias proteínas com agentes invasores e as ataca. Na realidade as autoimunes são diferentes doenças com origem no sistema imunológico e os anticorpos por ele produzidos.

No seu funcionamento normal, toda vez que o organismo identifica qualquer agressão atua para repeli-la. Seja contra um vírus, uma bactéria, uma toxina, células cancerígenas, por exemplo. O corpo tem mecanismos de defesa sofisticados e que consegue distinguir as próprias células, tecidos, órgãos, assim como alimentos que eventualmente entram em nossos corpos pela boca. Sempre que o alerta é ligado devido a alguma substância estranha, o sistema imunológico funciona contra ela.

Entre as doenças autoimunes mais frequentes estão o diabetes tipo 1, quando há produção de anticorpos para combater células do pâncreas produtoras de insulina. Uma vez que os anticorpos vencem a briga contra as células ocorre o diabetes. Semelhante processo ocorre com a esclerose múltipla. Neste caso o combate se dá contra componentes dos neurônios até sua destruição. Conhecido também é o lúpus, que produz diferentes anticorpos que podem atacar órgãos como rins ou pulmão, por exemplo.

Diferentes órgãos e tecidos podem ser afetados. Os mais comuns são os vasos sanguíneos, os tecidos conjuntivos, as articulações, a pele, as glândulas endócrinas, os músculos e glóbulos vermelhos. E, grave e complicador nestas doenças, é que pode ocorrer mais de uma simultaneamente. Em geral, o médico tentará inibir, com drogas imunossupressoras, a atuação do sistema imunológico.

Não há uma conclusão sobre a origem precisa dessa produção irregular de anticorpos. Por isso, é fundamental a prevenção. Frente a qualquer alteração no funcionamento do organismo é preciso procurar um médico. Dessa forma fica mais fácil identificar um possível problema e, por meio de exames, até chegar ao diagnóstico antes de haver maiores consequências, que, muitas vezes, pode levar até a morte do paciente.

 

Postado por flaviocure às 21:46

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