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À Sua Saúde – JBlog – Jornal do Brasil

Não fique gripado neste inverno

Prevenção é meu mantra. Destaco sua importância a cada artigo e agora, mais uma vez, vou ressaltá-la e tentar atrair a atenção para uma medida simples e sem custo que pode salvar vidas, a vacinação. Hoje, dia 22, o Ministério da Saúde inicia em todo o país uma campanha contra a gripe, que segue até o dia 9 de maio. A meta é imunizar 49,6 milhões de pessoas em todo o país. Meu conselho: se você estiver no grupo prioritário, não vacile. Procure o posto e se vacine. Se for o responsável por outras pessoas, faça o mesmo com elas.

Nos grupos prioritários estão aqueles cujos riscos de complicações depois de contrair a gripe são maiores.  São os casos das crianças na faixa entre seis meses e até cinco anos de idade, pessoas acima dos 60 anos, indígenas, gestantes ou quem pariu há até 45 dias, trabalhadores na saúde, presos e funcionários do sistema de presídios. Além destes, aqueles que sofrem de doenças crônicas não transmissíveis.

A campanha mobiliza estados e municípios e uma vasta rede de postos 65 e mobilização de 240 mil pessoas. De acordo com os informes do Ministério, não haverá dificuldades de encontrar o mais próximo e participar, pois até veículos fluviais e marítimos serão mobilizados. É interessante também atentar para o fato da importância de aproveitar que o inverno ainda não chegou. A escolha deste período é positiva, pois entre maio e julho aumenta a incidência dos casos de gripe, dessa forma quando o inverno chegar as pessoas já estarão imunizadas, já que a criação dos anticorpos pelo organismo, após a vacinação, leva entre duas e três semanas.

Os estudos do MS indicam que a vacinação reduz entre 32% e 45% o número de hospitalizações devido a pneumonias e entre 39% e 75% o de mortalidade decorrente da gripe.

Além da vacinação, formas de prevenção básicas que devem virar hábito, rotina, para todos, são negligenciadas. São elas a lavagem das mãos diversas vezes ao dia, principalmente após pegar em maçanetas de portas, segurar em dinheiro, ou nos apoios de transportes públicos como ônibus ou metrô, utilizar telefones públicos etc.

Simples: lavar as mãos evitaria a transmissão em grande parte da doença, uma vez que o vírus influenza passa de uma pessoa para outra por meio do contato com secreções das vias respiratórias que podem ocorrer quando o contaminado espirra, tosse ou fala e também por meio de objetos contaminados, quando entram em contato com regiões como os olhos, a boca ou o nariz levam o vírus.

Vale lembrar que a vacinação não tem 100% de eficiência, portanto, é possível alguém vacinado contrair gripe. Nesse caso, principalmente se estiver nos grupos prioritários de vacinação, é recomendável buscar um médico o quanto antes.

Outra coisa é não se deixar levar por blá, blá, blá contra a vacinação, que já foi maior, mas persiste. Se houver alguma reação adversa em até 48 horas após tomar a vacina é algo que está dentro do previsto. Não ocorrerá na maior parte das vezes, mas não é inesperado. São consideradas reações benignas, como dor , vermelhidão ou algum enrijecimento o no local da injeção. A contra indicação da vacina fica parar pessoas com histórico de reação anafilática em doses anteriores ou para quem tem alergia relacionada a ovo de galinha e seus derivados.

Portanto, não pense duas vezes. Procure o posto mais próximo e se vacine.

 

 

Postado por flaviocure às 10:48

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O que faz a pressão subir ?

Como cardiologista muitas vezes sou questionado sobre os motivos que levam a pressão arterial a subir. Como acontece esse fenômeno e suas consequências. A percepção geral é de que se alguém está sob estresse, nervoso, preocupado, há a elevação. Está correto, mas não são apenas esses fatores, outros também complexos estão envolvidos, tais como a idade, os hábitos alimentares e físicos.

A idade, por exemplo, é um fator de risco, pois com o tempo as artérias por onde circula o sangue vão enrijecendo. Menos flexíveis dificultam a passagem do líquido e, desta forma, o sangue que é bombeado pelo coração encontram menos espaço para circular. Com isso a pressão sobe.

Os rins também têm papel expressivo neste equilíbrio do organismo.  Quando estão funcionando mal e não regulam a quantidade de líquidos em circulação no corpo, o coração tenta compensar com mais impulso ao sangue e também eleva a pressão.

O coração, claro, é o centro da história. Ele é um músculo que funciona ininterruptamente para garantir a irrigação das células com o oxigênio e nutrientes presentes no sangue. O bater do coração que ouvimos é o movimento de contração e expansão para bombeamento do sangue. É conhecido tecnicamente como sístole, quando o músculo se contrai e diástole, quando se dilata e está cheio de sangue. A força que o sangue exerce sobre os vasos sanguíneos determina a pressão arterial.

Em situação normal o corpo tem que ser capaz de dosar essa pressão e fazer o sangue chegar a cada célula na medida certa. Quando há pressão em excesso as artérias podem resistir e se romperem. É o que ocorre quando há um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico, com sangramento no cérebro.

Algumas situações provocam a elevação esporádica da pressão arterial e não chegam a ser graves se não se tornam rotineiras. A pressão alta contumaz afeta diferentes órgãos. Nos olhos podem romper as artérias que irrigam a retina e levar à cegueira. No cérebro podem provocar o AVC isquêmico (quando há o entupimento de algum vaso) ou o hemorrágico; coração, os rins, os vasos sanguíneos e o cérebro. No coração pode chegar à obstrução arterial ou à formação de coágulos, que impedem a irrigação e leva à morte de tecido e ao infarto. Os rins assim como provocam a hipertensão sofrem com as consequências que podem chegar à insuficiência renal. Na vida sexual, a pressão elevada pode levar à disfunção erétil, em função da chegada insuficiente de sangue no pênis. E nas atividades físicas, a pressão elevada desregula o volume de sangue em circulação no corpo e provoca dores musculares.

A elevação da pressão tem esses fatores, mas eles podem estar presentes também em pessoas que não sofrem com o problema. Na verdade, em cerca de 90% dos casos a causa não é conhecida. Mas os estudos mostram que alguns fatores incrementam seu aparecimento.

Para prevenir, o melhor é evita-los Alguns são a obesidade e o sobrepeso, que sobrecarregam o coração; o tabagismo em função de substâncias que reduzem a elasticidade das paredes das artérias ou a diminuição da espessura dos vasos sanguíneos; o sedentarismo, o estresse, o excesso de sal, o uso de drogas e álcool e a hereditariedade.

Se você se enquadra em qualquer desses casos, procure um médico e previna-se.  Alguns sintomas como dores de cabeça, na nuca, no peito, tonturas, visão embaçada, sangramento nasal e inchaço (retenção de líquidos) demandam atenção.

Mesmo que nenhum deles esteja presente, vá ao médico regularmente e faça seu check up.

A prevenção é o melhor remédio.

Aproveite bem a Páscoa.

 

Postado por flaviocure às 18:42

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Os cuidados na Cirurgia do Quadril

No fim de semana passado participei de um excelente fórum de discussões que tratou dos cuidados clínicos no pré e pós-operatório de fraturas no quadril, o tipo de lesão ortopédica que mais resulta em morte na terceira idade. O encontro reuniu alguns dos mais respeitados médicos ortopedistas, cardiologistas e clínicos do país e contou com a presença do dr. Javad Parvizi, cirurgião ortopedista americano, vice-presidente e diretor de pesquisa clínica do Instituto Rothman da Thomas Jefferson University, Filadélfia (EUA). Ele mesmo especialista em pélvis, quadril, joelho e reconstrução.

Javad Parvizi

Foi uma ótima experiência que resultou na troca de conhecimentos sobre temas que interessam diretamente ao atendimento cotidiano nos nossos consultórios. Afinal, a taxa de incidência de complicação em cirurgias ortopédicas, em especial as de quadril, é relevante, em especial nos idosos.

Diferentes problemas levam a essa realidade, como a dificuldade de recuperação óssea em pacientes dessa faixa etária, que, em geral, é mais demorada. Esse fato expõe o paciente ao risco de terem outros graves problemas de saúde.

Com ortopedistas como o dr. Pedro Ivo de Carvalho, presidente da Sociedade Brasileira de Quadril do Rio de Janeiro, com quem compartilhei a organização do workshop realizado no Hospital Samaritano, analisamos  o quanto é fundamental a realização de um bom pré-operatório. É neste momento que podemos avaliar as reais condições de saúde dos pacientes e definir todos os procedimentos para que os diferentes riscos que envolvem qualquer intervenção cirúrgica sejam minimizados.

Perdro Ivo de Carvalho

Temos que ter em mente que há protocolos a serem seguidos, mas que cada paciente é um indivíduo único. Não há uma receita de bolo imutável e o bom pré-operatório é feito com a escolha da melhor terapêutica para cada pessoa, de acordo com seu histórico. Essa consciência pode definir o sucesso do procedimento.

Da mesma forma, o pós-operatório é uma etapa delicada e que exige que se sigam protocolos bem definidos. Quanto menos tempo o paciente permanecer na unidade hospitalar, melhor. Os cuidados nesta etapa para evitar complicações incluem o correto posicionamento do paciente no leito e com as mudanças de posição assim como nos momentos para movimentação, por exemplo, para se sentar, utilizar o vasos sanitários ou na subida de degraus, por exemplo.

Toda precaução deve ser tomada para evitar problemas como tromboses venosas, infecções respiratórias ou embolias pulmonares. O pós-operatório deve preparar progressivamente o paciente também na recuperação de sua força muscular e flexibilidade, assim como de seu equilíbrio.

Vale lembrar que em praticamente todos os casos de fraturas no quadril o tratamento indicado é a cirurgia com diferentes métodos, mas que dependem principalmente da qualidade óssea do paciente, que fica mais comprometida com a idade.

A fratura ortopédica, em especial as que ocorrem no fêmur proximal (quadril), é um dos problemas mais comuns ocorridos entre idosos e representam um sério problema de saúde pública. Estatísticas do Ministério da Saúde mostram que pelo menos 30% dos idosos caem uma vez ao ano. De 5 a 10% dessas quedas resultam em fraturas graves e com grandes chances de reincidência.

A falta de equilíbrio, a dificuldade de andar e problemas de visão são alguns fatores comuns que contribuem para quedas, principal causa de lesões ósseas em pessoas idosas. Embora também possam ocorrer fraturas espontâneas devido à rarefação óssea, consequência, na grande maioria dos casos, da osteoporose, doença degenerativa dos ossos.

Alguns cuidados devem ser tomados no ambiente domiciliar em que vive o idoso para a prevenção de acidentes e, consequentemente, fraturas ósseas:

– Uso de chinelos antiderrapantes;
– Iluminação sinalizadora noturna, em rampas e escadas;
– Retirada de tapetes;
– Apoio para as mãos nos boxes e vasos sanitários;
– Acompanhamento oftalmológico adequado;
– Atenção redobrada ao atravessar a rua e com os buracos na calçada;
– Prática de atividade física leve, como caminhada, para fortalecer a musculatura.

 

Postado por flaviocure às 17:44

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