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Os cuidados na Cirurgia do Quadril

No fim de semana passado participei de um excelente fórum de discussões que tratou dos cuidados clínicos no pré e pós-operatório de fraturas no quadril, o tipo de lesão ortopédica que mais resulta em morte na terceira idade. O encontro reuniu alguns dos mais respeitados médicos ortopedistas, cardiologistas e clínicos do país e contou com a presença do dr. Javad Parvizi, cirurgião ortopedista americano, vice-presidente e diretor de pesquisa clínica do Instituto Rothman da Thomas Jefferson University, Filadélfia (EUA). Ele mesmo especialista em pélvis, quadril, joelho e reconstrução.

Javad Parvizi

Foi uma ótima experiência que resultou na troca de conhecimentos sobre temas que interessam diretamente ao atendimento cotidiano nos nossos consultórios. Afinal, a taxa de incidência de complicação em cirurgias ortopédicas, em especial as de quadril, é relevante, em especial nos idosos.

Diferentes problemas levam a essa realidade, como a dificuldade de recuperação óssea em pacientes dessa faixa etária, que, em geral, é mais demorada. Esse fato expõe o paciente ao risco de terem outros graves problemas de saúde.

Com ortopedistas como o dr. Pedro Ivo de Carvalho, presidente da Sociedade Brasileira de Quadril do Rio de Janeiro, com quem compartilhei a organização do workshop realizado no Hospital Samaritano, analisamos  o quanto é fundamental a realização de um bom pré-operatório. É neste momento que podemos avaliar as reais condições de saúde dos pacientes e definir todos os procedimentos para que os diferentes riscos que envolvem qualquer intervenção cirúrgica sejam minimizados.

Perdro Ivo de Carvalho

Temos que ter em mente que há protocolos a serem seguidos, mas que cada paciente é um indivíduo único. Não há uma receita de bolo imutável e o bom pré-operatório é feito com a escolha da melhor terapêutica para cada pessoa, de acordo com seu histórico. Essa consciência pode definir o sucesso do procedimento.

Da mesma forma, o pós-operatório é uma etapa delicada e que exige que se sigam protocolos bem definidos. Quanto menos tempo o paciente permanecer na unidade hospitalar, melhor. Os cuidados nesta etapa para evitar complicações incluem o correto posicionamento do paciente no leito e com as mudanças de posição assim como nos momentos para movimentação, por exemplo, para se sentar, utilizar o vasos sanitários ou na subida de degraus, por exemplo.

Toda precaução deve ser tomada para evitar problemas como tromboses venosas, infecções respiratórias ou embolias pulmonares. O pós-operatório deve preparar progressivamente o paciente também na recuperação de sua força muscular e flexibilidade, assim como de seu equilíbrio.

Vale lembrar que em praticamente todos os casos de fraturas no quadril o tratamento indicado é a cirurgia com diferentes métodos, mas que dependem principalmente da qualidade óssea do paciente, que fica mais comprometida com a idade.

A fratura ortopédica, em especial as que ocorrem no fêmur proximal (quadril), é um dos problemas mais comuns ocorridos entre idosos e representam um sério problema de saúde pública. Estatísticas do Ministério da Saúde mostram que pelo menos 30% dos idosos caem uma vez ao ano. De 5 a 10% dessas quedas resultam em fraturas graves e com grandes chances de reincidência.

A falta de equilíbrio, a dificuldade de andar e problemas de visão são alguns fatores comuns que contribuem para quedas, principal causa de lesões ósseas em pessoas idosas. Embora também possam ocorrer fraturas espontâneas devido à rarefação óssea, consequência, na grande maioria dos casos, da osteoporose, doença degenerativa dos ossos.

Alguns cuidados devem ser tomados no ambiente domiciliar em que vive o idoso para a prevenção de acidentes e, consequentemente, fraturas ósseas:

– Uso de chinelos antiderrapantes;
– Iluminação sinalizadora noturna, em rampas e escadas;
– Retirada de tapetes;
– Apoio para as mãos nos boxes e vasos sanitários;
– Acompanhamento oftalmológico adequado;
– Atenção redobrada ao atravessar a rua e com os buracos na calçada;
– Prática de atividade física leve, como caminhada, para fortalecer a musculatura.

 

Postado por flaviocure às 17:44

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