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Cuidados com a raiva

Em tempos de tanto acirramento de ânimos, com divergências políticas, xingamentos e agressões das mais diferentes formas, a classificação de alguns sentimentos veem à cabeça. Ouvimos falar em raiva, ira, ódio, que, pela semelhança, podem ser confundidos, mas que são facilmente diferenciados numa escala. Podemos dizer que a raiva é aquilo que sentimos quando algo dá errado, é passageira e individual. Já a ira é uma “evolução” da raiva. O irado tenta tirar satisfações, revidar de imediato, é um estágio de curta duração. O ódio é o estágio final, quando, além da vontade do revide, ele é de longo prazo, é alimentado pelo tempo, não tem limites. Ou seja, são três estágios de sentimentos a ser evitados, mas que temos visto cada vez com mais frequência.

Lembrei disso quando estava conversando sobre nossa conjuntura num grupo e ao mesmo tempo falamos do que já está sendo chamado de surto de raiva animal no estado do Mato Grosso do Sul e que teria resultado no primeiro caso de raiva humana em 21 anos sem ocorrências.

Lá um paciente, de 38 anos, está internado, depois te ter sido mordido por um cão infectado com raiva na cidade de Corumbá. Na mesma cidade, segundo a Secretaria de Saúde do município, nove casos de raiva canina foram confirmados.

A situação é preocupante, pois a raiva é altamente letal após ter seus sintomas manifestados. A doença é causada por um vírus que provoca uma encefalite e leva o doente à morte em alguns dias após o início dos sintomas.

A transmissão ocorre quando a saliva infectada entra no corpo por meio de uma mordida ou lesão na pele. O vírus se aloja no cérebro e causa inchaço ou inflamação, o que provoca seus os sintomas.

O infectado sofre com uma paralisia progressiva, às vezes precedida por uma fase de excitação – fase furiosa –, percebida principalmente em cães. No animal ele deixa de reconhecer o seu ambiente e o seu dono, altera os hábitos alimentares, foge da luz, para de beber água. Até o latido ou miado, no caso de cães e gatos, se modificam e ficam mais graves, como se estivessem roucos ou engasgados. Depois vem a paralisia e a morte do animal.

Nos humanos os sintomas incluem febre baixa, dor no local da mordida, perda de sensibilidade em alguma área do corpo, excesso de baba, perda de função muscular, excitação, convulsão, ansiedade e dificuldade para engolir, inclusive líquidos.

Embora seja normalmente relacionada aos cães, qualquer mamífero pode transmiti-la. Sejam os animais domesticados, como os cães, gatos, vacas, cavalos ou cabras, ou os selvagens, como morcegos, macacos, gambás ou guaxinins. Muito raramente pode ocorrer infecções provocadas por transplantes de tecidos ou órgãos de pessoas infectadas.

A prevenção por meio da vacinação é o caminho recomendado. A vacina antirábica é gratuita e está disponível em toda a rede pública do país.

É necessário estar atento a fatores, como viagens a países onde a raiva é mais frequente, como no sudeste asiático e na África. Também ao risco no contato com os animais. Em qualquer situação que tenha sido mordido por um animal o recomendado é que de imediato o local seja limpo com água e sabão e se procure imediatamente um pronto socorro. Se houver risco da doença, será indicada uma série de vacinas para ser tomada ao longo de 28 dias, em cinco doses.

Em caso de animais domésticos, procure o dono e solicite o comprovante da vacinação do animal, que deve ocorrer anualmente a partir dos três meses de idade. Sempre procure identificar o animal que fez a mordida, tente descrever o comportamento dele antes do ataque. Se possível busque uma forma de captura-lo, para que possa ficar em observação.

Caso já tenha passado algum tempo, procure identificar em você mesmo quais os sintomas está sentindo, quando começaram e qual a intensidade. O aparecimento da doença varia, pode ser até entre dez dias e sete anos, período em que ocorre a incubação. Em geral leva de três a doze semanas. No caso do paciente de Mato Grosso foram mais de 40 dias.

O tempo pode ser determinante à sobrevivência.

Em risco, previna-se. O conselho vale para raivas de todos os tipos.

 

Postado por flaviocure às 14:46

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