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Moderação com as carnes, para manter a saúde

Uma grande polêmica ocupou o noticiário internacional nesta semana, a partir do momento em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou a classificação dos riscos provocados pelo consumo de carne vermelha e carnes processadas, feita pela Agência Internacional pela Pesquisa em Câncer (Iarc). Ao colocar as carnes processadas na categoria 1 (a dos “sabidamente carcinogênicos”) e as carnes vermelhas na categoria 2 (dos provavelmente carcinogênicos), despertou uma espécie de pânico, acompanhada de revolta e, claro, uma comemoração discreta de alguns outros.

Creio na boa intenção dos pesquisadores que fizeram a categorização, mas parece que faltou uma avaliação comparativa mais precisa e também ponderação do ponto de vista da comunicação. Apresentar as carnes processadas na categoria 1, com riscos semelhantes aos do cigarro, amianto, fumaça de diesel, exposição solar e bebidas alcoólicas parece um exagero. Os pesquisadores indicam que há evidências suficientes para a associação, mas quanto de consumo de carnes seria necessário para alcançar o mesmo patamar de risco? Talvez fosse o caso de abrirem subcategorias para a informação ficar mais precisa.

O mesmo vale para a equiparação da carne vermelha a alguns inseticidas, frituras e trabalho em horários irregulares. Creio que faltou moderação na apresentação desta pesquisa.

De acordo com a própria OMS, 34 mil pessoas morrem anualmente devido ao consumo de carne processada. Já em decorrência do consumo de álcool são 600 mil e por causa do cigarro são um milhão.

O chefe do programa de monografias da agência Kurt Straif, justificou a divulgação com o fato de que grande número de pessoas consome carne processada (bacon,  linguiça, salsicha, carne seca, salame e presunto etc), com impacto na incidência de câncer. É uma preocupação justa e real.

Estas carnes são modificadas para realçar o sabor ou a durabilidade. São salgadas, defumadas, fermentadas, secas ou passam por outros processos. Aqui mesmo sempre falo sobre a necessidade de uma alimentação saudável, sadia, balanceada. Se é possível evitar estes produtos, melhor. Mas sem alarmismo.

Há estudos que indicam que a cada 50 gramas de carne processada ingerida por dia o risco de câncer colorretal aumenta em 18%. Então, é recomendável que não sejam consumidas diariamente. Mas o consumo eventual não precisa necessariamente ser descartado.

O importante ainda é que o consumo seja sempre acompanhado de outros grupos de alimentos, que incluam, verduras, vegetais e fibras e que, sabidamente, ajudam a atenuar os possíveis efeitos negativos das carnes. Além da pratica de exercícios físicos.

Como destaca o próprio diretor do Iarc, Christopher Wild, devemos evitar o alarmismo que foi carregado com esta pesquisa. Afinal, a carne vermelha tem valor nutricional reconhecido, sendo fonte de proteínas, ferro, zinco e vitaminas do comlexo B.

Espero que este alerta, que despertou tanta mobilização, sirva para que a sociedade, incluindo governos, população e empresas, direcionem seus olhares para a necessidade de políticas nutricionais mais sadias.  E em ações preventivas que evitem a incidência das doenças.

No mais, moderação. Não vamos deixar que uma informação mal colocada estrague nosso churrasquinho do feriadão.

Bom fim de semana.

 

Postado por flaviocure às 16:34

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