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Você sabia que o Jejum antes do Teste de Lipídios pode ser Irrelevante?

Chegou a hora de mudar a maneira como pensamos em jejuar antes do teste lipídico de rotina. Fortes evidências mostram que não há necessidade do jejum antes desse exame.

O teste de lipídios em jejum é raramente necessário, mas pode ser considerado para pacientes com triglicerídeos muito altos ou antes de começar tratamento em pacientes com desordem genética de lipídios.

Para a maioria dos pacientes, o jejum não se faz necessário antes do teste de lipídios. Além de ser baseado em evidências, é seguro, válido e conveniente.

Essa estratégia foi adotada pelo Instituto de Provedores de Saúde Americano e melhora a qualidade do atendimento e a satisfação do paciente e do clínico.

Mudança nas Diretrizes:

Em 2014, as diretrizes do Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA recomendaram que não se jejuasse antes de testes lipídicos para riscos cardiovasculares.

Outras diretrizes recentes de clínicas e consensos de especialistas da Europa e Canadá também recomendam que não se faça jejum antes do teste lipídico para a maioria das avaliações de rotina.

Fisiologicamente, passamos a maior parte de nossas vidas no estado de não jejum, mesmo assim o teste de lipídios em jejum era uma prática padrão defendida por diretrizes clínicas.

A justificativa para o jejum antes de medir os lipídios era reduzir a variabilidade e permitir uma derivação mais precisa do colesterol da lipoproteína de baixa densidade (LDL-C).  Havia também a preocupação de que um aumento nas concentrações de triglicérides, após consumir uma refeição gordurosa, reduziria a validade dos resultados.

No entanto, diversos estudos descobriram que o aumento do triglicérides após a ingestão normal de alimentos é muito menor do que antes pensado, resultando em uma preocupação a menos para os pacientes. 

Além disso, estudos recentes sugerem que os efeitos pós-prandiais não diminuem e podem até fortalecer as associações de risco de lipídios com doença cardiovascular, em particular para triglicerídeos.

Foi também descoberto que em certos pacientes, como aqueles com síndrome metabólica, diabetes mellitus, ou certas anormalidades genéticas, o jejum pode mascarar desordens em metabolismos lipídicos ricos em triglicerídeos, que só poderiam ser detectados em um estado de não jejum.

Em 2016, uma declaração consensual conjunta da Sociedade Europeia da Aterosclerose e da União Europeia de Química Clínica e Medicina Laboratorial passou a recomendar que não se fizesse jejum para testes de lipídios (com teste lipídico em jejum considerado para pacientes com níveis de triglicérides acima de 400 mg / dL (5 mmol / L).

Efeitos do estado Pós-prandial sobre níveis de lipídios e avaliação de riscos: 

Uma preocupação comum entre os médicos que não pedem rotineiramente o teste lipídico sem jejum é a variabilidade potencial nos níveis lipídicos e a interpretação desses valores para decisões de tratamento.  Mas na maioria das circunstâncias, as diferenças nos resultados dos exames em estado de jejum e não jejum são pequenos e clinicamente irrelevantes. Diferenças no colesterol de lipoproteína de alta densidade são insignificantes. Níveis levemente mais baixos são vistos (até -8 mg / dL) para colesterol total sem jejum e as diferenças são modestas (até 25 mg / dL mais altas) para triglicérides.

Esses dados devem tranquilizar clínicos que dependem dos níveis lipídicos para orientar decisões de gestão.

Avaliação de risco cardiovascular:

Exames atuais para avaliar o risco de doença cardiovascular do paciente usam dados de colesterol total e colesterol de alta densidade lipídica, porém ignoram os dados dos triglicerídeos e colesterol de de baixa densidade lipídica; consequentemente, comer não afeta as estimativas de risco.

Evidências que suportam o não jejum para testes de lipídios: 

A adequação do teste lipídico sem jejum para triagem geral para doença cardiovascular foi verificada em grandes estudos prospectivos nas últimas décadas.

Estudos concluíram que pacientes que se alimentaram normalmente antes dos exames lipídicos tiveram em seus exames dados mais claros sobre associações de risco cardiovascular.

A entidade Colaboração dos Fatores Emergentes de Risco revisou os dados de 68 estudos em mais de 300.000 pessoas e descobriu que a relação entre níveis lipídicos e incidentes cardiovasculares foi muito forte quando os valores lipídicos de um estado de não jejum foram usados.

Portanto, a evidência geral sugere que as medições lipídicas sem jejum são aceitáveis em relação à avaliação de risco, e na verdade podem ser preferidas na maioria dos casos, especialmente em pacientes com doença metabólica aterogênica ambiente que de outra forma poderia ser mascarado pelo estado de jejum. 

O não jejum também se mostrou mais seguro para pacientes idosos ou diabéticos.

Limitações de evidências:

Até o momento, nenhum estudo avaliou o valor das medidas lipídicas em estado de jejum versus não-jejum nos mesmos indivíduos, e não houveram ensaios clínicos randomizados.

Para mais informações procure o seu médico.

 

FONTE:ClevelandClinicJournal.

 

 

Postado por joaoflavio às 14:05

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