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De um botafoguense para Neymar

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Neymar teve na quarta-feira uma das mais belas atuações individuais de um jogador que vi nos últimos anos. Sua visão de jogo e seu passe de bicicleta para o segundo gol do atacante Borges e sua caminhada até o drible final que resultou no seu primeiro gol passarão a fazer parte da antologia do esporte. Muito mais do que o resultado do jogo. É assim que eu entendo o futebol.

Embora tenha uma certa simpatia pela história da Mangueira, peço licença ao pessoal do samba e aos Acadêmicos do Salgueiro e faço uma adaptação da célebre frase “Nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente”. O Botafogo é assim. Não é melhor, nem é pior, é apenas um clube diferente. Os botafoguenses são diferentes. Nem sempre uma vitória é mais importante, nem sempre um título tem tanto valor. E quem não tem a felicidade de torcer pelo time da Estrela Solitária não vai entender nunca. Por isso entendo o Neymar.

Por isso é que não compactuo com o deslumbramento de flamenguistas e grande parte da imprensa escrita, falada, televisada e “internetada” pelo resultado do jogo de quarta-feira. O Flamengo ganhou. E daí? Parabéns ao Flamengo.

Mas o que eu, como botafoguense, não esquecerei jamais é o inacreditável passe de bicicleta do Neymar e, mais ainda, do seu incrível primeiro gol. Desses que vão fazer parte da história do craque, do Santos e do futebol. Nesses tempos de DVD já já vai ser incorporado ao perfil do jogador na Internet. Não vou falar do seu segundo gol, que já faz parte do seu repertório.

Daqui a alguns anos talvez ninguém se lembre mais do placar que o Flamengo venceu o Santos num jogo emocionante na Vila Belmiro. Foi 4 a 3? 3 a 2? 5 a 4? 6 a 5? Ninguém mais vai ter certeza. Foi a vitória do futebol de resultado. Mas, repito, do gol de Neymar a gente vai se lembrar. Foi a vitória do futebol-arte.

Por falar em futebol-arte me lembrei dos tempos em que Botafogo e Santos eram a maior e mais bela rivalidade do futebol brasileiro. Fui procurar no Google. É só clicar “Botafogo e Santos, anos 60” que vai pintar uma história diferente. Como a que li em um site sobre a história do futebol e que foi retirada do livro “O Rádio, a TV e o Futebol do Meu Tempo”, do jornalista José Cunha.

Reproduzo na íntegra para você, Neymar, e para os amigos do Blog.

Diz assim:

O Santos entrou em campo no Maracanã para mais um grande clássico e foi recebido com aplausos como era normal, pois o carioca sempre amou a equipe de Pelé.

Trocas de flâmulas, bandeiras por todos os cantos, faixas e Pelé jogando em casa, como costumava dizer sempre que jogava no Maracanã.

De um lado o Botafogo trazendo um time com nomes famosos como Nilton Santos, Garrincha, Zé Maria, Zagalo, Amarildo, Quarentinha, entre outros. Do outro lado, Pelé, Mengálvio, Coutinho, Zito e toda a legião de craques que tanto fizeram pelo futebol.

O encontro já estava 4 x 1 para o Santos, quando Pelé fez o quinto gol dando um chapéu sensacional em Nilton Santos. Depois que vibrou e buscou a bola no fundo da rede, Pelé, ao passar pelo Nilton Santos na volta para o meio de campo, disse baixinho: “Não deu, velho”. E Nilton, sempre gentil, respondeu: “É, não deu, negão”.

Logo depois, o Santos voltou à carga e a bola foi cruzada na pequena área. Manga quis deixar o gol para agarrar a bola, mas foi contido por Nilton Santos, que com uma classe impressionante, levou a pelota no peito, botou no terreno e deu três fintas monumentais em Pelé, dando depois para Pampolini no meio de campo, que mandou ao ataque em direção ao Amarildo. Aí, Nilton Santos olhou para o Pelé e devolveu: “Não deu, negão”. E Pelé: “É, velho, leão não come leão”. A partida terminou 5 x 1 para o Santos”.

Botafogo e Santos nos anos 60. Eram 11 craques de cada lado (Foto: reprodução da Internet)

Vai Neymar. Vai ser Nilton Santos na vida. E entenda de vez que, para a arte do futebol, um drible, um gol, uma tirada de sarro contra um adversário, que prioriza resultados, muitas vezes vale muito mais do que o placar final do jogo.

Postado por paulocesar  | Comentar

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