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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Möet & Chandon lidera, Taittinger é vice e Veuve Clicquot fica em terceiro

O grupo Moët Hennessy perdeu a hegemonia no topo do pódio do ranking de Champagnes importados no Brasil. A turbulência no mercado abriu espaço para que novas marcas que investissem e ganhassem uma fatia maior de participação no setor. Segundo a Ideal Consultoria no novo ranking coloca Moët & Chandon em primeiro lugar, seguida da Taittinger, com Veuve Clicquot em terceiro lugar e Perrier Jouët em quarto fechando grupo de maior volume. Em quinto lugar ficou Louis Roderer e em sexto Nicolas Feuillatte, formam o segundo pelotão ainda distante dos quatro primeiros, mas distanciadas das demais marcas.

Taittinger assume a vice-liderança no ranking de Champagnes no Brasil.

É a primeira vez que Moët Hennessy do Brasil cede um dos dois primeiros lugares no ranking para um concorrente. Historicamente a liderança era de Veuve Clicquot, o grupo não comenta questões estratégicas já nos informou o serviço de imprensa tanto na França quanto no Brasil. A disputa está acirrada e Moët & Chandon somente recuperou o primeiro lugar no último trimestre após um forte sprint final. Em volume foram 5838,6 caixas de 9L,  para Moët & Chandon, 5718 para Taittinger, 4318,6 para Veuve Clicquot e 5258,3 para Perrier Jouët. Em faturamento, que é o que define o ranking, Möet & Chandon US$ 1.671.902,50, Taittinger US$1.312254,30, Veuve Clicquot US$ 1.201.801 e Perrier Jouët US$ 754.666,3. Num outro patamar Louis Roederer com US$ 195.397,60, com 294 caixas e Nicolas Feuillatte US$ 114.959,50 para 630 caixas.

No ano o mercado encolheu. O volume de 2017 foi de 38.043,4 caixas e caiu para 26.464,90 caixas de 9L em 2018. Enquanto faturamento encolheu de US$ 8.486.596,4 para US$ 6.107.190,30 no mesmo período. O câmbio pesou na importação de Champagnes. O cenário parece mais positivo para 2019 prevê Felipe Galtaroça da Ideal Consultoria. Santé.

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Uma taça de prosa com Didier Depond dos Champagnes Salon e Delamotte

Tenho 54 anos e nasci em Tours no Vale do Loire. Em 1986 entrei no grupo Laurent-Perrier e hoje presido o Champagne Salon e Delamotte (ambos fazem parte do grupo) que são vinificados no mesmo local. Comecei minha carreira como vendedor e depois fui para o marketing onde cheguei ao posto de diretor geral em 1997 e presidente em 2000. Meu primeiro vinho – Meu primeiro vinho eu provei muito cedo como é tradição numa família de vinhateiros, meus dois avós eram produtores na Touraine. Respeitando o antigo costume uma gota de vinho na ponta do dedo de meu pai foi colocada na minha boca durante meu batismo. Sorte de iniciante era um bom Sauvignon branco.
Minha harmonização preferida – Sem dúvida Champagne com trufas ou com um Comté, (queijo de massa dura) curtido 12 meses. Já com um Champagne de safra antiga gosto de um “ris de veau” (timo do vitelo) ligeiramente grelhado.

 

Minha região preferida – Quando nós amamos realmente o vinho estamos sempre abertos a diferentes regiões e bons vinhos são produzidos em muitas partes do mundo. Eu prefiro beber os bons e os grandes vinhos, não importa de onde venham. Bordeaux, Borgonha e Champagne são meus prediletos, mas não esqueço a Argentina e seus Malbecs, a Espanha e seu Jerez, nem Portugal e o vinho do Porto.

 

Meu vinho favorito – A ocasiões são muitas para beber bons vinhos e conforme o momento irei mudar. Meus Champagnes, claro. Eu gosto de beber um Fino (Jerez) ou um grande Armand Rousseau, da Côte de Nuits na Borgonha, ou ainda um Léoville Las Cases, de Saint Julien no Médoc.

Didier degusta um Salon 2002. (fotos Michel Jolyot/divulgação)

Minha melhor safra – Produzir vinhos e safras é como o nascimento em uma família. Cada filho é precioso e todos devem ser amados. Eles serão diferentes, cada qual com sua personalidade. Em Delamotte o Blanc des Blancs é um vinho fabuloso, bem equilibrado e verdadeiro. Um vinho para beber e repetir. Ele é a carteira de identidade da nossa “Maison”. Já em Salon somente produzimos nos grandes anos. Foram apenas 37 no século XX, caso único no mundo do vinho em todos os continentes. Então destaco Salon 1997, Salon 2002 e, em breve, Salon 2008 que foi produzido apenas em formato magnum.


Se meu vinho fosse um personagem – Talvez Napoleão pela força e ambição, mas também uma mulher como Audrey Hepburn, a perfeita feminilidade, a perfeita elegância, enfim “la classe”. ( Detalhe de poster Audrey Hepburn)
Santé.

P.S. – O Blog volta na segunda semana de Janeiro. Feliz Ano Novo.

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Uma taça de prosa com Charles Philipponnat da Maison Philipponnat em Champagne

Tenho 56 anos e não sou enólogo. Estudei Direito, Economia e Ciências Políticas. Meu pai era chef de adegas em Champagne, meu avô materno fazia rolhas de Champagne. Sempre trabalhei no mundo do vinho e do Champagne. Aprendi tudo do vinho e do Champagne fazendo. Em 2000 voltei para nossa antiga propriedade familiar em Mareuil sur Aÿ e passei a dirigir o Champagne Philipponnat. (foto divulgação Maison Philipponnat)

Meu primeiro vinho – Foi com meus parentes, claro. Fui batizado com uma gota de Champagne na ponta do dedo, como é a tradição por aqui, mas realmente não me recordo. Minha primeira lembrança remonta a quando tinha 4 ou 5 anos e de molhar um biscoito champanha no fundo de uma taça de vinho tinto do meu pai. Era um Côte du Rhône, sem dúvida, esse era seu vinho do dia a dia. Posteriormente aos 14 anos, num dia de domingo, quando meu pai abria um belo vinho, provei o tinto Château Montrose, onde meu pai atuou como consultor. Eu devia ter 14 anos. Mais tarde ainda eu descobri a Borgonha. Foi um Beaune-Grèves e os Musigny do Domaine Georges de Vogüé.

 

O Gruyère suíço AOC  produzido na região homônima situada no cantão de Fribourg. A foto é um detalhe de um cartaz publicitário que promove a Denominação de Origem Controlada deste queijo. (divulgação)

Minha harmonização predileta – O Champagne e o queijo! Antigos blanc des blancs harmonizo com queijos de massa dura como Comté ou Gruyère, falo do verdadeiro da Suíça. Com Champagnes onde domina a Pinot Noir gosto de queijos de massa mole com a crosta lavada como o Münster, Maroilles ou ainda um Langres.

Minha região preferida – Saindo da Champagne eu aprecio o Pinot Noir, especialmente o borgonhês, pois esta uva extraordinária é também a nossa em Champagne e exige um equilíbrio perfeito entre corpo e fruta, entre suavidade e frescor, sem tender para a oxidação nem para a redução. Degustá-lo e entende-lo é sempre um aprendizado. Também gosto de beber os Rieslings secos, aromaticamente tão diferentes das uvas champanhesas, mas tão similares em termos de estrutura, acidez, textura e intensidade. Mas bebo igualmente outros vinhos, procuro me manter muito eclético.

Meu vinho favorito – É impossível responder a esta questão! Que chatice ter de tomar todo dia a mesma coisa. Na Champagne além do Clos de Goisses, ao qual minha vida é dedicada há 20 anos, amo o respeito do belo classicismo mais que centenário de Pol Roger. Na Borgonha eu tenho uma queda pelo estilo carnudo e frutado do Domaine Méo-Camuzet e, como disse antes, pelos Musigny em geral, eu sei não é difícil… Sem esquecer dos Riesling, os alsacianos sobre um solo de granito e os alemães ensolarados sobre um solo de xisto, como logo ali, mais a oeste em Rüdesheim.

Minha melhor safra – Essa é fácil de dizer: 2008. Um ano excepcional que caiu tão bem ao Clos de Goisses, expressivo, muito longo e cheio de vivacidade. E mais particularmente a parcela “Les Cintres”. Eu sou ainda mais orgulhoso de ter tido êxito no ingrato ano de 2001, que eu apresentava em degustações às cegas e que todos achavam que era do ano de 2002, bem melhor.

Se meu vinho fosse um personagem – São João Evangelista apresentando o Cálice, de El Greco.

 

Quadro El Greco O Evangelho de Saint Jean, museu do Prado. (reprodução)

O Blog segue com o tema Champagne até o final das festas. Santé.

 

 

 

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Meus votos de Feliz Natal

Chegou Natal festa da confraternização universal que comemora a chegada do menino Jesus. Ele nasce em Israel, país que produz vinhos há milênios, como seus vizinhos. Neste Natal comemore com sua família e com seus amigos este momento histórico. Momento de amor e emoção. Nascimento é sempre repleto de alegria. Aprecie tintos, brancos, rosados, fortificados ou espumantes. De onde vier serão bem vindos. Abra o coração e aceite todos no Natal. Santé.

 

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Descubra os 7 Champagnes safrados avaliados pelo nosso júri

Após termos analisado os Champagnes à base de uvas Pinots passamos a degustar Champagnes exclusivamente safrados de sete produtores (fotos Edith Monseux). Todos de grande qualidade e alguns arrancaram aplausos unânimes dos jurados. A percepção da mudança foi imediata e a presença da Chardonnay foi rapidamente notada. A pontuação segue o padrão Vivino de estrelas e seu valor correspondente na escala Parker. São todos Champagnes para grandes ocasiões. Philipponnat, na foto entrou no post anterior na categoria Blanc des Noirs, mesmo sendo safrado.


Castelnau Brut Millésimé 2006 – Castelnau é uma marca histórica de um grupo de cooperativas que explora 900 hectares em 150 Crus diferentes, o que lhe permite escolher as melhores parcelas para os vinhos que engarrafa e ainda fornecer para algumas das maiores “Maisons” champanhêsas. Elaborado com uma assemblagem de 26 vinhos Premier e Grand Crus onde se destacam parcelas de Aÿ, Bouzy e Mailly o corte é 50% Pinot Noir e 50% Chardonnay e 12 anos de envelhecimento. As bolhas são delicadas e persistentes. No nariz aromas de flores brancas e frutas como pêssego e damasco. Na boca é untuoso, amplo e complexo. Aromas de café torrado e especiarias se destacam. Um vinho de grande equilíbrio e persistência. 4**** ou 90 pontos. No momento sem importador no Brasil, era trazida pela Vinos & Vinos.


Delamotte Blanc des Blancs Brut 2008 – Famosa por ter os melhores Chardonnays da Côte des Blancs essa discreta “Maison” fundada em 1760 é pilotada por Didier Depond que também produz a icônica Salon na mesma adega. Sua cor é ouro esverdeado. O nariz é fino e apresenta aromas de tília, flor de laranjeira, mel e cera. Na boca é muito untuosa e de bela estrutura. Os aromas de frutas cítricas e flores brancas se destacam. Sedutora vivacidade e mineralidade vão marcar um final longo e elegante com enorme equilíbrio. Perfeita para um delicioso aperitivo. 4,4***** ou 93 pontos. A marca Delamotte é importada pela Wine to You.


Charles Ellner brut 2006 – A familia Ellner é de Epernay de onde vêm boa parte das uvas, mas também produzem na montanha de Reims, na Côte des Blancs, Bar sur Aubois e no vale do Marne. Propriedade familiar e independente possuem 50 hectares de vinhedo. Sempre em busca da excelência tem conquistado muitos prêmios e boas notas. A cuvée brut NV está à venda no Supernosso. Sua cor é dourada clara e as bolhas elegantes e persistentes. O nariz expressivo mostra aromas de flores brancas, flor de laranjeira e brioche. Na boca outros aromas se revelam como café torrado, pera e notas minerais. Seu belo frescor, sua untuosidade e seu grande equilíbrio chamaram a atenção dos jurados. 4,5***** ou 93


Lallier Millésimé Grand Cru brut 2010 – Elaborada com Chardonnays de parcelas 100% Grands Crus da Côtes des Blancs e de Pinots Noirs de Aÿ e Verzenay. Pequena dosagem de 7g/l. Sua cor é dourada e suas bolhas perfeitas. O nariz é delicado e mostra aromas de frutas cítricas e flores brancas. Na boca aromas de brioche, pera e notas de mel. De grande complexidade, longo, muito equilibrado e persistente. Um Champagne gastronômico. 4,5***** ou 93 pontos. Importado pela Vinhos do Mundo.


Drappier Millésime Exception 2013 – A presença de Drappier nas degustações do Conexão Francesa é sempre uma alegria. Suas adegas foram construídas por São Bernardo, fundador da Abadia de Clairvaux em 1152. A propriedade familiar nasce em 1808 e hoje é dirigida por Michel Drappier. Preservando tradições seculares ele ainda planta casta antigas e um tanto esquecidas como a Arbane, Petit Meslier e Blanc Vrai. Nesta cuvée de 2013 a Pinot Noir, como é característica da “Maison”, domina. A Chardonnay entra com 40% do corte. O vinho de base é envelhecido em barris de carvalho da região de Limoges. É importado pela Zahil. Sua cor é dourada clara e no nariz complexo flores brancas e amarelas. Na boca um ataque amplo e belo frescor mostram na sequência aromas de marmelada de marmelo (não é goiabada), mel, pão torrado, torrefação e notas minerais. Um Champagne gastronômico, elegante, intenso e de grande complexidade. 4,5***** ou 93 pontos.


Joseph Perrier Cuvée Royale Brut vintage 2008– Este é um Champagne que faz parte da elite seja pela qualidade, seja pela origem da família que tanto marcou a região. Se o parentesco já os aproximou do Champagne Laurent-Perrier, hoje Jean Claude Fourmont posicionou a marca junto ao grupo de Alain Thiénot, seu primo irmão, que possui também Thiénot, Marie Stuart e Canard Duchêne. A direção segue com os herdeiros do fundador: Jean Claude e seu filho Benjamin. Foi o primeiro Champagne que degustamos, às cegas, após os “Blancs de Noirs” e a mudança foi sentida de imediato. O corte é 50% Chardonnay, 41% Pinot Noir e 9% Pinot Meunier de parcelas Premier e Grand Cru, sendo algumas delas do Le Mesnil sur Oger, Chouilly e Sacy. Junte-se a isto um envelhecimento de 6 anos. O resultado é um vinho de cor ouro esverdeado, com um nariz onde tília, flor de laranjeira e frutas brancas se destacam. Na boca aromas de mel, frutas secas, frutas maduras e marmelada. Seu grande frescor é seguido de uma bela estrutura e de grande complexidade aromática. Encantador, equilibradíssimo, intenso, gastronômico com um final que oferece grande prazer. 4,6***** ou 94 pontos. Em breve novamente disponível no mercado nacional.


Nicolas Feuillatte Collection Vintage 2008 – A jovem cooperativa francesa famosa pela sua Brut Sélection NV, líder de mercado na França, mostra nesta cuvée que além de fazer vinhos que agradam a todos sabe fazer aquele que encanta aos mais exigentes. O diretor enólogo Guillaume Roffiaen que foi estagiário no Centro Vinícola Nicolas Feuillate construiu e sua reputação na Drappier voltou às origens e hoje dirige hoje o mestre da adega David Henault. A dupla deu certo. Na taça a cor é ouro acinzentado com bolhas finas e delicadas. Os aromas são expressivos e exalam flores brancas e frutas em compota. Na boca brioche, notas minerais, pão torrado, marmelada e champignon. Untuoso, bela acidez, muitíssimo longo, enorme equilíbrio e muito gastronômico. Enfim, rico, complexo e merecedor de todos os elogios dos jurados. 4,6***** ou 94 pontos. Importado pela Evino a R$ 209,00.
Para o leitor fica a mensagem de que um Champagne safrado vale cada centavo. Ele oferece um prazer diferente que foge das bolinhas frescas e agradáveis dos pequenos espumantes. É de realmente uma bebida para os grandes momentos da vida. Desejo que o leitor tenha muitos e que possa desfrutar estes prazeres nestas festas e nas próximas. Santé

 

O Champagne é vinho ideal para grandes e pequenas belas ocasiões. (Foto Jean-Philippe)

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Uva nazista gera polêmica na Áustria

O mundo vitícola da Áustria debate se deve mudar o nome da uva mais utilizada na produção de vinhos locais. A tinta Zweigelt nasce do cruzamento da Saint Laurent, antigamente cultivada no Sudoeste e na Alsácia, e da Blaufränkisch, uva tinta com origem nos países do leste europeu. Criada entre as duas Guerras Mundiais pelo botânico austríaco Fritz Zweigelt (1888-1964) ela é hoje objeto de grande polêmica. Afinal, Fritz era nazista de primeira hora e antissemita convicto. (Na foto vinho austríaco com o rosto do botânico nazista.)

Inicialmente batizada “rotburger” a uva desde 1975 usa o nome do seu criador. É com este nome que o vinho desta cepa é hoje comercializado em restaurantes e lojas. A Áustria que nunca assumiu sua culpa pela colaboração com o nazismo convive com este debate. Dois vinhateiros e um restaurante de Viena passaram a chamar o vinho “Blauer Montag” (Segunda Azul) uma alusão a um início de semana difícil depois de ter enchido a cara no final de semana.

A uva austríaca é também cultivada na Alemanha e Inglaterra.

O organismo de promoção do vinho austríaco Österreich Wein Marketing, se disse aberto a discussão caso o tema seja aprofundado e tudo comprovado. Há um precedente na Alemanha onde uma uva chamada Dr.Wagnerrebe, o que era uma homenagem a um dirigente agrícola do III Reich, foi renomeada “scheurebe”  depois da II Guerra, nome de seu inventor. Já na Áustria é chamada “sämling 88”, isto é, semente 88. Durma-se com um barulho desse. Já demorou demais a mudar de nome. Santé.

(no próximo post publicamos o resultado final da degustação de Champagnes).

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Descubra os 6 Champagnes Blanc de Noirs da nossa degustação

Os safrados se destacaram nesta degustação de Blanc de Noirs, branco de uvas pretas. Natural que estes se sobressaiam, pois são produzidos somente em grandes anos, envelhecem mais tempo e tendem a ser mais complexos. Tivemos um empate técnico entre um Champagne de vinhateiro que apesar de não ser safrado tinha um belo diferencial. É elaborado a partir de uma seleção parcelar classificada como Grand Cru. Com o mesmo total de pontos um representante das cooperativas cujas uvas também têm suas origens em parcelas classificadas como Grand Cru. Na pontuação optamos por apresentar as notas com estrelas no popular padrão Vivino e as converter segundo a tabela Vivino para o padrão Parker para facilitar a compreensão de todos.

Montaudon Blanc de Noirs, Brut, NV – Produzido pela cooperativa Alliance Champagne que tem como marca principal Jacquart. Montaudon foi fundada em 1891 pelo chef de adega Auguste Louis a “Maison” deixa de ser familiar em dezembro de 2010 quando é comprada pela Alliance. Importada pela Wine tem 3 anos de envelhecimento na adega. Preço R$ 582,40. Sua cor é dourada clara, o nariz é discreto com notas de flores brancas e pêssego, nos aromas secundários percebemos acácia e rosa branca. Na boca se nota se uma dosagem um pouco maior (10g/l), como é tradição do produtor, tem com boa estrutura, final agradável e acidez mediana. 3,7 ****ou 88 pontos.

Drappier Brut Nature Zéro Dosage, Blanc de Noirs, NV – Uma referência dentre os produtores do departamento do Aube na região de Champagne, mais ao sul. Situado em Urville na Côte de Bar Drappier é conhecida por fazer vinhos com baixa dosagem, plenos e vinosos. Este não foge à regra, sem adição de licor de expedição seu açúcar é natural. Aqui cabe uma explicação o licor de expedição que contém vinho e açúcar. É ele que vai definir o estilo final do Champagne. Hoje a tendência é de reduzir esta dosagem. O produtor quando não adiciona açúcar e o vinho não tem mais de 3g/l ele pode ser chamado de Brut Nature, Não Dosado ou ainda Zero Dosagem. Importado pela Zahil e esgotado no site do importador neste momento. De cor ouro acinzentado tem bolhas finas e delicadas. No nariz flores brancas, frutas cítricas e aromas secundários de frutas maduras e amêndoas. Na boca o ataque é franco, intenso e com um belo frescor. Um agradável amarguinho no final de boca. 3,8 **** ou 89 pontos.

Philipponnat Extra Brut, Blanc des Noirs, 2012 – Extra brut, significa que o teor de açúcar está entre 0 e 6g/l de açúcar, portanto uma dosagem bem baixa. Charles Philipponnat, que dirige a Casa optou por uma dosagem mínima de apenas 4,5g/l. Importadora da marca é a Clarets, mas não consta ainda no site. A cor é amarela clara, o nariz bem aberto e expressivo, apresenta aromas de frutas, mel, caramelo, cítricos, e flores brancas. Na boca é vivo, intenso, equilibrado, aéreo e elegante. Seu final é persistente e muito agradável.  3,8**** ou 90 pontos.

Joseph Perrier Brut Nature, La Côte à Bras Cumières, Blanc des Noirs 2010 – Um outro com dosagem zero, o que confirma uma tendência. Joseph Perrier é uma das joias da Champagne e possui um conjunto de vinhos que tem como característica a complexidade e a fineza. A quinta geração mantém esta pequena “Maison” no alto do pódio. A parcela fica em Cummières na montanha de Reims, pertinho de Hautvillers onde D. Pérignon fez suas primeiras bolhas. Estará em breve no Brasil. A cor é amarela clara e as bolhas desfilam elegantemente na taça. Os aromas exalam flores de laranja, frutas amarelas, cítricos, frutas em compota e frutas secas. Girando mais a taça pão de mel, marmelada e baunilha. O ataque é vivo, na boca percebe-se o grande equilíbrio. É aéreo, complexo e untuoso. Os aromas se confirmam na boca mostrando grande complexidade. Tem um belo corpo e um longo final. 4,1**** ou 91 pontos.

Nicolas Feuillatte Grand Cru Blanc des Noirs, Millésimé 2008 – A jovem cooperativa de apenas 42 anos, conseguiu a façanha de ser o Champagne mais vendido da França e o terceiro do mundo neste curto espaço de tempo. Para você ter uma ideia ela vende mais do que a soma de Möet Chandon e Veuve Cliquot na França, o maior mercado mundial do Champagne. A marca é vendida no Brasil pela Evino, mas o Blancs de Noirs ainda não está disponível. A dosagem é de 6g/l. As parcelas estão na montanha de Reims principalmente em Verzy e Verzenay. Sua cor é dourada clara, no nariz sutileza e complexidade. Começa com aromas florais, flor de laranjeira e cítricos. Na sequência flores secas, pão de mel e café. Na boca um belo ataque e aromas de brioche, frutas tropicais e notas minerais. Um champanhe gastronômico, de bela acidez, untuoso e com ótima estrutura. Um longo e magnífico final num equilíbrio perfeito. Encantou aos jurados. 4,4 ***** ou 93 pontos

Lallier Sélection Parcelaire, Grand Cru Les Sous, Blanc de Noirs, Extra Brut NV – Lallier é a estrela em ascenção em Champagne. Francis Tribaut é um apaixonado e excelente vinificador. Ele produz somente Champagnes Grand Cru, à exceção do Rosé que é um Premier Cru. Sua pequena “Maison” fica em Aÿ, famosa por ser uma terra de predileção da Pinot Noir. Claro que a parcela em questão, Les Sous, fica em Aÿ. São produzidas apenas 4000 garrafas. A importadora é a Vinhos do Mundo que ainda não tem este lançamento recente da Lallier. Sua cor é dourada clara, o nariz é fino e expressivo. Destacam-se num primeiro momento frutas amarelas, como o damasco e tropicais. Depois frutas em compota, maduras e mel. Na boca o ataque é amplo, os aromas se confirmam e passeiam nas papilas. Um vinho de bela complexidade, rico, intenso e harmônico. Apresenta um final longo e delicioso. Outra unanimidade entre os jurados. 4,4 ***** ou 93 pontos. (Continua)

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Degustamos 13 baitas Champagnes para você

O Grande Júri Conexão Francesa se reuniu na última quinta-feira e degustou 6 Champagnes Blanc des Noirs e 7 safrados de grandes “maisons”, de cooperativas e de vinhateiros independentes. Temos certeza que com Champagnes deste nível suas festas vão brilhar. A degustação se deu às cegas e teve como membros do júri: Louis Fabre agrônomo e proprietário do Vignobles Famille Fabre, no Languedoc, onde produz grandes vinhos na denominação Corbières-Boutenac, Corbières e Minervois, e mesmo um espumante. Claire Fabre, esposa e também produtora;  Laure d’Andoque técnica em vitivinicultura e proprietária da Abadia de Fontfroide, no Corbières, onde produz vinhos IGP d’Oc,  Corbières e um espumante método tradicional. Este jornalista técnico em vitivinicultura e consultor.  Estrearam no Grande Júri dois enófilos apaixonados por Champagne Dennis Keller e sua esposa Christine que é champanhesa.

Os jurados Louis Fabre à esquerda, ao centro Rogerio Rebouças e à direita Laure d’Andoque .

Os Champagnes participantes por ordem de degustação foram Drappier Blanc de Noirs Zero Dosage, Montaudon Blanc des Noirs, Lallier Sélection Parcellaire Grand Cru Les Sous Blanc des Noirs, Joseph Perrier Brut Nature La Côte à Bras Cumières Blancs des Noirs 2010, Philipponnat Extra Brut Blancs de Noirs 2012, Nicolas Feuillatte Grand Cru Blancs des Noirs Brut Millésimé 2008. Veja que apesar de serem todos feitos com uvas pretas alguns são safrados, pois o produtor o faz somente neste estilo. Na sequência foram degustados Joseph Perrier Cuvée Royale Brut Vintage 2008, Charles Ellner 2006, Castelnau Millésimé 2006 Brut, Delamotte Blanc des Blancs 2008, Nicolas Feuillatte Collection 2008, Drappier Millésime Exception 2013, Lallier Millésime Grand Cru 2010.

Os jurados Claire Fabre à esquerda, Dennis Keller e Christine Keller à direita.

Os três tipos de produtores franceses da Champagne estavam presentes na degustação. No bloco das cooperativas tivemos os três pesos pesados: Nicolas Feuillatte, o mais vendido da França, Montaudon, marca da Jacquart e Castelnau grupo que reúne 22 cooperativas.  As independentes de vinhateiros Drappier, onde as pinots sempre dominam, Lallier, a estrela em ascensão, e Charles Ellner, sempre surpreendendo. Representando as famosas “maisons” de Champagne Joseph Perrier que é dirigida por Jean Claude e seu filho Benjamin, herdeiros do fundador, Philipponnat que é dirigida por Charles Philipponnat e Delamotte, do grupo Laurent-Perrier, que também produz a icônica Salon. (continua)

Os jurados degustam sem saber qual Champagne estão analisando. Ao fundo à direita uma garrafa envolta em papel alumínio. (Fotos Rogerio Rebouças)

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Está chegando a hora de tomar Champagne

Tomar Champagne é como comemorar um gol numa final, viver um grande amor, curtir uma paixão ou ouvir estrelas. O encanto mágico das sofisticadas bolhas é uma sensação inesquecível, sensual e prazerosa. É entrar em estado de graça. É andar nas nuvens. Se as vendas no Brasil caíram este ano é culpa da economia local que muito sofreu. No resto do mundo não foi assim. Alguns importadores brasileiros e produtores de Champagne seguem acreditando e investem no Brasil. A queda nas vendas das principais marcas do grupo LVMH, leia-se Möet Chandon e Veuve Clicquot, abriu um vácuo que já é ocupado, parcialmente, por diversas outras marcas. Essa mudança não é ainda capaz de repor a perda da líder histórica, mas o mercado está se democratizando. (foto Pinterest).

Nossa seleção de Champagnes para o júri busca refletir essa nova paisagem. Acreditamos e desejamos um Brasil economicamente melhor em 2019 e optamos por degustar dois tipos de Champagne que fogem do habitual. Blancs de Noirs, Champagne que é elaborado somente com Pinots, Noir ou Meunier, uvas escuras, e os safrados que estão no alto da pirâmide. Estes são elaborados somente nos grandes anos. Chega de pessimismo vamos fazer nossa parte e acreditar que o Brasil vai melhorar. Os Champagnes degustados foram: Drappier, Joseph Perrier, Montaudon, Ellner, Delamotte, Nicolas Feuillatte, Lallier, Castelnau e Philipponnat. Um nível altíssimo de qualidade que encantou os jurados. Nos próximos posts vamos publicar os resultados da degustação e apresentar cada produtor. Santé.

 

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Brasil fica em último no ranking mundial do vinho

Brasil segue estagnado em último lugar no ranking de competidores no mercado do vinho. É o que afirma o estudo Inteligência Competitiva 2017 (Veille Concurrentiel) elaborado pelo organismo francês France Agrimer. A classificação não é apenas por produção, mas por capacidade de competir no mercado mundial. Em primeiro está a Itália, seguida da França, Espanha, Austrália, Chile e Estados Unidos.

O ranking possui diversos parâmetros: 1 – potencial do produtor  2 – clima e meio ambiente 3 – capacidade de conquistar mercados 4- carteira de clientes e equilíbrio de fluxo 5 – dinâmica do setor e investimentos e 6 –  Ambiente macro-econômico. (fonte France Agrimer)

Em 13° lugar o Brasil merece uma análise de um parágrafo. “O Brasil é uma potência emergente. Tem a força de um mercado interior de 200 milhões de habitantes, o consumo do vinho está crescendo e as importações de vinhos espumantes progridem. No entanto, a situação política precária e a recessão atingem também a indústria vinícola e penalizam o Brasil que segue bloqueado no último lugar da tabela.” Tomara que esta situação também mude no Brasil.

Cinco fatos merecem destaque no estudo: Itália segue na frente, França mantém a segunda posição e reduz a diferença em relação ao líder, os Estados Unidos recuam, a Espanha sobe no pódio e a Alemanha ganha três posições. A disputa no primeiro pelotão é feroz. Chile e Austrália conservam suas posições, mas continuam longe do primeiro grupo e possuem foco na exportação. Portugal mostra sinal de renovação e novas denominações de origem seduzem os consumidores. A Argentina sofre com seus dez anos de crises econômicas, baixo rendimento e renovação. Santé.

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