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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Tesouras de poda em ação na França

Com a chegada do outono a colheita se acelera por toda a França. Depois dos vinhedos mais precoces como a Champagne chegou a vez das maiores regiões produtoras entrarem num ritmo acelerado. Os tratores circulam pelas estradas e cidades puxando caçambas repletas de uvas. Brigadas de colhedores de uvas avançam sobre as parcelas com suas tesouras de poda e baldes. De dia como de noite as colheitas se fazem desde que as uvas atingem o ponto ideal de maturação.

Depois de colhidas as uvas passam por uma triagem antes de serem vinificadas. (foto divulgação Vins de Bourgogne)

Na Borgonha, ao final de setembro, a maior parte do vinhedo já foi colhido e os produtores estão contentes. As parcelas mais precoces começaram a ser colhidas em 20 de agosto, as denominações mais tardias como Chablis, Hautes Côtes e certos ‘climats” des Côtes estão tendo, neste início de outono, um clima seco e quente o que vai permitir um amadurecimento perfeito das uvas. Este ano como nos diz Thibaud Marion do Domaine Seguin Manuel, – “Teremos quantidade e qualidade. Um ano maravilhoso. As degustações de final de novembro que precedem as vendas dos Hospices de Beaune devem confirmar esta primeira impressão”, conclui.

No Languedoc a colheita também se acelera e as uvas tintas começam a entrar nas adegas. Em Bordeaux também constatamos que os grandes châteaux iniciaram as colheitas e o tempo bom prenuncia mais uma grande safra. Bordeaux, no entanto, teve uma redução de volume devido a fortes ataques de míldio e chuvas de granizo. Santé.

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Feirão de vinhos deve faturar mais de 400 milhões de euros

O faturamento do feirão de vinhos na França mostra a força do vinho como negocio e paixão. Na maior parte do comércio ele começa em setembro. É o feirão do outono, o original, que se explica por aproveitar o momento da chegada da nova safra nas adegas e a necessidade de abrir espaço nas vinícolas, seja nos tanques seja nos depósitos. É também uma oportunidade para produtores menores se exporem em grandes redes. Momento para o consumidor fazer bons negócios e boas compras. Todos ganham. Você vai ver que os números são robustos.

Carrefour investe e tem o sommelier campeão Paolo Basso assinando sua seleção de vinhos.

Segundo a revista especializada com enfoque nos profissionais do segmento, Rayon Boisson, a progressão de vendas é espetacular. Em 2016 foram 62 milhões de litros e em 2017 65 milhões. Em valor a vendas atingiram 414 milhões de euros contra 390 milhões no ano anterior. O que representa um crescimento de 3,8% em volume e 6,9% em valor comparando com 2016. Segundo especialistas do setor a tendência é de alta.

Nestas horas é que Bordeaux mostra sua força ao responder por 70% das vendas. Ao longo do ano se contenta com 58%. Para a região de Bordeaux os feirões respondem por 18% do faturamento anual, para a Borgonha e Languedoc-Roussillon ficam respectivamente com as duas outras posições do podium.

Outro detalhe importante, já que este é um momento onde o consumidor busca fazer seu estoque ao aproveitar as oportunidades, a venda de tintos é superior alta e atinge 60%. Os vinhos rosés tem um volume um pouco maior do que os brancos, mas o faturamento deste é mais alto.

Como funciona? Preços bem baixos para atrair a clientela levam o consumidor aos sites e lojas. Mas quando chegar na loja tem de ter paciência para pesquisar. O ideal é ter analisado com antecedência as ofertas para não comprar apenas o encalhe ou cair numa pegadinha. Para isto basta entrar nos sites de jornais e revistas e ver a seleção das melhores oportunidades, os melhores vinhos e suas ofertas. Santé.

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Setembro é o mês para se comprar vinhos na França

Mês de setembro na França marca o final das férias, a volta às aulas, ao trabalho, a colheita entra num ritmo mais forte e os Foire aux Vins (Feirões de Vinhos) tomam contas de sites, lojas e supermercados. Marca também a chegada dos novos guias de vinho às prateleiras e das edições especiais de revistas e jornais sobre as melhores ofertas dos Feirões. Eles vão ajudar o consumidor nas suas compras. Os Feirões representam cerca de 15% das vendas anuais para grandes supermercados como Carrefour ou o líder francês E. Leclerc, que não está presente no Brasil.

Inacreditável que grandes revistas não especializadas como Le Point e jornais como Le Figaro, e tantos outros, publiquem cadernos grandes sobre o tema. As revistas especializadas mergulham fundo na análise das ofertas das principais redes de supermercados e de “cavistes” (lojas de vinho) com lojas físicas e virtuais. Páginas de tabelas com as principais ofertas, seus preços, relação custo benefício, seleção de favoritos e muito mais. Matéria de TV e radio complementam a oferta de informação. Afinal, o Feirão já está na paisagem há 40 anos.

Tem de tudo nas ofertas de vinho. Vai desde o AOP baratinho a 1,99€, tipo compre 4 e leve 6, caso do AOP Saint Chinian, Mermian tradição 2017 do Lidl, o hard-discount alemão, literalmente desconto duro, que tomou banho de loja, que também oferece o Château la Tour Carnet, GCC do Haut Médoc, 2016, com 93 pontos RP por 25,95€. Recebi agora na caixa do correio o catálogo do Intermarché. A oferta é bem mais ampla do que no Lidl, afinal é uma rede tradicional. O favorito da Borgonha é o Gevrey Chambertin do Domaine Nicolas Theuriet, 2016, tinto por 27,95€. Esta rede usou a consultoria de três enólogos experientes: Christophe Coppolani, Michel Petitjean e Georges La Fay. Além deles devem ser adicionadas as medalhas de concursos e notas de guias franceses e internacionais. No final do catálogo estão os Champagnes. Ao comprar 3 garrafas do Champagne Nicolas Feuillatte Grand Réserve o preço cai para fica por 19,96€ (R$ 97) cada garrafa. Moleza, não?

O catálogo do Aldi, outro hard-discount, também de origem alemã, traz na capa o Cru Bourgeois do Médoc Château Rollan de By, 2014, tinto claro. Um belo vinho que sai por apenas 14,99€ e foi selecionado por Dominque Laporte, sommelier campeão francês e melhor “ouvrier” da França, ambos em 2004. A lista é ampla e tem Côte du Rhône (6,49€) e Saint Joseph (13,99€) de Guigal, Alsace Gewurztraminer Grand Cru Hengst 2015 por 8,99€. O câmbio hoje está a R$4,83 por 1€. Arredonda para 5 que fica mais fácil de fazer a conta, vai. Mas tem muito mais nas lojas e sites tem muitos Grand Cru Classé, especialmente nos supermercados das grandes cidades. Eu que moro na roça tenho uma oferta maior de vinhos regionais do Sul da França. Santé.

 

 

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Chupar pedra e beber água da montanha permitem entender a mineralidade no vinho

Ontem, no jantar, para acompanhar um bacalhau fresco com molho de manteiga branca e limão, servido com espinafre e batatas “Daulphine” abri um Chablis Bernard Loiseau & Albert Bichot, 2016. Produto da parceria do restaurante estrelado e do famoso produtor da Borgonha. É degustando o delicioso vinho que começo a sentir aromas minerais. Descrever estes aromas é sempre um desafio pela falta de referência do leitor e mesmo daquele que degusta.

Chablis com dupla assinatura Bernard Loiseau e Albert Bichot tem aromas minerais.

A geologia de Chablis é de origem sedimentar que data do período entre o Jurássico superior e Cretáceo inferior. O solo calcário tem formação geológica do Kimmeridigiano e Portlandiano. Vai ser ele que vai levar estes aromas complexos ao vinho. Como bem descrever esses aromas?

Enquanto você não chupar uma pedra ou beber água pura e cristalina de um rio de montanha é difícil perceber essa especificidade aromática. Atrás do termo mineralidade encontram-se aromas como giz, iôdo, sal e pedra de isqueiro. Este você percebe facilmente ao cheirar a faísca do isqueiro ou ao friccionar duas pedras do terroir de Muscadet Côte de Grand Lieu no Vale do Loire. Os aromas de iôdo que vão favorecer harmonizações com ostras como as de Arcachon no Atlântico, mais do que as do Mediterrâneo. Esses perfumes podem estar presentes em certos vinhos, especialmente brancos do Vale do Loire como Muscadet e Sancerre, e na Borgonha o Chablis. Eles vão trazer sensações salinas e iodadas. Alguns tintos leves ou de velhas vinhas ou ainda de terroirs frios, vão oferecer sensações minerais. Boa degustação. Santé.

 

 

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Colheita termina na Champagne e safra deve ser excepcional

A colheita foi precoce, qualitativa e abundante. Foi realmente excepcional. Começou cedo em 20 de agosto nos setores mais prematuros, como o departamento do Aube mais ao sul. É a quinta vez em 15 anos que ela começa em agosto, afirma Thibaut Le Mailloux do Comitê Champagne. A colheita na região de Reims, coração da Champagne, começou depois afirmou Franck Protin do Champagne Haton.  Ela é de grande qualidade, assegurou.

Colheita no vinhedo do champagne Nicolas Feuillatte, o n°1 da França. (foto divulgação)

Após um inverno bem chuvoso na região champanhesa tivemos um mês de abril bem ensolarado com temperaturas amplamente superiores à média do decênio. Graças a um clima muito favorável a videira evoluiu rapidamente. As condições da do desenvolvimento vegetativo foram perfeitas e na hora da colheita os cachos eram numerosos, com um estado sanitário ideal. Uma bela concentração de açúcar e riqueza aromática acima da média alegou os vinhateiros. A colheita, obrigatoriamente manual, foi tranquila e realizada com um tempo seco e quente, o que não impediu que a temperatura matinal chegasse a zero grau, como aconteceu no dia 26 de agosto em Reims.

O rendimento de 10.800 kg/ha deve ser atingido em todos os setores. Esta safra abundante permitirá aos produtores de reporem o estoque regulador. Isto é, colocar em reserva vinho de bons anos para suprir ou corrigir eventuais problemas nos próximos anos. A excelente qualidade do mosto é sinal de que teremos belas “cuvées” e champagnes safrados em grande parte dos produtores. Para Olivier Zorel do Champagne Nicolas Feuillatte a expectativa é de um grande ano. Agora é aguardar a confirmação desta enorme qualidade nas degustações de inverno e da próxima primavera. Santé.

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Festas marcam o final do verão e o começo das colheitas na França

Com o verão chegando ao fim e as colheitas começando por toda França as últimas festas e eventos de enoturismo vão marcar o final da estação em todas as regiões de produção. O Château Grand Moulin, aqui no Corbières, fez seu último jantar na adega na quinta-feira passada, Montpellier encerrou ontem suas Estivais na praça Charles de Gaulle. Ontem, também foi a vez da noite Escargots à Catalã no Domaine M P Berthier, de Morgane e Paul, no alto Corbières. Tinha queijos e frios para quem não é fã dos caracóis na brasa. Lembre-se o norte da Catalunha é francês.

Hoje tem a festa do Terroir de Cascastel com direto a passeio no vinhedo, visita do Château, animação para as crianças, peça de teatro e um jantar com os produtores. A grande estrela é a muito boa cave cooperativa que leva o nome da cidade. O terroir cobre três Denominações de Origem Controlada Fitou, Corbières e Muscat de Rivesaltes e o regional IGP Valée du Paradis.

Alguns momentos do Tastes en Minervois em 2017. (fotos divulgação)

Do outro lado do departamento do Aude, em Bize-Minervois, quase no departamento do Hérault, teremos hoje e amanhã o Tastes en Minervois, os melhores vinhos da denominação estarão sendo degustados e acompanhados de mini-pratos elaborados por quatro chefs cada um com um estilo diferente. Stéphane Lavaux traz uma cozinha tradicional, Fabien de Bruyn uma cozinha do mundo, Nicolas Servent street food, e Jerôme Ryon, do estrelado restaurante La Barbacane de Carcassonne, ficou responsável pelas sobremesas.

 

100 vinhos diferentes, boa gastronomia, música e muita animação no Tastes en Minervois. ( fotos divulgação)

O Minervois é famoso por ter tintos consistentes e rústicos onde a Syrah, e a Grenache dominam. É uma região de tintos por excelência, que dominam a produção dom 86%. Mas vai ter rosé, Muscat de Saint Jean de Minervois, o melhor dos Muscats do Sul da França, já que a altitude do vinhedo lhe confere uma maior acidez, e alguns brancos. Além de vinho e gastronomia vai ter música harmonizada com cada estilo de cozinha. Santé.

 

 

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Criança também gosta de alta gastronomia

Ao menos esta é a aposta do chef triplamente estrelado Pierre Gagnaire, ao assinar um menu crianças para a brasserie do Fouquet’s, o mítico restaurante parisiense que recebe anualmente a festa de entrega do César, prêmio do cinema francês atribuído aos profissionais da 7a arte. Gagnaire espera com esta iniciativa transmitir à garotada o amor pela gastronomia francesa e seus bons produtos.

Menino com o “toque” e o prato principal à mesa. (foto divulgação)

Na entrada camarão, milho e queijo Comté se envolvem de manteiga branca. O prato principal é um escalope de vitelo cozinhado em “cordon bleu” e acompanhado de saborosos purês de legumes verdes e batata. Na sobremesa sorvete de baunilha com mousse de chocolate aerado. Isso é que é papa fina! O cenário é trabalhado com uma apresentação lúdica, jogos de mesa para colorir, e brindes para os pequeninos. A cada menu comprado um toque (o chapéu do chef) assinado Fouquet’s é dado para a criança.  Bom motivo para levar os filhos ao Champs-Elysées em Paris.

O Fouquet’s faz parte do grupo hoteleiro Barrière e a iniciativa não fica restrita à Paris, e acontece também em La Baule, Cannes, Toulouse, Enghien-les-Bains e mesmo em Marrakech, no Marrocos. O lúdico menu estará sendo servido durante todo o mês de setembro. Só faltou o suco de uva para a garotada já ir se acostumando ao vinho, a grande bebida francesa. Santé.

Serviço:

99, avenue des Champs-Elysées

75 008 Paris

Tel: +33 140696050

 

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Exclusivo: França deve produzir entre 44,5 e 46 milhões de hectolitros de vinho

O presidente do Comitê Vinho de France Agrimer, Jerôme Despey, afirmou em coletiva à imprensa hoje, que a safra 2018 deve ficar em 44,5 milhões de hectolitros. Os cálculos do governo, mais otimistas, apontam para 46,1 milhões de hectolitros. Segundo o diretor do setor Vinho Didier Josso, que entrevistamos com exclusividade, os produtores preferem ser mais comedidos nos números. Essa diferença se dá devido a uma menor colheita em dois vinhedos: Charente, onde o rendimento deve ser um pouco menor do que o previsto, e na região de Bordeaux onde a previsão inicial de 5,7 milhões de hl não deve se confirmar. Aqui a colheita deve se contentar com 5 milhões.

Jerôme Despey presidente do Comitê Vinho de France Agrimer. (foto divulgação)

Didier Josso nos diz que a colheita ainda está no começo e fica difícil ser mais preciso. Na região bordalesa a colheita vai começar dentro de dez dias e na região de Charente, onde o Cognac é produzido, somente dia 20 de setembro. O Languedoc também teve sua estimativa reduzida. No início o governo previa 12,4 milhões de hl e baixou para 12 milhões, já os produtores, sempre mais conservadores, preveem 11,9 milhões de hl. Aqui a diminuição foi provocada por fortes ataques de míldio.

A safra deve ter um crescimento médio de 20% em relação ao pequeno ano de 2017, quando a produção se limitou a 36,8 milhões de hl.  A Itália deve manter a liderança mundial de produção com 47 a 49 milhões hl e a Espanha encosta no pelotão da frente com 42 a 43 milhões hl. A colheita promete ser de muito boa qualidade, assegura Josso.  Santé.

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Uma taça de prosa com Arnaud Thomassin do Château de France, Péssac-Léognan

Arnaud Thomassin – Tenho 49 anos e nasci em L’Isle Adam na região parisiense. Me formei em viticultura e enologia no Beaujolais! Sou tecnólogo de nível superior tenho um BTS, Brevê Técnico Superior.  Nessa época eu morava no monte Brouilly, região do Beaujolais e terroir do Cru homônimo. Sempre que vejo um Broully na carta de um restaurante eu peço. Me traz sempre boas lembranças. Fiz meu estágio nos Hospices de Beaujeu, no Beaujolais. Terminei meus estudos em 1992. No ano seguinte fiz meu serviço militar na Gendarmerie que aqui equivale à Polícia Militar. Foi nesse período que eu degustei pela primeira vez o Château Haut Brion! Não me lembro mais da safra. Já em 1994 eu fui para a propriedade familiar o Château de France, que na época era dirigido por meu pai, Bernard, falecido em 2013 (Nota do Conexão Francesa: já participei de uma deliciosa e simpática degustação com Bernard Thomassin na antiga loja do Club de Tastevin, na Av. Almirante Barroso no Rio, do François Dupuis).  Minha primeira safra foi a de 1996. Uma safra muito boa com a Cabernet Sauvignon bem madura. Um belo vinho de guarda. Hoje sou o diretor geral do Château de France que é situado em Péssac, na denominação de origem Péssac-Léognan.

 

Vista do Château de France em Péssac, Bordeaux. (foto divulgação)

Meu primeiro vinho – Eu tinha 12 anos e meu pai me fez provar um vinho branco da Alsácia, Gewurztraminer, colheita tardia, que tinha uma boa dose de açúcar residual, da Cave d’Eguisheim. Eu bebi toda minha taça. Era tão bom e a taça tão pequena…

Minha harmonização predileta – Uma bisteca de Bazas (uma carne com Indicação Geográfica Protegida) com um Crozes-Hermitage do Domaine Michelas Saint Jemms, do vilarejo de Mercurol no norte do Rhône.

Minha região de produção preferida – Côte Rôtie, também no norte do Rhône. Um vinho incomparável. A Syrah, novamente ela, em todo seu esplendor. É um vinho com um belo frescor e muito complexo.

Meu vinho favorito – Château de France 2014

Minha melhor safra -Eu diria o 1996. Foi a minha primeira vez. Como este vinho é enorme.

Nelson Mandela durante a campanha Dê um minuto da sua vida para parar a AIDS. (foto divulgação Nações Unidas)

Se meu vinho fosse um personagem – Nelson Mandela: aberto, generoso, longevo,…

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Château Grand Moulin faz do enoturismo uma ferramenta de marketing e vendas

No verão os châteaux e domaines abrem suas portas aos visitantes. Sejam turistas de passagem, moradores do entorno, frequentadores e amigos. Na França a estação estival faz com que as pessoas saiam de casa e busquem o sol. O dia termina tarde e o sol vai se pôr lá pelas dez da noite. Enquanto a colheita não entra no seu ritmo frenético os vinhateiros aproveitam para ganhar um extra com o enoturismo. Afinal, nada melhor do que vender sem intermediários a bom preço e criar novos embaixadores, como nos ensinam as boas regras de marketing.

 

Le 49.3 é um Vin de France que qualidade que cabe em qualquer ocasião. (fotos divulgação)

Os eventos pequenos e grandes pipocam em todas as regiões produtoras. Bem pertinho de casa acontece toda quinta-feira o jantar do Château Grand Moulin, da AOP Corbières. O Jean Nöel Bousquet produtor emblemático de Lézignan-Corbières, minha cidade, organiza um jantar que oferece entrada, prato principal, queijo e sobremesa por modestos 22€ e tem direito ao vinho do aperitivo à vontade, até o momento de ser iniciado o serviço. Você pode escolher qualquer das cores. Não precisa se limitar ao branco e ao rosé, como manda o figurino. As mesas são colocadas entre as cubas inox de vinificação. Cerca de 150 pessoas se deliciaram com a bisteca, o prato de resistência, aqui chamada de côte de boeuf. Uma verdadeira instituição do churrasco francês. Evidentemente a churrasqueira era alimentada por cepas de videiras que conferem à carne um gosto especial. Os vinhos eram vendidos ao preço da lojinha do Château, ou mesmo mais barato para facilitar o troco.

Carignan, Syrah e Grenache é o corte do La CSG também um Vin de France.

 

Enquanto a brigada do traiteur contratado servia as mesas o cliente ia ao balcão, eles têm um amplo bar para fazer o serviço de degustação, e escolhia seu vinho. Dois vinhos tintos descomplicados faziam sucesso o Le 49.3 e o La C.S.G. O primeiro é uma alusão a um recurso presidencial para impor a aprovação de uma lei  sem submetê-la ao voto do parlamento e CSG é a abreviação de Contribuição Social Generalizada, um imposto similar ao Cofins no Brasil. O Le 49.3 é um vinho que serve para qualquer ocasião e La CSG é o corte Carignan, Syrah e Grenache. Este tem um vermelho violáceo profundo, aromas de frutas negras, alcaçuz e possui  bom corpo. Já o Le 49.3 é um vinho frutado com aromas de pequenas frutas vermelhas e bem fácil de beber. Como o artifício legal pode se impor em qualquer ocasião. Custavam no jantar apenas 8€.

Já foi o top da casa, mas segue em alto nível.

 

Na hora em que a bisteca enorme chegou optei por um vinho mais tradicional o Terres Rouges (terras vermelhas) alusão a uma parcela do terroir de Lézignan, próximo ao vilarejo de Conilhac-Corbières, que tem esta cor e onde uma parte das vinhas estão plantadas. Quando fiz minha visita técnica ao Grand Moulin em 2005, durante minha formação em enologia, este era o vinho top da casa. Hoje existem ainda dois Corbières-Boutenac,  no alto da pirâmide. Por 10 euros você recebia um vinho de corte Syrah e Grenache de parcelas selecionadas, com envelhecimento de 12 meses, sendo 1/3 do vinho em barris franceses e 2/3 em cubas de inox. Terres Rouges vai ter uma nota de baunilha que não vai esconder os deliciosos aromas de frutas vermelhas e negras maduras, nem as especiarias. De bela elegância este vinho é encorpado e tem um final longo. Um vinho que você pode guardar mais de dez anos. Na saída Jean-Noël Bousquet se despedia de cada conviva personalizando o evento e captando novos embaixadores. Seus vinhos ainda não estão disponíveis no Brasil. Santé.

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