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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Como escolher um bom sake sem saber falar japonês

Estive no Japão na última quinzena e a bebida nacional atraiu a minha curiosidade. Cada vez que ia ao restaurante um leque de opções de sake se apresentava nas diversas cartas. Nos supermercados, aqui os minimercados dominam a paisagem, sempre ficava a admirar as garrafas de sake sem nada entender. Indo visitar o museu do pintor Katsushika Hokusai (1760-1849), famoso pela sua onda, em Obuse, região de Nagano, passei em frente à sede do produtor Masuchi-Ichimura Sake Brewery, ou simplesmente Masuchi. Nagano possui 87 produtores, é o segunda maior concentração de “brasseurs” do Japão logo atrás de Niigata com 97 e empatado com Hyogo.

Equipe do produtor de sake Masuchi em Obuse, Japão. (foto: site oficial)

Masuchi é uma “ brasserie” artesanal que utiliza tonéis de madeira e não de inox. Além da sede possui um hotel, lojinha e restaurante, no melhor estilo enoturismo. Na verdade, o sake é bebido como um “vinho” de arroz, e possui classificação como os vinhos. Sua fermentação é chamada de múltipla fermentação paralela.

Bom vamos ao que nos interessa saber na hora de escolher um sake na prateleira ou no restaurante. Isto é saber ao menos como evitar um sake de mesa (como no vinho evitar o vin de table) e beber um AOP, isto é, um sake especialmente classificado. O futsu-shu é o sake de mesa, a parte inferior da classificação, pois possui ingredientes que não são autorizados para os sakes especialmente classificados. Este tem uma taxa de polimento do arroz superior a 70% e contém mais de 10% de álcool adicionado. A taxa de polimento é fundamental na determinação da qualidade. Quanto menor a taxa maior a qualidade. 70% é o limite alto, 60% você já tem algo bem legal e abaixo de 50% é a elite.

O rótulo traz muitas informações, mas sempre em japonês, o que dificulta bastante, ao menos para este colunista. O grau alcoólico dá para ser percebido, no alto à esquerda do rótulo. Geralmente entre 15 e 17 graus. Importante é a informação de que o sake é 100% da mesma variedade. Se tem a taxa de polimento é também um bom sinal. A densidade indica se o sake é seco, meio seco ou doce. O ponto de referência é zero, baixo de zero é doce, acima é mais seco. Tem muitas outras informações, mas tudo em japonês e, sinceramente, não ajuda. Com esta já dá para escolher.

O sake pode ser bebido gelado, na temperatura ambiente ou quente. De 5°C a 50°C. Para esquentar o sake coloque ele em banho maria até atingir 50°C. Santé.

Créditos: Cameraman – Eric Rebouças

Intérprete – Danieli Nakamura

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Faleceu Nicolas de Chevron Villette da Abadia de Fontfroide

Estava no Japão semana passada quando recebi a notícia do falecimento do meu amigo, jurado do nosso blog e responsável pelos vinhos da Abadia de Fontfroide. Foi no dia 10 de julho aos 57 anos que ele partiu deixando sua esposa Laure, também membro de nossas degustações e três filhos em idade escolar.

Nicolas durante degustação de champagnes em dezembro 2016.

Nicolas morava em Paris e já havia trabalhado na Maison Pommery, em Champagne, quando se mudou para a Abadia com sua esposa em 2004. Ela herdeira do co-proprietário da Abbaye de Fontfroide, veio com Nicolas assumir a direção do restaurante, do vinhedo e da abadia propriamente dita. Esta é a maior atração turística privada do departamento do Aude. O desafio era enorme. Rentabilizar e revitalizar Fontfroide, a abadia que já deu um Papa para a Igreja.

Para assumirem o vinhedo tiveram de passar pelos bancos da escola técnica CFPPA do Quatourze em Narbonne. Foi lá que eu os conheci. O curso durava dois semestres e eles chegaram no semestre anterior ao meu.

Cheio de ideias e projetos para a propriedade e para o restaurante, a parte que lhe cabia na gestão daquele latifúndio. Conseguiu colocar em outro patamar os vinhos da abadia. Todo ano recebia a medalha de ouro no respeitado Concours Général Agricole de Paris , foram tantas que tiveram de lhe dar o prêmio de excelência para seus AOP Corbières. Mas não foi apenas neste que seus vinhos foram reconhecidos. A bíblia do consumidor francês, o guia Hachette de Vinhos, lhe conferiu as 3 estrelas, a nota máxima, que o qualifica como vinho excepcional, nas safras 2004 e 2011 do Deo Gratias, seu vinho de referência. Mas os vinhos mais básicos, isto é, os Corbières tradicionais, que não passam em barricas como o Ocellus, que era importado pela Wine Mundi, recebia sempre 1 ou 2 estrelas nas diversas cores. Deo Gratias 2010 recebeu 86 pontos de Jeb Dunneck, do guia Parker.

Em dezembro ele esteve lá em casa e me levou uma amostra da nova safra de um ícone, a Cuvée Cloture, com menos de 4000 garrafas produzidas nos grandes anos. – “Guarde para tomar daqui há alguns anos, esse é para ser a imagem da excelência da Abadia”. A garrafa segue na adega esperando.

Formado na ESSEC, uma das grandes escolas de comércio da França, Nicolas se reconverteu profissionalmente. Ou melhor nunca deixou o comércio, seja na boutique da Abadia vendendo para os turistas, seja no mercado francês onde distribuía para restaurantes e delis. Mas também na exportação. Passou também a gerir a adega, acompanhar a vinificação, a colheita e gerir o restaurante. Tendo sempre Laure ao seu lado.

Nicolas no vinhedo de Fontfroide. (Foto Facebook)

Culto e muito bom orador sabia fazer análises com profundidade e pertinência. Como morava na própria abadia cisterciense, entenda-se por uma habitação austera, tinha de receber os amigos no terraço do restaurante. O fazia umas duas vezes por ano para retribuir os convites que recebia. Normalmente eram dois ou três grandes grupos temáticos de amigos. Eu me enquadrava em dois. Sempre com música francesa e brasileira, ele gostava da nossa MPB e da Bossa Nova, seus vinhos e canapés e doces feitos pelo chef do restaurante, isto é, um tradicional “cocktail dinatoire” (coquetel jantar). Deixa saudades e muitos amigos. Santé.

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Michelin engole Robert Parker

O fabricante francês de pneu adquiriu 40% do capital de Robert Parker Wine Advocate (RPWA) e Robert Parker.com, o célebre guia fundado pelo americano Robert Parker. Ele deixou a direção da redação há 4 anos, quem assumiu foi Lisa Perroti-Brown, e vendeu suas ações a investidores asiáticos. Agora o acionista majoritário é a Michelin que publica o famoso guia vermelho de restaurantes e o verde de turismo.

A aquisição vai dar mais visibilidade ao guia vermelho do grupo francês, famoso por dar estrelas aos melhores restaurantes do planeta. A diversificação e o “savoir-faire” de RPWA vão ser trunfos importantes do guia nos próximos anos num mercado extremamente concorrencial. O foco inicial é Ásia e EUA, depois as novidades chegarão à Europa e demais países. Santé.

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Château Dauzac subiu para a elite de Margaux

Durante a Vinexpo tive uma oportunidade única de visitar e almoçar no Château Dauzac, Cru Classé de Margaux, com seu diretor geral Laurent Fortin. Um grande esforço e investimento foi realizado na adega e no vinhedo para que o vinho brilhasse na elite de Margaux, sem ter preço exagerado. Uma nova adega foi instalada e lembra bastante a moderna adega de Vega Sicília na Espanha. O vinhedo hoje é conduzido pelo método orgânico e está migrando para a biodinâmica.

Detalhe da adega de envelhecimento em barris do Château Dauzac.

São poucos os grandes vinhos de Bordeaux que são conduzidos desta forma. Pessoalmente e cientificamente falando (falo respaldado por enólogos e mesmo pesquisadores do INRA) a condução do vinhedo em biodinâmica não é cientificamente comprovada. A condução orgânica sim. Mas tem muitos adeptos e em geram apresentam excelente resultado. Como sempre digo o que vale é o teste no copo, ao menos para o consumidor. A evolução pode ser constatada pelas notas do guia de Robert Parker a partir de 2014 quanto teve 91, 2015 com 90/92 e 2016 com 90/93, estes ainda no Barril. Cito Parker pois em Bordeaux é o guia de maior influência. Fortin assumiu há exatamente 4 anos e vem fazendo um trabalho dinâmico e de fôlego.

Os novos tanques em madeira de Dauzac. (fotos: RR)

Dauzac produz hoje o D de Dauzac, um Bordeaux com pedigree e muita tipicidade, um Médoc, um segundo vinho de muito boa envergadura e seu primeiro vinho que é excelente. Degustamos diversas safras do segundo e do primeiro vinho, mas também o D de Dauzac, bem mais em conta. Santé.

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Os Cru Classés de Graves

Escrevi na coluna anterior que os Crus Classés de Graves são na verdade de Pessac-Léognan. Graves é o berço histórico dos vinhos de Bordeaux. Mas somente em 1953 o terroir de Graves vai ser elevado à categoria mais alta da hierarquia. Paradoxalmente o Château Brion é um Premier Cru Classé desde 1855 quando a classificação dos Crus Classés surge.

Graves é o nome de um tipo de solo pedregoso que deu origem ao nome da denominação que fica às portas de Bordeaux. As videiras chegaram à região na Alta Antiguidade e se estendeu para o sul. A geologia e o microclima favoráveis levaram os romanos a produzir vinhos na região. Os tintos são elegantes e complexos com uma grande tipicidade e oferecem grandes brancos secos com enorme capacidade de envelhecimento. Hoje os Crus Classés de Graves ocupam 10% do vinhedo de Graves.

No jantar de abertura da Vinexpo o tinto de Haut Brion 2000, garrafa magnum, levado pelas mãos do príncipe Robert de Luxemburgo foi um dos destaques. Mas o Carbonnieux branco 2011, dos anfitriões, também em garrafa Magnum, chamou bastante a atenção dos convidados. Se as safras dos tintos iam de 1995 a 2010 os brancos se contentaram com as safras 2011, 2012 e 2013. Santé.

 

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Vinexpo, um salão com muito glamour

Se não se pode negar que Prowein é a feira mais profissional e, que em tamanho e certamente em negócios é hoje a maior, não há como comparar o glamour e a nobreza de Vinexpo. As recepções nos châteaux são magníficas e se impõe. O Brasil esteve presente com diversos importadores de todos os tamanhos seja do Rio, São Paulo ou Minas Gerais. Casa Flora, Casa Rio Verde, Wine Mundi, Grand Cru, Verdemar, Evino e outros que não tive a oportunidade de encontrar.

A cerimônia de abertura foi no Château Carbonnieux, um Cru Classé de Graves, organizada pelo sindicato dos Cru Classés de Graves, por mais que todos estejam em Péssac Léognan. Os 14 Crus estavam presentes com seus proprietários e diretores. O número de lugares era bastante limitado com menos de 300 convidados. Pelo que soube custava 300€ por pessoa.

Ao chegarmos em Carbonnieux atravessamos um jardim onde estavam expostos carros franceses do início do século XX. Nos jardins eram servidos sofisticados canapés, dentre eles um de filé de pombo. Em mesas os donos ou diretores dos châteaux nos serviam pessoalmente seus vinhos brancos e tintos. A matriarca de Carbonnieux cumprimentava a cada convidado quando estes entravam no salão. Na verdade, o pátio interior foi coberto por uma grande estrutura e se transformou num imenso salão para o banquete. O menu foi preparado pelo chef Alain Dutournier, do restaurante Carré des Feuillants, que ostenta 2 estrelas Michelin.

Para ver a lista completa dos Crus vá ao site www.crus-classes-de-graves.com.

Vale notar que entre os vinhos servidos estavam Château Haut-Brion tinto 2000, Smith Haut Lafitte tinto 1998, Château Olivier tinto 2003 , Château Carbonnieux branco 2011, Château Chevalier branco 2012. Veja a lista completa e o menu na foto abaixo.

Sua alteza real o príncipe da Luxemburgo, proprietário do Château Haut Brion eram um dos proprietários presentes ao solene jantar que exigia black-tie. Na saída do salão um café guloso isto é, com muitos docinhos, era servido aos convidados que podiam tomar também alguns GCC de Sauternes como La Tour Blanche, Guiraud e Champagne Deutz. Para encerrar com chave de ouro fogos de artifício de bela pirotecnia. Santé.

 

 

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Chegou a coleção primavera-verão dos vinhos franceses

A coleção primavera-verão não é uma exclusividade da alta-costura. Na França com o sol chegando depois de um longo e ” tenebroso” inverno é hora de abrir as portas dos châteaux e domaines para os consumidores e turistas. Mostrar a nova safra é primordial. O enoturismo é uma atividade complementar e importante da receita dos vinhateiros. Afinal, é na venda direta ao consumidor que o produtor tem uma maior margem.
Nesta sexta-feira, aqui perto de casa, quem abre as portas é o Château Vieux Moulin, um Corbières do terroir de Lézignan. Os vinhos de Alexandre They são de grande personalidade. No Brasil pode ser encontrada a safra 2012 do Corbières tinto Vox Dei, 91 pontos no guia de Robert Parker, a R$134 e o Les Ailes, o top da propriedade, com 93 pontos RP por R$199, ambos no site da importadora Grand Cru.
Ainda na sexta-feira um evento com jazz ao vivo no santo ambiente da Abadia de Fontfroide. Lá além da boa música os grandes vinhos de Fontfroide, que já esteve no Brasil pelas mãos da Wine Mundi, Ollieux Romanis, um clássico do Corbières-Boutenac, o muito bom Château La Bastide que era trazido pela Decanter e ainda a cooperativa Cellier de l’Aussou. Os vinhos são grátis e o pratinho de tapas custa 12€. Que beleza.
No sábado tem o evento da muito boa cooperativa de Castelmaure que produz principalmente vinhos de Corbières, mas ser um enclave entre o Fitou marítimo e o Fitou de interior. Seu território é o alto Corbières, terroir de Durban o que vai-lhe trazer uma maturidade tardia e mais frescor. Suas cuvées de referência são a Pompadour e a ambicionada número 3. Na programação lançamento do livro que conta a história desta cooperativa que nasceu no começo do século XX. Domingo é a festa dos profissionais na Vinexpo em Bordeaux.Santé.

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Muito além do vinho na AOP Fronton

Estive neste final de semana passeando em Toulouse, a grande cidade francesa do Sudoeste vinhateiro. A denominação de origem mais próxima é Fronton. A grande Toulouse chega a 1,2 milhão de habitantes, mas a cidade intramuros apenas 450 mil habitantes. A apenas 45 km pode se visitar o magnífico castelo de Laréole que data do século XVI. Aberto a visitas somente de maio a setembro é uma parada obrigatória para quem se aventura por Fronton, Gaillac ou Cahors. Como o castelo não é mobiliado o espaço é sempre utilizado para exposições e neste momento as esculturas de Daniel Coulet são a bola da vez. O artista expôs uma série onde a forma arco é a estrela.

Château de Laréole e um arco de do escultor Daniel Coulet.

A uva típica da denominação é a Negrette, que você pode encontrar também no Rosé Piscine, um delicioso vinho de verão desenvolvido para ser bebido com gelo. Na lojinha do château você encontra vinhos de Gaillac e Fronton, além de bons livros de história medieval. Santé.

A Catedral de Daniel Coulet.

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Paisagens do Vinhedo Rio-Grandense ganha prêmio principal do júri da OIV

Na Bulgária o Júri Internacional da Organização Internacional do Vinho, OIV, durante seu 40º congresso, atribuiu 10 prêmios e 8 menções especiais às melhores obras que disputaram a competição. Eram 65 concorrentes de 19 países. A originalidade e a qualidade das obras apresentadas caracterizaram a bela edição 2017 do Prêmio OIV. Havia prêmios em diversas categorias como Viticultura, Enologia, Economia Vitícola, História-Literatura-Belas Artes, História, Descoberta e Apresentação de Vinhos, Vinhos & Territórios, Vinhos e Gastronomia e Monografia. O Brasil ganhou o prêmio principal da categoria Vinhos e Territórios com a obra Paisagens do Vinhedo Rio Grandense de Rinaldo Dal Pizzol e Luis Vicente Elias Pastor publicada pelas Organizações Dores Couto. Santé.

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China mantém posição de segundo maior produtor mundial de vinho

Ontem foi divulgado o balanço do 40º Congresso Mundial da Vinha e do Vinho, o diretor geral da Organização Internacional do Vinho (OIV) Jean Marie Aurand divulgou os números globais do setor vinícola. A superfície plantada é hoje de 7,5 milhões de hectares e a produção de uvas atingiu 75,8 milhões de toneladas em 2016. A produção foi de 267 milhões de hectolitros e o consumo de 241 milhões de hectolitros. O vinhedo chinês segue crescendo (+ 17000 ha entre 2015 e 2016) atingindo um total de 0,84 milhão de hectares. Em primeiro lugar está a Espanha com quase 0.98 milhão de ha e a França em terceiro com 0,79 milhão de ha.

A produção de vinho em 2016 caiu 3% em comparação com 2015 devido a condições climáticas difíceis em diferentes países. O ranking ficou assim: Itália 50,9 milhões hl, França 43,5 milhões hl e Espanha com 39,3 milhões hl ocupam as três primeiras posições. Na América do Sul Chile 10,1, Argentina 9,4, Brasil 1,6, sempre em milhões de hectolitros, tiveram queda na produção devido ao clima. O Brasil é o 16º maior produtor de uvas, incluindo as de mesa.

Os maiores consumidores são os EUA, França, Itália, Alemanha e a China. O Brasil consumiu 3,3 milhões de hectolitros e tem um consumo per capita de 2 litros, na frente da China que tem apenas 1,4, mas bem atrás do líder Portugal com 54, dos vizinhos argentinos com 31,6 litros por pessoa ou mesmo do Chile que tem um consumo de 14,7. Santé.

O gráfico mostra as 5 principais variedades de uvas dos principais países produtores. Percebe-se a força da diversificação italiana. Louvável.

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