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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Trilha com vinhos e alta gastronomia em La Clape no Languedoc

No último domingo participei do XV Sentiers Gourmands em La Clape Vinhateiro, uma trilha apetitosa no sul da França. Foram 9,5 km de marcha acompanhados da boa cozinha do chef Marc Schwall, Cuisiniers Cavistes de Narbonne, dos bons vinhos da denominação e de um lindo dia ensolarado na beira do Mediterrâneo. Cheguei com um grupo às 11:45 e pegamos em seguida nosso kit para a trilha: chapéu de palha, taça de vinho, caderneta com os nomes dos vinhos e roteiro, lápis e os tickets para cada prato do programa. Tudo dentro de uma bolsinha tiracolo para pendurar no pescoço. 1450 pessoas pagaram 56€ para participar do evento. Era forte a presença de ingleses e belgas.

Participantes retiram os seus kits no Château Pech-Céleyran em La Clape.

A primeira parada era pertinho do Château Pech-Céleyran, nosso ponto de partida. Bastaram 250 metros e ostras da ilha Saint Martin em Gruissan e um gaspacho Andaluz com pão frito e olivas em compota nos esperavam. Para degustar tínhamos seis vinhos sendo quatro brancos e dois rosés, onde destaco dois brancos. Château La Negly, Brise Marine, 2017, que foi muito bem com o gaspacho, importado pela Grand Cru. E o branco da cooperativa Cave de Gruissan, La Clape, 2017, que com seu frescor e aromas fez bom duo com as ostras. Em La Clape os vinhos brancos têm na Bourboulenc e Grenache branca as uvas dominantes, mas também são importantes a Marsanne, Roussane, Clairette, Rolle (Vermentino na Itália) e Picpoul, além de outras complementares.

Vista da tenda onde foi servido o prato principal.

Subimos a colina e aproveitamos a bela vista que nos oferecia de um lado os arredores de Narbonne, vinhedos e do outro o Mediterrâneo. Atravessamos umas parcelas de vinha e após uns vinte minutos de marcha e muito bate papo chegamos na segunda etapa do percurso. Uma entrada fria nos aguardava. Era um Entremelé de tourteau (siri gigante) e camarão num molho vinagrete de maracujá, muito bom. Aqui tivemos quatro brancos, um rosé e um tinto. O branco Classique do Château d’Anglès 2016 é um vinho de grande qualidade. O proprietário é Eric Fabre, ex-diretor técnico de Lafite Rothschild. Importado pelo Supernosso de BH.

O La Clape branco da Cave de Gruissan sendo servido.

Seguimos avançando com nosso grupo e chegamos na entrada quente. Era um delicioso raviole de pato confitado acompanhado de um minestrone de legumes, molho de vinho da uva grenache e um tomme de ovelha ralado. Quatro tintos e um rosé se apresentaram. Me chamou a atenção o Château Capitoul, Rocaille, 2016, que agora gira em torno do grupo Bonfils um dos grandes players do Languedoc. Os tintos têm nas uvas Syrah, Grenache e Mourvèdre sua base. Carignan e Cinsault são utilizadas de forma complementar.

Mais uma boa marcha, outra colina e chegou a vez de comermos um feijão branco com uma linguiça de porco preto ao torresmo. Delícia para matar a fome acompanhado do habitual pedaço de pão. Este é obrigatório nas refeições francesas. Aqui tinha mesa e conseguimos sentar na sombra. Que beleza. Os bons vinhos, seis tintos e um rosé, faziam a alegria dos participantes. Muitos destaques e cito aqui Château Rouquette sur Mer com sua Cuvée Amarante, tinto, 2015. A propriedade fica debruçada ao Mediterrâneo na antiga ilha de La Clape. Isso mesmo na época galo-romana era uma ilha, hoje está unida ao continente. Este vinho de Jacques Boscary é o ADN do Château. É o AOC mais em conta da casa, mas o que melhor expressa o terroir. Château Mire l’Etang, 2016, Duc de Fleury e o L’Intrus, 2016, do Mas de Soleilla (importado por Casa do Vinho do Armando Martini em BH). Outro bom vinho é o do Domaine Sarrat de Goundy, Le Planteur, tinto 2016. O Rosé Domaine d’Angel 2017 fez bonito.

 

Penúltima etapa antes do retorno ao ponto de partida nos levou a um queijo de cabra da fazenda, isto é, não pasteurizado, La Chamoise. Para escoltá-lo três brancos e dois tintos. O branco da Abbaye des Monges, Augustine, 2016, é produzido por um amigo, Paul de Chefdebien, nesta abadia cisterciense que data de 1202, do qual nos resta a capela Nossa Senhora dos Olieux. O vinho tem um corte de Bourboulenc (60%) e Rousanne e seu nariz é floral. Na boca frutas brancas e cítrico, tônico e com bom frescor. Um par perfeito para o queijo de cabra.

Ao final da trilha todos os vinhos do evento podiam ser novamente degustados ou comprados ao preço Château.

Descendo a colina voltamos ao Château Pech-Celéyran para sobremesa e café. Como na denominação não tem vinho doce ou espumante, a mousse de chocolate que estava dentro de uma casca de ovo, o petit gâteau e a compota de framboesas tiveram de se contentar com água e café Lavazza. Outra opção é o participante recomeçar a degustação ao som de bandas de música por todo o entardecer. Santé.

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Chef Sinicropi faz jantar exclusivo para o júri de Cannes e serve Taittinger Prélude

Nem só de grandes eventos vivem os restaurantes durante o Festival de Cannes. Antes de tudo começar, na véspera da abertura oficial, dia 7 de maio, um jantar em petit comité, reuniu os jurados da 71ª edição no Palme D’Or, o restaurante duas estrelas Michelin, situado no primeiro andar do Grand Hayatt Hotel Martinez, na Croisette, em Cannes. O chef Christian Sinicropi, cinéfilo assumido, preparou um jantar inspirado na filmografia da presidente do júri a australiana Cate Blanchett. Justa homenagem.

“Arte requer verdade não sinceridade” legendou no prato Catherine Sinicropi. (Foto divulgação) 

Manifesto é o título da entrada, Não estou Lá, nomeou o prato principal e O Senhor dos Anéis, foi a sobremesa. Estes foram os nomes escolhidos pelo chef Sinicropi e que inspiraram sua esposa Catherine, artista plástica, a criar pratos de cerâmica originais para cada serviço. Se Manifesto é inovação e transformação a receita de Pan Bagnat mandou bem: – “A fruta se transforma em sorvete, a horta em polpa acidulada, o campo crocante leva um toque de uma erva chamada marjolaine”. Para iniciar a conversa foi servido o champagne Taittinger Prélude feito de uma assemblagem de parcelas classificadas como Grands Crus sendo 50% Chardonnay e 50% Pinot Noir. A vinosidade da Pinot Noir vai valorizar a acidez da entrada. Ainda na entrada foi servido branco Quintessence 2014, AOC Palette, do Domaine Henri Bonnau. Palette é uma micro denominação de origem da Provence com somente 42 hectares. O prato principal foi o cordeiro de Aveyron, a melhor região produtora da França, a receita se inspira no estilo country de Bob Dylan: – “Um horizonte sensorial tendo como eixo o filé da sela do cordeiro, tomilho selvagem, o pasto e o estábulo.” Foi escoltado pelo Volnay Premiers Crus Les Brouillards 2012 do Domaine Parigot. Um Pinot Noir rico e amplo e de bela complexidade. Outra opção foi um vinho italiano, afinal estamos pertinho da fronteira, Aléatico 2011 da vinícola Antinori. A sobremesa foi um crocante de morangos regionais. Aqui voltamos ao Prélude Taittinger.

  • Champagne Taittinger Prélude abriu o jantar.

A vista para o Mediterrâneo é um convite para se debruçar na varanda do Palme d’Or, ver o mar, o pôr do sol ou estrelas desfilando na Croisette. O setor de alimentos e bebidas nos hotéis pode fazer eventos para pequenos ou grandes grupos, de luxo ou mais econômicos conforme a clientela e orçamento. Atrai com isso o público para a hotelaria e aumenta o faturamento e o glamour da casa. Santé.

Vista do terraço do restaurante Palme d’Or no primeiro andar do hotel Martinez em Cannes. (Foto divulgação)

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Festival de Cannes é um grande negócio para alimentos e bebidas

Os eventos aumentam em muito o consumo habitual de alimentos e bebidas nos hotéis. O departamento de A&B tem nos eventos uma fonte muito importante de faturamento. Na verdade, ele não se limita a servir café da manhã, refeições e bebidas aos hóspedes. Os salões, quando bem trabalhados, são fundamentais. No caso de Cannes, onde demos números na coluna anterior, mostram a força dos eventos.  O Festival de Cannes não se limita a um concurso para escolher os melhores filmes, atrizes, atores, roteiros e companhia. Se fosse isso seria apenas mais um dia na alta temporada. É o maior evento da indústria cinematográfica mundial. Em paralelo acontecem encontros que geram negócios, muitos negócios.

Ilha de queijos na Praia Majestic.

O Marché du Film é o mais importante centro de negócios do cinema reunindo 12000 profissionais sendo 3200 produtores, 1200 vendedores, 1750 compradores e 800 programadores de festivais. Percebeu que não tem ator e diretor na lista? Tem que alimentar esse povo todo. O hotel Majestic Barrière recebeu nesta última semana os profissionais do Marché. Foi lá na praia Majestic onde além do píer o hotel tem um restaurante que se debruça sobre as areias do Mediterrâneo. Ostras, queijos, canapés, vinhos e champagnes em profusão mantiveram o clima de negócio animado. Nas fotos abaixo e com os números que dei fica fácil acreditar que se consomem 18500 garrafas de vinhos e espumantes em 12 dias além de toneladas de alimentos. Santé.

 

Milhares de ostras vão ser consumidas no Majestic durante o Marché du Film. (As fotos são uma cortesia da produtora brasileira Mares Filmes.)

Os convidados no píer Majestic se servem de canapés.

Taças de vinho esperam os participantes no final do píer. 

 

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Veuve Cliquot bomba no festival de Cannes

Maio na França é o mês dos feriados. São quatro: 1° de maio, esse você conhece, 8 quando se comemora a vitória na II Guerra Mundial, 10 é dia da Assunção da Virgem Maria, e mais para o final do mês, dia 21, Pentecostes, descida do Espírito Santo. Esta semana foram dois como você percebeu. Um na terça e outro na quinta. O resultado é que nem campanha de Bordeaux Primeur teve. Afinal, aqui a turma enforca direto.

A rotunda do Majestic mudou de nome e agora chama-se Veuve Clicquot, nova parceira do renovado hotel Majestic.

A França que não parou é a que recebe o Festival de Cannes. O mítico evento cinematográfico faz a cidade do Mediterrâneo ferver. No hotel Majestic Barrière os números dos 12 dias do Festival são assombrosos. São 25 mil refeições servidas, 2 toneladas de lavagantes, 3 de peixes, 40 de frutas e legumes, 160 mil ovos, 50 kilos de caviar, 350 de foie gras e 800 lagostas. 18500 garrafas de vinho, sendo mais da metade de Champagne. Quem deitava e rolava era o grupo Vranken-Pommery, parceiro da casa. Este ano a parceira passou a ser Veuve Clicquot. A equipe do hotel passa de 350 a 700 pessoas. 15% do faturamento anual com o item alimentação acontece nestes 12 dias. Uma loucura. Mas o Festival não é apenas o Majestic, seu berço, mas toda uma cidade que recebe turistas, jornalistas e artistas nesta grande festa da sétima arte. Santé.

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Restaurante L’Entrecôte de Toulouse faz sucesso há 52 anos.

Estava este 1° de maio em Toulouse e passei em frente a um restaurante que sempre tive a curiosidade de conhecer. O L’Entrecôte. Curiosidade, pois nunca tive coragem de enfrentar a longa fila que se estende pela calçada do Boulevard de Strasbourg, artéria principal da cidade. Já havia ouvido comentários de que a carne era boa e tinha fritas. Neste feriado não havia fila do lado de fora. Entrei. Uma pequena fila de 12 pessoas me aguardava no interior. Não desesperei. Em oito minutos sentei. O serviço é rápido e as mesas giram diversas vezes ao longo do dia.

O tradicional contra-filé com seu molho secreto.

Olhei e não vi cardápio ou carta de vinhos. A garçonete chegou e perguntou qual o cozimento da carne que desejava. Ao ponto, mal passado ou sangrando. A carne é uma só. E não é entrecôte. É um contra-filé fatiado de 170 gramas com fritas à vontade. Enquanto não chega a carne uma salada de alface com nozes e a tradicional cesta de pão fazem o tempo passar. Perguntei pela carta de vinhos, mas a garçonete me deu o nome dos vinhos da casa. O Le Bordeaux de L’Entrecôte, com um corte Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignion,   e o Rosé de L’Entrecôt. Um terceiro vinho regional vai estar presente em cada um dos restaurantes desta pequena rede de sucesso. Em Toulouse é o Château de Saurs, cuvée La Constance, de Gaillac, uma denominação do Sudoeste. O outro rosé é o IGP d’Oc Domaine de Fontiès. Você pode pedir taça, meia garrafa ou garrafa. Provei os tintos e preferi o Bordeaux que é correto e equilibrado, já o Gaillac apresentava um certo desequilíbrio. O vinho era quente no jargão da sommellerie, isto é, o álcool estava muito presente na boca.

Château de Sours tem no seu corte as castas regionais Brocol e Duras além das badaladas Merlot e Syrah tudo em partes iguais.

Quem faz muito sucesso é o molho, mas eles não dão a receita de jeito nenhum.  Decifrei boa parte da receita secreta. O molho é à base de manteiga, mostarda de Dijon, alcaparras, aliche, uma ponta de limão siciliano e pimenta do reino em quantidade. Delicioso. Existem 5 unidades na França: Montpellier, Lyon, Nantes, Bordeaux e Toulouse, o original da rede. Este foi criado em 1962 por Henri Ginestes de Saurs que se inspira no parisiense Relais de Venise, criado por seu pai alguns anos antes. Há 56 anos a fórmula do sucesso não muda.

A tarte tatin da casa é saborosa e tem uma bola de sorvete de baunilha. (fotos Rogerio Rebouças)

A única carta é a de sobremesas muito boa e farta. Tudo feito na hora. Não é um restaurante gastronômico evidentemente, mas é de estilo familiar, bem feito e bem servido. As sobremesas custam 6€ (R$25,20) ou 5,50€ (23,10€), o menu 19€ (R$80) e os vinhos 4€ (R$17) a taça, 9€ (R$38) a meia garrafa e 16€ (R$68) a garrafa. As garçonetes se vestem de amarelo e preto e as paredes são decoradas com um tecido de estampa escocesa.

No Brasil o L’Entrecôte de Paris e o L’Entrecôte d’Olivier são amplamente inspirados no conceito francês. Os dois andam se bicando nos tribunais. Ah, se o original francês mete a colher nessa briga. Santé.

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Château Croix Mouton é um grande vinho a preço bem comportado

Jean Philippe Janoueix é a quarta geração de uma família que sabe produzir e vender vinhos. As origens remontam a 1867, mas será em 1930 que seu avô Joseph comprará a primeira propriedade Château Haut Sarpe e posteriormente La Croix e La Croix Saint Georges em Pomerol. Seu pai Jean François expande as propriedades adquirindo outros châteaux na margem direita. Em 1994 o caçula Jean Philippe pilota o Château Chambrun de apenas 1,7 hectares em Pomerol, lá as propriedades são pequenas mesmo, e se destaca. O seu sucesso permite buscar outras aventuras e possuir alguns ícones da margem direita como Château La Confession, Saint Émilion Grand Cru, e Château La Croix Saint Georges em Pomerol. Parker o considera um belo produtor e suas notas estão em geral acima de 90 nestes dois vinhos, chega a atingir 93 em 2010 no de Saint Émilion e 93+ com o Pomerol em 2012. Além de possuir outros bons vinhos em áreas nobres como Sacré Coeur também em Pomerol, Cap Saint George em Saint Émilion e Cap D’Or na denominação satélite Saint Georges Saint Emilion.

A cada ano a fonte e a cor da letra M mudam marcando a diferença entre as safras do Château Croix Mouton.

Além destes grandes vinhos Jean Philippe tem ainda outras belas propriedades que buscam produzir vinhos que não necessitam de um longo de envelhecimento para se ter prazer. Não necessitam, mas podem envelhecer por vários anos. Falo de 20 Mille, Château Le Conseiller e Château Croix Mouton todos em Bordeaux Supérieur. Vou me restringir a este último pois é facilmente encontrado no Brasil.

 

Dionísio Chaves sommelier bicampeão brasileiro, degusta atrás das garrafas os vinhos de J.P. Janoueix

Duas safras distintas estão no mercado neste momento. A rede carioca Zona Sul selecionou Château Croix Mouton 2010 e a escolha do sommelier consultor Dionísio Chaves não se deu apenas porque o ano foi fantástico, mas por também estar pronto para beber e no seu apogeu. Um dos critérios da seleção de toda a linha Reserva Especial. O preço é R$ 129,60. Já a Evino, site de vendas on line, optou pela safra 2014 um ano dito clássico, isto é, bom sem ser excepcional, e está hoje sendo vendido a R$ 127,90. Para Robert Parker o 2010 do talentoso Jean Philippe é um “excepcional de uma denominação modesta” (outstanding wine from a humble appellation) e sapecou 90 pontos. Foi Neal Martin quem provou 2014 no guia americano e o defende de quem o considera de estilo moderno alegando que é equilibrado e potente. Deu 87 pontos e pode ser bebido agora ou dentro de alguns anos. Críticos diferentes e anos diferentes. Mas sempre com patamares altos de notas.

Com os vinhos de Jean Philippe Janoueix a certeza é que mesmo em denominações mais modestas o rigor no cultivo, na seleção das uvas e na vinificação estão presentes. A uva dominante é a merlot, a densidade chega a atingir 6600 pés por hectare, o rendimento é inferior a 46 hl/ha, quase igual ao do La Confession  que tem 42, idem para o período na cubas. A idade das vinhas é de 39 anos quando em La Confession é de 40. Outro terroir e outras características, mas um grande vinho por um preço bastante justo para os padrões brasileiros. Santé.

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Inédito – Safra 2017 em Bordeaux não terá 40 grandes châteaux

A campanha de Primeurs de Bordeaux começou desfalcada 40 grandes châteaux que não produziram vinhos suficientes para fazer a famosa venda antecipada. Na campanha são vendidos a melhor preço, mas com pagamento antecipado, os vinhos que ainda estão envelhecendo nos barris e que ficarão prontos somente em dois anos. A drástica decisão se acontece devido à forte geada de abril que atingiu o vinhedo bordalês em 2017. Um fato inédito que atingiu toda a região e se mostrou particularmente severa na margem direita. Como já disse aqui no blog a qualidade para quem produziu é excelente, mas quem foi atingido viu sua safra encolher e até mesmo não ter o que vinificar.

Mil magnums numeradas do Château Fleur Cardinale é tudo que restou da safra 2017. ( foto divulgação)

Stephen Carrier do Château Fieuzal, Grand Cru Classé de Graves, em Péssac-Léognan não teve condições de colocar sua produção no mercado, faltou vinho. Annabelle Cruse-Bardinet do Château Corbin, Grand Cru Classé de Saint Emilion, teve de tomar a mesma medida. Na margem esquerda não produziram este ano Haut Bergey, Doisy-Védrines, Climens e Sénejac. Veja abaixo uma relação parcial das propriedades que já informaram que não estarão participando da campanha 2018. Château Fleur Cardinale conseguiu salvar 1000 garrafas em formato magnum. Elas serão colocadas à venda na Campanha. Puro marketing já que sua produção normal é de 100.000 garrafas. Triste. Santé.

 

Lista oficial dos grandes Châteaux que já comunicaram que não estarão produzindo este ano.

VINGT MILLE No production
AMPELIA No production
FLEUR DE BOUARD No production
CHAMBRUN No production
DE FIEUZAL No production
GAZIN No production
POINTE ( LA ) No production
DASSAULT No production
ROL VALENTIN No production
TOUR DU PIN FIGEAC No production
FAURIE DE SOUCHARD No production
FLEUR CARDINALE No production
CHAUVIN No production
COTES DE BALEAU No production
GRAND CORBIN No production
GRAND CORBIN DESPAGNE No production
LARMANDE No production
LAROZE No production
CORBIN No production
LE PLUS DE LA FLEUR DE BOUARD No production
PIERRE 1er No production
LE CAILLOU No production
MONCETS No production

 

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Fusion N’ Rolls é um japa inovador com anões no jardim

Fusion N’Rolls Sushi é um restaurante com conceito inovador que desafia a cozinha tradicional Japonesa, graças ao seus maki rolls de estilo americano. Fusão que vai dar origem ao nome da casa. Situado não longe de Paris, em Bourg La Reine, o restaurante recebe em um ambiente animado com mesas no exterior. Francês adora ir para a calçada quando abre um solzinho. Garçons e garçonetes tem todos esses sorrisos cúmplices, que nascem da segurança da qualidade dos pratos que servem. O menu oferece pratos mais tradicionais (gyozas, sashimis, sushis e mochis recheados de sorvetes) e outros mais vanguardistas, porém todos são de alta qualidade, fartos e com preços razoáveis.

 

Tartare de abacate e gyozas à direita.

Devido às inúmeras escolhas, que parecem cada uma melhor do que a outra, pedi que a garçonete me explicasse o menu e recomendasse os top-sellers. Optei na entrada pelos famosos gyozas que são suculentos e crocantes (eles são ligeiramente fritos), até me disseram que haviam clientes que vinham só por causa deles! Em seguida veio um tartare delicioso de abacate, salmão com o molho especial da casa que realmente amplia a harmonia entre esses dois ingredientes.

Para o prato principal segui os conselhos que me foram dados e experimentei um roll de 10 peças de “Saumon Roll” (salmão meio-cozido por fora, cru no interior, abacate e molho do chefe), um roll de “Dragon Roll” (abacate no exterior, tempura de camarão, e um molho maionese com notas de cheddar) e para acabar um “Crunchy Roll” (tempura de camarão, surimi e abacate, isso tudo frito). Os três vêem em um prato de ardósia preta e a única maneira de descrever isso é como numa obra de arte, dá quase pena de comer, quase!

Ardósia de Saumon Roll, Dragon Roll e Crunchy Roll

O “Saumon Roll”, bem que mais clássico, mistura diferentes texturas que lhe dão um relevo particular e um refino certo. O “Dragon Roll” já é mais ousado, como uma aposta que você ganhou. Ingredientes japoneses são misturados com uma maionese que me parecia ligeiramente apimentada com notas de cheddar, definitivamente único e saboroso. E por último, o “Crunchy Roll” era o mais farto e crocante. Sua decoração, com flocos de Bonito secos que se mexem com o calor faz com que o prato pareça vivo!

O Chenin branco e seu anão do jardim

Para acompanhar tudo isso o restaurante propõe uma cerveja importada de uma pequena cervejaria Japonesa “Coedo”, da cidade de Kawagoe, e claro vinhos. Para acompanhar meus pratos de peixes e abacates nesse dia ensolarado, escolhi um vinho fresco e leve, um IGP Val de Loire, Chenin de Jardin bio de J. Mourat, 2016, 15€ (65 reais). Esse Chenin é jovem, com aromas de frutas, puro, com uma ligeira acidez que traz bom frescor e como diz na etiqueta é conduzido em modo orgânico. Seu rótulo descontraído traz um gnomo (anão) no jardim com uma taça na mão. O que em francês permite um trocadilho com anão (nain) do jardim, aqueles cafonas da branca de neve. Hilário.

A carta é curta mas atende plenamente e possui preços muito bem comportados.

Apesar de ficar longe de Paris, com o RER B em apenas meia hora do centro você pode chegar lá. O restaurante é bom e altamente recomendado pelo seu visual trabalhado e seu preço razoável. Santé. (fotos e texto Eric Rebouças)

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El Regajal tem a assinatura de Jerome Bougnaud (Pingus)

Me encantou o vinho espanhol El Regajal que provei na Alimentaria. Este projeto de origem familiar do advogado Daniel Pita com um vinhateiro conhecido, Ignacio de Miguel, vai nascer em 2001. O desafio é fazer um grande vinho numa DOC ainda pouco conhecida: Madri. Na Ribeira del Duero, Rioja ou Toro existem muitos. Madri apesar de ter grande potencial ainda precisa mostrar ao que veio. Em 2002 Daniel Pita Junior e o enólogo Jerome Bougnaud, do famoso Pingus, se juntam ao projeto. O foco é na qualidade.

Jerome Bougnaud enólogo de Pingus e de El Regajal. (foto divulgação)

O vinhedo fica em Aranjuez, ao sul de Madri e tem 16 hectares. Em 1998 foram plantadas 4 variedades de uvas: tempranillo, cabernet sauvignion, syrah e merlot. Em 2001 chegou a Petit Verdot. O vinhedo é conduzido em modo orgânico e a colheita é manual. Toda a equipe foi formada pelo craque Jerome Bougnaud, bela escolha. A vinícola El Gegajal produz  2 vinhos El Regajal e Las Retamas del Regajal.

El Regajal 2015 é um corte de Tempranillo, Syrah Cabernet Sauvignion e Merlot com envelhecimento de 13 meses em barricas. O resultado é um vinho que valoriza e muito a DOC Madri. Intenso, mas elegante, muito bem equilibrado e com complexos aromas de frutas escuras. Madeira muito bem integrada e longo comprimento na boca. Um vinho de qualidade excepcional. 4,5****

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Bons vinhos e gastronomia na Alimentaria

Terminou ontem em Barcelona Alimentaria a feira de alimentos, bebidas e serviços de gastronomia. O público desta feira não é apenas o importador de vinhos, mas também hotéis, restaurantes e supermercados. Para quem está acostumado a ver apenas vinhos esta é bem diferente. Maquete do Vaticano toda em chocolate, distribuição de torrones e outros doces no stand do fabricante, exposição de peças inteiras de boi e, claro, a churrasqueira mandando brasa, pizza no forno de lenha, carrocinha de sorvete italiano. Tudo em um ritmo de serviço non stop do 16 ao 19 de abril.

Hacienda Albae volta este ano ao Brasil com a Evino.

Como disse, o público é diferente. Muitos já se conhecem, são compradores habituais que vêm com toda sua equipe e vêm para comer. Outros ficam a distribuir guloseimas, o avanço é tão grande que as apresentadoras nem tem tempo de explicar.

Botas de Barro chegou em 2017 ao Brasil.

Mas tinha vinho sim. Grandes como Freixenet e Marquês de Riscal e outsiders como Spanish Palate. Esta trouxe vinhos das diversas vinícolas que representa como a Hacienda Albae, que já esteve no Carrefour e que volta agora pelas mãos da Evino, Botas de Barro que está com a Wine 2 You. Também tinha Barcolobo, Costa do Sol, Emilio Valério, El Regajal e Rompesedas. Este vem da denominação Toro e suas vinhas, com idade média de 80 anos, são pés francos e muitas plantadas antes da Phyloxera atacar a Europa. El Regajal é outro destaque pois tem como enólogo Jerome Bougnaud, o mesmo do ícone espanhol Pingus. Tomara que cheguem logo ao Brasil.

Muitos importadores do Brasil estavam presentes como: Zona Sul, Viníssimo, Casa Rio Verde, Vinea e Casa Fiesta. Santé.

Maquette do Vaticano em chocolate na Alimentaria.

Esta é para os amantes da carne.

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