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Jornal do Brasil

Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Azeite com chocolate, Mersault e vieiras “snackées” fazem trio ousado

Situado no lindo vale des Baux de Provence o Château d’Estoublon é um importante produtor de azeites da Provence, a referência francesa quando se fala de azeite. Com 120 hectares a propriedade cultiva oliveiras desde 1731. Neste mês de julho a família Schneider, proprietária desde 1999, decidiu ampliar a linha de azeites AOP Valée des Baux com um inusitado azeite aromatizado ao chocolate.

Para chegar a este resultado Valérie Schneider explica que foi feita uma maceração de favas de cacau dentro do azeite produzido no Château. Na boca vamos perceber que ele vai mostrar um estilo doce, suave e de muita fineza. Os chefs ou os apreciadores da boa mesa vão poder usá-lo para receitas doces ou salgadas. O objetivo é dar uma nota de originalidade em sobremesas como sorvete de baunilha ou de tomilho com pêra, salada de frutas ou ainda num crumble recém-saído do forno. Para Valérie o azeite com chocolate também tem lugar num magret de pato, num filé de peru, numa polenta e em molhos vinagretes.

Vieiras “snackées” fazem trio perfeito com o azeite aromatizado ao chocolate e um Mersault

O Conexão Francesa encontrou outras receitas que lhe pareceram mais interessantes. Com sorvetes experimentamos no de morango e de pêssego chato (pêche de vignes) e ficou delicioso. Outra sugestão é alterar a receita do creme de papaia e substituir o licor de cassis pelo azeite com chocolate, fica bom. Mas uma sugestão mais ousada, para uma entrada e fácil para o leitor fazer, seria com vieiras snackées. Um vapt vupt na frigideira em fogo alto e um fio de azeite do Château d’Estoublon com chocolate. Para harmonizar um belo vinho da Borgonha. Mas tem de chutar forte para poder encarar de frente. Pegue um Mersault, um Puligny-Montrachet, (…) de bom produtor. Tá bom, sei que o orçamento anda apertado e não vai dar para gastar mais de 400 reais nesse Chardonnay porreta. Seguem algumas sugestões mais em conta. Um Limoux branco terroir de Autan 2012, tem uma boa estrutura e boa acidez sai por R$164 no site da Winetoyou. Um Chablis de alta qualidade como o do Domaine Olivier vendido na Tahaa por R$185 deve fazer bonito.

Minha escolha ideal seria o Mersault Les Pierres de Jean Chartron.

O Château d’Estoublon produz também azeites com aromas de limão, alho, pimenta de Espelette, tomilho, manjericão e, claro, natural (14,90€). O Château 5 estrelas também recebe hóspedes. Com 10 quartos disponíveis as diárias variam de 400€ a 1250€ dependendo da época do ano. Santé.

 

 

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Uma taça de prosa com Laurent Fortin do Château Dauzac – 5° Cru Classé de Margaux

Laurent Fortin – Nasci na região parisiense por acaso, minhas raízes estão no Aveyron, departamento francês famoso por produzir o queijo Roquefort. Estudei numa escola de Comércio, Marketing & MBA. Trabalhei nos Estados Unidos e no Sudoeste francês. Sou diretor do Château Dauzac, Grand Cru Classé da Denominação Margaux desde 2013. Onde tenho feito um trabalho de renovação com uma abordagem de proteção ao meio ambiente.

Meu primeiro vinho – Claro, foi um vinho do Aveyron. Era um Marcillac, da casta Fer Servadou (também conhecida pelos nomes de Braucol, Pinenc e Mansois) produzido de um vinhedo plantado por meu bisavô. Um vinho rústico com aromas de frutas vermelhas.

Minha harmonização predileta – Um grande Sauternes com um Roquefort da fazenda.

Minha região de produção preferida – Margaux evidentemente, vinhos refinados, que se apoiam na fruta-  cassis e framboesa – de taninos sofisticados e longos na boca.

Meu vinho favorito – Sem hesitação um Screaming Eagle, um grande Cabernet Sauvignion do Napa Valley.

Minha melhor safra – Château Dauzac 2015.

Se meu vinho fosse um personagem – Um cavalheiro fazendeiro, culto, refinado tendo pleno conhecimento do seu terroir.

Santé.

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Moët Chandon e Veuve Clicquot confirmam queda nas vendas

A Moët Henessy Brasil, grupo LVMH, entrou em contato com o Conexão Francesa para afirmar que “o líder de venda no país no segmento Champagne é a Moët & Chandon”. Para garantir o que afirma a assessora de imprensa Gabriela Galvêz, enviou dados estatísticos trimestrais de importação de Champagnes elaborado pela Product Audit Internacional, de São Paulo. Os dados da Ideal Consultoria que publicamos no post anterior são mais atuais já que são mensais. Ambos os estudos são baseados em números da Receita Federal. A grande diferença é que os da Ideal estão atualizados até maio. Portanto são dois estudos com períodos um pouco diferentes, mas que vão mostrar a mesma tendência de queda acentuada nas vendas. O tira teima acontecerá no final do ano.

Champagne Taittinger assume liderança Brasil. (foto divulgação)

O que os números da Product Audit (por 1000 garrafas de 750ml) nos mostram é que as marcas líderes do grupo estão perdendo mercado a uma velocidade alucinante. Veuve Clicquot Ponsardin, VCP na tabela, e Moët Chandon estão em queda livre nos últimos três anos. 2016 foi complicado para os Champagnes no Brasil, mas o ano seguinte foi de crescimento para todos os demais produtores, exceto a Willian Deutz, que, no entanto, aparenta já ter retomado o caminho positivo em 2018. Veuve Clicquot, o líder histórico no Brasil, cai 59,3% em dois anos, Moët Chandon cai 48% no mesmo período. Já o challenger (desafiante) Taittinger se recupera da queda de 2016, cresce 78,9% e retorna ao patamar de volume de 2015.

Se olhamos os últimos 12 meses, coluna da direita na tabela, percebemos que a queda das duas líderes se acentua. VCP cai 51%, Moët Chandon diminui o ritmo da queda para menos 16,8%. D. Pérignon e Ruinart, duas marcas do grupo LVMH, que focam no alto da pirâmide dos Champagnes crescem. Enquanto Taittinger cai apenas 8,8%. O quadro mostra também que Perrier Jouët, grupo Pernod Ricard, se recupera da queda de 2016, se aproxima dos números de 2015 e fica provisoriamente na segunda posição com 76.000 garrafas vendidas nos últimos 12 meses, segundo a Product Audit.

Os dados da Product Audit, enviados em nome da Moët Henessy Brasil pela Tema Assessoria, confirmam que o mercado de Champagne no Brasil encolheu, mas o único a perder venda foi a Moët Henessy Brasil. Todos os demais cresceram. O que está acontecendo na Moët Henessy do Brasil? Maison que tanto fez pelo desenvolvimento do Champagne no mercado nacional? Neste estudo da Product que traz a Perrier Jouët em segundo lugar, não deixa dúvidas que a Moët Chandon ainda aparece como líder, mas o relatório os mais recente da Ideal aponta para uma perda da posição. Pernod Ricard que possui também a marca Mumm, aquela que era aberta pelos vencedores de GP de Formula 1, mudou o foco e apostou na Perrier Jouët, que está com taxas de crescimento insolentes nos dois estudos. Vai disputar lugar no podium.

O ranking é estabelecido com base nos volumes importados, sell in, já que os de sell out (vendas para o mercado) entram no campo do sigilo fiscal e não são divulgados para as auditorias e nem pelas empresas. Para vender tem que importar e estes são os números que valem.

Outra informação relevante e agora falando em garrafas e não em caixas, feitos pela Ideal Consultoria e enviados por seu diretor Felipe Galtaroça, e atualizada até maio. São números que a Moët Henessy Brasil ainda não recebeu já que a tabela da Product Audit é mais antiga. O cenário mais recente é o seguinte:

Janeiro a Maio 2018

Taittinger – 27.291 garrafas

Moët Chandon- 23.670 garrafas

Perrier Jouët – 15.847 garrafas

Veuve Clicquot – 15.204 garrafas

No ano móvel Junho 2017 a Maio 2018

 Taittinger – 82.785 garrafas

Moët Chandon- 78.981 garrafas

Perrier Jouët – 75.665 garrafas

Veuve Clicquot – 57.873 garrafas

Montaudon – 21.840

Nicolas Feuillatte – 7.800

 

Os líderes de 2018 provavelmente serão outros. Santé.

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Taittinger desbanca Veuve Clicquot e assume liderança do mercado brasileiro

Pela primeira vez uma marca do grupo Louis Vuitton Möet Hennessy, LVMH, não está no topo das marcas de Champagne mais vendidas no Brasil. O Champagne Taittinger assumiu a pole position provisória do ranking dos últimos 12 meses segundo estudo da Ideal Consultoria. Taittinger era o terceiro colocado e vinha com uma grande taxa de crescimento. A líder histórica do mercado nacional sempre foi a Veuve Clicquot, salvo em 2016 quando esteve no topo a Möet & Chandon, também da LVMH.

Desde que foi lançada pela Interfood no Brasil em 2013 a marca vem conquistando o mercado e agradando ao público apreciador dos melhores Champagnes. Se Taittinger cresceu mais 43,5% nos últimos 12 meses do estudo da Ideal (junho a maio 2017 X junho a maio 2018) Möet & Chandon caiu 46,2% e Veuve Clicquot 59,7%, em valor. Em volume Taittinger cresceu 33,7%, Möet caiu 48,4% e Veuve Clicquot 60,5%. Outras marcas também estão crescendo como Perrier Jouet com mais 81,5%, Montaudon mais 7,8%, Louis Roederer mais 29,9%, Piper Heidsiek mais 66,7% e Nicolas Feuillate mais 712%, mas o volume destas é muito pequeno se comparado à queda das duas principais marcas do grupo LVMH. O mercado está menor e em mudança.

Taittinger Champagne oficial da FIFA , lança série limitada durante a Copa do Mundo. (fotos divulgação)

O segredo deste sucesso nos conta Rafael Martins gerente de marketing de espumantes e do grupo Remy Cointreau na Interfood, importadora exclusiva de Taittinger, nos conta que “o rejuvenescimento da marca através de ações de branding como apoios, patrocínios e parcerias com marcas de luxo e eventos exclusivos tem sido o foco. A grande alavanca estratégica para iniciar este processo de rejuvenescimento foi o fato da marca, em 2013, ter fechado o acordo com a FIFA para ser o Champagne Oficial da Copa do Mundo em 2014 no Brasil e em 2018 na Rússia”, disse.

Para Rafael Martins o “mercado brasileiro está mais maduro, especialmente nas capitais e na região Sudeste, mas ainda temos muitos mercados para melhorar e amadurecer, principalmente para o Champagne. Taittinger está presente em bares, restaurantes, supermercados e lojas especializadas, estes são primordiais para o posicionamento da marca e para o contato com o consumidor final. Uma grande participação nas vendas decorre de eventos sociais e corporativos, ensina.

É este amadurecimento que vai permitir a entrada de outros grandes produtores de Champagne no topo do ranking brasileiro e dar esta sacudida no mercado. A Perrier Joüet já ocupa o 3° lugar em volume deixando Veuve Clicquot em 4°. O market share hoje está assim divido entre os que possuem dois dígitos: Taittinger 21,9%, Möet & Chandon 20,2%, Perrier Joüet 20,5% e Veuve Clicquot 15,2%.

Duas marcas que atuam pela internet estão ganhando mercado, Montaudon, a submarca do grupo Jacquart, que ocupa o 5°lugar com 5,6% de parte de mercado e a recém-chegada, com menos de 3 anos no Brasil, Nicolas Feuillatte, líder na França, já alcançou 2,1%. Todas as demais estão abaixo de 2%.

A família Taittinger com o pai Pierre-Emmanuel, ao centro, o filho Clovis e a filha Vitalie.

A nova líder do mercado tem uma característica que remete aos grandes châteaux de Bordeaux “ela ainda é controlada pela família Taittinger. É a única grande Maison de Champagne que não pertence a um grupo. Por isso a imagem e a qualidade da marca estão muito ligadas às pessoas que fazem parte e dirigem a empresa como Pierre-Emmanuel Taittinger, presidente, e seus filhos Clovis e Vitalie Taittinger, explica o gerente de marketing da Interfood. Na zdorovie !

Observação: Os números da Ideal se referem aos dados de importação. (7/6/2018)

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Sauternes é muito mais do que um vinho de sobremesa

Sauternes é aquele branco licoroso de cor dourada e com aromas de frutas em compota, cítricos, mel e especiarias. Ele anda meio fora de moda, apesar de ser excelente. A produção diminuiu de 24% nos últimos 20 anos. São apenas 6 milhões de garrafas vendidas por ano, uma gota se comparado ao total bordalês de 645 milhões. Com ele sofrem também o Muscat, Saint Croix du Mont, e também o Tokay da Hungria e Passito da Itália. Os vinhos de colheita tardia e os botritisados, a chamada podridão nobre, andam em baixa.

Château Rieussec 1°Cru Classé de Sauternes (fotos divulgação)

 

O Sauternes custa na França o dobro do preço de um Bordeaux médio. Outras denominações francesas são mais em conta e nem por isso surfam numa onda de sucesso. A moda anda mais para seco e menos para doce.

Na classificação de 1855 Sauternes tem no topo Château d’Yquem como um Primeiro Grand Cru Classé Superior, é o único nesta posição. Os demais 26 se distribuem em Primeiros Crus e Segundos Crus Classés. Nesta época ele era mais caro do que os tintos do mesmo naipe. Sauternes são 185 produtores em 2000 hectares nos vilarejos de  Fargues, Preignac, Bommes, Sauternes e Barsac. Suas uvas são a Muscadelle, Sauvignon e Sémillon.

Um esforço de diversos châteaux em ampliar sua capacidade de receber visitantes tem sido feita na região. Alguns se dotaram de restaurantes, salas de recepção para eventos e o Château d’Yquem abriu mesmo uma lojinha. Localmente o enoturismo é um caminho para a revitalização da denominação de origem.

Globalmente acho que as harmonizações são fundamentais. Deixar de ser um vinho de sobremesa e ser um vinho de diversos momentos. A clássica harmonização com o foie gras é perfeita, mas não é a única. É importante na escolha ter ao menos um dos aromas dominantes do vinho como frutas tropicais, mel, cítricos, …mas de forma relativamente discreta. Outra opção são toques de frutas secas ou mel no prato principal fazendo a ligação com o Sauternes. Na linha do contraste a opção pode ser com cozinha asiática que leve curry ou gengibre. E mesmo peixes com molho e alguns crustáceos nobres como lagosta e vieira.

Sauternes e Roquefort é um clássico da harmonização

Uma opção clássica é com queijos tipo Roquefort e Gorgonzola ou qualquer queijo azul. No Brasil o Sauternes pode ser servido até no aperitivo com torrada e pasta de queijos. Acompanhar uma entrada com suflé ou torta de Roquefort. E também figos frescos com queijo de cabra e mel.  Se o prato principal for uma codorna com uvas, frango ao limão ou um coelho à gorgonzola ele será o par ideal. Você pode ousar e ensaiar uma harmonização com uma ricota acompanhada de morangos. Na sobremesa as harmonizações são muitas. Pode ser com um delicioso Saint Honoré, um cheesecake ou simplesmente uma torta de maça com sorvete de baunilha. Não deixe de experimentar com profiteroles. Santé.

A Wine To You aposta no bastardo Sauternes Prestige

Onde Encontrar:

Na Grand Cru diversos grandes vinhos de Sauternes disponíveis como os châteaux Climens, Coutet, Suduiraut, Guiraud e Rieussec

Na Wine To You o Sauternes Prestige não é um GCC, não tem o pedigree. É chamado no site de “bastardo” do Château d’Yquem, pois é feito com as uvas que o d’Yquem desclassifica e vende aos negociantes.  É opção interessante e percebe-se o ADN. Realmente um bastardo.

Na Decanter Châteaux Gravas, Gilette e Les Justices.

 

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Caem os preços dos Grands Crus de Bordeaux 2017

A campanha de Bordeaux Primeurs 2017 terminou com preços e volumes para baixo, o motivo foi a geada que complicou a produção e as vendas. A disparidade entre os châteaux, mais ou menos atingidos pelos caprichos da natureza, foi determinante na quantidade ofertada e nos preços propostos. Veja a coluna de 28/4 para saber quais os 40 importantes châteaux que não produziram vinho em 2017.

Após duas safras com volume e qualidades excepcionais, 2015 e 2016, constata-se este ano uma queda nos preços de -3 a -25% em relação ao ano anterior. Segundo o sindicato dos Courtiers (corretores) de Bordeaux os Crus Classés do Médoc tiveram queda de -8 a -11%. Assim, boas oportunidades se apresentaram como a do Château Cheval Blanc Grand Cru Classé A de Saint Émilion, que em 2016 com pontuação 97/99 de Neal Martin, então no guia de Robert Parker; saiu por 552€ e este ano por 432€ e nota 93/95 do mesmo crítico, que agora está com Antonio Galloni no site Vinous, mostra queda de 21% no preço. Já James Suckling, ex-Wine Spectator, pontuou 97/98 para a safra 2017 e 98/99 a de 2016.

Com queda de 120€ entre 2016 e 2017 Cheval Blanc foi uma barbada na campanha de Primeurs 2017.

O sistema de Primeurs consiste na venda antecipada, antes do envelhecimento do vinho que dura de 18 a 24 meses, por um preço menor do que aquele que será proposto quando o vinho estiver pronto para ser comercializado. O sistema permite aos grandes châteaux de Bordeaux vender antecipadamente cerca de 80% da sua produção aos negociantes, que por sua vez os revendem aos importadores e distribuidores. A campanha começa em abril e termina no final de junho.

Este mercado representa apenas 5% do volume dos 6000 châteaux que formam o vinhedo bordalês, mas estes são os de maior prestígio, qualidade e notoriedade. O mercado é bem diferente de um Cru a outro. As marcas fortes tiveram bastante êxito, as menos sólidas tiveram mais dificuldade e tiveram que diminuir a margem ou vender durante um período mais longo durante a campanha, explica Yann Jestin vice-presidente do sindicato dos corretores.

Os negociantes tiveram mais dificuldade para vender aos distribuidores e importadores a safra 2017, após duas safras excepcionais onde os clientes estavam ainda bastante estocados. Esta boa safra é menos especulativa o que fez diminuir o interesse de americanos e ingleses, compradores tradicionais. Por outro lado, novos clientes como os asiáticos garantiram o resultado de muitos negociantes. Os grandes vinhos esgotaram rapidamente. Mas as vendas continuam e se a campanha formalmente acabou as vendas não pararam, assegura Christine Janvier do negociante L.D. Vins.

No Brasil os compradores tiveram um outro componente a afugentá-los: o câmbio. A forte queda do Real, o câmbio incerto no futuro e a conjuntura totalmente indefinida deixaram o mercado nacional muito nervoso. Afinal, os pagamentos são antecipados e ninguém tem bola de cristal para saber se com este câmbio está comprando barato ou caro para uma venda que começará somente em 2020. Santé.

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Festa junina e vinho francês fazem uma harmonia perfeita

Ao anunciar o início do inverno e a alta temporada para os vinhos tintos no Brasil as festas juninas também trazem o campo para a cidade. A migração para os grandes centros urbanos do século XX fizeram com que as grandes festas juninas e suas quadrilhas migrassem para o Nordeste. Mas a festa não sumiu, se adaptou, persiste e resiste na nossa cultura. Este  momento de farta oferta de comidas é também uma oportunidade para harmonizar os quitutes tradicionais com os bons vinhos franceses. Uai, a quadrilha é de origem parisiense e foi trazida pela nossa elite por volta de 1820 e popularizou se no final do século XX. Justificativa feita, vamos aos vinhos.

Até as listras se harmonizam com as festas juninas para este rosé descolado.

Como os pratos típicos de festa junina vão variar de região para região vou me restringir aos do Rio, que conheci na minha infância e juventude. O primeiro sabor que me vem à mente é o do milho que vai ser declinado em diversas receitas. Da canjica passando pela pamonha e pipoca. O docinho da canjica vai harmonizar com o Rosé Piscine, da Vinovalie. Este é um vinho descolado e descompromissado, super na moda no Brasil, na Côte d’Azur e mesmo em Connecticut nos EUA. Até as listras combinam com os trajes típicos do caipira. Mas vão ser seus aromas e frescor que permitirão uma harmonia de sucesso. Fácil de associar e eclético vai servir também para salsichão, churrasquinho e o tradicional cachorro quente. No Zona Sul por R$ 89,50.

Gamay vai ser a uva ideal para o salsichão.

O salsichão com a farinha vai pedir idealmente um tinto levo feito de uva Gamay, um Morgon, um Beaujolais ou numa opção mais em conta um Coteaux Bourguignon como o QV 2015, medalha de ouro em Paris, vendido pela Casa Rio Verde de BH por R$ 111.

Um Bordeaux fácil de beber e frutado vai atender aos espetinhos de carne.

Para o churrasquinho tudo é festa e um tinto de médio corpo frutado, agradável e descontraído vai resolver. As escolhas são muitas. Na Evino quem pode atender bem é o Bordeaux 2016 Comtesse Romane feito pelo bom Château Taffard de Blaignan e custa modestos R$42,90. Claro que o salsichão ele também tira de letra.

A aromática Sauvignon branca é par perfeito para uma pamonha. 

Para acompanhar a pamonha um branco aromático se impõe. Uvas como a Colombard do Sudoeste, a Viognier do Rhône ou a clássica Sauvignon branca são as melhores opções. Sugiro o Bordeaux Château La Forêt 2015 onde a Sauvignon vai ter 70%, a Sémillon 20% e a Muscadelle 10%, produzidas por Laurent Roux e a venda na Wine To You por R$93. Santé.

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Uma taça de prosa com Thibaud Marion do Domaine Seguin-Manuel na Borgonha

Tenho 48 anos, sou de Beaune na Borgonha. Diplomado pela Escola Superior de Comércio de Bordeaux e possuo um Brevê Profissional de Responsável de Produção Agrícola. Antes de me integrar na empresa da minha família, trabalhei em Paris numa agência de comunicação de 1993 a 1997 onde estava encarregado da estratégia de mídia para os clientes. Depois de sete anos no Domaine Chanson Père e Fils, na época ainda propriedade dos Chanson, fui dirigir a propriedade da família o Domaine Seguin-Manuel, em 2004. O ampliei e hoje sou o diretor e vinificador.

 

Meu primeiro vinho – Na verdade eu não tenho muitas lembranças, mas as fotos podem testemunhar que com poucos meses no dia de meu batismo, umas gotas de um delicioso néctar da Borgonha foi colocado sob os meus lábios e que eu as sugava com prazer e mostrava uma certa precocidade na minha atração pelo vinho. Tive de esperar meus 16 anos para que uma nova emoção vínica aflorasse. Foi quando meu pai me serviu uma taça de Corton-Vergennes, 1969, de um vinhedo do meu tio. Foi assim que comecei minha iniciação!

Minha harmonização predileta – Essa eu chuto para escanteio. Quem diz harmonização predileta diz prato favorito. Acontece que enquanto gastrônomo eu amo muitas receitas diferentes e eu ainda não desenvolvi um algoritmo que me diga “com este prato eu vou servir este vinho”. Mas existem alguns pratos que dão realmente água na boca. Com um tamboril à Armoricaine um bom Mersault vai dar conta do recado. Um magret de canard (peito de pato) na frigideira vai se harmonizar com um Givry 1er Cru ainda jovem. Já para uma paleta de cordeiro eu vou pedir um Beaune “ Champimonts” maduro que será um regalo!

Minha região preferida – Isso é pegadinha? Eu digo sem hesitar a Borgonha. Se eu disser outra coisa iria parecer que estou renegando minha região que me viu nascer e crescer, que me mata a sede e que é meu ganha pão hoje…de certa forma um reconhecimento do ventre, não é verdade? Em parte, sim, eu tenho também muito prazer em beber um Cabernet Franc do Loire, um Riesling da Alsácia, um Cru do Rhône ou um belo château bordalês… eu assumo perfeitamente meu chauvinismo francês.

Meu vinho favorito – Resumir tudo em um só vinho é não valorizar a enorme diversidade dos Crus da Borgonha! Direi então qual vinho me impressionou fora da Borgonha e da França. Trata-se do californiano Ridge Monte Bello, 1985, que tive a chance de degustar às cegas. Sem a influência da etiqueta achei este vinho de uma plenitude e harmonia que são as marcas dos grandes vinhos.

Minha melhor safra – Um Beaune ”Champimonts” 1er Cru 2015. O vinho se vendeu tão rápido que eu tive poucas oportunidades de degustá-lo. Mas a cada vez que a chance de o apreciar seu equilíbrio global me impressionou.

Capa do livro de Van Gogh – obras completas

Se meu vinho fosse um personagem – Com toda humildade eu escolheria Vincent Van Gogh! Não pelos seus afrescos, mas por sua interpretação do mundo que ele fez através de suas telas. Cada objeto se integra no todo e nos deixa ver uma harmonia suprema. Na minha pequena posição de vinificador eu tento, por pinceladas sucessivas, interpretar o que os elementos naturais nos dão. Dessa soma de “eu não sei bem o quê” nasce um conjunto coerente e vibrante que suscita emoções quando levamos a taça aos lábios.

Santé.

 

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Como montar uma adega de vinhos?

Nem todo mundo, especialmente no Brasil, tem o hábito de ter uma grande adega em casa. Aqui na França é muito normal seja no subsolo, seja uma climatizada do tipo “Eurocave”. Alguns prédios chegam mesmo a oferecer um local individualizado que serve tanto para guardar vinhos como outros objetos. A condição mínima para a guarda é estar ao abrigo da luz e não ser um local quente. Definido o padrão de conservação o que colocar dentro da adega?

O gosto de cada um vai nortear as escolhas, o perfil e quantidade de convidados que você recebe também são importantes. O componente mais importante é o seu bolso. Ele é determinante. Tomada a decisão de montar uma adega não vá correndo comprar todas as garrafas. Primeiro defina o que precisa e depois vá garimpando as oportunidades do mercado. É sempre prazerosa esta busca.

Vinho com pedigree é sempre uma boa escolha, aqui o Bordeaux by Boyd-Cantenac importado pela Grand Cru.

 Vamos separar por cores. Tintos (40 a 50%), Brancos (20 a 25%), Rosés (10 a 20%), espumantes (10 a 20%) e vinhos doces (5%).  Pense em ter os vinhos para o dia a dia, aqueles que você toma numa refeição sem se perguntar muito, aqueles que vão harmonizar com um prato que você gosta e os vinhos para grandes ocasiões. Vinhos para festa compre na hora ou pesquise oportunidades antes do evento. Estes não são, em geral, vinhos para você colocar na adega. Claro, sempre depende do seu orçamento e do nível dos vinhos que você vai servir na festa.

Ah, só franceses na adega.  Combinado? Afinal, o blog é francófilo assumido. Entre os tintos tente em ter uns AOCs de custo benefício que façam bonito. Isto é um Petit Château de Bordeaux , um Côte du Rhône Villages, um Languedoc, Cahors, Bergerac isto é , vinhos que não vão passar de cem reais e que nos bons sites e supermercados hoje vão estar entre 40 e 80 reais. Esqueça vinho de menos de 40 para colocar na adega, esses são para consumo imediato. Se você busca vinhos que dão um pouco mais de prazer abra a carteira e busque algo entre 100 e 150.  Um Vacqueyras, Lirac, Tavel, Petit-Chablis, Mâcon, Fronsac, Crémant,… Aqui você vai ter prazer e sua mesa realmente vai ter algo diferente. Para as grandes ocasiões abra o bolso e tenha na sua adega um vinho que impressione. Com certeza ele vai sair por mais de 150, mas escolhendo bem ele vai valer cada gota. Escolha um Morgon, Médoc, Saint Émilion, Corbières Boutenac, Limoux, Pic Saint Loup, Champagne,… o céu é o limite.

 

Além do preço o estilo é importante. Um branco leve ou rosé para a beira da piscina, um rosé de Tavel para acompanhar pratos leves, um tinto leve de uva Gamay como o Beaujolais ou o Coteaux Bourguignon para ter um tinto de verão. Estes são uma ótima pedida para quem não abre mão de tintos nem mesmo nos dias mais quentes do ano. Já para o inverno pense em vinhos com mais corpo e estrutura. Além das regiões clássicas como Bordeaux e Borgonha tente descobrir as denominações comunais do Languedoc como Corbières, Minervois ou Fitou, do Loire pense num Chinon para tintos e no Muscadet para os brancos secos (não confunda com Muscat que é doce), do Rhône conheça o Costières de Nîmes, do Sudoeste Madiran, Saint Mont e Buzet. Se quiser bolhas as opções são muitas e as melhores são os Crémants e a Blanquette, sempre método tradicional. Os vinhos doces podem ser bebidos no aperitivo, bem gelados e com uma azeitona decorando, ou acompanhando sobremesas. Ssugiro Muscat de Saint Jean de Minervois, de belo frescor e o Banyuls, um primo do Porto. Uma dica é optar por um vinho com a assinatura de um grande château ou de um grande produtor. Esta é sempre uma garantia de qualidade.

O Bourgogne Pinot Noir da Pascal Bouchard, importado pela Barrinhas, é um clássico da denominação.

Ah, as sugestões, os preços e as regiões não são exaustivas, apenas apontam alguns caminhos. Pesquise nos bons sites, supermercados e delis. Ouça seu sommelier preferido. Aproveite as ofertas e as analise com cuidado. Evite rosés com mais de três anos, pois podem ter perdido o frutado. Esta regra não vale para um Tavel, que pode ter uma vida um pouquinho mais longa. Se for um vinho de uma denominação de Bordeaux ou mesmo uma sub-região do Languedoc envelhecido em barris de carvalho arrisque, mesmo se já tiver mais de 5 anos. Os bons vinhos são aqueles que possuem vida longa. Santé.

 

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Dicas para o dia dos Namorados

Dia dos Namorados é aquele momento especial para se curtir a dois. Seja num restaurante seja, em casa num jantar romântico tendo na mesa um belo vinho. Conexão Francesa deu uma olhada na internet e garimpou algumas promoções que podem agradar a quem optar por tomar um bom vinho francês em casa. Como nos restaurantes um vinho razoável costuma começar com cem reais e os bons giram em torno de duzentos procurei ter este último como limite para a nossa seleção. Claro que se o leitor puder ou quiser pagar mais as opções aumentam, mas aí as dicas são menos importantes.

No Supernosso de Belo Horizonte tem o Chablis do Domaine Chevalier 2014, branco 100% Chardonnay, como manda o figurino. A propriedade está na família desde 1788 e hoje Claude e Jean Louis Chevalier honram a tradição e produzem vinhos de grande qualidade. O nariz é floral com notas de especiarias brancas. Na boca é fresco, frutado, tem boa complexidade e termina em um longo final. Vai se harmonizar muito bem com comida japonesa, peixes e frutos do mar. Durante a Feira de Vinhos do Supernosso está por R$149,00, uma moleza considerando a qualidade. Na mesma rede o Châteauneuf du Pape do Domaine Durieu está com 28% de desconto e fica por R$179,90. Para quem gosta da referência tem 90 pontos RP. Este vinho que é servido na residência de verão do Papa no Castelo Gandolfo. Domina a Grenache com 80%, 10% Syrah, 5% de Mourvèdre e uma ponta de Cinsault e Counoise. É envelhecido em cubas de cimento por 18 meses. Todo na fruta. Amplo e potente. Bela escolha.

O Rosé Piscine é descontraído e descomplexado, uma escolha perfeita no dia dos Namorados.

No Rio o Zona Sul oferece uma seleção de brancos, rosés e espumantes. O já bem conhecido do carioca Crémant de Limoux Grand Cuvée 1531 brut, método tradicional, está com desconto e sai por R$76,50. Espumante sempre premiado da região onde nasceu a primeira bolha do mundo em 1531. O badalado Rosé Piscine, aquele das listras azuis e brancas e que deve ser bebido com gelo, pode ser encontrado por R$89,50. Em São Paulo na Bacco’s por R$79,90. O ICMS faz a diferença no preço. Tenho certeza que as meninas adoram.

A travel bag rosa acompanha o champagne Brut Rosé da Nicolas Feuillatte, N°1 da França.

No site da Evino tem o presente ideal para ele ou para ela. Três champagnes da Nicolas Feuillatte estão oferecendo como brinde uma travel bag chiquérrima nas cores preta ou rosa. A Brut Réserve de 91 pontos Wine Spectator está por R$199,90, o Réserve Brut Rosé também com 91 pontos e o Brut Millésimé Blancs des Blancs 2006 92 pontos estão por R$214,90. Não é a toa que Nicolas Feuillatte é o Champagne mais vendido na França. O queridinho dos franceses, além de ser muito bom tem excelente preço. No Brasil e na França.

Sugestão de classe para quem prefere um muito bom tinto bordalês.

 Na Grand Cru o Crémant de Bourgogne André Delorme com um corte Chardonnay, Gamay e Aligoté, método tradicional está na promoção do dia dos Namorados por R$129,00. Uma boa pedida é o Le Haut Médoc do Château Pedesclaux, GCC do Médoc. Um segundo vinho exclusivo da Grand Cru que não pode passar desapercebido do leitor. Por R$199,00 é um preço bem-comportado para este vinho de grande qualidade. Santé.

 

 

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