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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

França exporta € 12,9 bilhões em vinhos. Brasil contribui com € 39,4 milhões

A exportação francesa de vinhos e espirituosos mostra força em todos os segmentos e fecha o ano com um crescimento de 8,5% e um total de 12,9 bilhões de euros, recorde histórico. O vinho francês ocupa o segundo posto da balança com um superávit comercial de 11,5 bilhões de euros, perde apenas para o setor aeronáutico e é superior ao da indústria química e seus perfumes. Em volume são 2,388 bilhões de garrafas e alta de 5%. Na União Europeia o consumo sobe 4,5% depois de dois anos de marasmo. Os EUA mantêm um ritmo acelerado e com mais 10% atingem 3 bilhões de euros. Nos últimos 3 anos o aumento da importação americana foi de 50% e segue sendo o principal mercado. A China mantém a dinâmica de crescimento com 25% e chega aos 1,2 bilhões de euros. Hong Kong traz mais € 500 milhões ao bolo chinês (€ 1,7 bi). O Brasil traz números absolutos modestos e nem entra na lista dos 20 mais importantes, fica atrás mesmo da pequenina Letônia. Apesar de ser um pequeno mercado para o vinho francês o crescimento brasileiro é espetacular. A importação atinge 39,4 milhões de euros, mais 30%, e o crescimento de 53% em volume totaliza 10.824.000 garrafas. Sendo 92% do volume e do valor em vinhos e 8% em espirituosos.

Antoine Leccia presidente da FEVS. Foto divulgação

Os vinhos apresentam forte alta, 10%, e representam € 8,7 bi e 1,740 bilhões de garrafas e um volume de mais 6%. Já os espirituosos, capitaneados pelo Cognac ultrapassam pela primeira vez a barreira histórica de € 4 bilhões. O Cognac sozinho cresce 11% e traz para o Hexágono 3 bilhões de euros. O volume aumenta 2,4% e atinge 624 milhões de garrafas. Tudo isso com um euro em alta em relação ao dólar e outras moedas. O presidente da Federação Francesa dos Exportadores de Vinhos e Espirituosos (FEVS), Antoine Leccia se alegra em saber que os produtos franceses sinônimos de autenticidade, qualidade e diversidade progridem em todos os setores do mercado. Refletem a França, sua arte, sua cultura e seu estilo de vida e são um elemento importante para a economia. Para Leccia 2018 traz novos desafios, pois a safra é bem menor e a incerteza internacional maior. Os acordos de livre comércio com países e mercados chave e o fim de barreiras comerciais são uma prioridade para proteger as exportações e seus 300 mil empregos, explica. Santé.

Os 20 maiores importadores, em valor, de vinhos e espirituosos franceses

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: FEVS. Dados em milhares de euros. Valor total, percentual de participação e performance no ano.

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XIV Vinisud traz 1420 expositores e prevê 30 mil visitantes

O salão mundial dos vinhos do Mediterrâneo acontece de 18 a 20 de fevereiro no Parque de Exposições de Montpellier, sul da França. A bacia do Mediterrâneo representa quase 30% da produção e 1/3 da exportação mundial. Várias zonas temáticas devem continuar a inovar e animar a feira como a Sparkling Zone, onde dezenas de espumantes de diversos países estão disponíveis para degustação, castas raras, cepas autóctones e o Palácio Mediterrâneo são outros que devem atrair o público. Serão 1420 produtores e a expectativa é de que o público visitante seja de 30000 profissionais, afirma assessora de imprensa de Vinisud Catherine Bourguignon.

Sparkling Zone é o espaço de degustação dos espumantes. Foto Alain Reynaud divulgação.

A festa vai ser grande e todos os pavilhões do Parque de Exposições estão ocupados. Casa cheia. Itália, Portugal e Espanha possuem um espaço privilegiado, mas outros países do Mediterrâneo estarão presentes. Da França a força tradicional do Languedoc e do Rhône, mas também do Sudoeste, da Córsega, Provence e alguma coisinha de Bordeaux. Em paralelo acontece a FIA, Forum Internacional des Affaires, um “tête a tête” entre compradores convidados por Sud de France e produtores inscritos. Uma verdadeira oportunidade de bons negócios. Do Brasil apurei que Evino e Casa Rio Verde de BH estarão presentes. Santé.

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A magia do Château Angelus

Conexão Francesa fez diversas visitas a grandes châteaux de Bordeaux esta semana e preparou um vídeo sobre um dos quatro Cru Classé A de Saint Émilion. Passeie pelo château com o vídeo e veja a entrevista com o diretor da importadora Wine 2 You Hildebrando Lacerda. Santé.

 

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Salão mundial dos orgânicos teve mais 17% de visitantes

Segundo os organizadores a XXV edição de Millésime Bio o aumento do número de visitantes profissionais foi de 17% em relação a 2018. Estiveram presentes 5700 compradores contra 4800 em 2017. A volta ao seu palco tradicional, Montpellier, ao invés da cidade de Marselha, foi importante fator do significativo crescimento ao meu ver. Ano passado a disputa pelo espaço com Vinisud atrapalhou o evento. Mas o mais importante é, conforme apurei, que produtores importantes não conseguiram espaço e ficaram na fila para 2019. A demanda para participar do salão segue forte.

Cada produtor tem sua mesinha, nada de stands magníficos e caros, todos são iguais. Salvo na taça.

Os produtores têm buscado participar do salão que a cada ano ganha mais adeptos. 75% dos profissionais eram franceses, especialmente donos de lojas e restaurantes, os membros do chamado circuito tradicional, que vêm garimpar novos produtos. Mas importadores americanos e europeus também marcaram presença. Eram mil expositores, cada um com uma mesinha, seja ele grande, pequeno ou médio. Quinze países representados sendo que a França tinha 777 produtores, a Itália veio com 85, a Espanha com 63 encabeçavam o primeiro pelotão. Áustria com 27 se destacou com seus brancos, Alemanha com 14 e Portugal com 10 fecharam o segundo pelotão. Os vinhos do sul da França, agora Occitanie, era representado por 324 vinhateiros o que é normal. Afinal, é a maior região produtora de vinhos orgânicos e convencionais do Hexágono.

Sud de France sempre apoiando os principais eventos e iniciativas dos produtores.

A presença de muitos produtores da Borgonha mostra que os orgânicos estão com uma boa dinâmica. Thibaud Marion do Domaine Seguin Manuel, um produtor que já é um dos ícones da nova geração de vinhateiros borguinhões, não conseguiu uma mesinha para expor seus vinhos. Mas outros bons produtores como Jean François Chapelle estavam lá. Santé.

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Safra ruim do espumante nacional abre espaço para concorrentes

As duas últimas safras brasileiras de espumantes foram complicadas o que reduziu a qualidade, a oferta e encareceu o produto. Neste segmento temos uma explosão da importação de espumantes que passam a competir na faixa de até 50 reais com o nacional. Ao não conseguir atender a demanda o produtor nacional criou um novo mercado para os espumantes importados de método Charmat, que é o mesmo utilizado pela maior parte dos produtores brasileiros. Tem menor custo, menor prestígio e quase sempre qualidade inferior ao método tradicional, aquele dos Champagnes, dos Crémants e Blanquettes francesas. Para Felipe Galtaroça, diretor da Ideal Consultoria, 95% dos consumidores brasileiros não sabem fazer esta diferença e neste caso compram pela origem do produto independentemente do método de produção. Uma característica típica de um mercado que ainda não amadureceu, explica.

A Bulle N1 de Limoux foi uma das grandes marcas que a Evino lançou em 2017 com sucesso.

Essa percepção de que o espumante francês é melhor levou a França a ter um crescimento espetacular no segmento. Aqui a imagem qualitativa do Champagne transfere prestígio aos produtos franceses. O Hexágono pula de 83.500 caixas (sempre 9 litros e 12 garrafas) em 2016 para 153.497 em 2017, um crescimento de 83,1% em volume e 93,8% em valor. Isto mostra um aumento tanto do segmento mais barato de espumantes, método Charmat, mas também de método tradicional Crémant de Bourgogne, de Limoux, d’Alsace, de Bordeaux, de Die, Limoux e Blanquette de Limoux. Estes de maior prestígio e qualidade estão na faixa acima de 50 reais. O Champagne não entrou nestas estatísticas.

Mas a França não está sozinha e tem a Itália em primeiro lugar na categoria com 26,1% de market share e crescimento de 53,5% em volume, a Espanha vem em segundo com 25,9% e crescimento de 58,1%. Cavas e Prosecco estão firmes no mercado. Sendo o líder a Freixenet que é importada pela própria Freixenet e pela Qualimpor. Neste segmento os supermercados possuem um peso importante com o Pão de Açúcar e Verdemar atuando forte e crescendo no segmento abaixo de 50 reais. Já o Zona Sul teve excelente crescimento dos seus Crémants de Limoux Grand Cuvée 1531 da Aimery, na faixa acima de R$50. Os supermercados estão disputando o mercado de igual para igual com as empresas digitais, assegura Felipe Galtaroça.

Dionísio Chaves sommelier bicampeão brasileiro é o consultor do Zona Sul.

O grande desafio dos supermercados e das empresas digitais é aumentar o ticket médio. Para isto é necessário qualidade e reconhecimento de marca. Coisa que os importadores clássicos (Casa Flora, Grand Cru, Decanter,…) que revendem para lojistas ou têm lojas próprias possuem. Tanto os supermercados quanto as empresas digitais enfrentam o desafio de construir marcas para agregar valor e imagem. Recentemente o supermercado Zona Sul, de perfil qualitativo, lançou um espaço dedicado aos vinhos tops, a Reserva Especial. São vinhos de alta qualidade e maior valor agregado, principalmente com vinhos de Bordeaux selecionados pelo sommelier bicampeão Dionísio Chaves, nome que também agrega valor. Os vinhos se vendem bem e a seleção será ampliada em 2018, assegura Chaves.  A Evino também tem buscado marcas de prestígio mundial como o Champagne Nicolas Feuillatte, o líder francês, o Crémant e a Blanquette de Limoux Bulle N1, bastante conhecidos no Brasil, e em breve colocará no site outras grandes marcas de renome internacional. É neste segmento que as mudanças devem acontecer. Santé.

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Mercado do Champagne muda no Brasil

Com um crescimento de 30% o ano de 2017 foi uma bela safra para as importações de vinhos no Brasil. A crise, no entanto, ainda faz uma vítima: o Champagne. O país ainda tem dificuldade para importar espumantes de maior valor agregado, o que deve mudar. O volume encolheu 3% e a queda em valor foi de 10%, explica Felipe Galtaroça diretor da Ideal Consultoria, empresa especializada em análise e estatísticas de importação. O fato mais significativo é a perda de participação no mercado do grupo LVMH (Möet Henessy Louis Vuiton). Outras marcas estão ocupando este espaço e o mercado busca um novo equilíbrio. Esta acomodação reflete o mercado mundial e francês. A exceção era o Brasil onde o grupo de Bernard Arnault tinha uma posição de quase monopólio.

Taittinger alcançou o terceiro lugar no ranking brasileiro

 Veuve Clicquot é a líder histórica do mercado brasileiro seguida de Möet & Chandon, ambas do grupo LVMH. Momentaneamente, em 2016, a Möet & Chandon passou Veuve Clicquot, mas a normalidade foi restabelecida em 2017. Vejam os números de importação desde 2015: Möet 17.000 caixas em 2015, 14.600 em 2016 e 8.200 em 2017 o que representou uma perda de 43,7% no último ano. Já sua coirmã caiu de 24.000 caixas em 2015 para 10.100 em 2016 e 9.800 (sempre em caixas de 9 litros e 12 garrafas) em 2017. A queda foi contida em 2017, com -2,6% em volume. Junto com Ruinart ainda detêm 51,6% do volume, número que é muito expressivo. Mas é menos do que em 2014 quando detinham 72%, afirma Galtaroça.

Afinal, o que está acontecendo? O mercado sofreu mudanças com a chegadas das empresas digitais Wine.com e Evino, e uma atuação maior na importação dos supermercados, apesar destes serem mais ativos nos segmentos de vinhos e espumantes. Alguns players tradicionais como Grand Cru, Interfood, Casa Flora, Pernod Ricard, Cantu e Lícinio Dias conseguiram acertar o foco, trabalhar mais forte onde são melhores e se adaptaram a esta nova realidade de mercado. Grand Cru aumentou sua quantidade de lojas e Cantu pulverizou a distribuição da Lanson, assegura Felipe Galtaroça. Com isto aumentaram sua participação no mercado e equilibraram o jogo.

Taittinger trazida pela Interfood desde a Copa do Mundo de 2014 passou a ser a terceira do mercado com 17,2% e crescimento de 82,8%, Perrier Jouët do grupo Pernod Ricard é a quarta com 14,5% e com aumento de 78,6%. Montaudon (Wine.com) em quinto com 4,5% e 112% de crescimento, Louis Roederer (Licínio Dias) tem alto valor agregado e teve crescimento de 27,6% e 2,4% de market share, uma performance incrível. Piper Heidsieck do Beverage Group, braço off trade da digital Evino, tem 1,6%, cresceu 66,7% e ficou em sétimo lugar. Nicolas Feuillatte, a no 1 da França, há apenas 2 anos no mercado brasileiro está em oitavo, tem 1% do mercado e progrediu 494% pelas mãos da Evino.

O Champagne é o segmento de elite dos espumantes. Ele é consumido pelos clientes que podem e pelos que sabem diferenciar um espumante de um Champagne. Os novos preços propostos por supermercados e empresas digitais estão ampliando a base de compra deste produto do topo da pirâmide dos espumantes. Com diversos Champagnes abaixo de R$ 200 o mercado se amplia e alcança o topo do segmento dos espumantes tops brasileiros, às vezes muito caros, e também incomoda os espumantes de método tradicionais importados e vendidos em lojas.

Na minha opinião é uma mudança muito saudável para o consumidor brasileiro que passa a ter boas ofertas com diferentes perfis de produtos. As grandes Maisons abriram e ocuparam um espaço que antes era quase exclusivo da LVMH. O próximo passo será dado pelo Champagne de pequenas Maisons como a Lallier (Vinhos do Mundo) e de vinhateiros de qualidade como Charles Ellner (Supernosso, BH) que devem ganhar espaço nos próximos anos. Santé.

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Saint Vincent Itinerante é a festa do vinho borguinhão

A 74a Saint Vincent Itinerante acontece este ano no terroir do Cru Saint Véran, uma denominação Village da Borgonha. A festa é organizada pela Confraria dos Cavaleiros do Tastevin e este ano a acontece em Prissé, um dos 7 vilarejos desta denominação da região de Mâcon. De 40 a 70 mil visitantes são aguardados para festejar o vinhedo, o vinho e o vinhateiro borguinhão. Prissé estará decorada com as cores de Saint Véran branco, amarelo, laranja, verde e azul. O padrinho este ano é o cantor e guitarrista Michael Jones. A festa acontece hoje e amanhã e o show do cantor é neste sábado.

Além de muita animação e eventos a Saint Vincent Itinerante é o momento onde a Confrerie des Chevaliers du Tastevin faz suas entronizações. Diversos bons vinhos estarão disponíveis para degustação. Saint Véran produz apenas brancos de uvas chardonnay. São 727 hectares plantados, 200 produtores independentes e 3 cooperativas que produzem 37.125 hectolitros de vinho nos vilarejos de Prissé, Chasselas, Chânes, Davayé, Leynes, Saint Vérand e Solutré-Puilly. O kit degustação com taça oficial e 8 tíquetes para vinhos custa 15€, baratinho. Boa degustação. Santé.

Clique na foto e passeie pela Borgonha.

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Négrette é a uva da vez no Brasil

A Négrette chegou de forma discreta e foi ocupando um espaço enorme sem dizer seu nome. Ela domina o badalado Rosé Piscine da Vinovalie no Sudoeste, sua região de origem. Como o nome diz ela produz vinhos de cor muito escura, tal qual na vizinha Cahors berço da uva Malbec. Ela se revela todo seu esplendor na versão vinho tinto. Muito aromática libera seus aromas de morango, alcaçuz, violeta e pequenas frutas pretas. Também pode ser chamada de Folle Noire, Chalosse Noire, Negrette de Gaillac ou ainda Pinot Saint Georges.

A Négrette tem cachos e uvas pequenas.

Dando um passeio pelas lojas de vinho na rede me deparei com o Astrolabe Négrette, AOP Fronton, da Evino. Produzido pela Cave de Fronton é um super premium. De certa feita o guia francês de vinhos Hachette o classificou como sendo um vinho muito bem sucedido e assim o descreveu:  “Astrolabe um puro Négrette muito sedutor. Cor púrpura profunda e brilhante, ele revela a cada volta na taça aromas de violeta, de frutas vermelhas aciduladas, pimenta e alcaçuz. Na boca é fresco e elegante, apresenta um corpo carnudo e estruturado graças aos taninos dominados, mostra uma ponta de vivacidade no final. Uma bela garrafa e seu apogeu deve ser daqui a um ou dois anos.

Produzido na Cave de Fronton este AOP Fronton é 100% Négrette.

Se em um vinho rosé a Négrette se mostra viva e aromática projete ela em um tinto onde a extração é bem maior e a concentração domina. Aproveite a oferta da Evino. Astrolabe com 60% de desconto está saindo por R$79,90. Vale cada centavo. Santé.

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Paul Bocuse e o vinho dos chefs

O chef Paul Bocuse faleceu ontem, dia 20. Quando foi à Limoux disse – “Aqui eu encontrei o vinho dos chefs”. Foi assim que o chef Paul Bocuse se exprimiu sobre os vinhos brancos de Limoux em 1991. Ele presidiu a segunda edição do hoje famoso leilão de Toques et Clochers. Na época os grandes Chardonnays brancos da Cave de Sieur d’Arques ainda eram apenas vin de pays, vinhos regionais, e não haviam sido alçados a condição de AOP e muito menos de Grand Vin. Foi um dos pioneiros a apadrinhar os grandes brancos de uva Chardonnay que a cooperativa tentava colocar no mesmo patamar dos bons da Borgonha.

O chef Paul Bocuse 

(foto divulgação Paul Bocuse)

 

No jantar de gala que marca o encerramento do leilão o menu preparado por Paul Bocuse foi sua famosa “vollaille de Bresse en vessie Mère Fillioux” (frango AOP de Bresse com trufas negras e cozinhado na bexiga de porco e redonda como uma bola de futebol) foi um momento que marcou a todos que estavam à mesa, recorda-se Pierre Louis Farges hoje presidente de Sieur d’Arques. Nosso desafio era enorme. Colocar os brancos de Limoux no patamar dos grandes vinhos e isto só foi possível graças a Paul Bocuse e Pierre Troisgros, os dois primeiros padrinhos. Eles foram trazidos graças ao apoio de Georges Duboeuf, o Monsieur Beaujolais que os apresentou a Alain Gayda, na época diretor geral de Sieur d’Arques. Depois que os dois maiores chefs da França vieram o leilão se estabeleceu. Ele marcou a história dos vinhos de Limoux.

A famosa Volaille de Bresse en vessie ” Mère Fillioux” com sua forma de bola de futebol 

(foto divulgação Paul Bocuse)

 

Algum leitor pode perguntar por que Georges Duboeuf? Ora, sendo o chef nascido em Lyon o vinhedo mais próximo da cidade é o Beaujolais, ao sul. Assim era natural que os dois se conhecessem devido à proximidade.

Paul Bocuse também influenciou a cozinha no Brasil ao assinar o menu do Le Saint Honoré, do hotel Méridien, no Leme, e trazer na bagagem jovens talentos como Laurent Saudeau, Claude Troisgros e Philippe Brye que seguem fazendo sucesso. Mas isto todo mundo já publicou. O que quis mostrar é que além de influenciar a gastronomia mundial ele foi muito importante para o vinhedo do Languedoc. Sem os grandes chefs os grandes vinhos de Limoux não teriam um lugar de destaque. Seu Clocher foi o de Malras que teve o carrilhão e a iluminação da igreja restaurados. Afinal, o leilão sempre beneficia uma das igrejas medievais de Limoux. Santé.

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Hospices de Nuits-Saints-Georges tem leilão facilitado por Albert Bichot

No dia 11 de março acontecerá o 57º Leilão dos Hospices de Nuits-Saint-Georges. Esta propriedade excepcional tem como o Hospices de Beaunes, primo maior e mais famoso, mas não mais antigo, seus vinhos vendidos num leilão caritativo. É vendido em “primeur” sempre no terceiro domingo do mês de março. Fundado em 1270 este belo Domaine funciona unindo propriedade vitícola de grande nível e atividade médica no Centro Hospitalar de Nuits Saint Georges.

Com 12,4 hectares situados em torno do vilarejo de Nuits o leilão oferece duas denominações Villages, Gevrey Chambertin “Les Champs Chenys” e Nuits Saint Georges, e 9 Premiers Crus de Nuits Saint Georges. Cada barril tem capacidade para 288 garrafas, estão a venda 15 cuvées. Os preços são mais comportados do que os dos Hospices de Beaune. Um village sai por algo em torno de 8000 euros, 28€ a garrafa, e um Premier Cru por 14 a 17 mil euros, até 60 euros a garrafa, preço da batida do martelo.

O produtor Albert Bichot é um ator de destaque no leilão caritativo, afinal é um vizinho e tem o Domaine Clos Fortin bem ao lado. Além de ter o direito de fazer o envelhecimento e o engarrafamento dos vinhos arrematados Bichot orienta na venda, faz um envelhecimento sob medida, personaliza as etiquetas e propõe degustação diretamente do barril durante o envelhecimento, oportunidade para encontrar enólogos e vinhateiros. Faz ainda a entrega a domicílio na França em junho do ano seguinte.

Deu vontade? Quer comprar e ajudar o hospital de Nuits Saints Georges? Albert Bichot oferece a possibilidade de comprar meio lote, 144 garrafas ou o lote inteiro com as 288. É muito? Junte os amigos e divida o lote. Está sozinho, achou quer descobrir e comprar apenas duas garrafas? Nada mais fácil. Aceita até cartão de crédito. Clique aqui.

Ficou na dúvida sobre a qualidade? A safra 2017 foi generosa com a Borgonha depois de dois anos difíceis e com pequeno volume. A uvas foram colhidas bem maduras e em perfeito estado sanitário. O resultado se percebe rapidamente. Os vinhos são de grande estirpe, elegantes, profundos, intensos e de bela complexidade, atesta o enólogo e gerente do Domaine Jean Marc Moron. Santé.

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