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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Paris encanta como capital mundial do vinho

Wine Paris terminou nesta quarta-feira, dia 13, e conseguiu mostrar o charme do lado off deste salão dedicado ao vinho. Paralelamente às degustações, palestras e formações durante o dia Paris recebeu à noite eventos que permitem antever o quão atraente para os visitantes pode ser a capital francesa.

Encontros B to B aconteceram de 7 a 10 em um hotel durante o World Wine Meetings. Foi só trabalho. Charmoso mesmo são os eventos para convidados como o organizado por duas Denominações de Origem do Languedoc Fitou, a mais antiga, e Picpoul de Pinet, a maior produtora de brancos da região, que optaram pelo Allénoteque, o novo bar de vinhos do chef triplamente estrelado Yannick Alléno. Show.

Paris é uma atração à parte durante Wine Paris.

Pomerol, uma das mais prestigiosas denominações de Bordeaux, realizou uma degustação no hotel Paris Le Grand, da rede Intercontinental, ao lado da Opéra, ponto turístico obrigatório da cidade. A mais bela jogada foi a dos produtores do Vale do Loire que usaram como palco Paris vista do famoso bateau-mouche. Organizaram um happy hour na terça-feira, de 19 às 22 horas, durante um cruzeiro pelo Sena. Enquanto as papilas dos profissionais e jornalistas degustavam os bons vinhos do Vale do Loire, famoso por seus magníficos de castelos, seus olhos admiravam os maiores monumentos parisienses e a Torre Eiffel iluminada.

Imagine um grande evento como a feira de Bordeaux, Vinexpo, em Paris. Vai ser uma enorme e charmosa festa do vinho. Paris by Wine? Santé.

 

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Paris é a capital mundial do vinho?

A França não ia ficar sem reagir ao forte crescimento da feira alemã de Prowein. Paris será o campo de batalha desta guerra que tem como objetivo trazer para de volta para a França a supremacia sobre os salões de vinho. Vinovision era um mediano salão de vinhos setentrionais franceses com participação do Loire, Centro, Beaujolais e Champagne. Acontecia em Paris. Vinovision comprou Vinisud, o tradicional e importante salão bienal dos vinhos do Sul da França e o transformou em anual. Um ano em Montpellier, como rezava a tradição, e o ano seguinte, este ano, em Paris juntamente com Vinovision. Dessa união nasceu o ambicioso projeto Wine Paris que começou ontem e vai até o dia 13 no Parque de Exposições de Paris porta de Versailles.

O fato de ser em fevereiro ajuda na luta contra Prowein que é em março. Vinexpo Bordeaux, a antiga maior do mundo acontece em junho, pois isto atende aos interesses dos anfitriões, mas já é tarde para as compras na Europa. Os alemães colocaram sua máquina de guerra (eficácia, precisão…) contra o glamour dos châteaux e festas de Bordeaux. Ganharam.  Hoje são 6.500 expositores de todo o planeta. Mas o império contra-ataca e Bordeaux já prepara seu próximo salão, também em Paris, mas em janeiro de 2020. Os grandes vinhos de Bordeaux e de toda a França, estarão aliados ao charme de Paris neste combate. Pode ser uma boa estratégia. Nos dois casos Paris ganha.

Wine Paris tem forte presença de produtores franceses. (foto: Jean Bounan)

Não faz sentido a maior feira ser na Alemanha, mas as divisões entre Vinisud e Vinexpo e as datas criaram a oportunidade. Londres que é um grande mercado já havia visto sua feira minguar e se tornar algo apenas para os comerciantes locais. Wine Paris começa modesta com 10 países, 7% do total, e uma forte representação francesa. São 2.000 expositores. Mas Bordeaux enviou apenas uma participação simbólica de 200 produtores. Para os visitantes são 1200 vinhos em degustação livre. Em todo caso vai começar a incomodar.

Mas a grande vencedora será Paris. Cidade onde mais se consome vinho no mundo com 49,5 litros por pessoa e 23.570 pontos de venda on-trade e off-trade (lojas e supermercados). São 20.000 bares, cafés, restaurantes e hotéis na região parisiense (on-trade). Cereja no bolo a capital francesa tem 142 estrelas no guia Michelin, sendo 10 restaurantes com 3 estrelas. Além de uma rede de formadores de opinião de grande importância internacional. Acredito que se depender apenas da Cidade das Luzes a alemã Dusseldorf vai perder esta guerra.

É sempre bom lembrar que a união faz a força, mas ainda não vai ser dessa vez. Não vejo espaço para tantas feiras na França. Os produtores não conseguem pagar tantos stands, viagens e deslocar equipes comerciais o tempo todo. Santé.

 

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Feira mundial de vinhos orgânicos cresce 10%

Millésime Bio, a feira mundial de vinhos orgânicos, segue tendo um crescimento de expositores e de visitantes. Este ano o número de frequentadores profissionais aumentou em 10%, segundo os organizadores. O parque de exposições de Montpellier recebeu de 28 a 30 de janeiro 6200 pessoas que puderam degustar vinhos orgânicos de 1200 produtores de 22 países e 5 continentes. França (859), Itália (100), Espanha (81) e Áustria (26) eram os países com maior número de expositores. Argentina e Chile com quatro produtores cada um representaram a América do Sul. O Brasil não teve representantes.

Millésime Bio é um salão dedicado exclusivamente aos vinhos orgânicos certificados. (foto divulgação)

O leitor do blog sabe que Millésime Bio é a mais igualitária das feiras. Aqui cada produtor tem uma mesa, independentemente de seu poder econômico. Quem é analisado e degustado é o vinho, o marketing é deixado de lado e os produtores são todos apresentados de forma igual. Para participar o produtor tem que ser certificado como orgânico. Os franceses usam o termo biológico e o abreviam para Bio (pronuncia-se Biô). Em 2020 o salão Millésime Bio acontecerá de 27 a 29 de janeiro em Montpellier. Santé

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Rosé Piscine é o vinho francês N°1 do Brasil

Os números de 2018 não deixam margem para dúvidas o vinho francês mais vendido no Brasil é o Rosé Piscine, aquele que se bebe com gelo. Com apenas 4 anos de mercado este vinho descolado que rompe com as tradicionais normas de consumo caiu no gosto de brasileiras e brasileiros. Plenamente adaptado ao clima tropical, com garrafa insinuante e charmosa ele faz sucesso em todos os segmentos de distribuição do mercado. Com 2% de “market share” ele deixou para trás marcas tradicionais do mercado como os tintos de JP Chenet, Vieux Papes ou o Bordeaux Grand Thêatre. Rosé vendendo mais do que tinto. Os dados foram consolidados pela Ideal Consultoria.
O vinho é bom, bem feito, cumpre o que promete e tem uma embalagem que encantou o consumidor. O auge das vendas é no verão, mas mesmo em pleno inverno as vendas conseguem manter um ritmo que muitos tintos não conseguem acompanhar. Nas festas, baladas e casamentos já virou presença garantida. Muitas noivas trocaram o tradicional espumante pelo Rosé Piscine. Nas lojas especializadas é presença obrigatória. Nos melhores supermercados, apenas nestes, estão presentes. Nas lojas “duty free” da suíça Dufry, nos terminais internacionais, o estoque é zerado a cada chegada de voo. Também pode ser encontrado nas lojas dos voos domésticos.

As mulheres adotaram o Rosé Piscine. ( foto divulgação Donna Jurerê Internacional)

É um case de marketing. Acho que alguém da ESPM devia fazer um estudo e publicar a tese. O vinho não é baratinho, primeiro preço, é do segmento médio. Custa entre 85 e 110 reais dependo do Estado em função de impostos. O adocicado agradável, o gelo refrescante, a bela cor rosa clara e as listras azuis e brancas fizeram um conjunto perfeito. Famosos adotaram o produto espontaneamente com a apresentadora Ana Hickmann.
Esse vinho que rompe etiquetas tem um papel importantíssimo ao ampliar a franja de consumidores de vinho. Trazer clientes novos é tarefa hercúlea. O Rosé Piscine deveria receber uma medalha da Associação Brasileira de Sommeliers por ampliar a base de consumidores de vinho, em especial junto ao segmento feminino e por desmistificar o consumo do vinho. Um bom vinho refrescante é tudo o que os brasileiros precisavam. Em 2018 foram importadas 180.000 garrafas informa a vinícola produtora Vinovalie. Santé.

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Möet & Chandon lidera, Taittinger é vice e Veuve Clicquot fica em terceiro

O grupo Moët Hennessy perdeu a hegemonia no topo do pódio do ranking de Champagnes importados no Brasil. A turbulência no mercado abriu espaço para que novas marcas que investissem e ganhassem uma fatia maior de participação no setor. Segundo a Ideal Consultoria no novo ranking coloca Moët & Chandon em primeiro lugar, seguida da Taittinger, com Veuve Clicquot em terceiro lugar e Perrier Jouët em quarto fechando grupo de maior volume. Em quinto lugar ficou Louis Roderer e em sexto Nicolas Feuillatte, formam o segundo pelotão ainda distante dos quatro primeiros, mas distanciadas das demais marcas.

Taittinger assume a vice-liderança no ranking de Champagnes no Brasil.

É a primeira vez que Moët Hennessy do Brasil cede um dos dois primeiros lugares no ranking para um concorrente. Historicamente a liderança era de Veuve Clicquot, o grupo não comenta questões estratégicas já nos informou o serviço de imprensa tanto na França quanto no Brasil. A disputa está acirrada e Moët & Chandon somente recuperou o primeiro lugar no último trimestre após um forte sprint final. Em volume foram 5838,6 caixas de 9L,  para Moët & Chandon, 5718 para Taittinger, 4318,6 para Veuve Clicquot e 5258,3 para Perrier Jouët. Em faturamento, que é o que define o ranking, Möet & Chandon US$ 1.671.902,50, Taittinger US$1.312254,30, Veuve Clicquot US$ 1.201.801 e Perrier Jouët US$ 754.666,3. Num outro patamar Louis Roederer com US$ 195.397,60, com 294 caixas e Nicolas Feuillatte US$ 114.959,50 para 630 caixas.

No ano o mercado encolheu. O volume de 2017 foi de 38.043,4 caixas e caiu para 26.464,90 caixas de 9L em 2018. Enquanto faturamento encolheu de US$ 8.486.596,4 para US$ 6.107.190,30 no mesmo período. O câmbio pesou na importação de Champagnes. O cenário parece mais positivo para 2019 prevê Felipe Galtaroça da Ideal Consultoria. Santé.

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Uma taça de prosa com Didier Depond dos Champagnes Salon e Delamotte

Tenho 54 anos e nasci em Tours no Vale do Loire. Em 1986 entrei no grupo Laurent-Perrier e hoje presido o Champagne Salon e Delamotte (ambos fazem parte do grupo) que são vinificados no mesmo local. Comecei minha carreira como vendedor e depois fui para o marketing onde cheguei ao posto de diretor geral em 1997 e presidente em 2000. Meu primeiro vinho – Meu primeiro vinho eu provei muito cedo como é tradição numa família de vinhateiros, meus dois avós eram produtores na Touraine. Respeitando o antigo costume uma gota de vinho na ponta do dedo de meu pai foi colocada na minha boca durante meu batismo. Sorte de iniciante era um bom Sauvignon branco.
Minha harmonização preferida – Sem dúvida Champagne com trufas ou com um Comté, (queijo de massa dura) curtido 12 meses. Já com um Champagne de safra antiga gosto de um “ris de veau” (timo do vitelo) ligeiramente grelhado.

 

Minha região preferida – Quando nós amamos realmente o vinho estamos sempre abertos a diferentes regiões e bons vinhos são produzidos em muitas partes do mundo. Eu prefiro beber os bons e os grandes vinhos, não importa de onde venham. Bordeaux, Borgonha e Champagne são meus prediletos, mas não esqueço a Argentina e seus Malbecs, a Espanha e seu Jerez, nem Portugal e o vinho do Porto.

 

Meu vinho favorito – A ocasiões são muitas para beber bons vinhos e conforme o momento irei mudar. Meus Champagnes, claro. Eu gosto de beber um Fino (Jerez) ou um grande Armand Rousseau, da Côte de Nuits na Borgonha, ou ainda um Léoville Las Cases, de Saint Julien no Médoc.

Didier degusta um Salon 2002. (fotos Michel Jolyot/divulgação)

Minha melhor safra – Produzir vinhos e safras é como o nascimento em uma família. Cada filho é precioso e todos devem ser amados. Eles serão diferentes, cada qual com sua personalidade. Em Delamotte o Blanc des Blancs é um vinho fabuloso, bem equilibrado e verdadeiro. Um vinho para beber e repetir. Ele é a carteira de identidade da nossa “Maison”. Já em Salon somente produzimos nos grandes anos. Foram apenas 37 no século XX, caso único no mundo do vinho em todos os continentes. Então destaco Salon 1997, Salon 2002 e, em breve, Salon 2008 que foi produzido apenas em formato magnum.


Se meu vinho fosse um personagem – Talvez Napoleão pela força e ambição, mas também uma mulher como Audrey Hepburn, a perfeita feminilidade, a perfeita elegância, enfim “la classe”. ( Detalhe de poster Audrey Hepburn)
Santé.

P.S. – O Blog volta na segunda semana de Janeiro. Feliz Ano Novo.

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Uma taça de prosa com Charles Philipponnat da Maison Philipponnat em Champagne

Tenho 56 anos e não sou enólogo. Estudei Direito, Economia e Ciências Políticas. Meu pai era chef de adegas em Champagne, meu avô materno fazia rolhas de Champagne. Sempre trabalhei no mundo do vinho e do Champagne. Aprendi tudo do vinho e do Champagne fazendo. Em 2000 voltei para nossa antiga propriedade familiar em Mareuil sur Aÿ e passei a dirigir o Champagne Philipponnat. (foto divulgação Maison Philipponnat)

Meu primeiro vinho – Foi com meus parentes, claro. Fui batizado com uma gota de Champagne na ponta do dedo, como é a tradição por aqui, mas realmente não me recordo. Minha primeira lembrança remonta a quando tinha 4 ou 5 anos e de molhar um biscoito champanha no fundo de uma taça de vinho tinto do meu pai. Era um Côte du Rhône, sem dúvida, esse era seu vinho do dia a dia. Posteriormente aos 14 anos, num dia de domingo, quando meu pai abria um belo vinho, provei o tinto Château Montrose, onde meu pai atuou como consultor. Eu devia ter 14 anos. Mais tarde ainda eu descobri a Borgonha. Foi um Beaune-Grèves e os Musigny do Domaine Georges de Vogüé.

 

O Gruyère suíço AOC  produzido na região homônima situada no cantão de Fribourg. A foto é um detalhe de um cartaz publicitário que promove a Denominação de Origem Controlada deste queijo. (divulgação)

Minha harmonização predileta – O Champagne e o queijo! Antigos blanc des blancs harmonizo com queijos de massa dura como Comté ou Gruyère, falo do verdadeiro da Suíça. Com Champagnes onde domina a Pinot Noir gosto de queijos de massa mole com a crosta lavada como o Münster, Maroilles ou ainda um Langres.

Minha região preferida – Saindo da Champagne eu aprecio o Pinot Noir, especialmente o borgonhês, pois esta uva extraordinária é também a nossa em Champagne e exige um equilíbrio perfeito entre corpo e fruta, entre suavidade e frescor, sem tender para a oxidação nem para a redução. Degustá-lo e entende-lo é sempre um aprendizado. Também gosto de beber os Rieslings secos, aromaticamente tão diferentes das uvas champanhesas, mas tão similares em termos de estrutura, acidez, textura e intensidade. Mas bebo igualmente outros vinhos, procuro me manter muito eclético.

Meu vinho favorito – É impossível responder a esta questão! Que chatice ter de tomar todo dia a mesma coisa. Na Champagne além do Clos de Goisses, ao qual minha vida é dedicada há 20 anos, amo o respeito do belo classicismo mais que centenário de Pol Roger. Na Borgonha eu tenho uma queda pelo estilo carnudo e frutado do Domaine Méo-Camuzet e, como disse antes, pelos Musigny em geral, eu sei não é difícil… Sem esquecer dos Riesling, os alsacianos sobre um solo de granito e os alemães ensolarados sobre um solo de xisto, como logo ali, mais a oeste em Rüdesheim.

Minha melhor safra – Essa é fácil de dizer: 2008. Um ano excepcional que caiu tão bem ao Clos de Goisses, expressivo, muito longo e cheio de vivacidade. E mais particularmente a parcela “Les Cintres”. Eu sou ainda mais orgulhoso de ter tido êxito no ingrato ano de 2001, que eu apresentava em degustações às cegas e que todos achavam que era do ano de 2002, bem melhor.

Se meu vinho fosse um personagem – São João Evangelista apresentando o Cálice, de El Greco.

 

Quadro El Greco O Evangelho de Saint Jean, museu do Prado. (reprodução)

O Blog segue com o tema Champagne até o final das festas. Santé.

 

 

 

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Meus votos de Feliz Natal

Chegou Natal festa da confraternização universal que comemora a chegada do menino Jesus. Ele nasce em Israel, país que produz vinhos há milênios, como seus vizinhos. Neste Natal comemore com sua família e com seus amigos este momento histórico. Momento de amor e emoção. Nascimento é sempre repleto de alegria. Aprecie tintos, brancos, rosados, fortificados ou espumantes. De onde vier serão bem vindos. Abra o coração e aceite todos no Natal. Santé.

 

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Descubra os 7 Champagnes safrados avaliados pelo nosso júri

Após termos analisado os Champagnes à base de uvas Pinots passamos a degustar Champagnes exclusivamente safrados de sete produtores (fotos Edith Monseux). Todos de grande qualidade e alguns arrancaram aplausos unânimes dos jurados. A percepção da mudança foi imediata e a presença da Chardonnay foi rapidamente notada. A pontuação segue o padrão Vivino de estrelas e seu valor correspondente na escala Parker. São todos Champagnes para grandes ocasiões. Philipponnat, na foto entrou no post anterior na categoria Blanc des Noirs, mesmo sendo safrado.


Castelnau Brut Millésimé 2006 – Castelnau é uma marca histórica de um grupo de cooperativas que explora 900 hectares em 150 Crus diferentes, o que lhe permite escolher as melhores parcelas para os vinhos que engarrafa e ainda fornecer para algumas das maiores “Maisons” champanhêsas. Elaborado com uma assemblagem de 26 vinhos Premier e Grand Crus onde se destacam parcelas de Aÿ, Bouzy e Mailly o corte é 50% Pinot Noir e 50% Chardonnay e 12 anos de envelhecimento. As bolhas são delicadas e persistentes. No nariz aromas de flores brancas e frutas como pêssego e damasco. Na boca é untuoso, amplo e complexo. Aromas de café torrado e especiarias se destacam. Um vinho de grande equilíbrio e persistência. 4**** ou 90 pontos. No momento sem importador no Brasil, era trazida pela Vinos & Vinos.


Delamotte Blanc des Blancs Brut 2008 – Famosa por ter os melhores Chardonnays da Côte des Blancs essa discreta “Maison” fundada em 1760 é pilotada por Didier Depond que também produz a icônica Salon na mesma adega. Sua cor é ouro esverdeado. O nariz é fino e apresenta aromas de tília, flor de laranjeira, mel e cera. Na boca é muito untuosa e de bela estrutura. Os aromas de frutas cítricas e flores brancas se destacam. Sedutora vivacidade e mineralidade vão marcar um final longo e elegante com enorme equilíbrio. Perfeita para um delicioso aperitivo. 4,4***** ou 93 pontos. A marca Delamotte é importada pela Wine to You.


Charles Ellner brut 2006 – A familia Ellner é de Epernay de onde vêm boa parte das uvas, mas também produzem na montanha de Reims, na Côte des Blancs, Bar sur Aubois e no vale do Marne. Propriedade familiar e independente possuem 50 hectares de vinhedo. Sempre em busca da excelência tem conquistado muitos prêmios e boas notas. A cuvée brut NV está à venda no Supernosso. Sua cor é dourada clara e as bolhas elegantes e persistentes. O nariz expressivo mostra aromas de flores brancas, flor de laranjeira e brioche. Na boca outros aromas se revelam como café torrado, pera e notas minerais. Seu belo frescor, sua untuosidade e seu grande equilíbrio chamaram a atenção dos jurados. 4,5***** ou 93


Lallier Millésimé Grand Cru brut 2010 – Elaborada com Chardonnays de parcelas 100% Grands Crus da Côtes des Blancs e de Pinots Noirs de Aÿ e Verzenay. Pequena dosagem de 7g/l. Sua cor é dourada e suas bolhas perfeitas. O nariz é delicado e mostra aromas de frutas cítricas e flores brancas. Na boca aromas de brioche, pera e notas de mel. De grande complexidade, longo, muito equilibrado e persistente. Um Champagne gastronômico. 4,5***** ou 93 pontos. Importado pela Vinhos do Mundo.


Drappier Millésime Exception 2013 – A presença de Drappier nas degustações do Conexão Francesa é sempre uma alegria. Suas adegas foram construídas por São Bernardo, fundador da Abadia de Clairvaux em 1152. A propriedade familiar nasce em 1808 e hoje é dirigida por Michel Drappier. Preservando tradições seculares ele ainda planta casta antigas e um tanto esquecidas como a Arbane, Petit Meslier e Blanc Vrai. Nesta cuvée de 2013 a Pinot Noir, como é característica da “Maison”, domina. A Chardonnay entra com 40% do corte. O vinho de base é envelhecido em barris de carvalho da região de Limoges. É importado pela Zahil. Sua cor é dourada clara e no nariz complexo flores brancas e amarelas. Na boca um ataque amplo e belo frescor mostram na sequência aromas de marmelada de marmelo (não é goiabada), mel, pão torrado, torrefação e notas minerais. Um Champagne gastronômico, elegante, intenso e de grande complexidade. 4,5***** ou 93 pontos.


Joseph Perrier Cuvée Royale Brut vintage 2008– Este é um Champagne que faz parte da elite seja pela qualidade, seja pela origem da família que tanto marcou a região. Se o parentesco já os aproximou do Champagne Laurent-Perrier, hoje Jean Claude Fourmont posicionou a marca junto ao grupo de Alain Thiénot, seu primo irmão, que possui também Thiénot, Marie Stuart e Canard Duchêne. A direção segue com os herdeiros do fundador: Jean Claude e seu filho Benjamin. Foi o primeiro Champagne que degustamos, às cegas, após os “Blancs de Noirs” e a mudança foi sentida de imediato. O corte é 50% Chardonnay, 41% Pinot Noir e 9% Pinot Meunier de parcelas Premier e Grand Cru, sendo algumas delas do Le Mesnil sur Oger, Chouilly e Sacy. Junte-se a isto um envelhecimento de 6 anos. O resultado é um vinho de cor ouro esverdeado, com um nariz onde tília, flor de laranjeira e frutas brancas se destacam. Na boca aromas de mel, frutas secas, frutas maduras e marmelada. Seu grande frescor é seguido de uma bela estrutura e de grande complexidade aromática. Encantador, equilibradíssimo, intenso, gastronômico com um final que oferece grande prazer. 4,6***** ou 94 pontos. Em breve novamente disponível no mercado nacional.


Nicolas Feuillatte Collection Vintage 2008 – A jovem cooperativa francesa famosa pela sua Brut Sélection NV, líder de mercado na França, mostra nesta cuvée que além de fazer vinhos que agradam a todos sabe fazer aquele que encanta aos mais exigentes. O diretor enólogo Guillaume Roffiaen que foi estagiário no Centro Vinícola Nicolas Feuillate construiu e sua reputação na Drappier voltou às origens e hoje dirige hoje o mestre da adega David Henault. A dupla deu certo. Na taça a cor é ouro acinzentado com bolhas finas e delicadas. Os aromas são expressivos e exalam flores brancas e frutas em compota. Na boca brioche, notas minerais, pão torrado, marmelada e champignon. Untuoso, bela acidez, muitíssimo longo, enorme equilíbrio e muito gastronômico. Enfim, rico, complexo e merecedor de todos os elogios dos jurados. 4,6***** ou 94 pontos. Importado pela Evino a R$ 209,00.
Para o leitor fica a mensagem de que um Champagne safrado vale cada centavo. Ele oferece um prazer diferente que foge das bolinhas frescas e agradáveis dos pequenos espumantes. É de realmente uma bebida para os grandes momentos da vida. Desejo que o leitor tenha muitos e que possa desfrutar estes prazeres nestas festas e nas próximas. Santé

 

O Champagne é vinho ideal para grandes e pequenas belas ocasiões. (Foto Jean-Philippe)

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Uva nazista gera polêmica na Áustria

O mundo vitícola da Áustria debate se deve mudar o nome da uva mais utilizada na produção de vinhos locais. A tinta Zweigelt nasce do cruzamento da Saint Laurent, antigamente cultivada no Sudoeste e na Alsácia, e da Blaufränkisch, uva tinta com origem nos países do leste europeu. Criada entre as duas Guerras Mundiais pelo botânico austríaco Fritz Zweigelt (1888-1964) ela é hoje objeto de grande polêmica. Afinal, Fritz era nazista de primeira hora e antissemita convicto. (Na foto vinho austríaco com o rosto do botânico nazista.)

Inicialmente batizada “rotburger” a uva desde 1975 usa o nome do seu criador. É com este nome que o vinho desta cepa é hoje comercializado em restaurantes e lojas. A Áustria que nunca assumiu sua culpa pela colaboração com o nazismo convive com este debate. Dois vinhateiros e um restaurante de Viena passaram a chamar o vinho “Blauer Montag” (Segunda Azul) uma alusão a um início de semana difícil depois de ter enchido a cara no final de semana.

A uva austríaca é também cultivada na Alemanha e Inglaterra.

O organismo de promoção do vinho austríaco Österreich Wein Marketing, se disse aberto a discussão caso o tema seja aprofundado e tudo comprovado. Há um precedente na Alemanha onde uma uva chamada Dr.Wagnerrebe, o que era uma homenagem a um dirigente agrícola do III Reich, foi renomeada “scheurebe”  depois da II Guerra, nome de seu inventor. Já na Áustria é chamada “sämling 88”, isto é, semente 88. Durma-se com um barulho desse. Já demorou demais a mudar de nome. Santé.

(no próximo post publicamos o resultado final da degustação de Champagnes).

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