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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Faleceu Armando Martini da Casa do Vinho de BH

Armando Martini lutava contra o câncer e faleceu ontem dia 18 de outubro. Ele se vai, mas nos deixa uma longa história em prol dos bons vinhos e belas recordações. Sua família é pioneira em Minas na venda e importação de vinhos. Nos anos 70, época em que dominavam os vinhos de baixa qualidade no Brasil e os bons vinhos nacionais eram capitaneados pelo Château Duvalier, a Casa do Vinho da Famiglia Martini era um oásis em Belo Horizonte. Era lá que meus sogros, que nesta época moravam em Conselheiro Lafayette onde estavam construindo a fábrica da francesa Poclain, iam se abastecer.

Conheci Armando durante os festivais Sud de France que organizei por diversas vezes no Rio, São Paulo e em Belo Horizonte. Nos demos bem. Um dia o convidei para vir participar do leilão de vinhos de Toques e Clochers, da cooperativa Sieur d’Arques em Limoux. Ele aceitou e foi o primeiro importador brasileiro a trazer uma barrica, 300 garrafas dos grandes chardonnays da AOP Limoux. Foi no domingo de Ramos de 2008. Sua escolha recaiu pelo Clocher de La Gardie, do vinhateiro Jacques Sire. Veja o vídeo.

Arthur Azevedo contou como aconteceu o arremate em 2008, na revista Wine Style: – “A boa surpresa estava reservada para o final (do leilão), mais especificamente no lote 113, um chardonnay de Gardie, produzido por Jacques Sire, no terroir Méditerranéen. Degustado pela manhã, destacou-se pelos aromas frutados intensos, com elegantes notas de tostado, textura macia, boa concentração e longa persistência. Foi intensamente disputado e no final, arrematado pelo brasileiro Armando Martini. Curiosa foi a reação da plateia, que ao saber a nacionalidade do lance vencedor, aplaudiu intensamente, vibrando muito.” Era a primeira vez que um brasileiro arrematava um grande branco de Limoux.

Armando Martini logo após arrematar a barrica em Limoux. (foto Arthur Azevedo)

Voltei várias vezes à Casa do Vinho e pude participar de alguns almoços de sábado. Momento de confraternização, amizade e carinho em torno de grandes vinhos. Numa das vezes fui com Laurent Mingaud, na época diretor de exportação da Sieur d’Arques. Armando por suas origens amava a Itália e seus vinhos. Mas também os franceses e especialmente os vinhos de La Clape no Languedoc. Desta pequena denominação, hoje comunal, traz vinhos de dois belos produtores Château Camplazens e Mas de Soleilla. Apesar de vizinhos cada um possui um estilo diferente e Armando soube compreender isto e colocou os dois na sua carta.

Armando com André e Luiza. (foto Facebook)

Conheci os dinâmicos e simpáticos filhos André e Luíza que estão no negócio e que com certeza vão manter altiva a tradição da Famiglia Martini. Armando deixa muitos amigos e saudades. Santé.

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Chuvas aceleram colheita no Languedoc, causam desastres e 12 mortes

Sexta-feira, sábado e domingo visitei em companhia de alguns amigos da ABS-Rio quatro propriedades do Languedoc. Em La Clape, a bela denominação comunal próxima de Narbonne, visitei o Château d’Anglès, em Cabardès, perto de Carcassonne e mais no interior, visitei o Château de Pennautier do Conde de Lorgeril e o Château Ventenac dois estilos bem diferentes apesar da proximidade. Domingo estive numa outra denominação comunal, a de Corbières-Boutenac, no Château de Luc da família Fabre. Todos tinham a preocupação de terminar a colheita no mais tardar no domingo, pois uma previsão de chuva forte se anunciava. Todos conseguiram aumentar a cadência e terminar a colheita. Em breve conto os detalhes das visitas. Mas isto não foi o mais importante do dia.

Clique para ver imagens aéreas da situação.

 

Rio Orbieu que normalmente é um riacho. (foto Didier Granat)

Ninguém poderia imaginar que a chuva seria tão forte no departamento do Aude. A meteorologia francesa previu chuva forte, lançou um alerta laranja. Foi pouco. A chuva começou tarde da noite. Somente na segunda feira às 6 horas da manhã o serviço meteorológico trocou o alerta de laranja para vermelho. Muito tarde. Cidades inundadas, pessoas mortas, rios e canais transbordaram e pontes rompidas. Foi terrível. Em menos de 5 horas 295 mm forma despejados dos céus, o que representa aqui seis meses de chuva. O rio Orbieu subiu 8 metros. Em belas casas como na cidade de Trèbes a água atingiu 2 metros dentro das residências. Até o momento são confirmados 12 mortos, 1 desaparecido, 8 feridos e 3331 lares evacuados para evitar o pior. Uma barragem foi aberta, pois poderia romper. A coisa foi tão sinistra que o Primeiro Ministro Eduard Philippe veio fazer uma visita para acompanhar a situação. Santé.

Ce pont a été détruit par les terribles inondations dans l'Aude

Ce pont a été détruit par les terribles inondations dans l'Aude

Posted by BFMTV on Monday, October 15, 2018

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Recorde – Uma garrafa de Romanée-Conti é arrematada por US$558.000

Uma garrafa do vinho borguinhão Romanée-Conti safra 1945 foi leiloada ontem por US$558.000 (US$482.000 sem taxas) durante uma venda organizada pela casa Sotheby’s em Nova Iorque, estabelecendo um novo recorde. Na verdade, o recorde foi quebrado duas vezes na noite. Uma outra garrafa do mesmo ano saiu por US$496.000. O recorde anterior era de US$233.000 por um Château Lafite Rothschild de1869, vendido em Hong Kong.

O motivo do preço ir tão alto é que esta garrafa, manchada, foi uma das 600 garrafas produzidas em 1945, justamente antes que o Domaine Romanée-Conti arrancasse as vinhas para fazer o replantio. Portanto, eram as últimas garrafas com as vinhas que não mais existem. O valor final com as habituais taxas e comissões do leiloeiro corresponde a um preço 17 vezes superior a estimação inicial de modestos US$32.000. O lote veio da coleção particular de Robert Drouhin, que dirigiu a casa Joseph Drouhin de 1957 a 2003 uma das mais importantes da Borgonha. Muitos outros vinhos do Domaine Romanée-Conti foram leiloados nesta noite e pertenciam ao Drouhin. Santé.

 

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Prepare-se para o Challenge Internacional Sud France etapa Brasil

Sud France e ABS-Rio estão planejando realizar em 2019 o Concurso Expert Sud de France que é a etapa classificatória para disputar o Challenge International Sud de France que vai acontecer na França em 2020. Todo sommelier sócio da ABS poderá participar. O Objetivo é forjar um campeão em condições de vencer a competição. As regras estão sendo definidas e até janeiro o cronograma oficial será lançado. O concurso é nacional e a prova final será no Rio. O vencedor da etapa Brasil ganha uma viagem à França e o vencedor do Challenge ganha uma luxuosa viagem para ser jurado numa etapa de 2021 do concurso numa dessas cidades: Londres, Xangai ou Nova Iorque.

Como nossa ambição é de trazer o caneco vai ser necessário que o sommelier seja capaz de se expressar em francês ou inglês. Não dá para chegar na disputa sem ter um mínimo de fluência técnica em um segundo idioma. Assim, desde a primeira etapa será exigido mostrar que você consegue se expressar na língua de Shakespeare ou de Molière. Nessa etapa uma redação sobre os vinhos do Sul da França será exigida. O resumo dela deverá estar em um dos dois idiomas. O tema exato será definido pelo Comitê Sud France/ABS-Rio.

Edmond Gasser, de punhos cerrados, comemora a vitória em 2016 tendo a sua direita Diego Cosaquiviti.

Teremos aulas preparatórias sobre o Sul da França e depois a prova teórica. Para isto eu mesmo estarei me preparando. Fazendo um curso de Master of Wine South France em novembro com prova e tudo. Cruzemos os dedos. Para passar precisarei tirar ao menos 75 e para dar aula certificadora 85! Somente depois poderei dar uma formação aos candidatos.

Na prova escrita será exigida uma nota mínima de 70 pontos sobre 100. Não basta ser melhor do que os outros vai ser necessário ser muito bom. A final será no Rio. A prova prática terá degustação às cegas, harmonização com menu real, isto é, com pratos, vinhos, chef e convidados. A correção do cardápio vai exigir conhecimento. A prova vai cobrar desenvoltura e precisão. Vamos limitar o número de finalistas para poder oferecer a todos eles as melhores condições de disputa na final. Inclusive com passagem e hospedagem no Rio. Portanto comecem a se preparar.

Ao vencedor vamos oferecer e exigir um compromisso para que se dedique a uma preparação para o Challenger. Inclusive com aulas de francês ou inglês. O desafio está lançado. Preparem-se. Santé.

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O vinhedo francês votou na direita mostra estudo de esquerda

Nesse momento de colheita das uvas na França a Fundação Jean Jaurés, um think thank de esquerda, encomendou um estudo ao Instituto Francês de Opinião Pública, IFOP, sobre o resultado das eleições presidenciais de 2017 que colocou no segundo turno uma França rural pró Front National, FN, extrema direita, e a França das metrópoles de Emmanuel Macron, o candidato do centro.

O voto de Bordeaux, Bourgogne, Champagne, Beaujolais ou do Midi não é uniforme. Na Borgonha quem leva a melhor é o candidato da direita François Fillon, Les Républicains, sua votação vai de 30% no norte em Aloxe Corton a 56,7% em Volnay mais ao sul, um recorde. Na Côtes de Nuits Fillon faz seus melhores resultados com 50% em Vosne- Romanée. Nas comunas onde se concentram os Grands Crus Fillon lidera com folga. A extrema direta tem votação importante nos vilarejos rurais onde não há mais produção agrícola.

Mais a denominação de origem possui prestígio mais o voto dela é para a direita, são vinhedos que ganharam com a mundialização, explica o estudo. Ele barra o voto da extrema direita. O FN vai ter maior presença onde o terroir se vende com maior dificuldade e é menos lucrativo. É o caso de Rully et Saint Véran.

Votos de François Fillon e Marine Le Pen no primeiro turno nos vilarejos do Marne classificados Premier Cru. (Fonte Fundação Jean Jaurès)

Na Alsácia Fillon lidera com tranquilidade. Já no Beaujolais apesar de Fillon estar quase sempre na frente de Marine Le Pen vem coladinha. Na região de Champagne o efeito terroir é menos importante. Mesmo assim Fillon vence nos 16 vilarejos classificados como Premier Cru e em Reims. Já Marine Le Pen leva em Épernay.

Na região bordalesa a comparação entre o Médoc e Saint Emilion e seus satélites também mostra diferenças. No Médoc grandes grupos financeiros investem e controlam as propriedades e châteaux de maior prestígio. Já na margem direita os vinhedos estão ainda com muitos pequenos produtores. Eles irrigam a economia local e aqui Fillon prospera. No Médoc que utiliza mão de obra externa, prestadores de serviço subcontratados para trabalhos temporários, o FN lidera.

A queda do consumo do vinho na França nos últimos 50 anos teve repercussão importante no vinhedo que no passado era responsável pelo vinho industrial, o vinho das massas populares. O Languedoc Roussillon, principal vinhedo francês, situado no chamado Midi vermelho perdeu nos últimos 45 anos 43% da sua área plantada. O número de cooperativas caiu de 550 para 200 em 2012. Essas estruturas são o elemento principal da identidade de esquerda no Midi vermelho. Vai ser exatamente nestes vilarejos que o FN vai colher mais votos. Mas aqui ela rivaliza com Jean-Luc Mélenchon o candidato da extrema esquerda. Ele ganha nos terroirs de altitude e Marine nos da planície. Estes tiveram um aumento de população vindas de outras regiões, a construção de polos comerciais e conjuntos residenciais. Aqui desemprego e imigração são preocupações que fizeram com que Le Pen ganhasse. O Midi vermelho passa a ter uma cor bem desbotada, mostra o estudo da Fundação Jean Jaurés. Santé.

 

 

 

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Rosé Piscine lidera mercado e vira “case” de marketing

Estive na última semana no Brasil acompanhando o lançamento mundial da garrafa de formato Magnum, do vinho Rosé Piscine, o líder entre os rosés. Segmento onde a França domina. O Rosé Piscine não é um vinho como os outros. Ele foi concebido para ser bebido com gelo. Este jeito descontraído do francês beber seu rosé na beira da praia ou da piscina no verão deu muito certo no Brasil. Este sucesso foi construído em apenas quatro anos.

Garrafa magnum e um drinque com frutas criado pela master chef Luri Toledo. (fotos divulgação)

Isto é o que se chama de case de marketing. A ESPM deveria se debruçar e analisar. Uma importadora pequena, Wine 2 You, pega um produto que não é um vinho clássico, que tem uma bela garrafa e o transforma no líder dos rosés. Ele já fazia sucesso na França onde nasceu há 15 anos, portanto antes do champagne da Moët et Chandon Ice. Foi o pioneiro do conceito on ice, isto é, com gelo. Criou um segmento novo no mercado, como a Apple. São 2 milhões de garrafas por ano em mais de 20 países. Aqui, em plena crise, ele deve atingir 200 mil garrafas este ano. No Brasil ele é muito consumido no segmento feminino, mas os homens também gostam bastante. Faz sucesso em casamentos onde é a escolha da noiva, em detrimento de espumantes de prestígio como o Chandon. Nas baladas e festas é presença garantida.

Hildebrando Lacerda, um distribuidor,  a master chef Luri Toledo e Jacques Tranier presidente da Vinovalie.

Camaleão pode ser consumido tanto à noite como de dia. Ele também se presta muito bem a coquetéis como nos ensinou a bela master chef Luri Toledo no Bardega, em São Paulo, onde preparou uma série de drinks com frutas e especiarias e os harmonizou com diversos “tapas” concebidos especialmente para o evento de lançamento da garrafa Magnum de 1,5 litros. No Rio conquistou os quiosques de praia mais badalados como o Pesqueiro e o Cavalo Marinho. Hoje estreia nos bares e camarotes do HSBC Arena no show dos Tribalistas.

Momento descontraído no Donna em Jurerê Internacional.

Vai ser no lançamento em Florianópolis no Art’s, no Donna e no Acqua em Jurerê Internacional onde vai mostrar toda sua alegria e força. Nessas casas praianas ele faz sucesso tanto na beira da praia quanto nas festas noturnas.  Ele amplia a franja dos consumidores de vinho e agrada a diversas gerações de consumidores. Faz tanto sucesso que o presidente da Vinovalie, a vinícola produtora, enviou para o lançamento mundial seu presidente Jacques Tranier. Afinal, o Brasil hoje é o segundo mercado do Rosé Piscine no planeta. Santé.

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Degustando champagne nas nuvens de Paris

Em Paris o final das férias de verão foi marcado pela inauguração do bar Windo. Depois de passar dois anos em reforma o bar do hotel quatro vezes estrelado, o Hyatt Regency Paris Étoile, está prestes a recebe-los para uma experiência excepcional. Situado no alto da terceira maior estrutura Parisiense, a primeira é a torre Eiffel, o Windo propõe uma carta literalmente à altura de suas expectativas e que presta homenagem à Paris e à sua história.

Vista do Windo em Paris

Depois de atravessar o lobby do Hyatt, suba de elevador até o 34° andar e ao entrar no Windo, você verá Paris do alto de seus 140 metros. Para o deleite de seus clientes, o muro inteiro é uma janela de vidro, e de qualquer mesa a vista para torre Eiffel é imperdível. Uma taça de champagne com suas bolhas efervescentes com vista para a cintilante torre é uma metáfora que vale a visita.

A criação Petite Asie, bao burger de Rafael Casasque acompanhado de drink, especialidade da casa.

Para fazer jus a uma vista dessa o bar teve um grande desafio ao conceber um cardápio que seria a altura. Tendo este panorama o hotel procurou espelhar em seu cardápio Paris, boa ideia não acha? Os coquetéis prestam homenagem a Paris dos Années Folles (os Anos Loucos, entre 1920 et 1930), usando nomes como Madame Joséphine, Charleston e até Belle époque. Quanto aos pratos, eles foram elaborados com muita precisão pelo Chef Rafael Casasque, e representam diferentes bairros ou aspectos culturais de Paris. Por essa razão a oferta é muito variada, tendo pratos asiáticos devido às duas China-towns de Paris e a rue Saint-Anne e também ao norte de França com o queijo Mimolette. A qualidade dos ingredientes e a destreza do chefe fazem com que as iguarias sejam refinadas e em adequação com o local.

Para satisfazer o público epicuriano a carta de champanhes também é de altíssima qualidade, apenas o top de gama é oferecido, com produtores tais que Billecart-Salmon, Jacques Selosse e Louis Roederer et Philippe Starck, e, claro, o champagne Philipponnat. Vendidos por coupe ou garrafas os champanhes cobrem todo o leque de gostos, do mais frutados até aos mais secos e voluídos. Também há coquetéis à base de champanhe para os que querem um toque a mais.

Para uma vista deslumbrante, um cardápio de alta qualidade acompanhados pela música de um DJ de quinta até sábado, há uma só opção, o Windo. Santé. (Eric Rebouças)

Endereço:

3, Place du Général Kœnig – Paris

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Tesouras de poda em ação na França

Com a chegada do outono a colheita se acelera por toda a França. Depois dos vinhedos mais precoces como a Champagne chegou a vez das maiores regiões produtoras entrarem num ritmo acelerado. Os tratores circulam pelas estradas e cidades puxando caçambas repletas de uvas. Brigadas de colhedores de uvas avançam sobre as parcelas com suas tesouras de poda e baldes. De dia como de noite as colheitas se fazem desde que as uvas atingem o ponto ideal de maturação.

Depois de colhidas as uvas passam por uma triagem antes de serem vinificadas. (foto divulgação Vins de Bourgogne)

Na Borgonha, ao final de setembro, a maior parte do vinhedo já foi colhido e os produtores estão contentes. As parcelas mais precoces começaram a ser colhidas em 20 de agosto, as denominações mais tardias como Chablis, Hautes Côtes e certos ‘climats” des Côtes estão tendo, neste início de outono, um clima seco e quente o que vai permitir um amadurecimento perfeito das uvas. Este ano como nos diz Thibaud Marion do Domaine Seguin Manuel, – “Teremos quantidade e qualidade. Um ano maravilhoso. As degustações de final de novembro que precedem as vendas dos Hospices de Beaune devem confirmar esta primeira impressão”, conclui.

No Languedoc a colheita também se acelera e as uvas tintas começam a entrar nas adegas. Em Bordeaux também constatamos que os grandes châteaux iniciaram as colheitas e o tempo bom prenuncia mais uma grande safra. Bordeaux, no entanto, teve uma redução de volume devido a fortes ataques de míldio e chuvas de granizo. Santé.

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Feirão de vinhos deve faturar mais de 400 milhões de euros

O faturamento do feirão de vinhos na França mostra a força do vinho como negocio e paixão. Na maior parte do comércio ele começa em setembro. É o feirão do outono, o original, que se explica por aproveitar o momento da chegada da nova safra nas adegas e a necessidade de abrir espaço nas vinícolas, seja nos tanques seja nos depósitos. É também uma oportunidade para produtores menores se exporem em grandes redes. Momento para o consumidor fazer bons negócios e boas compras. Todos ganham. Você vai ver que os números são robustos.

Carrefour investe e tem o sommelier campeão Paolo Basso assinando sua seleção de vinhos.

Segundo a revista especializada com enfoque nos profissionais do segmento, Rayon Boisson, a progressão de vendas é espetacular. Em 2016 foram 62 milhões de litros e em 2017 65 milhões. Em valor a vendas atingiram 414 milhões de euros contra 390 milhões no ano anterior. O que representa um crescimento de 3,8% em volume e 6,9% em valor comparando com 2016. Segundo especialistas do setor a tendência é de alta.

Nestas horas é que Bordeaux mostra sua força ao responder por 70% das vendas. Ao longo do ano se contenta com 58%. Para a região de Bordeaux os feirões respondem por 18% do faturamento anual, para a Borgonha e Languedoc-Roussillon ficam respectivamente com as duas outras posições do podium.

Outro detalhe importante, já que este é um momento onde o consumidor busca fazer seu estoque ao aproveitar as oportunidades, a venda de tintos é superior alta e atinge 60%. Os vinhos rosés tem um volume um pouco maior do que os brancos, mas o faturamento deste é mais alto.

Como funciona? Preços bem baixos para atrair a clientela levam o consumidor aos sites e lojas. Mas quando chegar na loja tem de ter paciência para pesquisar. O ideal é ter analisado com antecedência as ofertas para não comprar apenas o encalhe ou cair numa pegadinha. Para isto basta entrar nos sites de jornais e revistas e ver a seleção das melhores oportunidades, os melhores vinhos e suas ofertas. Santé.

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Setembro é o mês para se comprar vinhos na França

Mês de setembro na França marca o final das férias, a volta às aulas, ao trabalho, a colheita entra num ritmo mais forte e os Foire aux Vins (Feirões de Vinhos) tomam contas de sites, lojas e supermercados. Marca também a chegada dos novos guias de vinho às prateleiras e das edições especiais de revistas e jornais sobre as melhores ofertas dos Feirões. Eles vão ajudar o consumidor nas suas compras. Os Feirões representam cerca de 15% das vendas anuais para grandes supermercados como Carrefour ou o líder francês E. Leclerc, que não está presente no Brasil.

Inacreditável que grandes revistas não especializadas como Le Point e jornais como Le Figaro, e tantos outros, publiquem cadernos grandes sobre o tema. As revistas especializadas mergulham fundo na análise das ofertas das principais redes de supermercados e de “cavistes” (lojas de vinho) com lojas físicas e virtuais. Páginas de tabelas com as principais ofertas, seus preços, relação custo benefício, seleção de favoritos e muito mais. Matéria de TV e radio complementam a oferta de informação. Afinal, o Feirão já está na paisagem há 40 anos.

Tem de tudo nas ofertas de vinho. Vai desde o AOP baratinho a 1,99€, tipo compre 4 e leve 6, caso do AOP Saint Chinian, Mermian tradição 2017 do Lidl, o hard-discount alemão, literalmente desconto duro, que tomou banho de loja, que também oferece o Château la Tour Carnet, GCC do Haut Médoc, 2016, com 93 pontos RP por 25,95€. Recebi agora na caixa do correio o catálogo do Intermarché. A oferta é bem mais ampla do que no Lidl, afinal é uma rede tradicional. O favorito da Borgonha é o Gevrey Chambertin do Domaine Nicolas Theuriet, 2016, tinto por 27,95€. Esta rede usou a consultoria de três enólogos experientes: Christophe Coppolani, Michel Petitjean e Georges La Fay. Além deles devem ser adicionadas as medalhas de concursos e notas de guias franceses e internacionais. No final do catálogo estão os Champagnes. Ao comprar 3 garrafas do Champagne Nicolas Feuillatte Grand Réserve o preço cai para fica por 19,96€ (R$ 97) cada garrafa. Moleza, não?

O catálogo do Aldi, outro hard-discount, também de origem alemã, traz na capa o Cru Bourgeois do Médoc Château Rollan de By, 2014, tinto claro. Um belo vinho que sai por apenas 14,99€ e foi selecionado por Dominque Laporte, sommelier campeão francês e melhor “ouvrier” da França, ambos em 2004. A lista é ampla e tem Côte du Rhône (6,49€) e Saint Joseph (13,99€) de Guigal, Alsace Gewurztraminer Grand Cru Hengst 2015 por 8,99€. O câmbio hoje está a R$4,83 por 1€. Arredonda para 5 que fica mais fácil de fazer a conta, vai. Mas tem muito mais nas lojas e sites tem muitos Grand Cru Classé, especialmente nos supermercados das grandes cidades. Eu que moro na roça tenho uma oferta maior de vinhos regionais do Sul da França. Santé.

 

 

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