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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Cai a produção de vinho na Argentina

grafico italia ultrapassa frança
A estimação da OIV para a produção mundial de vinhos em 2015 é de 275,7 milhões de hectolitros, o que representa uma alta de 2%. Uma boa média segundo informa a diretora geral da OIV Marie Aurand durante coletiva de imprensa.
Os números são provisórios, mas percebe-se que a Itália este ano produzirá mais vinhos do que a França. Na Bota a progressão é de 10% atingindo 48,9 Mhl enquanto que no Hexágono a produção se estagna em 47,3 milhões. A Espanha volta ao volume habitual e contenta-se com 36,6 Mhl e os EUA atingem 22,1 Mhl.
No hemisfério sul a Argentina em nítida queda produz 13,3 Mhl e o Chile em alta vertiginosa atinge 12,8 Mhl. Na Austrália e na África do Sul volumes estáveis com 12 e 11,3 Mhl respectivamente.
O consumo cresce nos EUA, Europa do norte, Japão, China, Angola, Moçambique e Tanzânia, informa a diretora geral da OIV.

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O vinhedo do rúgbi

A ponte Valentré é o cartão postal de Cahors.

A ponte Valentré é o cartão postal de Cahors.

Toulouse, a cidade Rosa, é a capital do rúgbi (ou rugby) francês. O rúgbi é o esporte mais popular no grande sul francês. Enquanto no norte quem domina é o futebol. Não me pergunte a razão. Hoje o XV de France, é assim que é chamada a seleção de rúgbi francesa, enfrenta a fortíssima seleção da Nova Zelândia, os All Blacks. O que me motivou a falar dos vinhedos próximos de Toulouse.

A casta autóctone e que representa 50% do corte da denominação Fronton, realmente em torno de Toulouse, é a Negrette. Nos tabuleiros entre os rios Garonne e Tarn esta uva predomina. Ela é citada no livro que comentei no post anterior, “Vinhos Insólitos”. É uma dessas uvas menos badaladas que resiste à padronização global. Se adapta muito bem ao terroir local. Ela vai dar vinhos frutados e elegantes onde dominam os aromas de violeta, cassis, amora, alcaçuz, framboesa e especiarias. Na AOC Fronton é normalmente cortada com Syrah e Cabernet.

No Brasil os vinhos de Fronton engatinham ou estão ausentes. Mas a Negrette, discretamente, está marcando presença com um vinho rosé inusitado, o Rosé Piscine. Sem a pretensão dos grandes vinhos ele busca “apenas” oferecer alegria e prazer. Seu conceito é intimamente ligado ao verão, a balada e as festas. Refrescante é servido com gelo. É um vinho de boa acidez e com uma dosagem de açúcar mais alto, que diluídas no gelo “desaparecem”, mas não os aromas de framboesa e violeta. Bela sacada dos vinhateiros da Vinovalie que o produzem.

A Negrette chega ao Brasil vestida de Rosé Piscine.

A Negrette chega ao Brasil vestida de Rosé Piscine.

Mas o Rugby exige força, vigor e tenacidade. Jogado por cavalheiros e, hoje, damas, o rugby é um esporte nobre. Como a casta malbec do Cahors, também muito apreciada em outro país amante da bola oval, a Argentina dos Pumas. Os franceses de uva malbec estão chegando com mais força ao Brasil que tem buscado produtos, isto é, prazeres diferentes no vinho. Fugir do habitual é o segundo passo do enófilo. O mesmo grupo Vinovalie, que reúne cinco cooperativas e alguns châteaux no Sudoeste, está trazendo pelas mãos da Vinos e Vinos uma linha de malbecs que tem tudo para agradar ao grande público, mas também aos mais exigentes. O primeiro é o Tarani malbec, um vinho regional.  O segundo é o Tarani Réserve um Cahors 100% malbec com rápida passagem em madeira. Depois tem o Impernal um Cahors com 15 meses em barricas francesas sendo 50% novas e 50% de um vinho. O quarto rótulo é o Château Les Bouysses, selecionado e recomendado pelo guia francês Bettane & Desseauve. Este Cahors tem 70% malbec e 30% merlot com 12 meses de envelhecimento em barris franceses. Se os dois primeiros são vinhos mais modernos e de grande apelo os dois outros são vinhos que merecem atenção.Um detalhe importante cabem no seu bolso. Santé.

P.S.: O Jblog está com uma ferramenta nova para publicação que me parece muito melhor. Aos poucos vou conhecê-la melhor e poderei editar melhor o Conexão Francesa.

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Vinhos Incríveis de todo o planeta

Vinos Insólitos traz curiosidades do vinho que realmente interessam.

Vinos Insólitos traz curiosidades do vinho que realmente interessam.

O livro de Pierre Bourgault nos leva a descobrir curiosidades do vinho muito interessantes. Numa época de globalização acentuada e que tem como consequência uma uniformização das técnicas e mesmo do gosto, o livro oferece a oportunidade de descobrir o que é diferente. O autor escreve sobre castas esquecidas ou banidas, terroirs improváveis, técnicas de vinificação da antiguidade e climas exóticos.
Bourgault é jornalista, fotógrafo e engenheiro agrônomo. Autor premiado, tem mais de 30 obras publicadas. Esta pela editora Jonglez. Dividiu o livro em 8 tópicos para tratar das curiosidades do vinho: climas, terroirs, uvas, modos de condução, vinificação, cor, envelhecimento e embalagens. As fotos são de rara beleza e o texto é agradável. É possível passear pelas 256 páginas deste livro que une beleza editorial, riqueza de informação e precisão técnica em um só fôlego.
Muitos capítulos me intrigaram e chamaram a atenção: o vinho clandestino do Iraque, os vinhos de ânfora da Geórgia, o tratamento das vinhas com música (já comentei no blog este dois últimos) e a vinha de gigantes que ficam a mais de 15 metros do solo. Um destes vinhedos fica na Itália. Utiliza técnica romana que evitava colocar estacas de sustentação e que permitia afastar a uva do solo e, consequentemente, da umidade. A videira era plantada ao lado de álamos, árvores altas. A planta se enrosca e sobe, para colher é necessário usar longas escadas. Com justiça mereceu a capa do livro.

Mas o assunto que realmente me interessou, e não por ser o mais exótico, foram as castas esquecidas. Aquelas que desapareceram com o tempo, que foram oficialmente banidas ou simplesmente mudaram de país. Explico. Como você sabe cultivo uvas de mesa, herança do sogro, mas depois de comer 15 quilos e distribuir outros tantos, tenho pouca serventia para os outros 25 quilos. Planejo plantar uvas viníferas num espaço de 400 m2, um cantinho de terreno que não está sendo utilizado. A leitura me ajudou a tomar uma decisão, apesar de ter escolhido uma uva que não é citada no livro. Um detalhe. Santé.

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Feirão do Vinho é uma ferramenta pouco usada Brasil

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Está na hora do mercado do vinho dar as mãos e montar uma grande pauta positiva para o aumento do consumo e ampliação do mercado do vinho no Brasil. A superação dos graves problemas de 2013 abriu a possibilidade do entendimento, afinal todos têm ou deviam ter em mente a popularização do vinho no Brasil.
Algumas iniciativas interessantes têm sido colocadas em prática por algumas importantes instituições. O Circuito Brasileiro de Degustação é resultado de parceria entre o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O dia do Vinho também é outra iniciativa que amplia. Mas falta unir o vinho importado ao nacional. Hoje diversas importadoras distribuem vinhos nacionais utilizando sua forte capacidade de comercialização. Nada mais justo do que criar parcerias que realmente ampliem o consumo e a zona de atuação, isto é, que estas não se restrinjam aos estados produtores.

O que proponho são coisas que quando se estuda história ou sociologia chamamos de vantagens do atraso. Isto é, aprendemos com o que foi feito antes em outros países. Na França, primeiro produtor de vinho do mundo, há quatro décadas, realiza com sucesso o feirão de vinhos (Foire aux Vins). No começo era apenas na época da colheita hoje acontece duas vezes por ano. Podemos começar com apenas um que tanto pode ter como critério a data da colheita no Sul quanto, por exemplo, o momento em que as vendas estão mais baixas, como em fevereiro e março.

Acredito que se os grandes atores do mercado sentassem para conversar -ABRAS, A.B.B.A, ABRABE, UVIBRA e IBRAVIN – sem exclusão de pequenos produtores e lojistas do vinho, uma boa solução seria rapidamente encontrada. Por qual razão o supermercado E.Leclerc, líder na França, optou por realizar o Feirão no momento da colheita? Ele percebeu a oportunidade, a necessidade dos produtores de esvaziar seus tanques, barris e estoque para abrir espaço para a chegada da nova safra. Neste momento o Leclerc tinha, com certeza, um maior poder de barganha. Por outro lado os produtores passaram a ter oportunidade de colocar novos rótulos em numa grande rede de distribuição onde não estavam presente. Abriram uma porta.

Hoje o Foire aux Vins é um momento único para o consumidor tamanha as oportunidades e ofertas que encontra. Para a rede Carrefour ele representa 15% das suas vendas de vinho. Ele pode ter mesmo uma função de marketing como nos ensinou este ano o Hard discount alemão Lidl. Nm movimento de mudança de posicionamento (não quer mais ser conhecido como um hard discount) colocou alguns Grans Crus Classés a preços extremamente agressivos – Château d’Yquem 1998, Château Pavie 2011, Château Carbonnieux 2010, Château Talbot 2010, Château Rieussec 2009, Château Gruaud Larose 2011, Château La Tour Blanche 2009 e Château Pape Clément 2012. Os preços geraram uma chiadeira fenomenal, muito barulho na imprensa, nas redes sociais e o mais importante: na mente do consumidor foi reforçado o novo posicionamento do grupo alemão Lidl. Afinal, hard discount não vende Cru Classé.

O produtor tem aqui uma grande oportunidade não apenas para esvaziar suas cubas e baixar seu estoque, mas para apresentar vinhos que nunca antes entraram em lojas ou supermercados e ficavam restritos à própria zona de produção e a alguns pontos de venda em Paris. Os vinhos importados também participam e fazem sempre parte do catálogo especial vinhos que os supermercados e cadeia de lojas preparam especialmente para a ocasião.
O evento adquiriu tamanha proporção que a grande imprensa (jornais e revistas) e a mídia especializada, publicam um guia das melhores ofertas e seleções do mercado. Abordam os produtos distribuídos em redes nacionais, mas também nas regionais, nas principais lojas e sites de vinho. Os críticos e sommeliers de maior reputação são convidados para fazer a seleção e recomendar os vinhos. Mesmo alguns restaurantes entram na onda e aumentam suas vendas.
Como se vê todo o setor participa. Acho que é uma proposta ganha, ganha e que pode unir todo o segmento do vinho. Santé.

ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados
A.B.B.A – Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Bebidas
ABRABE – Associação Brasileira de Bebidas
UVIBRA – União Brasileira de Vitivinicultura
IBRAVIN – Instituto Brasileiro do Vinho

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