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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Viajando por Portugal e descobrindo vinhos e boas mesas

Estou de férias em Portugal e prometi à minha filha e esposa que desta vez não iriamos visitar vinicolas. Afinal, estamos de férias. Vim de carro do Languedoc e cheguei por Bragança no norte. Fui ao litoral em Aveiros, visitei Tomar e Fátima antes de chegar em Lisboa. Estou em Monte Estoril e depois sigo para o Porto. Posso afirmar que Portugal é uma jóia. Limpo, bonito, elegante e cordial, seja nas grandes cidades seja no interior.
Boa mesa e bons vinhos. Depois eu conto tudo. Santé.

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“Suderj” informa: o vinho mais caro do mundo não é mais um Romanée-Conti

hermitage chapelle

A classificação deste semestre trouxe uma mudança importante no ranking dos vinhos mais caros do mundo vendidos em leilões. O Hermitage La Chapelle 1961 da casa Jaboulet Ainé destronou o Domaine de La Romanée-Conti. O leilão do Hermitage foi muito disputado e atingiu 13320€ e foi arrematado por um enófilo austríaco. O preço superou a cotação do site Idealwine em 67%. O La Chapelle oferecia todas as garantias, foi recondicionado na propriedade e acompanhado de um certificado de autenticidade, informa o site especializado em leilões de vinhos raros Idealwine. A matéria saiu na terça feira no site da revista Em Magnum, dos craques franceses Bettane e Desseauve após receber o comunicado do Idealwine. Santé.

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O vinho de domingo: Occelus, Abbaye de Fontfroide, Corbières, 2012

 

Esta abadia já deu um Papa, Bento XII, eleito em 1334. Hoje produz vinhos de grande qualidade. Occelus em latim significa pequena joia ou olho pequeno, por extensão meu querido. A safra de 2012 foi considerada muito boa na denominação. Ricos em história os vinhos da Abadia de Fontfroide são de boa envergadura. O terroir de Fontfroide tem um clima Mediterrâneo, um solo argilo calcário bem permeável que vai conferir uma bonita elegância ao vinho. O vinho top da abadia é o Deo Gratias.

fontfroide

Os abades cistercienses de Fontfroide faziam vinhos na Idade Média.

Occelus, Abbaye de Fontfroide, Corbières, tinto, 2012, 500 ml

Nestas terras onde os javalis passeiam pela “garrigue” durante a noite e os ventos sopram 290 dias por ano a syrah e a grenache encontram um terroir ideal para se expressarem. A cor é grená com reflexos violetas. Esse vinho é uma bonita harmonia de frutas vermelhas, framboesa, morango e compota às quais se unem especiarias doces. Na boca é amplo, sedoso, com taninos macios e bom comprimento. Está no seu apogeu. O formato de 500 ml é ideal numa mesa a dois.  Importado por Wine Mundi/Zahill. 4****. Santé

ocellus

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Cólera – França importa mais 11% de vinhos da Espanha

Jean Gleize fogo

A Federação Nacional de Produtores Agrícolas, FNSEA, estará fiscalizando a presença dos vinhos espanhóis nos supermercados franceses. Em si a importação de vinhos da Espanha é bastante normal. A fiscalização tem por objetivo verificar se os vinhos estão sendo vendidos com a menção Espanha ou Europeu e não como vinho francês, pois a maior parte é engarrafado na França, explica Jerôme Despey secretário nacional da FNSEA.

A preocupação dos produtores do sul da França e do Aude em particular (departamento onde moro) é que os vinhos espanhóis custam entre 30€ e 40€ o hectolitro, 100 litros, e o francês entre no mínimo 70€ e 80€. Essa importação prejudica os vinhos franceses de menor qualidade, o Vin de France ou vinho sem IGP (Indicação Geográfica Protegida) típico de cooperativas de baixa qualidade.

A cólera de produtores se faz ouvir e alguns radicalizam. O Comitê de Ação Vitícola, conhecido por suas ações violentas, colocou fogo na loja de degustação (foto) do Domaine Jean Gleizes, em Ouveillan, no Aude e pichou os muros com os seguintes dizeres: “Bandido, Fraude. CAV”.

Semana passada durante coquetel na casa de um produtor a proprietária de um Château da AOP Minervois se mostrava preocupada com esses vinhos espanhóis. Será que é para se preocupar? Ela faz um bom Minervois e bons IGP. O fato destes vinhos serem engarrafados na França e boa parte reexportado abre portas para outros vinhos franceses de melhor qualidade, em outros mercados, num mundo de competição feroz onde preço é força. Talvez o custo França esteja diminuindo a competitividade do vinho francês mais simples. Será esse o mercado do vinho francês? Duvido.

Afinal, você vai beber apenas vinho de mesa? Quando o orçamento permite o consumidor vai sempre querer beber melhor. Nem espanhol, nem francês e nem chileno de pequena qualidade. O consumidor sempre quer o melhor que seu dinheiro puder pagar. Não é assim que você age? Santé.

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Vinhos e destilados são um grande negócio

Vintage 2004 Rosé petit

Bastou um ventinho a favor para que as ações dos gigantes das bebidas disparassem nas bolsas europeias. Diageo, o fabricante inglês líder mundial de bebidas, com 46% de suas vendas nos EUA, desfruta da queda da libra esterlina provocada pelo Brexit. O grupo francês Pernod Riccard, dono das marcas de Champagne Mumm, uísque Chivas Regal e vodka Absolut, também se beneficia do crescimento americano. Já a francesa LVMH, que tem no portifólio Moët et Chandon, Veuve Cliquot e o cognac Hennessy, se felicita do aumento de consumo chinês.

No Brasil a simples estabilidade de um novo governo, ainda que provisório, já se reflete nas vendas dos importadores e com certeza dos produtores brasileiros. A carga tributária acintosa e o câmbio alto, em relação a um passado recente, encareceram as bebidas. Como o orçamento do brasileiro não melhorou a solução para consumidores e importadores foi buscar vinhos novos de preços mais competitivos. O consumidor está mais atento e pesquisa com atenção as ofertas em sites, supermercados e lojas. Compara preços, pede conselho e decide.

Os importadores perceberam e mexeram nas cartas de vinhos. Denominações menos conhecidas mas de melhor preço estão ganhando mercado. E, principalmente, os vinhos sem IGP, Indicação Geográfica Protegida (Vin de Pays ou regionais) ou mesmo os da genérica categoria Vinho da Comunidade Europeia. Esta permite o corte de vinhos de países diferentes. Tempranillo espanhola com Syrah do Languedoc, Bobal da Mancha com as francesas cinsault e grenache já estão virando corriqueiras. Atendem corretamente ao mercado de primeiro preço. Mas a parte do leão fica com o Leão, isto é, o governo. Santé.

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A margem direita do Rhône oferece grandes oportunidades

lirac rotulo epine

A margem direita do Rhône fica na região administrativa do Languedoc e faz parte da marca guarda chuva Sud de France. Nem por isso deixa de ser um vinho do Vale do Rhône e de pertencer ao sindicato da região. Alguns desses AOC’s chegam com certa frequência ao Brasil, mas não são tão badalados. Costières de Nîmes, Lirac e Tavel são três bons exemplos. Este é conhecido na França como o Rei dos Rosés. Lirac é hoje um Cru do Rhône. Do lado esquerdo do Rhône, bem em frente, fica a prestigiosa denominação Châteauneuf du Pape, de grande qualidade e reputação internacional. Costières de Nîmes fica a uns poucos quilômetros ao sul e é vizinho de diversos Côtes du Rhône Villages, hierarquicamente acima dos tradicionais Côtes du Rhône.

mapa rhone

No mapa você pode perceber a proximidade dos vinhedos de Lirac e Châteauneuf du Pape.

Costières de Nîmes oferece uma relação qualidade preço excelente. Já o Lirac que é o Cru mais próximo de Châteauneuf du Pape, o Cru emblemático do sul do Rhône, custa em geral 1/3 do vizinho mais badalado. O Costières de Nîmes então chega a ter preços mais baixos do que muitos Côtes du Rhône, mesmo o de bons produtores.

Já Tavel é um caso a parte. Não é o preço que o diferencia dos bons vinhos da Provence, mas o estilo. Sua for é mais escura, vai de um rubi claro ao alaranjado para os mais velhos. Um Tavel é também um vinho de guarda – 3 a 7 anos – e é ideal para acompanhar refeições e não apenas um vinho de aperitivo. Ouso dizer que tem mais características de um tinto do que de um branco como os rosados do estilo da Provence. O que muito particularmente me agrada mais.

Na Tahaa Importadora você pode encontrar o Tavel 2014 por R$ 108, um precinho de câmbio antigo, O Lirac tinto sai por R$121(ah, o branco também é excelente) enquanto o Châteauneuf du Pape está por R$ 410. Todos são produzidos pelo renomado Château Lafond Roc Epine, todos são muito bem pontuados na crítica francesa e aglofônica. Já o Costières de Nîmes do Château Virgile, é vendido na Nova Fazendinha por R$ 61. Também de muito boa qualidade e conceituado na crítica francesa. Santé.

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Barril ou ânfora? Tonel ou “dolia”?

Hoje em dia alguns produtores retomam o método de vinificação em ânforas como se fazia na Antiguidade, no Alto Império Romano. Mas no atual Languedoc, nos últimos séculos da Antiguidade, outra forma de vinificação e transporte, menos onerosa se impõe nesse período de profunda mutação e decadência Romana. A partir do século II A.C até o final de III D.C. as olarias param de produzir ânforas, usadas no transporte, e dolium (plural de dolia em latim) devido ao seu alto custo em um cenário de crise. A dolia era uma grande jarra de cerâmica que enterrada era usada para vinificação de grandes volumes de vinho.

.dolium museu

Conjunto de Dolium para vinificação.(Foto: Museu de Docks Romains de Marselha)

A história deu muito mais destaque para as ânforas, pois nas escavações arqueológicas estas são encontradas em abundância, afinal se conservam melhor do que a madeira com o passar dos séculos. As estruturas pesadas de maçonaria e pedra são substituídas por materiais perecíveis onde a madeira domina. Não custa lembrar que o tonel é uma invenção gaulesa.

barril gaules

O barril de madeira , invenção gaulesa, se conserva menos o que dificulta o trabalho dos arqueólogos.

No mapa (arquivos departamentais do Aude, livro L’Aude et La Vigne: 100 anos de Paixão) pode-se perceber duas zonas onde encontramos vestígio das duas técnicas. A zona dos tonéis, mais para o interior, Lauragais, acima de Carcassonne, e a zona dos dolium mais próxima do litoral tendo como cidades de referência Béziers e Narbonne.

mapa anfora e dolia

Nos dias de hoje o barril e o tonel seguem sendo utilizados no envelhecimento e mesmo na vinificação. Já a ânfora e a dolia foram substituídas por tanques de cimento ou inox que predominam para a vinificação e estocagem. Santé.

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