Publicidade

Jornal do Brasil

Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

100 mil pessoas na colheita em Champagne

Foram 100.000 pessoas colhendo uvas na Champagne este ano. Afinal, para fazer as mágicas bolhas, toda a colheita é obrigatoriamente manual. A mão de obra temporária contratada é enorme. Junte-se a estes os que atuam no vinhedo o ano inteiro e você pode imagina o formigueiro humano, durante cerca de 30 dias, perambulando entre as videiras. Gerir todo este mundão de gente é tarefa complexa que os vinhateiros e as “maisons” (grandes empresas) de Champagne realizam a cada ano.

colheita

Trabalhadores temporários colhem uva em Champagne.

A safra 2016 teve um grau de complexidade e exigência muito grande. Os produtores tiveram de estar atentos para combater os ataques de mildiou e bem conduzir o vinhedo. Mas o clima foi o grande vilão em boa parte do ano. Geada na primavera, chuvas intensas e granizo amputaram a colheita em 30%. Mas para o consumidor o mais importante é saber que os meses de agosto e setembro foram perfeitos. Um verão seco e quente que teve alguns dias caniculares. O resultado foi uma colheita que começou para as parcelas precoces em 10 de setembro e para as mais tardias no dia 27. Ao final da primeira semana de outubro a safra 2016 estava colhida. As previsões iniciais eram mais conservadoras quanto ao volume, no entanto, ao final, o rendimento médio esteve acima de 8000 kg por ha. Os vinhos de reserva serão utilizados para compensar a quebra, mas em menor quantidade do que o estimado inicialmente antes da colheita, informa Thibaut Le Mailloux assessor de imprensa do Comitê Interprofissional dos Vinhos de Champagne.

francis tribaut

O produtor e enólogo Francis Tribaut na cave de Lallier.

Uma curiosidade da safra é que em alguns terroirs, como em Aÿ, a colheita da Pinot Noir se deu antes da Chardonnay. Foi assim para Francis Tribaut, produtor do Champagne Lallier, importado pela Vinhos do Mundo, um dos últimos a iniciar a colheita. “O forte calor de setembro fez com que nossas magníficas Chardonnays estivessem com sua maturação atrasada em relação à Pinot Noir. Estas foram colhidas no final de setembro e as brancas no começo de outubro”.  A maioria do vinhedo de Lallier se saiu muito bem, a uvas são de bela qualidade e nos deixam prever uma bela “assemblage”, (mistura como se diz em Portugal), conclui Tribaut.

Agora é só esperar e ver em dois ou três anos como estarão estes Champagnes de 2016. Santé.

Compartilhe:
Comentar

Vaticano é o país que mais bebe vinho no mundo

vaticano brasao

O Estado Pontifical do Vaticano é o maior consumidor de vinho per capita do mundo. Pelo menos foi assim em 2012. Com a marca de 74 litros por pessoa liderou com folga o ranking. Bem à frente de Luxemburgo, Andorra ou França que vem logo a seguir. A liderança não se dá por causa das constantes missas no Vaticano, mas por outros fatores. Uma maioria de adultos sem filhos moram no enclave Romano, portanto sem crianças. São 800 habitantes para uma superfície de 0,44 km2. Cinco mil empregados e aposentados da Santa Cidade moram nas proximidades e podem fazer compras no supermercado Annonna, de tipo duty free, para seu consumo pessoal.

Estatisticamente o consumo no Vaticano é de 100 garrafas por pessoa por ano ou duas taças por dia para cada bendito consumidor. Já em 2013 este consumo havia caído um pouco e voltou a crescer em 2014. A fonte é o Wine Institute e os dados mais recentes são de 2014. Percentualmente é quase 0% do consumo mundial. O Brasil representa 1,42% do consumo global que é liderado pelo EUA, 13,03%, e seguido da França, 11,29%, estes são os únicos países cujo consumo atinge dois dígitos. Amém e Santé.

Compartilhe:
Comentar

Produção mundial de vinho cai 5%. Brasil -50%, Chile -21%, Argentina -35%.

grafico queda

Com base nas recentes informações divulgadas pela OIV, Organização Internacional da Vinha e do Vinho, OIV, a queda mundial da produção de vinho será de -5% em 2016 com relação a 2015. Já havia noticiado aqui, no Conexão Francesa dia 9/10, que a França teve uma quebra na safra de -12%. Temos também os números Portugal -20%, Alemanha -4% e Itália – 2%. Quem escapa na Europa é a Espanha com +1%. Na América do Sul foi ainda pior -21% no Chile, -50% no Brasil e -35% na Argentina. Cabe lembrar que as colheitas no hemisfério norte estão terminando. Em resumo vai faltar vinho em 2017.

grafico produção mundial 2016

Com estes números a Itália segue em primeiro lugar, a França em segundo e a Espanha com um sólido terceiro lugar. Os dados são da OIV e os gráficos da Idé, publicados no site econômico Boursorama. Santé.

Compartilhe:
3 Comentários

Bons vinhos em promoção no Supernosso de BH

charonnay

Mesmo morando na França acompanho muitos sites que oferecem vinhos pela internet. Hoje recebi ofertas do Supernosso, BH, e selecionei alguns vinhos europeus que achei com bom preço para Minas Gerais.

estreia

Estreia – branco português, Vinho Verde DOC, safra não informada no site, de R$ 35,90 por R$ 29,90, desconto de 17%. É um vinho de excelente relação qualidade preço. Para João Paulo Martins autor do guia Vinhos de Portugal, principal referência lusitana, “- é um vinho polivalente em termos gastronômicos e muito consensual, todos vão gostar. Martins pontuou a safra 2014 com 14,5/20 o que equivale a 86/100 no padrão americano.

rose

Domaine de Gillières – rosé francês, IGP Vale do Loire, safra 2015, de R$ 49,90 por R$ 39,90, 20% de desconto. Um Rosé do Loire é algo pouco convencional, a garrafa típica da região, famosa pelos seus Muscadets, deve chamar a atenção do consumidor. A uva também é diferente Grolleau, originária de Tours, no Loire. Somente é cultivada às margens do rio Loire. Que além de ter os mais lindos castelos da França faz bons vinhos. Um vinho agradável de muito bom frescor e aromas de pequenas frutas vermelhas, com uma pontinha gostosa de bala de cereja. É um campeão de vendas no Zona Sul do Rio, agradou muito o paladar carioca. Nota 14 ou 85 pontos.

astro-668x1000

Astro – tinto italiano, IGT Veneto, safra 2014, no site de R$ 59,90 por R$ 45,90, desconto de 23%. Produzido na região de Verona pela boa Masseria La Volpe. Tem boa intensidade, com notas de frutas escuras. É de fácil harmonização podendo combinar com carnes e massas. Nota 14,5 ou 86 pontos.

chardonnay

Domaine Chêne – branco francês da Borgonha, safra 2015, no site de R$ 99 por R$ 79,90, desconto de 19%. Produtor, Cédric Chêne fica num dos 4 melhores “terroirs” de Mâcon, La Roche Vineuse, portanto não é um Borgonha genérico, mas um muito bom Mâcon, superior hierarquicamente na classificação borguinhona, claro 100% chardonnay.  Vinho de personalidade, amplo e sofisticado com bom comprimento na boca. A etiqueta é de estilo meio antiguinho, mas o vinho supera expectativas. É freguês de carderninho do guia francês Hachette. Compre gato leve lebre. Nota 15 ou 88 pontos.

O blog está aberto a ofertas de todo o Brasil. Mas comenta apenas vinhos europeus, com clara preferência para franceses.  ,) Santé.

Compartilhe:
Comentar

Sauternes harmoniza com sobremesa ou frango Bang Bang

partarrieu

Nesta sexta feira terminei o jantar com um vinho doce como um beijo: Château Partarrieu, 2009, Sauternes. Acompanhou magistralmente um pavê diplomata. Produzido por Lucille e Philippe Mercadier, ex-proprietários do Château Suduiraut, 1º Gand Cru Classé de Sauternes. Depois da venda a família continuou na mesma região e hoje produz os Château de Veyres, Château Haut Coustet, Château Péchon, Château Tuyttens e Château Partarrieu. Os dois últimos vêm do mesmo vinhedo. Se o rendimento de Tuyttens é de 12 a 14 hl/ha, o de Partarrieu é de 14 a 16 hl/ha, ambos são colhidos manualmente com triagem sistemática e sucessiva em busca das uvas botritizadas, a chamada podridão nobre, que vai dar origem ao doce vinho de Sauternes. O que muda mesmo é o tempo de envelhecimento em barricas. Partarrieu se contenta com 10 a 12 meses e Tuyttens fica 18 meses nos barris franceses. Se o tempo de guarda sugerido de Partarrieu é de 10 anos o de Tuyttens é de 10 a 15.

No nariz os aromas florais, marmelada e figo em compota. Na boca um belo frescor com notas de mel, abacaxi e cítricos num denso comprimento. O Sauternes pela sua ótima acidez e mineralidade faz com que o doce não seja cansativo. Optei por servi-lo com a sobremesa, mas poderia tranquilamente ter optado pela cozinha chinesa. Exemplos? Porco caramelizado ou um frango bang bang com pimenta de sichuan, também conhecida como pimenta chinesa! Você pode, assim, fugir dos clássicos foie gras e sobremesa. Château Partarrieu 2009, Sauternes 4****. Santé.

 

Compartilhe:
Comentar

França tem menor colheita em 30 anos

A safra de 2016 foi castigada pela geada, pelo granizo e por uma grande seca. Todos os vinhedos foram atingidos. A França vai se contentar com 42,2 milhões de hectolitros. Este é um resultado 12% inferior ao de 2015 e o menor dos últimos 30 anos, afirma Jérôme Despey o presidente do Conselho Especializado em Vinhos da France Agrimer.

despey

Jérôme Despey é viticultor no Languedoc e preside o Conselho Especializado em Vinhos na France Agrimer.

Todas as categorias de vinho foram atingidas: o vinho de mesa -23%, o vinho de região protegida – 10% e as aguardentes de uva menos -22%. A geada afetou sobretudo Champagne, Vale do Loire e Borgonha. Esta ainda sofreu muito com o granizo, tal qual Beaujolais e Charente. A seca foi importante em toda a bacia do Mediterrâneo, especialmente no Languedoc Roussillon.

O Château de Gillières no Loire, que produz o AOP Muscadet Sèvre et Maine uma redução de 40 hl/ha para 10hl/ha, felizmente também temos o vinhedo de Gros Plant que produziu corretamente. Mas o que produzimos é de excelente qualidade, afirma Marie Yvonne Prevost, enóloga da propriedade. Na Champagne 1/3 da safra foi perdida. Foi a região que mais sofreu e o chamado estoque de reserva de safras anteriores terá de ser muito utilizado.

O grande problema para o viticultor é que algumas regiões não vão conseguir repassar essas perdas no preço e apenas 24% dos viticultores possuem seguro contra estas intempéries climáticas. Mas o final da estação está muito bom, com pouca chuva e muito sol, a qualidade é muito boa, assegura Despey.

Aqui em casa, no Corbières, o meu micro vinhedo com 27 pés de uvas de mesa a colheita foi mínima. Habituado a ter uns 30 quilos me contentei em colher 10. Algumas uvas estavam tão pequenas que não valia o esforço. Mas as que colhi estavam excelentes. Santé.

Compartilhe:
2 Comentários

Malbec é francês e agora com preços incríveis

Para quem pensa que a uva malbec é originária da Argentina vai aqui o nosso lembrete: ela é francesa. Pode ser chamada de Auxerrois no Sudoeste e no Sul da França de Cot. Introduzida na Argentina no século XIX ela se consagra e os “hermanos” tornam-se o maior produtor mundial, ficando a França em segundo lugar. Se em Bordeaux e no sul, Limoux,  elas são uvas complementares no corte (mistura) em Cahors, no sudoeste, ela é a estrela principal.

demon noir malbec diabinhocópia

O vinho negro e seu Démon Noir

Desde o ano passado alguns vinhos de Cahors e mesmo IGPs varietais estavam chegando e se juntando a outros rótulos já presentes no mercado. Foi o caso do Térreo Malbec da Casa Rio Verde, do Tarani Malbec, Tarani Réserve Cahors , Impernal e do premiado Château Les Bouysses, estes da Vinos e Vinos. Já estavam presentes alguns ícones como o Château de Cayx do príncipe consorte da Dinamarca, pelas mãos da Mistral e o Château Lagrézete da Decanter, uma seleção do grande sommelier Guilherme Corrêa.

bru lagardette

O Bru Lagardette é do terroir do alto e envelheceu em barris de carvalho.

Agora chegou uma linha com preços muito competitivos de malbecs nas redes Zona Sul do Rio, seleção do grande sommelier Dionísio Chaves, e Supernosso de BH, seleção do consultor Gerson Lopes. No supermercado carioca entrou no site hoje mesmo e os preços estão incríveis. No topo da pirâmide o Château Bru Lagardette, um Cahors que faz um estágio de 6 meses, em barricas de carvalho francês com dois anos de uso. Seu terroir é o planalto (um vinho do alto) com 300 metros de altitude, um solo bem drenado de calcário e de argilas vermelhas. O corte tem um pequeno complemento de merlot, que vai arredondar o vinho e torná-lo bastante macio.

chevalier d'olt

Chevaliers d’Olt um vinho do terroir de baixo.

O segundo Cahors é o Chevaliers d’Olt que vem do segundo terraço do rio Lot, a parte baixa de Cahors, que vai oferecer um vinho de bom corpo e carnudo. O corte também tem uma pequena presença da merlot , mas o vinho não passa em madeira. Tem notas de especiarias e boa estrutura.

DEMON-NOIR-MALBEC-ROUGE1

O Demon Noir é um IGP Côtes du Lot e vem dos primeiros terraços do rio Lot, terroir onde os vinhos são mais frutados e leves. Um estilo bem diferente, mas que com certeza vai agradar. A safra 2014 que está no Supernosso recebeu 1 estrela no guia de vinhos francês Hachette, a bíblia do consumidor por aqui. Numa hierarquia que vai de zero a três estrelas, isto significa vinho muito bem feito. Já a safra 2015 é um ano magnífico tanto no sudoeste quanto na região vizinha de Bordeaux. Santé.

Os vinhos e seus preços no Rio:

Château Bru Lagardette – AOC Cahors – R$ 46,80-  ZS

Chevaliers d’Olt – – AOC Cahors – R$ 33,93 – ZS

Démon Noir – IGP Côtes du Lot R$ 33,93 – ZS

 

Compartilhe:
1 Comentário

Charles Legend um champagne com sotaque brasileiro

Mickaël Devena mora no Brasil e é proprietário do Champagne Charles Legend. O nome é uma homenagem ao Rei da Inglaterra Charles II que se apaixonou pelas bolhas de Champagne enquanto esteve exilado na França. Quando de seu retorno à Inglaterra em 1660 levou consigo o Champagne.

mikael charles legend 1

Mickaël Davena fundou a marca de champagne Charles Legend.

A França é seu maior mercado, natural, mas Mickaël tem o Brasil como seu mercado líder na exportação. Fato raro. A explicação é que dos três sócios dois moram no Brasil. Pierre Emmanuel Jacquin em São Paulo e Valentine Clerc em Paris. Mas para realizar o sonho de ter seu próprio champagne eles precisavam de um produtor. E após uma grande busca encontraram em François M., um produtor da Côte de Bar o parceiro ideal.

Você viu que eu falei parceiro. É que Mickaël não queria apenas colocar uma etiqueta num champagne já existente. Ele queria criar o seu champagne no estilo que sempre sonhou. Para explicar isso ao produtor levou duas caixas de champagne uma com as 10 que não gostava e outra com as dez que mais gostava. Além disso queria uma dose pequena de açúcar no licor de expedição (4 a 5 g/L) e pouco sulfito, isto é, seguir o estilo das melhores e mais e exigentes Maisons de Champagne.

balde charles legend

Três champagnes e uma identidade em comum.

O resultado são vinhos sutis e aéreos. Charles Legend abre mão de tensão e potência e se apoia na elegância para obter um justo equilíbrio. Essa é a identidade comum a todos. São três vinhos o Brut Royal, com 80% Pinot Noir e 20% de Chardonnay, o Brut Rosé 100% Pinot Noir e o Blancs des Blancs 100% Chardonnay. Se os dois primeiros são mais festivos o Blancs des Blancs vai à mesa e harmoniza bem com um tartar de salmão. A garrafa italiana e a etiqueta pequena e elegante na parte inferior da garrafa mostra um packaging diferente. Se Legend está escrito em inglês, em francês haveria um e no final, as cores da França no rótulo confirmam a origem Hexagonal.

Os champagnes Charles Legend podem ser encontrados em bons restaurantes de Rio e São Paulo como o Quitéria na Rua Maria Quitéria,27 em Ipanema ou no site Empório Mundo (preço não disponível no site sem cadastro). Santé.

Compartilhe:
Comentar
?>