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Château Joanin Bécot é feito com amor – 4****

Na etiqueta apenas o nome do Château, do produtor e a safra. Château Joanin Bécot é um vinho de Juliette Bécot. A mesma produtora do Premier Grand Cru Classé de Saint Émilion Beau Sejour Bécot, faz parte da tropa de elite da margem direita. Um Bordeaux com estirpe.

A denominação de origem consta somente na contra etiqueta: Castillon Côtes de Bordeaux. Essa AOC faz parte da região de Libourne (Libournais) tal qual Saint Émilion e Pomerol. Com menos prestigio e renome do que estas duas mais famosas vai oferecer vinhos de qualidade a preços bem em conta. Tal qual Fronsac e os satélites de Saint Émilion.

Este vinho é produzido numa pequena parcela de 12 hectares situado na comuna de Saint Philippe D’Aiguilhe e seu terroir é o do planalto de Saint Émilion(!) com um solo argilo calcário com depósitos marinhos. Propício a oferecer vinhos de guarda. As vinhas possuem mais de 35 anos, a seleção parcelar é rigorosa, com baixo rendimento, apenas 35hl/ha, colheita manual, tripla triagem dos bagos e desengaço. O corte é merlot 75% e 25% Cabernet Franc. Como todos os vinhos elaborados pela muito simpática Juliette Bécot é feito com amor (Made with Love), menção que consta na contra etiqueta.

 

Juliette Bécot produtora do Château Joanin Bécot.

O resultado deste 2014 é um vinho apetitoso, com aromas de frutas vermelhas e pretas maduras, com muitas especiarias, muito bom frescor, bem equilibrado e elegante, a crítica francesa gosta dele e eu também. Pode ser bebido agora mas tem potencial para 15 anos. 4****. Por aqui custa 15,95€ (R$60) no supermercado Auchan. Santé.

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Ótimos Bordeaux com pedigree

Com os preços dos Grandes Vinhos de Bordeaux nas alturas e mesmo de alguns segundos vinhos mais badalados, algumas propriedades de prestígio passaram a produzir sob o guarda-chuva genérico de Bordeaux alguns vinhos muito interessantes. Já havíamos comentado aqui no blog sobre os brancos secos de produtores de Sauternes. Hoje vamos ver alguns Bordeaux elaborados com o esmero de grandes Crus a preços bastante acessíveis.

A estratégia de ter um vinho que leve o nome do château, mas que possa atingir um público mais amplo tem tudo para dar certo. No campo do marketing é importante que a diferença entre o irmão mais nobre seja nítida, isto é, que não se venda gato por lebre. Porém é também necessário que o prestigio emprestado ao vinho de uma denominação menor, seja Bordeaux, Bordeaux Superior, Côtes de Castillon ou mesmo um Médoc tenha na taça o DNA da família. O que tenho visto justifica a aposta.

Durante a Vinexpo conheci o D de Dauzac, o Bordeaux do Grand Cru Classé de Margaux Château Dauzac. 2015 foi a primeira safra do D, que apesar de ser um vinho que não necessita ser guardado anos a fio antes de ser aberto, é feito dentro do ritual técnico do Margaux, isto é, como vinho de gente grande. Já estou com uma amostra da safra 2016 que será engarrafada em meados de Setembro. Depois eu conto.

Em julho quando estava no Japão me deparei com um vinho muito interessante Château Chapelle d’Alienor by La Gaffelière, 1° Grand Cru Classé de Saint Émilion, aqui é a assinatura que garante a qualidade. Este Bordeaux Superior é muito interessante.  Na mesma linha existe o Ronan By Clinet, do Château Clinet no Pomerol.

Um que me encantou e que aos meus olhos é realmente uma grande opção é o Moulin d’Issan, do Château Issan, 3° Grand Cru Classé de Margaux. Produzindo este Bordeaux desde 2004 este vinho tem tudo para alegrar os paladares mais exigentes que não queiram pagar o preço do vinho principal ou do segundo vinho deste château de Margaux. É vinho para fazer sucesso nas boas mesas de restaurantes de São Paulo e Rio. Tive a oportunidade de degustar este vinho com diferentes sommeliers que atuam no Brasil. Massimo Leoncini da Grand Cru é um que adorou este vinho. Longo, sedutor, com frutas maduras e boa complexidade com taninos finos e suaves. Harmônico expressa muito bem a uva merlot que domina no corte.

A curiosidade é que o Moulin de Issan fica ali mesmo em Margaux , mas nas zonas onde as terras são inundáveis e, portanto, não se beneficia da famosa e cara denominação. Em 2012 O Château Issan foi adquirido por François e Jacky Lorenzetti que possuem também os renomados Château Pedesclaux em Pauillac e Lilian Ladouys em Saint-Estèphe. Só fez melhorar. Santé.

 

 

 

 

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Verão no Corbières – Château Haut Gléon

De volta ao meu recanto aproveito para acompanhar a agenda de eventos de verão dos vilarejos e dos produtores de vinho. É nessa época que o povo vai para a rua ao encontro de festas, eventos e degustações. Os turistas estão por todo lado. Inglês e alemão são idiomas que ouço com muita facilidade nesta época do ano seja nas feiras, mercados, bares ou nos restaurantes do Corbières, Languedoc no sul da França.

Uma das referências do Corbières obteve 91 pontos no guia de Robert Parker.

Na sexta-feira passada o Château Haut Gléon, um dos melhores produtores da denominação Corbières, organizou uma noitada com direito a visita da adega, pequena degustação, jantar e música ao vivo. No menu a tradicional paella, que atesta a influência catalã, departamento vizinho, que tornou este prato uma das preferências do verão no Languedoc. Plano B mexilhões com fritas, um clássico das brasseries francesas. O Château Haut Gléon, uma pepita do terroir de altitude do Corbières, foi comprada recentemente pelo grupo Foncalieu, numa iniciativa para melhorar sua imagem e lhe dar um brilho de qualidade. Foncalieu é uma grande estrutura de cooperativas que é mais conhecida pela produção de vinhos regionais, mas que também está presente na AOP Saint Chinian no Languedoc, no Rhône e na Gasconha, terra do famoso mosqueteiro D’Artagnan.

Durante minha formação em enologia, nível técnico, fiz uma visita ao Château e tive a oportunidade de degustar toda a linha que é muito consistente. A safra 2014 do Corbières tinto obteve 91 pontos de Jeb Dunnuck, para o guia de Robert Parker e medalha de prata no Sommelier Wine Awars. A garrafa diferenciada é uma característica da casa. De vez em quando ele aparece na minha mesa e a qualidade está sempre presente. O Château tem uma pequena e boa produção de azeite. Santé.

 

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Entre tapas, vinhos e história em Tarragona.

O verão por aqui está quente e ensolarado. Ontem na minha cidade, Lézignan-Corbières, a temperatura atingiu 37°C. Verão é sinônimo de férias e aqui realmente muita coisa para nesta época. As empresas dão férias coletivas. Até o seu Manuel da padaria (obrigado Seu Jorge) fecha as portas e vai à praia. Semana passada fui à Tarragona, na Espanha, que fica no sul da Catalunha à 1 hora de carro de Barcelona.

No período romano foi a capital da Hispania e se estendia por quase toda a atual Espanha. Suas magníficas ruínas estão inscritas no patrimônio mundial da Unesco. Aquedutos, fórum, anfiteatro, … E bem ao lado do Anfiteatro tem uma série de barzinhos e restaurantes que me fizeram a alegria.

Ruínas da época romana em Tarragona.

Fui no Tabularium um bar simples, mas onde tudo é fresco e preparado no local. Nada de congelados que se compram em lojas especializadas em fornecer pratos semi-prontos para restaurantes. Os preços interessantes e a carta de vinho suficientemente ampla para atender em taça ou em garrafa. Optei por passear entre as ofertas na taça e beliscar diversos tapas. Lulas, batatas bravas, presunto cru e pão com tomate.

Comecei com o Titella do Priorat, depois o Vinã Pomal, crianza 2014 da Rioja, e um Val Aranda crianza da Ribera del Duero do mesmo ano. O Priorat era o de maior estrutura, o Rioja era fácil de beber e agradou bastante com os tapas. O Val Aranda também é um bom vinho de taça. Os preços na taça iam de 2,20€ a 3,30€. As garrafas iam de 12,50 a 30 euros. Tudo alegria. Santé.

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