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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Na Air France Champagne até na econômica.

Quando se pega um avião para a França há uma grande chance de viajar pela Air France. Foi meu caso durante anos, na maior parte das vezes na classe econômica. De tanto voar tive minha fidelidade recompensada e me tornei um cliente “gold”, com direito a ir ao salão vip onde podia desfrutar de vinhos com status “business”, papa fina. Na Air France somente vinhos franceses são servidos. Oba!

O serviço na Business é personalizado e há varias opções na carta.

Na econômica cansei de beber o La Baume e o Coleurs du Sud tintos e brancos. Com a chegada em 2014 de Paolo Basso, melhor sommelier do mundo em 2013, e da dupla de críticos Bettanne & Desseauve mesmo na econômica rolou uma mudança. O La Baume ganhou um blend diferente, Chardonnay-Grenache, mais amplo e agradável. Mas a novidade que percebo na lista atual é o IGP Comté Toulousan, na lista que recebi não tenho outra informação. Mas vale dizer que hoje no Brasil são vinhos que podemos encontrar, vindo de diferentes produtores e de diferentes marcas, no Zona Sul (RJ), Supernosso (BH), Evino e Vinho Site com grande sucesso. O que o leitor não sabe é que algumas uvas autóctones podem estar nestes vinhos como a macia e elegante Duras e a perfumada Fer Servadou ( também chamada de Brocol), além de Merlot, Syrah e mesmo Malbec. São boas referências de baixo custo. As exigências da Air France exigem garrafas pet de 185 ml na econômica, para facilitar o serviço, o que limita a oferta. Mesmo assim o trio saiu da mesmice. Bola dentro.

Imagino que seja o dedo da dupla de críticos Michel Bettane e Thierry Desseauve, o primeiro foi convidado, e se recusou, a fazer parte da equipe de degustadores de Robert Parker. Pura suposição. Na Premium Economy os vinhos são em garrafa e a qualidade é muito melhor, mais uma mudança. Me causava estranheza não haver uma diferença nos serviços da Premium Econômica e da Econômica, pois o preço é bem diferente. Não me parecia justo pagar tanto por uma poltrona melhor e não ter o serviço que subisse de nível. Bola dentro.

O sommelier italiano Paolo Basso.

O tinto é o Haut Médoc La Croix de Moussas 2015, grande ano, e uma denominação de prestígio. O Rosé é o Côtes de Provence Henri Gaillard 2016, a safra mais recente como manda o figurino. O corte é interessante, pois além das clássicas Cinsault, Grenache, Syrah e Mourvèdre tem uma uvinha que só é cultivada no Var (Provence) a Tibourenc. Coerência, gostei.

O prazer do cliente na econômica vem no vinho do aperitivo, que aqui é o mesmo da Premium, o Champagne Heidsieck & CO Monopole Silver Top. Servir Champagne na classe econômica é uma maneira de mostrar ao passageiro, especialmente aquele que não é francês, a arte de viver à la française. Uma eterna bola dentro da Air France. Na Business hoje é servido o Champagne Laurent Perrier Brut, muito boa escolha. Já na Primeira Classe um clássico: Veuve Clicquot La Grande Dame 2006, 94 pontos WS. São mais de 800 mil garrafas de Champagne servidas a bordo a cada ano. Abaixo as cartas de todas a classes. Santé.

Serviço para os próximos meses do ano:

 

Agosto e Setembro 2017
La Première
Champagne: Veuve Clicquot La Grande Dame 2006
Branco licoroso: Bordeaux – Sauternes Château Sigalas Rabaud 2006 puis 2008
Branco: Bourgogne Chablis 1er Cru Montmains 2014 W.Fevre
Tinto 1: Vallée du Rhône Hermitage 2008 E.Guigal
Tinto 2: Pessac-Léognan Domaine de Chevalier 2010 puis 2011 GCC de Graves

Business
Champagne: Laurent Perrier Brut
Branco: Bourgogne Pouilly Fuissé 2015 L.Latour
Rosé: Coteaux Varois en Provence Château d’Ollières Classique 2015 & 2016
Tinto 1: Vallée du Rhône Châteauneuf-du-Pape Reine Jeanne 2014 Ogier
Tinto 2: Margaux BriO de Cantenac Brown 2011 or 2012

Outubro e Novembro 2017
La Première
Champagne: Taittinger Comtes de Champagne Blanc de Blancs 2006
Branco licoroso: Bordeaux – Sauternes Château Suduiraut 2006 1er Cru Classé
Branco 1: Bourgogne Chassagne-Montrachet 1er Cru Embazées 2014 J.Drouhin
Branco 2: Alsace Riesling Grand Cru Altenberg de Bergheim 2012 G.Lorentz
Tinto 1: Bourgogne Beaune Bressandes 1er cru 2010 Domaine Chanson
Tinto 2: Saint-Julien Château Branaire Ducru 2011, GCC

Business
Champagne: Charles Heidsieck Brut Réserve
Branco 1: Loire – Sancerre Les Caillottes 2015 P.Jolivet
Branco 2: Bourgogne Chablis 2014 Domaine Long Depaquit A.Bichot
Tinto 1: Vallée du Rhône Crozes Hermitage 2014 Cave de Tain
Tinto 2: Médoc Château Rollan de By 2012

Agosto, Setembro e Outubro 2017
Premium Economy e Economy
Champagne: Heidsieck & CO Monopole Silver Top
Tinto: Bordeaux – Haut Médoc La Croix de Moussas 2015

Agosto e Setembro 2017
Premium Economy
Rose: Côtes de Provence Rosé 2016 Henri Gaillard

Outubro e Novembro 2017
Premium Economy
Branco: Bourgogne – Chablis Pierre de Préhy Blanc 2015 JM.Brocard

Agosto, Setembro, Outubro e Novembro 2017
Premium Economy e Economy
Branco: IGP d’Oc Réserve de La Baume blanc 2016 Grenache-Chardonnay
Tinto: IGP du Comté Tolosan Rouge 2016

Essas cartas de vinhos são para voos de longa-distância, em todas as classes (La Première, Business, Premium Economy e Economy).

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França terá menor safra desde 1945

Os diversos incidentes climáticos que atingiram o vinhedo francês reduziram a colheita a 37,2 milhões de hectolitros. A safra é 18% inferior à de 2016. O presidente do Conselho Vinho de FranceAgriMer, Jerôme Despey, afirmou NESTA SEXTA6FEIRA que – “a qualidade até o momento é muito boa, mas por onde passamos constatamos que a quebra da safra é superior às nossas previsões. Seca, geada, granizo, tivemos de tudo este ano. Essa safra é a menor desde 1945. Até o presente momento a menor safra era a de 1991 quando tivemos uma forte geada e produzimos 41 milhões de hectolitros. Deste total 47,9% serão de vinhos com Denominação de Origem Protegida, 30,5% de vinhos com Indicação Geográfica Protegida, 14,4% para destilados de uva e 7,2% para outros vinhos.

A geada foi o maior inimigo da vinha este ano.

Os produtores com quem tenho um maior relacionamento me confirmam a situação sendo que Chablis e Borgonha são duas das regiões que mais sofrem com a quebra. Chablis e Volnay são reincidentes. Sofreram muito em 2016.  A tendência é que os preços subam, como já aconteceu em Bordeaux e Chablis. Santé.

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George ” Star Wars” Lucas adquire château na Provence

O cineasta americano George Lucas, acionista majoritário de Lucas Skywalker Vineyards, adquiriu em grande sigilo o Château Margüi, que data do século XVIII, na Provence. A notícia foi publicada no último domingo no jornal local Var-Matin, mas a venda foi realizada em abril. Os valores não foram oficialmente revelados, mas segundo o prefeito do vilarejo de Châteauvert, Serge Loudes, o montante foi de 9,5 milhões de euros. A propriedade tem mais de 100 hectares sendo 15 em produção na denominação Côteaux Varois em Provence, produzindo brancos e rosados. A Provence está na moda em Hollywood. Em 2013 Angelina Jolie e Bradd Pitt compraram o Château Miraval.

O cara de Star Wars e Indiana Jones vai investir 15 milhões de euros na modernização da propriedade e na construção de um espaço hoteleiro que vai permitir a realização de eventos e encontros empresariais. Para isto a câmara municipal teve de fazer uma pequena alteração na legislação de urbanismo local. Após dois anos de obras o Château Margüi vai gerar entre 20 e 30 empregos para o vilarejo. George Lucas é também proprietário na Califórnia e na Itália. Segundo a revista Forbes sua fortuna está avaliada em 4,9 bilhões de dólares.

Skywalkers Vineyrads é dirigida por Angelo Garcia e o enólogo é Scott McLeod. O antigo proprietário, Philippe Guillanton vai assegurar a transição para a Skywalker Vineyards. Ainda neste verão os rosés e brancos já estarão disponíveis nos EUA. Que a Força esteja com ele. Santé.

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Diga não ao terrorismo. Hoje só vinho espanhol.

 

Os jornais de esporte espanhóis não falaram de futebol hoje. Estão cobertos de razão. O momento é de repúdio ao terror islâmico e de solidariedade às vítimas. Um ato simbólico para quem está distante é abrir uma garrafa de vinho espanhol. Santé.

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Château Joanin Bécot é feito com amor – 4****

Na etiqueta apenas o nome do Château, do produtor e a safra. Château Joanin Bécot é um vinho de Juliette Bécot. A mesma produtora do Premier Grand Cru Classé de Saint Émilion Beau Sejour Bécot, faz parte da tropa de elite da margem direita. Um Bordeaux com estirpe.

A denominação de origem consta somente na contra etiqueta: Castillon Côtes de Bordeaux. Essa AOC faz parte da região de Libourne (Libournais) tal qual Saint Émilion e Pomerol. Com menos prestigio e renome do que estas duas mais famosas vai oferecer vinhos de qualidade a preços bem em conta. Tal qual Fronsac e os satélites de Saint Émilion.

Este vinho é produzido numa pequena parcela de 12 hectares situado na comuna de Saint Philippe D’Aiguilhe e seu terroir é o do planalto de Saint Émilion(!) com um solo argilo calcário com depósitos marinhos. Propício a oferecer vinhos de guarda. As vinhas possuem mais de 35 anos, a seleção parcelar é rigorosa, com baixo rendimento, apenas 35hl/ha, colheita manual, tripla triagem dos bagos e desengaço. O corte é merlot 75% e 25% Cabernet Franc. Como todos os vinhos elaborados pela muito simpática Juliette Bécot é feito com amor (Made with Love), menção que consta na contra etiqueta.

 

Juliette Bécot produtora do Château Joanin Bécot.

O resultado deste 2014 é um vinho apetitoso, com aromas de frutas vermelhas e pretas maduras, com muitas especiarias, muito bom frescor, bem equilibrado e elegante, a crítica francesa gosta dele e eu também. Pode ser bebido agora mas tem potencial para 15 anos. 4****. Por aqui custa 15,95€ (R$60) no supermercado Auchan. Santé.

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Ótimos Bordeaux com pedigree

Com os preços dos Grandes Vinhos de Bordeaux nas alturas e mesmo de alguns segundos vinhos mais badalados, algumas propriedades de prestígio passaram a produzir sob o guarda-chuva genérico de Bordeaux alguns vinhos muito interessantes. Já havíamos comentado aqui no blog sobre os brancos secos de produtores de Sauternes. Hoje vamos ver alguns Bordeaux elaborados com o esmero de grandes Crus a preços bastante acessíveis.

A estratégia de ter um vinho que leve o nome do château, mas que possa atingir um público mais amplo tem tudo para dar certo. No campo do marketing é importante que a diferença entre o irmão mais nobre seja nítida, isto é, que não se venda gato por lebre. Porém é também necessário que o prestigio emprestado ao vinho de uma denominação menor, seja Bordeaux, Bordeaux Superior, Côtes de Castillon ou mesmo um Médoc tenha na taça o DNA da família. O que tenho visto justifica a aposta.

Durante a Vinexpo conheci o D de Dauzac, o Bordeaux do Grand Cru Classé de Margaux Château Dauzac. 2015 foi a primeira safra do D, que apesar de ser um vinho que não necessita ser guardado anos a fio antes de ser aberto, é feito dentro do ritual técnico do Margaux, isto é, como vinho de gente grande. Já estou com uma amostra da safra 2016 que será engarrafada em meados de Setembro. Depois eu conto.

Em julho quando estava no Japão me deparei com um vinho muito interessante Château Chapelle d’Alienor by La Gaffelière, 1° Grand Cru Classé de Saint Émilion, aqui é a assinatura que garante a qualidade. Este Bordeaux Superior é muito interessante.  Na mesma linha existe o Ronan By Clinet, do Château Clinet no Pomerol.

Um que me encantou e que aos meus olhos é realmente uma grande opção é o Moulin d’Issan, do Château Issan, 3° Grand Cru Classé de Margaux. Produzindo este Bordeaux desde 2004 este vinho tem tudo para alegrar os paladares mais exigentes que não queiram pagar o preço do vinho principal ou do segundo vinho deste château de Margaux. É vinho para fazer sucesso nas boas mesas de restaurantes de São Paulo e Rio. Tive a oportunidade de degustar este vinho com diferentes sommeliers que atuam no Brasil. Massimo Leoncini da Grand Cru é um que adorou este vinho. Longo, sedutor, com frutas maduras e boa complexidade com taninos finos e suaves. Harmônico expressa muito bem a uva merlot que domina no corte.

A curiosidade é que o Moulin de Issan fica ali mesmo em Margaux , mas nas zonas onde as terras são inundáveis e, portanto, não se beneficia da famosa e cara denominação. Em 2012 O Château Issan foi adquirido por François e Jacky Lorenzetti que possuem também os renomados Château Pedesclaux em Pauillac e Lilian Ladouys em Saint-Estèphe. Só fez melhorar. Santé.

 

 

 

 

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Verão no Corbières – Château Haut Gléon

De volta ao meu recanto aproveito para acompanhar a agenda de eventos de verão dos vilarejos e dos produtores de vinho. É nessa época que o povo vai para a rua ao encontro de festas, eventos e degustações. Os turistas estão por todo lado. Inglês e alemão são idiomas que ouço com muita facilidade nesta época do ano seja nas feiras, mercados, bares ou nos restaurantes do Corbières, Languedoc no sul da França.

Uma das referências do Corbières obteve 91 pontos no guia de Robert Parker.

Na sexta-feira passada o Château Haut Gléon, um dos melhores produtores da denominação Corbières, organizou uma noitada com direito a visita da adega, pequena degustação, jantar e música ao vivo. No menu a tradicional paella, que atesta a influência catalã, departamento vizinho, que tornou este prato uma das preferências do verão no Languedoc. Plano B mexilhões com fritas, um clássico das brasseries francesas. O Château Haut Gléon, uma pepita do terroir de altitude do Corbières, foi comprada recentemente pelo grupo Foncalieu, numa iniciativa para melhorar sua imagem e lhe dar um brilho de qualidade. Foncalieu é uma grande estrutura de cooperativas que é mais conhecida pela produção de vinhos regionais, mas que também está presente na AOP Saint Chinian no Languedoc, no Rhône e na Gasconha, terra do famoso mosqueteiro D’Artagnan.

Durante minha formação em enologia, nível técnico, fiz uma visita ao Château e tive a oportunidade de degustar toda a linha que é muito consistente. A safra 2014 do Corbières tinto obteve 91 pontos de Jeb Dunnuck, para o guia de Robert Parker e medalha de prata no Sommelier Wine Awars. A garrafa diferenciada é uma característica da casa. De vez em quando ele aparece na minha mesa e a qualidade está sempre presente. O Château tem uma pequena e boa produção de azeite. Santé.

 

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Entre tapas, vinhos e história em Tarragona.

O verão por aqui está quente e ensolarado. Ontem na minha cidade, Lézignan-Corbières, a temperatura atingiu 37°C. Verão é sinônimo de férias e aqui realmente muita coisa para nesta época. As empresas dão férias coletivas. Até o seu Manuel da padaria (obrigado Seu Jorge) fecha as portas e vai à praia. Semana passada fui à Tarragona, na Espanha, que fica no sul da Catalunha à 1 hora de carro de Barcelona.

No período romano foi a capital da Hispania e se estendia por quase toda a atual Espanha. Suas magníficas ruínas estão inscritas no patrimônio mundial da Unesco. Aquedutos, fórum, anfiteatro, … E bem ao lado do Anfiteatro tem uma série de barzinhos e restaurantes que me fizeram a alegria.

Ruínas da época romana em Tarragona.

Fui no Tabularium um bar simples, mas onde tudo é fresco e preparado no local. Nada de congelados que se compram em lojas especializadas em fornecer pratos semi-prontos para restaurantes. Os preços interessantes e a carta de vinho suficientemente ampla para atender em taça ou em garrafa. Optei por passear entre as ofertas na taça e beliscar diversos tapas. Lulas, batatas bravas, presunto cru e pão com tomate.

Comecei com o Titella do Priorat, depois o Vinã Pomal, crianza 2014 da Rioja, e um Val Aranda crianza da Ribera del Duero do mesmo ano. O Priorat era o de maior estrutura, o Rioja era fácil de beber e agradou bastante com os tapas. O Val Aranda também é um bom vinho de taça. Os preços na taça iam de 2,20€ a 3,30€. As garrafas iam de 12,50 a 30 euros. Tudo alegria. Santé.

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