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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Nem só de Beaujolais vive o vinho novo

Desde quinta-feira 19 que diversos vinhos novos estão no mercado. O “vin nouveau” pode ser comercializado a partir da terceira quinta-feira do mês de outubro. Isto é, um mês antes do famoso Beaujolais Nouveau que tem de esperar a terceira quinta-feira de novembro. Aqui em Lézignan-Corbières, Languedoc, a festa de lançamento acontece esta semana. Na última quarta, durante a feira, em frente da prefeitura, sob uma grande tenda diversos produtores locais apresentaram e venderam seus vinhos “Primeur”.

Produtores apresentam o “Vin Nouveau”, vinho novo, em Lézignan-Corbières.

A feira é o grande ponto de encontro de uma cidade do interior. Os moradores dos vilarejos menores comparecem, pois lá não tem feira e o comércio é diminuto. Aqui são 12.500 habitantes, uma verdadeira cidade com direito a diversas agências bancárias, restaurantes, supermercados e mesmo um cinema. Chame de vilarejo e a turma fica brava. Os cafés ficam repletos, os estacionamentos lotados e o comércio vende muito mais. Degusto todos os vinhos expostos e me agrada bastante o Pinot Noir da pequena cooperativa de Montséret. De cor grená bem clara, como na Borgonha, de uma delicadeza que impressiona para um vinho do sul e de uma fruta muito delicada, onde a cereja se impõe. Tudo num clima alegre e festivo. Mas também encontrei os cortes clássicos do sul da França com Syrah, Grenache e Cinsault de boa qualidade, sem picotar na boca e com equilíbrio.

 

A etiqueta alegre convida ao clima festivo do vinho novo.

O “Vin Nouveau” é um vinho alegre e jovem que é feito rapidinho, usando a técnica da maceração carbônica. Dois meses depois da colheita ele já está no mercado. São vinhos alegres e festeiros. Eles anunciam a qualidade da safra que está por vir. No Beaujolais responde por 50% da produção dos AOP Beaujolais e Beaujolais Villages. Mas atenção os outros 50% são vinhos que podem ser guardados vários anos, portanto não são vinhos novos. Quando ele é novo a menção, obrigatória, vem estampada na garrafa “Vin Nouveau” ou Vin Primeur”. Diversas outras denominações de origem controlada e regionais fazem seu “vin nouveau”. É bem verdade que o pioneiro é o Beaujolais, mas não é uma exclusividade. Mesmo a uva Gamay, típica do Beaujolais, pode ser encontrada em outras denominações como no IGP Ardéchois, antigo Pays du Vivarais, no Vale do Rhône, faz um gamay muito bacana. Conto no próximo post. Santé.

 

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Despenca a produção mundial de vinho

A safra de 2017 tem uma coisa em comum para os três maiores produtores mundiais: uma queda de dois dígitos. É a menor safra dos últimos 50 anos. Uma redução de 8,2% se contentando com 246,7 milhões de hectolitros, nos informa Daniela Costa assessora de imprensa da Organização Mundial do Vinho (OIV).

Produção mundial de vinhos 

Gráfico mostra a evolução da produção mundial de vinhos em milhões de hectolitros. Fonte OIV.

 

A Europa ocidental sofre com os caprichos da mãe natureza e vê a Itália sofrer uma queda de 23% (39,3 Milhões de h/l), a França de 19% (36,7M de h/l) e Espanha de 15% (33,5M de h/l). Do outro lado do Reno a Alemanha perde 10%. Portugal com 6,6 Milhões de h/l teve um crescimento de 10%, mas é apenas o 11° produtor. Na América Latina após um ano de 2016 em baixa, o de 2017 foi melhor para Argentina 11,8 M h/l e Brasil 3,4 M h/l. Já o Chile sofre e contribui com apenas 9,5 M h/l (-6%).

Evolução do consumo mundial de vinho.

Gráfico mostra a evolução do consumo com dados provisórios de 2016 e projeta 2017. Fonte OIV.

O consumo em alta (veja gráfico da projeção para 2017) e a produção em baixa. O mercado vai regular os preços para cima. Afinal, os produtores que já trabalham com margens apertadas e custos fixos em alta vão ter de aumentar os preços. A conta não fecha. Santé.

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Dosagem: o açúcar e o Champagne

A última etapa enológica antes de se vestir uma garrafa de Champagne é a adição do licor de expedição, a chamada dosagem. É neste momento que após o “dégorgement” (guilhotinamento) se completa a garrafa para que ela volte a ter o volume correto de 750 ml. É esta pequena dose de 0,5 a 2cl que define o estilo do Champagne. O licor de expedição é composto de vinho e açúcar. A quantidade de açúcar vai definir a categoria do Champagne que você vai beber.

Doce (doux) + de 50 gramas de açúcar por litro

Meio-seco (demi-sec)entre 32 e 50 g/l

Seco (sec)entre 17 e 32 g/l

Extra seco (extra dry)entre 12 e 17 g/l

Brutmenos de 12 g/l

Extra brutentre 0 et 6 g/l

Se o vinho tiver menos de 3g/l e se nenhum açúcar tiver sido adicionado pode ser classificado como brut zero, brut nature ou dosagem zero. No passado a dosagem do brut era mais bem alta. Nos anos 70 entre 12 e 15 g/l, mas o paladar mudou com o tempo e o Champagne é cada vez mais seco. Hoje há uma tendência a utilizar uma dosagem entre 6 e 9 g/l. Não é apenas uma simples questão de diminuir a dosagem, há uma influência climática e mesmo a busca de colheitas de uvas em estado de amadurecimento ótimo, tempo de envelhecimento maior e técnicas de vinificação que permitem utilizar uma dosagem menor e modificar o estilo do Champagne ou espumante. Os produtores mais exigentes, colocam na contra etiqueta a dosagem e a data do “dégorgement”, outros apenas nas cuvées de prestígio. A Maison Philipponnat usa em todas e também no seu top o Clos de Goisses. Santé.

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Descubra qual seu estilo de champagne ou espumante

Na edição de junho de En Magnum a revista trimestral de Bettane & Desseauve a redação preparou uma roda dos ventos para ajudar o leitor a melhor identificar sua preferência por champagnes. O quadro desvenda o mundo encantado das bolhas em dois grandes eixos. O primeiro é se apoia na estrutura e texturas. Lá você vai encontrar os efervescentes vinosos, potentes, amplos que possuem em geral uma presença maior da uva Pinot Noir. Do outro lado estão os vinhos mais cristalinos, delicados, minerais, isto é , mais brancos, com domínio da Chardonnay. O segundo eixo é o espaço dos sabores. De um lado frutas brancas, manteiga fresca, brioche. Do outro lado notas de torrefação, pão tostado, especiarias doces, frutas secas e café. Veja onde está seu estilo preferido ou aquele que vai combinar melhor com a ocasião que se apresenta. O quadro pode também te ajudar a fazer uma harmonização.

No alto textura frutado branco, frutas do bosque, manteiga fresca e brioche, à direita sabor cristalino, delicado, mineral (mais para branco), em baixo estrutura com notas de torrefação, pão tostado, especiarias doces, frutas secas e café, à esquerda vinoso, potente, amplo (mais para Pinot Noir).

Vários dos Champagnes citados são da safra de 2006, ainda no mercado. A safra 2008 chegou apenas este ano nas lojas. Foi um ano onde teve forte geada e o mês de julho teve um calor indiano. Agosto foi úmido e fresco. O que resultou numa grande heterogeneidade das uvas. Felizmente setembro foi um mês quente e sem chuvas. O risco de fazer um vinho safrado era grande. Mas os bons aceitaram o desafio. Möet e Chandon Grand Vintage 2006 um vinho amplo e tônico (não está na tabela), Taittinger Comtes de Champagne Blancs de Blancs 2006, Jaquart Alpha Brut 2006, Gosset Grand Millésime 2006 e Nicolas Feuillatte Blancs des Blancs 2006. Tive o prazer de degustar o 2006 da Nicolas Feuillatte e os aromas da tabela se confirmam e seu final é magnífico.

Descubra com a ajuda do quadro que tipo de Champagne você prefere. Potente, amplo, delicado, frutado ou vinoso? Santé.

 

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Os 10 vinhos preferidos de 7 grandes sommeliers

A revista francesa Cuisine et Vins de France (Cozinha e Vinhos da França) festeja os 70 anos do grupo Marie Claire e convida 7 sommeliers a indicarem 10 vinhos que os emocionaram. Os escolhidos foram Estelle Touzet, do Ritz de Paris, Jerôme Faure, sommelier executivo do grupo de hotéis e resorts Constance, Philippe Faure-Brac, melhor sommelier do mundo em 1992 no Rio, Pierre Bérot, diretor do negociante bordalês Duclot, Enrico Bernardo, o italiano é o sommelier campeão mundial de 2004, Olivier Poussier, o campeão de 2000 e Paz Levinson, melhor sommelière da Argentina e quarta colocada no mundial de 2016 em Mendoza.

Dois sommeliers escolheram vinhos do Loire produzidos por Jacky Blot.

Sexo, idade e países diferentes vão oferecer uma incrível diversidade na escolha. Uma parte dos vinhos que emocionaram os sommeliers está fora do alcance da maior parte dos consumidores brasileiros. Uns por uma questão de preço outros simplesmente porque a safra é antiga e já sumiu do mercado.

Estelle Touzet de 34 anos ousou ao citar apenas vinhos de safras recentes e mesmo vinhos regionais. Sua lista é dominada por franceses mas inclui também Itália e Alemanha. Seu favorito é o Domaine de La Butte Perrières, 2014, Bourgueil, de Jacky Blot. Um produtor formidável do Loire que eu também aprecio muito. Foi a única a não citar os clássicos de Bordeaux ou Borgonha. Ousou ainda mais ao indicar o IGP d’OC do Domaine La Marèle 2005, um tinto de corte syrah, cabernet sauvignion, grenache e carignan. Uma produção confidencial deste vinhedo próximo de Montpellier, em Argéliers, feita por Fréderic Porro.

Jerôme Faure que pilota 25 restaurantes em hotéis e resorts banhados pelo oceano Índico, nasceu em 74 e foi bastante eclético nas escolhas ao incluir três vinhos da África do Sul, um da Nova Zelândia, um VDP do Hérault e o Châteauneuf du Pape do Domaine de La Janasse. Citou alguns clássicos como Château Haut Brion, Les Plantiers, Péssac-Léognan, 1974. Seu favorito é o vinho da Córsega Clos Canarelli, figari Alta Rocca 2014.

Clos de Cistes 2003, ano da canícula no Languedoc, emocionou Philippe Faure-Brac.

Philippe Faure-Brac valorizou os clássicos franceses, mas deu espaço para algumas ousadias. Novamente vamos ver um vinho de Jacky Blot, desta vez com o Domaine de La Taille aux Loups, Montlouis Rémus 2010 de uva chenin branca. Seu favorito é o Sauternes de D’Yquem, 1967. Seu Mersault 1° Cru Perrières 2010 é sua escolha na Borgonha.

Pierre Bérot escolheu como favorito um Pétrus 2010 do Pomerol. Ele ficou encantado com o vinho do Porto Quinta do Noval, Nacional 1963. Uma lenda portuguesa com certeza.

O craque italiano Enrico Bernardo já optou por uma seleção extremamente conservadora, e nem por isso menos fantástica. Domaine de La Romané Conti, Montrachet 1978, que bebeu aos 23 anos quando era sommelier no George V de Paris, “vendo minha emoção ao abrir a garrafa o cliente me ofereceu uma taça. Ele se tornou meu melhor amigo em Paris”. Da Itália citou o Barolo montfortino 1990 de Giacomo Conterno. O favorito Château Cheval Blanc 1947.

Olivier Poussier é o sommelier mais técnico que conheço e suas escolhas refletem este conhecimento. O porto da Quinta do Noval 1963 bisou, ao lado do Henriques e Henriques Madeira 1990. Seu favorito é o Hermitage Cathelin 1991, de Jean Louis Chave “ Eu degustei duas vezes é o “grande” ano do norte (Rhône) toda a beleza da syrah com (aromas) de bacon defumado, pimenta de Sichuan, violeta, consistente e consistência. Apesar de sua potência, ele desce suavemente”. Seu Champagne é um Krug 1979 “ uma das melhores safras de Champagne de todos os tempos na minha opinião, apesar do grande volume. (…) bela vinosidade, tensão e comprimento na boca”, descreve.

Encerrando a matéria a sommelière do Virtus de Paris Paz Levinson faz bonito e não esquece suas origens latinas. Ela cita um chileno Casa Blanca RE Velado 2009 da Bodegas RE, Pinot Noir, o vinho da sua terra natal La Craie 2013, Perse de Mendoza: – “ Intenso, elegante e puro”. Seu favorito é o Clos Rougeard um Saumur Champigny Les Poyeux de 1985.

Olhando a seleção com atenção tem vários vinhos que o consumidor pode comprar sem se arruinar. Exceção aos grandes clássicos de safras antigas há vinhos magníficos com preços que não são exorbitantes, ao menos na França. Santé.

 

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Dicas do Guia Hachette Vins perto de você

 

Para não ficarmos apenas na teoria vamos ver alguns vinhos que estão disponíveis perto de você e que foram selecionados no famoso guia francês. No Zona Sul do Rio e no Supernosso de BH um malbec de muito boa relação qualidade preço merece destaque. É o Démon Noir, 100% malbec, IGP Côtes du Lot, 2016 ( foto acima). O comentário de Hachette diz « … de um vermelho brilhante… após aeração (agite a taça) frutas vermelhas, especiarias e ameixa… Na boca é bem frutado, amplo …”. Bela escolha do sommelier Dionísio Chaves.

A Bulle n°1 é bastante conhecida do público brasileiro.

 

A Première Bulle, Blanquette de Limoux, a de etiqueta fushia, recebeu duas estrelas. « Seduz por sua fina efervescência, no nariz flores brancas, maçã e cítricos. Na boca é delicada e longa com aromas harmônicos. Equilíbrio e elegância”. Belos comentários. Importada pela Evino e também disponível nas lojas dos aeroportos internacionais da Dufry.

Inès é um rosé feito com Negrette e uma pitada de syrah.

Com uma linda garrafa que remete a um enorme frasco de perfume o rosé Inès é trazido pela McCoy e distribuída pela Zahil Rio. A safra 2015 obteve uma estrela no guia 2017. Os comentários são muito positivos “… bem frutado (morango e cítricos) franco e um ataque fresco é ainda redondo, caloroso e com um belo comprimento. Uma bonita guloseima”, conclui lhe sapecando uma estrela. A safra 2016 obteve a medalha de ouro no  concurso Rosé do Mundo, o que confirma a regularidade do vinho. Disponível na Mercearia da Praça, rua Jangaderios 28, em Ipanema no Rio. Santé.

 

 

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O Guia Hachette dos Vinhos é a bíblia do consumidor francês

No Brasil se fala muito de Parker como a grande referência para a escolha dos vinhos pelo consumidor. Na França ele não tem vez junto ao grande público. Nada contra o crítico americano, mas no país do vinho onde cada cidadão acredita saber tudo ou quase tudo as referências são outras. São duas grandes revistas, 4 guias, mas aquele que o consumidor e que o mercado elege é o tradicionalíssimo Le Guide Hachette des Vins, publicado pela Hachette. Os jurados são os produtores, os sommeliers, consumidores experientes e jornalistas. As degustações às cegas acontecem em cada região produtora. Respeitado por quem participa e por quem lê o guia é usado como referência nas lojas. Para que o cliente saiba quais o vinhos indicados existem duas gravatinhas uma com a referência “Selecionado Guia Hachette” e outra que diz “Favorito Guia Hachette”. O mercado adotou esta gravatinha e os produtores orgulhosos a colocam penduradas no gargalo da garrafa. As vendas sobem com a indicação. É dinheiro em caixa.

A classificação do Guia vai de selecionado a 3 estrelas. Tem ainda a menção favorito, o preferido dos jurados na denominação, o sonho de todo produtor. Para isto tem que ter ao menos 2 estrelas. No interior do guia o leitor além dos comentários e de uma breve explicação sobre o produtor encontra o preço médio do vinho e fica sabendo se a relação qualidade/preço é boa. A nova edição chegou às livrarias e bancas dia 30 de agosto.

Baron d’Albret tinto,  AOP Buzet, a denominação do Sudoeste mais próxima de Bordeaux,  obteve no guia de 2012 duas estrelas e a menção favorito do júri.

Este ano o guia teve 40000 vinhos degustados por 1500 degustadores. 10 mil vinhos foram selecionados, sendo 500 orgânicos, 400 foram agraciados com o título de favorito e 2000 se destacaram pela boa relação custo/benefício. A seleção cobre todas as denominações da França, os vinhos regionais e os vinhos de Luxemburgo. Existe ainda uma versão com os melhores vinhos a menos de 15€ (R$60) e outra dedicada aos rosés, tão na moda.

Muitos vinhos franceses que estão no Brasil estão presentes no guia, mas nem sempre a informação chega ao consumidor. As edições antigas estão disponíveis gratuitamente no site o que já ajuda o leitor do Conexão Francesa. Afinal, nem sempre é a safra mais recente que está no mercado. A consulta ao site permite saber se o produtor é bom e se tem uma qualidade regular. Consulte você também a bíblia do consumidor francês. Santé.

 

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