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Os 10 vinhos preferidos de 7 grandes sommeliers

A revista francesa Cuisine et Vins de France (Cozinha e Vinhos da França) festeja os 70 anos do grupo Marie Claire e convida 7 sommeliers a indicarem 10 vinhos que os emocionaram. Os escolhidos foram Estelle Touzet, do Ritz de Paris, Jerôme Faure, sommelier executivo do grupo de hotéis e resorts Constance, Philippe Faure-Brac, melhor sommelier do mundo em 1992 no Rio, Pierre Bérot, diretor do negociante bordalês Duclot, Enrico Bernardo, o italiano é o sommelier campeão mundial de 2004, Olivier Poussier, o campeão de 2000 e Paz Levinson, melhor sommelière da Argentina e quarta colocada no mundial de 2016 em Mendoza.

Dois sommeliers escolheram vinhos do Loire produzidos por Jacky Blot.

Sexo, idade e países diferentes vão oferecer uma incrível diversidade na escolha. Uma parte dos vinhos que emocionaram os sommeliers está fora do alcance da maior parte dos consumidores brasileiros. Uns por uma questão de preço outros simplesmente porque a safra é antiga e já sumiu do mercado.

Estelle Touzet de 34 anos ousou ao citar apenas vinhos de safras recentes e mesmo vinhos regionais. Sua lista é dominada por franceses mas inclui também Itália e Alemanha. Seu favorito é o Domaine de La Butte Perrières, 2014, Bourgueil, de Jacky Blot. Um produtor formidável do Loire que eu também aprecio muito. Foi a única a não citar os clássicos de Bordeaux ou Borgonha. Ousou ainda mais ao indicar o IGP d’OC do Domaine La Marèle 2005, um tinto de corte syrah, cabernet sauvignion, grenache e carignan. Uma produção confidencial deste vinhedo próximo de Montpellier, em Argéliers, feita por Fréderic Porro.

Jerôme Faure que pilota 25 restaurantes em hotéis e resorts banhados pelo oceano Índico, nasceu em 74 e foi bastante eclético nas escolhas ao incluir três vinhos da África do Sul, um da Nova Zelândia, um VDP do Hérault e o Châteauneuf du Pape do Domaine de La Janasse. Citou alguns clássicos como Château Haut Brion, Les Plantiers, Péssac-Léognan, 1974. Seu favorito é o vinho da Córsega Clos Canarelli, figari Alta Rocca 2014.

Clos de Cistes 2003, ano da canícula no Languedoc, emocionou Philippe Faure-Brac.

Philippe Faure-Brac valorizou os clássicos franceses, mas deu espaço para algumas ousadias. Novamente vamos ver um vinho de Jacky Blot, desta vez com o Domaine de La Taille aux Loups, Montlouis Rémus 2010 de uva chenin branca. Seu favorito é o Sauternes de D’Yquem, 1967. Seu Mersault 1° Cru Perrières 2010 é sua escolha na Borgonha.

Pierre Bérot escolheu como favorito um Pétrus 2010 do Pomerol. Ele ficou encantado com o vinho do Porto Quinta do Noval, Nacional 1963. Uma lenda portuguesa com certeza.

O craque italiano Enrico Bernardo já optou por uma seleção extremamente conservadora, e nem por isso menos fantástica. Domaine de La Romané Conti, Montrachet 1978, que bebeu aos 23 anos quando era sommelier no George V de Paris, “vendo minha emoção ao abrir a garrafa o cliente me ofereceu uma taça. Ele se tornou meu melhor amigo em Paris”. Da Itália citou o Barolo montfortino 1990 de Giacomo Conterno. O favorito Château Cheval Blanc 1947.

Olivier Poussier é o sommelier mais técnico que conheço e suas escolhas refletem este conhecimento. O porto da Quinta do Noval 1963 bisou, ao lado do Henriques e Henriques Madeira 1990. Seu favorito é o Hermitage Cathelin 1991, de Jean Louis Chave “ Eu degustei duas vezes é o “grande” ano do norte (Rhône) toda a beleza da syrah com (aromas) de bacon defumado, pimenta de Sichuan, violeta, consistente e consistência. Apesar de sua potência, ele desce suavemente”. Seu Champagne é um Krug 1979 “ uma das melhores safras de Champagne de todos os tempos na minha opinião, apesar do grande volume. (…) bela vinosidade, tensão e comprimento na boca”, descreve.

Encerrando a matéria a sommelière do Virtus de Paris Paz Levinson faz bonito e não esquece suas origens latinas. Ela cita um chileno Casa Blanca RE Velado 2009 da Bodegas RE, Pinot Noir, o vinho da sua terra natal La Craie 2013, Perse de Mendoza: – “ Intenso, elegante e puro”. Seu favorito é o Clos Rougeard um Saumur Champigny Les Poyeux de 1985.

Olhando a seleção com atenção tem vários vinhos que o consumidor pode comprar sem se arruinar. Exceção aos grandes clássicos de safras antigas há vinhos magníficos com preços que não são exorbitantes, ao menos na França. Santé.

 

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