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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Espumante IGP francês vai concorrer com Cava e Prosecco

O Comitê Nacional dos IGP vitícolas do INAO, Institut National de l’Origine et la Qualité, órgão público, aprovou o caderno de encargos para a criação de quatro IGPs (Indicação Geográfica Protegida) para vinhos espumantes. São elas IGP Comté Toulousan no Sudoeste, próximo à Toulouse, IGP Coteaux de l’Ain, na Savóia próximo ao lago de Bourget, IGP Pays d’Oc no Languedoc Roussillon e ainda IGP Allobroges também na Savóia. Caso o Ministério da Agricultura publique o decreto do caderno de encargos até dezembro dia 12 às 12 horas, último momento para a declaração de colheita de 2017, poderemos ter os primeiros IGP espumante nascendo na safra 2017.

Há uma grande oposição da Federação dos produtores de Crémants, os AOPs espumantes franceses, que não vêm com bons olhos este novo concorrente. Hierarquicamente superiores os Crémants e Blanquette, método tradicional sempre, terão os IGP entre eles e os atuais vin mousseux de qualité (vinho espumante de qualidade) e vin mousseux (vinho espumante) podendo ser tanto de método tradicional como charmat, tal qual os futuros IGPs. O fato de ser um IGP o valorizaria. Por outro lado, eles devem ter preços menores e permitir aos vinhateiros concorrer com melhores armas frente aos Cavas e Proseccos. Santé.

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Joseph Perrier um blancs des blancs de referência

Na última sexta-feira o site da La Revue du Vin de France, RVF como abreviam os franceses, colocou como vinho favorito do dia a Champagne Joseph Perrier Blancs des Blancs 2010, Extra Brut Esprit de Victoria. No Brasil a Joseph Perrier está presente com diversas cuvées no mercado. Segundo a crítica e o sommelier carioca Dionísio Chaves a que mais representa seu ADN é a JP Cuvée Royale Blancs des Blancs NV, isto é, sem safra. A diferença de preço entre as duas na França é enorme. Enquanto a safrada custa 59,95€ a outra se contenta com 36,95 no site Plus de Bulles. O sommelier brasileiro não está sozinho nestes comentários e a JP Cuvée Royale também é a favorita para Bettanne & Desseauve. A dupla lhe sapeca um 16,5/20 no seu guia. Nota altíssima que significa “vinho de referência na sua denominação e ano”. Segundo o guia um dos melhores na categoria. No mesmo patamar a Cuvée Royale Brut obtém 16/20.

A JP Cuvée Royale Blancs des Blancs é segundo o diretor Jean Claude Fourmont feita com uvas Chardonnay da Côtes des Blancs, Bassuet e nos nossos vinhedos de Cumières. O vinho é envelhecido cinco anos antes de ser comercializado. O resultado é um Champagne elegante e complexo com um buquê de flores brancas, damasco e ameixa mirabela. Aromas de especiarias, canela e baunilha que se juntam a notas de biscoito com uma pitada de limão no final. Bela persistência, conclui. Santé.

Serviço: Importadora Vinho e Co.

Preço: JP Cuvée Royale Brut NV R$ 378

Onde Encontrar: http://www.vinhoeco.com.br

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Château Margaux troca de roupa

Um fato único na história deste primeiro Grand Cru Classé do Médoc e des Graves da famosa classificação de 1855 acontece na safra 2015. Para fazer uma tripla homenagem Corinne Mentzelopoulos, proprietária do Château Margaux, decidiu trocar a roupa, isto é, mudar a etiqueta exclusivamente para este milésimo. Os homenageados são Paul Pontallier, diretor geral de 1989 a 2016, que faleceu ano passado e teve na safra 2015 sua última contribuição. O bicentenário da arquitetura do Château construído em 1815 num estilo neo-palladiano, relativamente raro na França e classificado como monumento histórico em 1946. A terceira é a própria safra de 2015 que é de excepcional qualidade.

 

A serigrafia mostra a arquitetura clássica do Château Margaux e as linhas das novas instalações inauguradas em 2015 e concebidas por Lord Norman Foster. A roupa nova marca também a chegada de uma nova equipe representada pelo novo diretor geral, que chegou em março deste ano, Philippe Bascaules, de Alexandra Petit-Mentzelopoulos e Aurélien Valance, diretores adjuntos e de Sébastien Vergne diretor de produção. O novo rótulo marca uma mudança e voltará em 2016 ao modelo tradicional. Muito justa e inteligente a homenagem. Santé.

 

Château Margaux 2015 servido para degustação. (Foto G de Beauchene)

 

 

 

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Borgonha – Pouilly-Fuissé quer ter seus Premiers Crus

Depois de dez anos de esforços os viticultores da denominação de origem Pouilly-Fuissé em Saône-et-Loire, Borgonha, depositaram junto ao INAO, Instituto Nacional da Denominações de Origem, um pedido formal de reconhecimento de cerca de 22 climas, terroirs como se diz na região, de Premiers Crus, a segunda maior da hierarquia borguinhona. No total seriam 182 hectares que representariam 23% da denominação.

A mais nobre das DOCs de Macôn, Pouilly-Fuissé, é um Village com quatro vilarejos Vergisson, Solutré-Pouilly, Fuissé e Chantré. O projeto deve muito à Fréderic-Marc Burrier proprietário do Château de Beauregard em Fuissé. Na Borgonha as denominações Regionais representam metade da produção, as Villages mais de um terço, os Premiers Crus 10% e os Grands Crus 1,3% apenas. Desde 2007 à frente dos estudos e dirigindo um grupo que levou este desejo até ao INAO. Para preparar o dossiê a consultoria Sigales realizou uma análise cartográfica detalhada dos 800 hectares de Pouilly-Fuissé e de seus 217 climas. Mas também critérios de condução do vinhedo e degustativos foram utilizados. Outros Villages estão mais atrasados e ainda em fase de preparação de projeto como Pouilly-Loché, Pouilly-Vinzelles e Saint Véran. Se tudo der certo a safra 2019 já terá a menção Premier Cru em Pouilly-Fuissé. A luta continua. Santé.

Este gráfico bem interessante mostra com clareza a hierarquia da Borgonha e a média de produção entre 2008 e 2012. Fonte Le Bourguignon.

Para entender a Borgonha:

23 Denominações Regionais como: Mâcon Villages, Bourgogne Alligoté, Coteaux Bourguignons,…

44 Denominações Villages como: Poully Fuissé, Mercurey, Pommard, Nuits Saint Georges,…

645 climas classificados em Premier Cru – como Fixin Premier Cru, Vougeot Premier Cru,…

33 Grands Crus sendo um em Chablis.

 

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Tavel é o rosé ideal para ir à mesa

O Rei dos rosés não perde a majestade. Sem se preocupar em ter a cor clarinha da Provence ou de ser bebido com gelo na beira da piscina ele prefere ir à mesa. Não é para menos. Já que oferece um amplo leque de harmonizações. Um vinho que sabe se colocar em qualquer lugar da refeição. Seja na entrada, no prato principal e mesmo na sobremesa.

Produzido no Sul da França, mas fazendo parte do vinhedo do Rhône ele tem a fama de ser o rosé preferido dos reis da França e dos papas de Avignon, como Inocêncio VI no século XIV. Muitas vezes chamado de primeiro rosé da França enfrenta a moda e a força dos rosés da Provence, estes de cor rosa bem clarinha, exibindo sua coloração intensa e forte, capaz de fazer inveja a muitos tintos. Produzido na margem direita do Rhône, no departamento do Gard, forma com o Lirac, tinto e branco, um trio infernal de Crus capazes de fazer frente às denominações de maior notoriedade da margem esquerda.

Um bom Tavel pode ser guardado por 2 a 8 anos em adega e tem um corpinho que resiste ao inverno. O segredo? Uma fermentação longa que vai lhe dar mais taninos. Conhecido por ter várias vidas na sua juventude se mostra floral e adocicado, na adolescência potente e com especiarias e na sua maioridade encorpado e vivo.

O serviço quando jovem deve ser feito entre 12°C e 14°C. Na sua juventude pode se harmonizar com uma salada à base de abacate, chorizo e abobrinhas com limão e azeite. No prato principal com um saboroso filé mignon de porco assado numa massa folheada com recheio à italiana – presunto e mozzarela. Na sobremesa por que não experimentar uma taça de frutas vermelhas com biscoitos amanteigados em migalhas e creme de leite?

Sugestão de vinho: Tavel – Domaine Lafond Roc Epine 2016/2015 na Tahaa Importadora em SP Tel. 11 50963282. Santé.

 

 

 

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Bernard Loiseau e Domaines Albert Bichot criam novos clássicos do vinho

Bernard Loiseau é um grande nome da gastronomia francesa famoso pelo seu Relais na Borgonha e por seus restaurantes. Empresa familiar dirigida, hoje, por Dominique Loiseau, esposa do falecido chef 3 estrelas, que tem como característica privilegiar parceiros e fornecedores de empresas familiares. Seja nos ingredientes do restaurante seja no vinho. Há alguns anos decidiu criar sua própria marca de vinhos e ao fazer uma seleção entre os melhores produtores da Borgonha o escolhido foi Albert Bichot, dirigida por Alberic Bichot.

Conheci Dominique (foto) em abril este ano durante o almoço que antecedeu o leilão de Toques et Clochers em Limoux. Simpática, detalhista, precisa e elegante assim se mostrou Mme. Loiseau numa rápida conversa na nossa mesa.

Os dois grupos borguinhões se uniram para produzir vinhos excepcionais e gastronômicos. A equipe de sommeliers do restaurante dirigida por Eric Goettelmann idealizou os estilos de vinhos que lhe interessavam e os enólogos de Albert Bichot tinham de conceber estes vinhos. Ainda em fase de assemblagem, no caso de diferentes parcelas e não de uvas, eles eram degustados e uma segunda prova acontecia quando eram engarrafados e assim o vinho era validado. As exigências de Bernard Loiseau levaram o produtor a sair de uma zona de conforto e buscar soluções diferentes para produzir os vinhos solicitados. Afinal, não bastava trocar os rótulos e anexar a grife gastronômica de prestígio internacional.

Pinot Noir G com a dupla assinatura Loiseau e Bichot.

No caso do Borgonha genérico, a opção tanto no tinto quanto no branco foi exatamente deixar de ser genérico. Assim o Bourgogne branco, Chardonnay, vem de parcelas situadas ao lado de Mersault, do outro lado da pequena estrada. O tinto Pinot Noir vem dentro da mesma lógica de parcelas vizinhas a Gevrey Chambertin. São vinificados como grandes vinhos e o esforço é recompensado. Na taça são vinhos de boa estrutura, frutado e complexos com muito bom comprimento. São verdadeiros campeões na categoria. Os nomes escolhidos foram M. para o branco e G. para o tinto. Afinal, a rígida legislação não permite serem chamados de Mersault pois ficam fora da zona delimitada da classificação de prestígio, mas são vizinhos de “muro”.

 

Outro caso interessante foi o desafio proposto pelo sommelier executivo do grupo Loiseau Eric Goettelmann (foto), três vezes consecutivas o melhor sommelier da Borgonha. Conhecedor da história francesa e do trabalho dos monges Cistercianos, ela queria fazer um Clos de Vougeot como se fazia antes da Revolução Francesa. O desafio era enorme.  O Grand Cru de 50 hectares foi dividido em cerca de 80 parcelas depois da Revolução quando os monges foram expulsos. Eles faziam um vinho homogêneo e mesclavam as uvas de todos os três climas do Clos de Vougeot, o mesmo que terroir para os borguinhões. O que não é mais possível porquê nenhum produtor tem parcelas dos três climas. A exceção de um único produtor, Albert Bichot. Que com suas parcelas tem vinhas no alto, no meio e na parte inferior do Clos. O resultado é um vinho excepcional e único.

Com cinco restaurantes e um bar de vinhos, sendo um dos restaurantes em Paris Loiseau Rive Gauche, antigo Tante Marguerite, e os demais na Borgonha em Beaune, Dijon e Saulieu, a empresa familiar tem clientes fiéis. Eles compram seus vinhos na loja dos restaurantes, mas também na boutique on-line e mesmo em um clube. O co-branding de vinhos Bernard Loiseau e Albert Bichot está fazendo sucesso na França e começa a ganhar o mundo. Santé.

 

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A história da França contada em taças de vinho

Acaba de chegar às livrarias Histoire des Vins de France (História dos Vinhos da França). É livro para ler e apreciar de um só fôlego. Muitas vezes estes belos livros com capa dura e muitas fotos deixam a desejar em conteúdo. Não é o caso aqui. Serge Pacaud é um historiador e escritor com várias obras publicadas e consegue contar a história da França, através do vinho e vice-versa. O autor teve como parceiro o “cavista” Pascal Goubert, dono de loja e prefeito do seu vilarejo, Chaumont-sur-Tharonne, no Loire. Ele selecionou os produtores e fez as notas técnicas que acompanham cada capítulo.

Cada assunto, ou melhor, em cada região de produção abordada o leitor vai aprender um bocado de história e por consequência da França. O leitor vai descobrir as influências gregas e etruscas, passando pelo esplendor romano, pelas invasões bárbaras, pelo milagre monástico e mesmo pela Revolução Francesa. As doenças da vinha e suas repercussões, os desafios técnicos, o progresso até chegar à hierarquização das denominações de origem. O livro não é exaustivo o que pode dar margem a outros volumes, que seriam bem-vindos.

Quando o autor aborda o Languedoc Roussillon, o maior vinhedo IGP do mundo, faz honra a Limoux e cita a famosa Blanquette que datando do século XVI (documentos comprovam sua existência desde 1531) vai inspirar o primo mais famoso o champagne. A obra original é dos inventivos monges beneditinos da abadia de Saint Hilaire, por sinal mesma ordem de D. Pérignon. As páginas ricas de saber trazem fotos de época, fotos de magníficas paisagens e reclames de rara beleza. Uma seleção de grande qualidade.

Vinhos autênticos de Grave, reconhecidos os mais higiênicos e que dão saúde como

informa o cartaz de Lenetto Cappielo em 1905

Uma página sobre um produtor da escolha do “cavista” mostra o lado humano atrás de cada parcela de vinhedo, de cada garrafa que chega à mesa. O último momento de cada capítulo tem o que os autores chamam de L’avis du spécialiste”, o comentário técnico do especialista, ele escolhe uma das denominações da região abordada para falar do terroir, das uvas e do estilo dos vinhos que lá são produzidos. Traz também pequenas curiosidades e precisões sobre cada região produtora.

O livro agrada pela abordagem histórica de alto nível sem ser entediante, pelas citações de grandes autores, pelas imagens que contam como o vinho foi feito por homens e mulheres e ainda permite enriquecer o conhecimento técnico sobre diversas denominações de origem. Vai agradar iniciantes e enófilos de todos os matizes. Vinho é cultura, está aqui a prova. Santé.

Edição De Borée, 224 páginas, 12/10/2017, ISBN 9782-8-1292-229-9 e preço 34€. Disponível nos sites da Amazon e Fnac.

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Os vinhos novos da desconhecida Ardèche

Este ano tive o prazer de degustar alguns vinhos novos de uma região pouco conhecida do vale do Rhône a região da Ardèche. Localizada na margem direita do rio Rhône ela faz a transição entre o vale e a cadeia de montanhas das Cévennes. Os vinhos desta área não possuem o direito legal de serem chamados de AOP Côtes du Rhône, com exceção de uma pontinha do território ao sul. Eles serão AOP Côte du Vivarais ou IGP de l’Ardèche, se forem classificados como vinhos regionais. Ardèche é o nome do rio que cruza o departamento de oeste a leste, emprestando seu nome ao departamento da região Auvergne-Rhône-Alpes.

O mapa mostra a divisão dos 4 terroirs da Ardèche.

A cooperativa Vignerons Ardéchois reúne 1500 produtores do sul da Ardèche que cultivam as suas uvas em quatro grande terroirs: IGP Ardèche Cévennes (Terroir des Grès, arenoso e predregoso), IGP Ardèche (Terres des Basaltes e Gravettes, pedras brancas e argila), AOP Côte du Vivarais (Terres Blanches e Terres Rouges, solos calcários pouco profundos sendo alguns vermelhos) e AOP Côtes du Rhône (Terres de Galets Roulés, leitos de rio com pedra de seixo rolado e boa exposição ao sol), o menor destes. Fundada em 1967 ela cobre 6500 hectares e representa 85% da produção do sul da Ardèche. Nos anos 80 um grande trabalho de melhoria das cepas foi empreendido com o plantio de uvas nobres como Merlot, Syrah, Chardonnay, Gamay e Ccabernet. Curiosidade: eles replantaram a casta Chatus, autóctone, que é citada por Olivier de Serres, em Thèatre d’Agriculture et Ménages de Champs, em 1599,  por sua robustez. A cave produz o Terre de Châtaignier Chatus, IGP Ardèche, um vinho rústico e de bom corpo.

Orélie tinto com o selo Vin Nouveau na etiqueta.

 

Recebi do serviço de imprensa uma seleção de 4 vinhos IGP Ardèche em Primeur ou Nouveau, como preferir. Portanto vinhos novos da safra 2017 cheios de fruta, vida e alegria. A linha Orélie se apresenta nas três cores tinto, branco e rosé. O tinto tem um corte Gamay e Merlot, é fresco, muito frutado e festivo, como manda o figurino de um vinho novo. O branco Chardonnay e Sauvignon sem perder o estilo festivo apresentou maior complexidade, bom frescor e aromas de frutas frescas brancas. Pode ir à mesa e acompanhar um frango com molho à base de creme de leite, ou um Fettucine Paillard ou ainda um sushi. O Rosé da trilogia Orélie tem um corte Gamay e Syrah com notas de framboesa e morangos amassados. Vai ser um vinho muito bom para aperitivos e beira de praia acompanhado um camarão frito e vai cair super bem com um queijo de cabra. Já o tinto Modestine Gamay que tem um bom corpinho para um Primeur fica numa ótima com uma burrata, um brie quente com geleia ou uma massa com shitaki. Esse vinho me chamou a atenção pela sua complexidade em se tratando de um vinho novo. Santé.

Modestine um bom vinho 100% Gamay.

 

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