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Os vinhos novos da desconhecida Ardèche

Este ano tive o prazer de degustar alguns vinhos novos de uma região pouco conhecida do vale do Rhône a região da Ardèche. Localizada na margem direita do rio Rhône ela faz a transição entre o vale e a cadeia de montanhas das Cévennes. Os vinhos desta área não possuem o direito legal de serem chamados de AOP Côtes du Rhône, com exceção de uma pontinha do território ao sul. Eles serão AOP Côte du Vivarais ou IGP de l’Ardèche, se forem classificados como vinhos regionais. Ardèche é o nome do rio que cruza o departamento de oeste a leste, emprestando seu nome ao departamento da região Auvergne-Rhône-Alpes.

O mapa mostra a divisão dos 4 terroirs da Ardèche.

A cooperativa Vignerons Ardéchois reúne 1500 produtores do sul da Ardèche que cultivam as suas uvas em quatro grande terroirs: IGP Ardèche Cévennes (Terroir des Grès, arenoso e predregoso), IGP Ardèche (Terres des Basaltes e Gravettes, pedras brancas e argila), AOP Côte du Vivarais (Terres Blanches e Terres Rouges, solos calcários pouco profundos sendo alguns vermelhos) e AOP Côtes du Rhône (Terres de Galets Roulés, leitos de rio com pedra de seixo rolado e boa exposição ao sol), o menor destes. Fundada em 1967 ela cobre 6500 hectares e representa 85% da produção do sul da Ardèche. Nos anos 80 um grande trabalho de melhoria das cepas foi empreendido com o plantio de uvas nobres como Merlot, Syrah, Chardonnay, Gamay e Ccabernet. Curiosidade: eles replantaram a casta Chatus, autóctone, que é citada por Olivier de Serres, em Thèatre d’Agriculture et Ménages de Champs, em 1599,  por sua robustez. A cave produz o Terre de Châtaignier Chatus, IGP Ardèche, um vinho rústico e de bom corpo.

Orélie tinto com o selo Vin Nouveau na etiqueta.

 

Recebi do serviço de imprensa uma seleção de 4 vinhos IGP Ardèche em Primeur ou Nouveau, como preferir. Portanto vinhos novos da safra 2017 cheios de fruta, vida e alegria. A linha Orélie se apresenta nas três cores tinto, branco e rosé. O tinto tem um corte Gamay e Merlot, é fresco, muito frutado e festivo, como manda o figurino de um vinho novo. O branco Chardonnay e Sauvignon sem perder o estilo festivo apresentou maior complexidade, bom frescor e aromas de frutas frescas brancas. Pode ir à mesa e acompanhar um frango com molho à base de creme de leite, ou um Fettucine Paillard ou ainda um sushi. O Rosé da trilogia Orélie tem um corte Gamay e Syrah com notas de framboesa e morangos amassados. Vai ser um vinho muito bom para aperitivos e beira de praia acompanhado um camarão frito e vai cair super bem com um queijo de cabra. Já o tinto Modestine Gamay que tem um bom corpinho para um Primeur fica numa ótima com uma burrata, um brie quente com geleia ou uma massa com shitaki. Esse vinho me chamou a atenção pela sua complexidade em se tratando de um vinho novo. Santé.

Modestine um bom vinho 100% Gamay.

 

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2 Comentários

Comentários:

  • Como moradora da Ardèche há muitos anos, aproveito para dar dicas de algumas preciosidades locais que são vinhos de guarda excepcionais.

    Marius Pradal produz o excelente “Vin de l’Ours”, servido como vinho da casa em vários restaurantes “3 estrelas” Michelin. Producão pequena, vendida a poucos clientes ( na sua maioria restaurantes gastronomicos), ou diretamente na cave.

    O Mas d’Intras em Valvignières acaba de fazer sua conversão em vinhos organicos, sem perder sua qualidade tradicional. Meus preferidos sao suas mesclas de Sirah e Grenache: Trace-Nègre e Ferdinand.

    Outra maravilha é o vinho branco varietal Viognier “Vendanges d’Octobre”, colhido à mão com uvas bem maduras, e vendido pela cooperativa vinícola de Valvignières. Seu sabor frutado e doce acompanha foie gras, queijos fortes e sobremesas com chocolate.

    Elizabeth Glass

    4 de novembro de 2017 às 04:33

    • Oi, Elizabeth. Obrigado pelas sugestões e boas dicas.

      Rogerio Rebouças

      4 de novembro de 2017 às 08:02

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