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Bernard Loiseau e Domaines Albert Bichot criam novos clássicos do vinho

Bernard Loiseau é um grande nome da gastronomia francesa famoso pelo seu Relais na Borgonha e por seus restaurantes. Empresa familiar dirigida, hoje, por Dominique Loiseau, esposa do falecido chef 3 estrelas, que tem como característica privilegiar parceiros e fornecedores de empresas familiares. Seja nos ingredientes do restaurante seja no vinho. Há alguns anos decidiu criar sua própria marca de vinhos e ao fazer uma seleção entre os melhores produtores da Borgonha o escolhido foi Albert Bichot, dirigida por Alberic Bichot.

Conheci Dominique (foto) em abril este ano durante o almoço que antecedeu o leilão de Toques et Clochers em Limoux. Simpática, detalhista, precisa e elegante assim se mostrou Mme. Loiseau numa rápida conversa na nossa mesa.

Os dois grupos borguinhões se uniram para produzir vinhos excepcionais e gastronômicos. A equipe de sommeliers do restaurante dirigida por Eric Goettelmann idealizou os estilos de vinhos que lhe interessavam e os enólogos de Albert Bichot tinham de conceber estes vinhos. Ainda em fase de assemblagem, no caso de diferentes parcelas e não de uvas, eles eram degustados e uma segunda prova acontecia quando eram engarrafados e assim o vinho era validado. As exigências de Bernard Loiseau levaram o produtor a sair de uma zona de conforto e buscar soluções diferentes para produzir os vinhos solicitados. Afinal, não bastava trocar os rótulos e anexar a grife gastronômica de prestígio internacional.

Pinot Noir G com a dupla assinatura Loiseau e Bichot.

No caso do Borgonha genérico, a opção tanto no tinto quanto no branco foi exatamente deixar de ser genérico. Assim o Bourgogne branco, Chardonnay, vem de parcelas situadas ao lado de Mersault, do outro lado da pequena estrada. O tinto Pinot Noir vem dentro da mesma lógica de parcelas vizinhas a Gevrey Chambertin. São vinificados como grandes vinhos e o esforço é recompensado. Na taça são vinhos de boa estrutura, frutado e complexos com muito bom comprimento. São verdadeiros campeões na categoria. Os nomes escolhidos foram M. para o branco e G. para o tinto. Afinal, a rígida legislação não permite serem chamados de Mersault pois ficam fora da zona delimitada da classificação de prestígio, mas são vizinhos de “muro”.

 

Outro caso interessante foi o desafio proposto pelo sommelier executivo do grupo Loiseau Eric Goettelmann (foto), três vezes consecutivas o melhor sommelier da Borgonha. Conhecedor da história francesa e do trabalho dos monges Cistercianos, ela queria fazer um Clos de Vougeot como se fazia antes da Revolução Francesa. O desafio era enorme.  O Grand Cru de 50 hectares foi dividido em cerca de 80 parcelas depois da Revolução quando os monges foram expulsos. Eles faziam um vinho homogêneo e mesclavam as uvas de todos os três climas do Clos de Vougeot, o mesmo que terroir para os borguinhões. O que não é mais possível porquê nenhum produtor tem parcelas dos três climas. A exceção de um único produtor, Albert Bichot. Que com suas parcelas tem vinhas no alto, no meio e na parte inferior do Clos. O resultado é um vinho excepcional e único.

Com cinco restaurantes e um bar de vinhos, sendo um dos restaurantes em Paris Loiseau Rive Gauche, antigo Tante Marguerite, e os demais na Borgonha em Beaune, Dijon e Saulieu, a empresa familiar tem clientes fiéis. Eles compram seus vinhos na loja dos restaurantes, mas também na boutique on-line e mesmo em um clube. O co-branding de vinhos Bernard Loiseau e Albert Bichot está fazendo sucesso na França e começa a ganhar o mundo. Santé.

 

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