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Saint Vincent Itinerante é a festa do vinho borguinhão

A 74a Saint Vincent Itinerante acontece este ano no terroir do Cru Saint Véran, uma denominação Village da Borgonha. A festa é organizada pela Confraria dos Cavaleiros do Tastevin e este ano a acontece em Prissé, um dos 7 vilarejos desta denominação da região de Mâcon. De 40 a 70 mil visitantes são aguardados para festejar o vinhedo, o vinho e o vinhateiro borguinhão. Prissé estará decorada com as cores de Saint Véran branco, amarelo, laranja, verde e azul. O padrinho este ano é o cantor e guitarrista Michael Jones. A festa acontece hoje e amanhã e o show do cantor é neste sábado.

Além de muita animação e eventos a Saint Vincent Itinerante é o momento onde a Confrerie des Chevaliers du Tastevin faz suas entronizações. Diversos bons vinhos estarão disponíveis para degustação. Saint Véran produz apenas brancos de uvas chardonnay. São 727 hectares plantados, 200 produtores independentes e 3 cooperativas que produzem 37.125 hectolitros de vinho nos vilarejos de Prissé, Chasselas, Chânes, Davayé, Leynes, Saint Vérand e Solutré-Puilly. O kit degustação com taça oficial e 8 tíquetes para vinhos custa 15€, baratinho. Boa degustação. Santé.

Clique na foto e passeie pela Borgonha.

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Négrette é a uva da vez no Brasil

A Négrette chegou de forma discreta e foi ocupando um espaço enorme sem dizer seu nome. Ela domina o badalado Rosé Piscine da Vinovalie no Sudoeste, sua região de origem. Como o nome diz ela produz vinhos de cor muito escura, tal qual na vizinha Cahors berço da uva Malbec. Ela se revela todo seu esplendor na versão vinho tinto. Muito aromática libera seus aromas de morango, alcaçuz, violeta e pequenas frutas pretas. Também pode ser chamada de Folle Noire, Chalosse Noire, Negrette de Gaillac ou ainda Pinot Saint Georges.

A Négrette tem cachos e uvas pequenas.

Dando um passeio pelas lojas de vinho na rede me deparei com o Astrolabe Négrette, AOP Fronton, da Evino. Produzido pela Cave de Fronton é um super premium. De certa feita o guia francês de vinhos Hachette o classificou como sendo um vinho muito bem sucedido e assim o descreveu:  “Astrolabe um puro Négrette muito sedutor. Cor púrpura profunda e brilhante, ele revela a cada volta na taça aromas de violeta, de frutas vermelhas aciduladas, pimenta e alcaçuz. Na boca é fresco e elegante, apresenta um corpo carnudo e estruturado graças aos taninos dominados, mostra uma ponta de vivacidade no final. Uma bela garrafa e seu apogeu deve ser daqui a um ou dois anos.

Produzido na Cave de Fronton este AOP Fronton é 100% Négrette.

Se em um vinho rosé a Négrette se mostra viva e aromática projete ela em um tinto onde a extração é bem maior e a concentração domina. Aproveite a oferta da Evino. Astrolabe com 60% de desconto está saindo por R$79,90. Vale cada centavo. Santé.

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Paul Bocuse e o vinho dos chefs

O chef Paul Bocuse faleceu ontem, dia 20. Quando foi à Limoux disse – “Aqui eu encontrei o vinho dos chefs”. Foi assim que o chef Paul Bocuse se exprimiu sobre os vinhos brancos de Limoux em 1991. Ele presidiu a segunda edição do hoje famoso leilão de Toques et Clochers. Na época os grandes Chardonnays brancos da Cave de Sieur d’Arques ainda eram apenas vin de pays, vinhos regionais, e não haviam sido alçados a condição de AOP e muito menos de Grand Vin. Foi um dos pioneiros a apadrinhar os grandes brancos de uva Chardonnay que a cooperativa tentava colocar no mesmo patamar dos bons da Borgonha.

O chef Paul Bocuse 

(foto divulgação Paul Bocuse)

 

No jantar de gala que marca o encerramento do leilão o menu preparado por Paul Bocuse foi sua famosa “vollaille de Bresse en vessie Mère Fillioux” (frango AOP de Bresse com trufas negras e cozinhado na bexiga de porco e redonda como uma bola de futebol) foi um momento que marcou a todos que estavam à mesa, recorda-se Pierre Louis Farges hoje presidente de Sieur d’Arques. Nosso desafio era enorme. Colocar os brancos de Limoux no patamar dos grandes vinhos e isto só foi possível graças a Paul Bocuse e Pierre Troisgros, os dois primeiros padrinhos. Eles foram trazidos graças ao apoio de Georges Duboeuf, o Monsieur Beaujolais que os apresentou a Alain Gayda, na época diretor geral de Sieur d’Arques. Depois que os dois maiores chefs da França vieram o leilão se estabeleceu. Ele marcou a história dos vinhos de Limoux.

A famosa Volaille de Bresse en vessie ” Mère Fillioux” com sua forma de bola de futebol 

(foto divulgação Paul Bocuse)

 

Algum leitor pode perguntar por que Georges Duboeuf? Ora, sendo o chef nascido em Lyon o vinhedo mais próximo da cidade é o Beaujolais, ao sul. Assim era natural que os dois se conhecessem devido à proximidade.

Paul Bocuse também influenciou a cozinha no Brasil ao assinar o menu do Le Saint Honoré, do hotel Méridien, no Leme, e trazer na bagagem jovens talentos como Laurent Saudeau, Claude Troisgros e Philippe Brye que seguem fazendo sucesso. Mas isto todo mundo já publicou. O que quis mostrar é que além de influenciar a gastronomia mundial ele foi muito importante para o vinhedo do Languedoc. Sem os grandes chefs os grandes vinhos de Limoux não teriam um lugar de destaque. Seu Clocher foi o de Malras que teve o carrilhão e a iluminação da igreja restaurados. Afinal, o leilão sempre beneficia uma das igrejas medievais de Limoux. Santé.

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Hospices de Nuits-Saints-Georges tem leilão facilitado por Albert Bichot

No dia 11 de março acontecerá o 57º Leilão dos Hospices de Nuits-Saint-Georges. Esta propriedade excepcional tem como o Hospices de Beaunes, primo maior e mais famoso, mas não mais antigo, seus vinhos vendidos num leilão caritativo. É vendido em “primeur” sempre no terceiro domingo do mês de março. Fundado em 1270 este belo Domaine funciona unindo propriedade vitícola de grande nível e atividade médica no Centro Hospitalar de Nuits Saint Georges.

Com 12,4 hectares situados em torno do vilarejo de Nuits o leilão oferece duas denominações Villages, Gevrey Chambertin “Les Champs Chenys” e Nuits Saint Georges, e 9 Premiers Crus de Nuits Saint Georges. Cada barril tem capacidade para 288 garrafas, estão a venda 15 cuvées. Os preços são mais comportados do que os dos Hospices de Beaune. Um village sai por algo em torno de 8000 euros, 28€ a garrafa, e um Premier Cru por 14 a 17 mil euros, até 60 euros a garrafa, preço da batida do martelo.

O produtor Albert Bichot é um ator de destaque no leilão caritativo, afinal é um vizinho e tem o Domaine Clos Fortin bem ao lado. Além de ter o direito de fazer o envelhecimento e o engarrafamento dos vinhos arrematados Bichot orienta na venda, faz um envelhecimento sob medida, personaliza as etiquetas e propõe degustação diretamente do barril durante o envelhecimento, oportunidade para encontrar enólogos e vinhateiros. Faz ainda a entrega a domicílio na França em junho do ano seguinte.

Deu vontade? Quer comprar e ajudar o hospital de Nuits Saints Georges? Albert Bichot oferece a possibilidade de comprar meio lote, 144 garrafas ou o lote inteiro com as 288. É muito? Junte os amigos e divida o lote. Está sozinho, achou quer descobrir e comprar apenas duas garrafas? Nada mais fácil. Aceita até cartão de crédito. Clique aqui.

Ficou na dúvida sobre a qualidade? A safra 2017 foi generosa com a Borgonha depois de dois anos difíceis e com pequeno volume. A uvas foram colhidas bem maduras e em perfeito estado sanitário. O resultado se percebe rapidamente. Os vinhos são de grande estirpe, elegantes, profundos, intensos e de bela complexidade, atesta o enólogo e gerente do Domaine Jean Marc Moron. Santé.

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Vinhos orgânicos triplicam de volume e Millésime Bio cresce

Millésime Bio comemorará seus 25 anos em Montpellier, sua cidade preferida, depois de realizar a feira de 2017 em Marselha devido a um conflito de datas e interesses com Vinisud. Apesar dos bons números de Marselha nada melhor do que voltar ao seu “estádio” predileto, o Parque de Exposições de Montpellier. Este ano serão utilizados 3 halls para receber 950 expositores de 16 países e 5000 compradores. O evento acontece de 29 a 31 de janeiro. Conexão Francesa estará presente.

Os países que lideram esta que é a maior feira de vinhos orgânicos do mundo são França, Espanha e Itália. Lá 40% da oferta de vinho orgânico do mundo estará presente. Uma forte presença de compradores de países do norte da Europa é esperada, mas também de todos os países desenvolvidos onde o mercado de orgânicos está em franco crescimento. Cem expositores ficaram na lista de espera. O Brasil começa a ver de longe esta onda se formar.

Na França o valor comercializado de vinhos “bio”, pronuncia-se biô, o jeito francês de falar biológico (orgânico) triplicou em 7 anos e já representa um faturamento de 1,2 bilhões de euros. Em 2016 as vendas na França cresceram 18% em relação ao ano anterior.  A Espanha tem 27% do seu vinhedo em condução orgânica, a Itália 23% e a França 21%.

Selecionado por Dionísio Chaves L’Origine é conduzido em modo orgânico por Eric Prisset.

Os bichos grilo estão ficando ricos? Nada disso. O mercado saiu há bastante tempo deste nicho. Médios e grandes produtores, no padrão europeu, produzem hoje diversos vinhos “bio”. Cave de Buzet no Sudoeste, Gérard Bertrand e Famille Fabre no Languedoc e tantos outros nomes conhecidos participam da Millésime Bio. Outros que ainda não frequentam a feira já possuem rótulos de parcelas conduzidas por este método onde o meio ambiente é privilegiado. A presença de grandes atores passou a permitir uma oferta de vinhos bio de preço mais competitivo, devido a uma escala de produção maior. Hoje estes vinhos são encontrados com facilidade em supermercados. No Rio de Janeiro a linha Reserva Especial do Zona Sul traz um vinho francês orgânico Coteaux du Languedoc, o Origine 2014 da Villa Symposia produzido por Eric Prisset e vendido por R$199,80. Um vinho de alta qualidade. Santé.

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Château Chasse Spleen não vai aderir aos Crus Bourgeois

Conexão Francesa ouviu Jean Pierre Foubet, o proprietário do Château Chasse Spleen, um dos mais consagrados Crus Excepcionnels do Médoc sobre a nova classificação dos vinhos Crus Bourgeois aprovadas pela Alliance de Crus Bourgeois. Chasse Spleen que estava no topo da hierarquia na classificação de 1932, tem sempre uma boa aceitação da crítica francesa e anglo-saxã. Considerado pelo mais respeitado crítico francês, Michel Bettanne como um Château mítico e um dos mais reputados de Moulis. Mesmo seu segundo vinho Clos de L’Oratoire é bem recebido na França pelos especialistas.

Ao responder à Conexão Francesa J.P. Foubet avisou logo que “fala por ele e não pelos outros Crus Exceptionnels ou Supérieurs. Não conheço a política dos outros produtores. Chasse Spleen não vai aderir a família dos Crus Bourgeois.” A classificação anterior, me parece, já valorizava o mérito. Era a qualidade do vinho que prevalecia. Mas o que me incomodava é que a classificação anual produzia uma espera entre o momento da colocação do vinho no mercado e a obtenção eventual da certificação. Na verdade, era mais uma certificação do que uma classificação. Para Fubet a nova regulamentação que prevê uma validade de cinco anos é um avanço importante.

Mas Fubet prevê problemas pela frente para a Alliance de Crus Bourgeois. A reintrodução da hierarquia vai produzir com certeza descontentes, é da natureza do homem. A questão vai voltar aos tribunais e a confusão vai se estabelecer nos corações e mentes dos nossos clientes, profetiza o proprietário de Chasse Spleen e Camensac em Saint Julien.

Jean Pierre Fubet é proprietário dos Châteaux Chasse Spleen e Camensac.

Apesar de ver aspectos positivos na nova regulamentação dos Crus Bourgeois do Médoc Fubet não vai aderir. A disputa judicial foi uma constante na classificação dos Grands Crus de Saint Emillion e o importante produtor acredita que os tribunais serão os árbitros. Afinal, quem não obtiver a classificação máxima ou se sentir prejudicado vai recorrer à justiça. Santé.

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Cru Bourgeois – Nova hierarquia chama os grandes de volta

Homologação ministerial do caderno de encargos da classificação dos Crus Bourgeois do Médoc restabelece a antiga hierarquia em três níveis segundo o mérito: Cru Bourgeois, Cru Bourgeois Supérieur e Cru Bourgeois Excepctionnel. A mudança abre as portas para o retorno dos mais prestigiados châteaux do Médoc à Aliança dos Crus Bourgeois. Eram 9 os Crus Excepcionais: Chasse-Spleen, Poujeaux, Pez, Les Ormes de Pez, Potensac, Haut-Marbuzet, Phélan Ségur, Siran e Labegorce (ex-Labegorce Zédé).

As antigas safras de Potensac vinham com a menção Cru Bourgeois Exceptionnel.

Com a volta da classificação por mérito as etiquetas das safras de 2018 já terão as novas menções hierárquicas, tal qual era em 1932. A portaria foi publicada na última quinta-feira, 4 de janeiro, no Diário Oficial. O caderno de encargos prevê a degustação às cegas de várias safras, júri independente, empresa certificadora, respeito ao meio-ambiente, valorização de pontos positivos de cada château, diversos controles, respeito ao consumidor, traçabilidade e autenticação de cada garrafa.

A volta da hierarquização é muito importante, pois trará de volta os grandes e valorizará todos os bons vinhos das 7 denominações do Médoc: Médoc, Haut-Médoc, Listrac, Moulis, Margaux, Saint-Julien, Pauillac e Saint-Estèphe. Com certeza uma grande vitória do Sindicato dos Crus Bourgeois do Médoc que mostrou força, determinação e união. Santé.

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Epifânia, Dia de Reis, galette des rois e espumantes

Terminadas as festas de fim de ano chega a Epifânia, popularmente conhecida como dia de Reis. A tradição trouxe a galette des rois (bolo de reis) e a coroa briochée muito popular na Europa e na França em particular. As padarias possuem todas as suas galettes e coroas para propor aos seus clientes. As crianças adoram, pois dentro da galette se esconde uma fava, hoje um bonequinho de porcelana, e quem a encontra coloca a coroa e vira Rei! A data é o dia 6 de janeiro, mas o Concílio Vaticano II (1962/1965) colocou a Epifânia do primeiro domingo depois do primeiro dia do ano. Portanto não deixe passar esta oportunidade. Na Polônia, país muito católico o feriado, é hoje. Na França não é mais feriado, mas todos comemoram no dia 6.

Galette e espumante fazem um par perfeito.

Entre os adultos é um bom momento para se fazer uma harmonização com espumante. Seja um espumante de método tradicional, charmat ou ancestral todos os espumantes serão um par perfeito para valorizar esta tradição. Como fazer uma Galette des Rois? Vou dar o link do site Sabor Intenso que é igualzinha a da versão francesa que conheço. A harmonização tanto pode ser com um brut como um meio seco.

 

 

 

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