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Mercado do Champagne muda no Brasil

Com um crescimento de 30% o ano de 2017 foi uma bela safra para as importações de vinhos no Brasil. A crise, no entanto, ainda faz uma vítima: o Champagne. O país ainda tem dificuldade para importar espumantes de maior valor agregado, o que deve mudar. O volume encolheu 3% e a queda em valor foi de 10%, explica Felipe Galtaroça diretor da Ideal Consultoria, empresa especializada em análise e estatísticas de importação. O fato mais significativo é a perda de participação no mercado do grupo LVMH (Möet Henessy Louis Vuiton). Outras marcas estão ocupando este espaço e o mercado busca um novo equilíbrio. Esta acomodação reflete o mercado mundial e francês. A exceção era o Brasil onde o grupo de Bernard Arnault tinha uma posição de quase monopólio.

Taittinger alcançou o terceiro lugar no ranking brasileiro

 Veuve Clicquot é a líder histórica do mercado brasileiro seguida de Möet & Chandon, ambas do grupo LVMH. Momentaneamente, em 2016, a Möet & Chandon passou Veuve Clicquot, mas a normalidade foi restabelecida em 2017. Vejam os números de importação desde 2015: Möet 17.000 caixas em 2015, 14.600 em 2016 e 8.200 em 2017 o que representou uma perda de 43,7% no último ano. Já sua coirmã caiu de 24.000 caixas em 2015 para 10.100 em 2016 e 9.800 (sempre em caixas de 9 litros e 12 garrafas) em 2017. A queda foi contida em 2017, com -2,6% em volume. Junto com Ruinart ainda detêm 51,6% do volume, número que é muito expressivo. Mas é menos do que em 2014 quando detinham 72%, afirma Galtaroça.

Afinal, o que está acontecendo? O mercado sofreu mudanças com a chegadas das empresas digitais Wine.com e Evino, e uma atuação maior na importação dos supermercados, apesar destes serem mais ativos nos segmentos de vinhos e espumantes. Alguns players tradicionais como Grand Cru, Interfood, Casa Flora, Pernod Ricard, Cantu e Lícinio Dias conseguiram acertar o foco, trabalhar mais forte onde são melhores e se adaptaram a esta nova realidade de mercado. Grand Cru aumentou sua quantidade de lojas e Cantu pulverizou a distribuição da Lanson, assegura Felipe Galtaroça. Com isto aumentaram sua participação no mercado e equilibraram o jogo.

Taittinger trazida pela Interfood desde a Copa do Mundo de 2014 passou a ser a terceira do mercado com 17,2% e crescimento de 82,8%, Perrier Jouët do grupo Pernod Ricard é a quarta com 14,5% e com aumento de 78,6%. Montaudon (Wine.com) em quinto com 4,5% e 112% de crescimento, Louis Roederer (Licínio Dias) tem alto valor agregado e teve crescimento de 27,6% e 2,4% de market share, uma performance incrível. Piper Heidsieck do Beverage Group, braço off trade da digital Evino, tem 1,6%, cresceu 66,7% e ficou em sétimo lugar. Nicolas Feuillatte, a no 1 da França, há apenas 2 anos no mercado brasileiro está em oitavo, tem 1% do mercado e progrediu 494% pelas mãos da Evino.

O Champagne é o segmento de elite dos espumantes. Ele é consumido pelos clientes que podem e pelos que sabem diferenciar um espumante de um Champagne. Os novos preços propostos por supermercados e empresas digitais estão ampliando a base de compra deste produto do topo da pirâmide dos espumantes. Com diversos Champagnes abaixo de R$ 200 o mercado se amplia e alcança o topo do segmento dos espumantes tops brasileiros, às vezes muito caros, e também incomoda os espumantes de método tradicionais importados e vendidos em lojas.

Na minha opinião é uma mudança muito saudável para o consumidor brasileiro que passa a ter boas ofertas com diferentes perfis de produtos. As grandes Maisons abriram e ocuparam um espaço que antes era quase exclusivo da LVMH. O próximo passo será dado pelo Champagne de pequenas Maisons como a Lallier (Vinhos do Mundo) e de vinhateiros de qualidade como Charles Ellner (Supernosso, BH) que devem ganhar espaço nos próximos anos. Santé.

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