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Safra ruim do espumante nacional abre espaço para concorrentes

As duas últimas safras brasileiras de espumantes foram complicadas o que reduziu a qualidade, a oferta e encareceu o produto. Neste segmento temos uma explosão da importação de espumantes que passam a competir na faixa de até 50 reais com o nacional. Ao não conseguir atender a demanda o produtor nacional criou um novo mercado para os espumantes importados de método Charmat, que é o mesmo utilizado pela maior parte dos produtores brasileiros. Tem menor custo, menor prestígio e quase sempre qualidade inferior ao método tradicional, aquele dos Champagnes, dos Crémants e Blanquettes francesas. Para Felipe Galtaroça, diretor da Ideal Consultoria, 95% dos consumidores brasileiros não sabem fazer esta diferença e neste caso compram pela origem do produto independentemente do método de produção. Uma característica típica de um mercado que ainda não amadureceu, explica.

A Bulle N1 de Limoux foi uma das grandes marcas que a Evino lançou em 2017 com sucesso.

Essa percepção de que o espumante francês é melhor levou a França a ter um crescimento espetacular no segmento. Aqui a imagem qualitativa do Champagne transfere prestígio aos produtos franceses. O Hexágono pula de 83.500 caixas (sempre 9 litros e 12 garrafas) em 2016 para 153.497 em 2017, um crescimento de 83,1% em volume e 93,8% em valor. Isto mostra um aumento tanto do segmento mais barato de espumantes, método Charmat, mas também de método tradicional Crémant de Bourgogne, de Limoux, d’Alsace, de Bordeaux, de Die, Limoux e Blanquette de Limoux. Estes de maior prestígio e qualidade estão na faixa acima de 50 reais. O Champagne não entrou nestas estatísticas.

Mas a França não está sozinha e tem a Itália em primeiro lugar na categoria com 26,1% de market share e crescimento de 53,5% em volume, a Espanha vem em segundo com 25,9% e crescimento de 58,1%. Cavas e Prosecco estão firmes no mercado. Sendo o líder a Freixenet que é importada pela própria Freixenet e pela Qualimpor. Neste segmento os supermercados possuem um peso importante com o Pão de Açúcar e Verdemar atuando forte e crescendo no segmento abaixo de 50 reais. Já o Zona Sul teve excelente crescimento dos seus Crémants de Limoux Grand Cuvée 1531 da Aimery, na faixa acima de R$50. Os supermercados estão disputando o mercado de igual para igual com as empresas digitais, assegura Felipe Galtaroça.

Dionísio Chaves sommelier bicampeão brasileiro é o consultor do Zona Sul.

O grande desafio dos supermercados e das empresas digitais é aumentar o ticket médio. Para isto é necessário qualidade e reconhecimento de marca. Coisa que os importadores clássicos (Casa Flora, Grand Cru, Decanter,…) que revendem para lojistas ou têm lojas próprias possuem. Tanto os supermercados quanto as empresas digitais enfrentam o desafio de construir marcas para agregar valor e imagem. Recentemente o supermercado Zona Sul, de perfil qualitativo, lançou um espaço dedicado aos vinhos tops, a Reserva Especial. São vinhos de alta qualidade e maior valor agregado, principalmente com vinhos de Bordeaux selecionados pelo sommelier bicampeão Dionísio Chaves, nome que também agrega valor. Os vinhos se vendem bem e a seleção será ampliada em 2018, assegura Chaves.  A Evino também tem buscado marcas de prestígio mundial como o Champagne Nicolas Feuillatte, o líder francês, o Crémant e a Blanquette de Limoux Bulle N1, bastante conhecidos no Brasil, e em breve colocará no site outras grandes marcas de renome internacional. É neste segmento que as mudanças devem acontecer. Santé.

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