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Safra 2017 de Bordeaux surpreende os críticos

Semana passada estive em Bordeaux visitando alguns grandes châteaux e pude apurar e perceber que é grande e positiva a expectativa para a safra 2017. A degustação dos vinhos Primeurs começa na próxima semana para os profissionais do mercado, mas para os jornalistas ela já aconteceu. Uma coisa é certa as uvas foram colhidas em boa maturação. Nenhuma nota verde detectada em ambas as margens do vinhedo. Os críticos começam a publicar seus comentários e as notas são bem altas e os melhores atingem 96 pontos na margem direita e 95 na esquerda para a Wine Spectator.

Quando visitei o Château Angélus, 1° Grand Cru Classé A, vi por diversas vezes Hubert de Boüard consultor e coproprietário, circular pelas adegas e supervisionar sua equipe. Ele nos conta que as merlots, uvas mais precoces do que as cabernets, foram colhidas em setembro e estavam bem equilibradas e com frescor, o que corresponde a uma tendência de gosto atual do consumidor. Foi na segunda semana de outubro que atingiu seu ponto de madureza a Cabernet Franc e em seguida foi a vez da Cabernet Sauvignion. A extração durante a vinificação foi a palavra chave do sucesso e do equilíbrio de um vinho terminado. A extração se fez delicadamente, privilegiando os taninos, o que marcará o ADN desta safra. Para os produtores que não sofreram com a geada, que mais parece para alguns uma amputação, a safra 2017 se inscreve na linhagem das mais belas expressões bordalesas. Equilíbrio, pureza, taninos carnudos, frescor e apetência, certifica Boüard.

Fachada do Château Angelus (foto Edith Monseux)

Já o crítico francês Jean Marc Quarin, que acabou de degustar 300 vinhos da nova safra, resume assim suas degustações: – Os tintos são bastante coloridos (nas degustações em Primeurs esta é uma característica que denota qualidade, nota minha) os aromas são frutados, precisos e constantemente puros, sem notas verdes e os melhores vinhos são complexos. Minha primeira surpresa foi a suavidade dos vinhos. Não esperava. Eles serão muito agradáveis de se beber, mesmo jovens. A graduação alcoólica está em torno de 13, característica do ano. Outra agradável surpresa é que os vinhos estão bem construídos no meio de boca e no final. Na margem direita os vinhedos das partes mais baixas gearam, o que obrigou o produtor que possui vinhas nas encostas a usar apenas estas, de melhor qualidade. O resultado mudou o vinho que ganhou em profundidade e é mais entusiasmante, conclui Quarin.

Se os châteaux atenderam às expectativas do público teremos preços para baixo, mas como a safra foi menor acho difícil. Em todo caso 2017 é um belo ano. Santé.

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