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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Restaurante L’Entrecôte de Toulouse faz sucesso há 52 anos.

Estava este 1° de maio em Toulouse e passei em frente a um restaurante que sempre tive a curiosidade de conhecer. O L’Entrecôte. Curiosidade, pois nunca tive coragem de enfrentar a longa fila que se estende pela calçada do Boulevard de Strasbourg, artéria principal da cidade. Já havia ouvido comentários de que a carne era boa e tinha fritas. Neste feriado não havia fila do lado de fora. Entrei. Uma pequena fila de 12 pessoas me aguardava no interior. Não desesperei. Em oito minutos sentei. O serviço é rápido e as mesas giram diversas vezes ao longo do dia.

O tradicional contra-filé com seu molho secreto.

Olhei e não vi cardápio ou carta de vinhos. A garçonete chegou e perguntou qual o cozimento da carne que desejava. Ao ponto, mal passado ou sangrando. A carne é uma só. E não é entrecôte. É um contra-filé fatiado de 170 gramas com fritas à vontade. Enquanto não chega a carne uma salada de alface com nozes e a tradicional cesta de pão fazem o tempo passar. Perguntei pela carta de vinhos, mas a garçonete me deu o nome dos vinhos da casa. O Le Bordeaux de L’Entrecôte, com um corte Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignion,   e o Rosé de L’Entrecôt. Um terceiro vinho regional vai estar presente em cada um dos restaurantes desta pequena rede de sucesso. Em Toulouse é o Château de Saurs, cuvée La Constance, de Gaillac, uma denominação do Sudoeste. O outro rosé é o IGP d’Oc Domaine de Fontiès. Você pode pedir taça, meia garrafa ou garrafa. Provei os tintos e preferi o Bordeaux que é correto e equilibrado, já o Gaillac apresentava um certo desequilíbrio. O vinho era quente no jargão da sommellerie, isto é, o álcool estava muito presente na boca.

Château de Sours tem no seu corte as castas regionais Brocol e Duras além das badaladas Merlot e Syrah tudo em partes iguais.

Quem faz muito sucesso é o molho, mas eles não dão a receita de jeito nenhum.  Decifrei boa parte da receita secreta. O molho é à base de manteiga, mostarda de Dijon, alcaparras, aliche, uma ponta de limão siciliano e pimenta do reino em quantidade. Delicioso. Existem 5 unidades na França: Montpellier, Lyon, Nantes, Bordeaux e Toulouse, o original da rede. Este foi criado em 1962 por Henri Ginestes de Saurs que se inspira no parisiense Relais de Venise, criado por seu pai alguns anos antes. Há 56 anos a fórmula do sucesso não muda.

A tarte tatin da casa é saborosa e tem uma bola de sorvete de baunilha. (fotos Rogerio Rebouças)

A única carta é a de sobremesas muito boa e farta. Tudo feito na hora. Não é um restaurante gastronômico evidentemente, mas é de estilo familiar, bem feito e bem servido. As sobremesas custam 6€ (R$25,20) ou 5,50€ (23,10€), o menu 19€ (R$80) e os vinhos 4€ (R$17) a taça, 9€ (R$38) a meia garrafa e 16€ (R$68) a garrafa. As garçonetes se vestem de amarelo e preto e as paredes são decoradas com um tecido de estampa escocesa.

No Brasil o L’Entrecôte de Paris e o L’Entrecôte d’Olivier são amplamente inspirados no conceito francês. Os dois andam se bicando nos tribunais. Ah, se o original francês mete a colher nessa briga. Santé.

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2 Comentários

Comentários:

  • E as unidades de Paris, não fazem parte do mesmo grupo?
    Sua coluna é ótima. Parabéns.

    isaac gomes

    9 de maio de 2018 às 10:09

    • Oi, Isaac
      Eu também achava que fizesse, mas não fazem parte não. De fato o restaurante do pai, em Paris, foi o pioneiro. No entanto, nome L’Entrecôte nasce em Toulouse. Santé.

      Rogerio Rebouças

      13 de maio de 2018 às 09:55

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