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O fim da ditadura Parker, a democracia das notas e a volta ao classicismo bordalês

Até 2012 Robert Parker Jr. acompanha de perto cada safra de Bordeaux. Seu julgamento imparcial e preciso, com enorme peso nos EUA, primeiro consumidor de vinho no mundo, e em outros mercados dita um estilo Parker. Este se caracteriza, apesar de ter evoluído, por uma grande concentração e muita madeira. Seja na melhoria dos processos, importante, seja para fazer prazer ao palato do crítico americano, nem tanto. O peso de suas notas influenciam produtores e consumidores do mundo inteiro. É a moda do gosto de madeira. Em 2013 Parker aproveita a deixa de uma safra complicada e não vai à Bordeaux degustar os vinhos “primeurs”, aqueles que estão nascendo e ainda vão envelhecer até dois anos. O mercado fica nervoso. Logo depois sua aposentadoria e a venda do seu boletim são anunciados.

Quatro grandes vinhos de Bernard Magrez.

A partir de 2015 o estilo dos vinhos de Bordeaux começa a mudar. Ou melhor, há um retorno de muitos produtores ao classicismo bordalês. Acabara a necessidade de fazer vinhos para que RP desse altas notas e com isso obter melhores preços e faturar mais na exportação. No mercado francês sua importância é desprezível. Alguns châteaux pagaram caro esta opção pois ficaram marcados por serem vinhos com muita madeira, estilo moderno. O que para um grande vinho é uma ofensa.

A ausência de Robert Parker fez com que outros críticos, revistas e concursos voltassem a ganhar maior importância. Em Bordeaux pode ser nitidamente observado a volta do frescor da fruta, uma presença da madeira mais controlada, da elegância e uma maior quantidade de vinhos mais aéreos. Isto é, vinhos mais sutis onde se aprecia cada curva do corpo com mais prazer. O vinho é mais insinuante, tem mais classe. Muita gente nunca aderiu ao estilo que fez moda. E pagou um preço. Hoje são glorificados.

A safra 2017 é o novo paradigma. Mais elegante, digesta e clássica afirma Florence Cathiard do Château Smith Haut Lafitte, GCC de Graves. Bernard Magrez, proprietário dos Châteaux Pape Clément, Fombrauge, La Tour Carnet, Les Grands Chênes e vários outros, afirma que hoje o consumidor está mais homogêneo e busca vinhos mais elegantes, frutados, menos pesados e com menos madeira.

O vinho e o amante do vinho evoluíram para melhor. Agora o consumidor pode valorizar a medalha dos concursos, as notas dos críticos europeus e quem sabe, em breve, a de bons sommeliers e críticos brasileiros. O que acho fundamental em Parker é que ele de certa forma forçou os vinhateiros franceses a evoluírem, a investir nas consultorias, melhorar o trabalho no vinhedo e na vinificação. Não bastava mais ter apenas o melhor terroir. Santé.

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