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Uma taça de prosa com Jean-Pierre Foubet do Château Chasse-Spleen

Conexão Francesa cria dentro do blog a coluna “Uma taça de prosa com… ”. Oportunidade de colocar um rosto na garrafa do vinho que você bebe e assim dar uma nova vida ao vinho. Aproximar produtor de consumidor e, quem sabe, gerar uma empatia, uma identificação ou simplesmente saber que existe alguém atrás da garrafa. Vamos começar a coluna com Jean-Pierre Foubet do Château Chasse-Spleen em Moulis-en-Médoc, Grand Cru Excepcional de 1932.

Jean-Pierre Foubet é formado em relações públicas e psicossociologia. Trabalhou em agência e como freelancer. A partir de 2000 ele se une à família Merlaut e assume as rédeas do Château Chasse-Spleen como gerente geral sob a presidência de sua esposa Céline Villars Foubet. Em 2005 compra com Jean Merlaut o Château de Camensac, 5° Cru Classé situado no Haut-Médoc. Como sua esposa ele viaja o mundo para promover seus vinhos quando não está numa das propriedades.

Meu primeiro vinho – No dia da minha confirmação da fé católica, Crisma,  fui atraído pela promessa de um belo relógio e de dinheiro, que de fato recebi em segredo de minha avó. Na verdade, era bem pouquinho já que ela ainda contava em franco antigo. O vinho foi um Morgon. Mal comecei a beber e me senti alegre demais e tive que me sentar. Estava radiante. Meus pais eram da Lorena, fronteira belgo-alemã, e a adega deles era repleta de vinhos da Alsácia e Borgonha.

Céline Villars Foubet do Château Chasse-Spleen esposa de Jean-Pierre Foubet.

Minha harmonização preferida – Um vinho de Bordeaux bem encorpado com um queijo Camembert da fazenda, daqueles que seriam proibidos de entrar em solo americano, com uma bisnaga bem morena.

Minha região de produção preferida – Eu amo as uvas syrah do norte da Côte du Rhône como Hermitage e Saint Joseph. Os sabores são para mim exóticos, azeitonas pretas, perfume de “garrigue” e notas minerais, sem os defeitos dos vinhos de regiões quentes. Como exemplo citaria um Hermitage de Jean Louis Chave, 1988.

Minha melhor safra – Até o momento a de 2005. Seu nariz é de After Eight e cereja preta. Sua estrutura é muito bem integrada e com grande volume.

Fachada do château Chasse Spleen. (fotos divulgação)

 

Se meu vinho fosse um personagemJohn Cleese (foto Wikipédia), membro do Monty Python, grupo de comediantes ingleses. Sempre chic mas sabendo ser desconcertante. Chasse-Spleen nunca seguiu a moda do vinho. Ele é desconcertante por não seguir o modismo: uva super madura, vinho amadeirado e muito alcoólico. Ele é desconcertante, pois não temos medo do tanino e nem da acidez necessária ao equilíbrio. Ele é chic, pois envelhece com uma notável complexidade, sempre preciso.

Onde encontrar: Belle Cave, Mistral e nas boas casas do ramo.

Santé.

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