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Como montar uma adega de vinhos?

Nem todo mundo, especialmente no Brasil, tem o hábito de ter uma grande adega em casa. Aqui na França é muito normal seja no subsolo, seja uma climatizada do tipo “Eurocave”. Alguns prédios chegam mesmo a oferecer um local individualizado que serve tanto para guardar vinhos como outros objetos. A condição mínima para a guarda é estar ao abrigo da luz e não ser um local quente. Definido o padrão de conservação o que colocar dentro da adega?

O gosto de cada um vai nortear as escolhas, o perfil e quantidade de convidados que você recebe também são importantes. O componente mais importante é o seu bolso. Ele é determinante. Tomada a decisão de montar uma adega não vá correndo comprar todas as garrafas. Primeiro defina o que precisa e depois vá garimpando as oportunidades do mercado. É sempre prazerosa esta busca.

Vinho com pedigree é sempre uma boa escolha, aqui o Bordeaux by Boyd-Cantenac importado pela Grand Cru.

 Vamos separar por cores. Tintos (40 a 50%), Brancos (20 a 25%), Rosés (10 a 20%), espumantes (10 a 20%) e vinhos doces (5%).  Pense em ter os vinhos para o dia a dia, aqueles que você toma numa refeição sem se perguntar muito, aqueles que vão harmonizar com um prato que você gosta e os vinhos para grandes ocasiões. Vinhos para festa compre na hora ou pesquise oportunidades antes do evento. Estes não são, em geral, vinhos para você colocar na adega. Claro, sempre depende do seu orçamento e do nível dos vinhos que você vai servir na festa.

Ah, só franceses na adega.  Combinado? Afinal, o blog é francófilo assumido. Entre os tintos tente em ter uns AOCs de custo benefício que façam bonito. Isto é um Petit Château de Bordeaux , um Côte du Rhône Villages, um Languedoc, Cahors, Bergerac isto é , vinhos que não vão passar de cem reais e que nos bons sites e supermercados hoje vão estar entre 40 e 80 reais. Esqueça vinho de menos de 40 para colocar na adega, esses são para consumo imediato. Se você busca vinhos que dão um pouco mais de prazer abra a carteira e busque algo entre 100 e 150.  Um Vacqueyras, Lirac, Tavel, Petit-Chablis, Mâcon, Fronsac, Crémant,… Aqui você vai ter prazer e sua mesa realmente vai ter algo diferente. Para as grandes ocasiões abra o bolso e tenha na sua adega um vinho que impressione. Com certeza ele vai sair por mais de 150, mas escolhendo bem ele vai valer cada gota. Escolha um Morgon, Médoc, Saint Émilion, Corbières Boutenac, Limoux, Pic Saint Loup, Champagne,… o céu é o limite.

 

Além do preço o estilo é importante. Um branco leve ou rosé para a beira da piscina, um rosé de Tavel para acompanhar pratos leves, um tinto leve de uva Gamay como o Beaujolais ou o Coteaux Bourguignon para ter um tinto de verão. Estes são uma ótima pedida para quem não abre mão de tintos nem mesmo nos dias mais quentes do ano. Já para o inverno pense em vinhos com mais corpo e estrutura. Além das regiões clássicas como Bordeaux e Borgonha tente descobrir as denominações comunais do Languedoc como Corbières, Minervois ou Fitou, do Loire pense num Chinon para tintos e no Muscadet para os brancos secos (não confunda com Muscat que é doce), do Rhône conheça o Costières de Nîmes, do Sudoeste Madiran, Saint Mont e Buzet. Se quiser bolhas as opções são muitas e as melhores são os Crémants e a Blanquette, sempre método tradicional. Os vinhos doces podem ser bebidos no aperitivo, bem gelados e com uma azeitona decorando, ou acompanhando sobremesas. Ssugiro Muscat de Saint Jean de Minervois, de belo frescor e o Banyuls, um primo do Porto. Uma dica é optar por um vinho com a assinatura de um grande château ou de um grande produtor. Esta é sempre uma garantia de qualidade.

O Bourgogne Pinot Noir da Pascal Bouchard, importado pela Barrinhas, é um clássico da denominação.

Ah, as sugestões, os preços e as regiões não são exaustivas, apenas apontam alguns caminhos. Pesquise nos bons sites, supermercados e delis. Ouça seu sommelier preferido. Aproveite as ofertas e as analise com cuidado. Evite rosés com mais de três anos, pois podem ter perdido o frutado. Esta regra não vale para um Tavel, que pode ter uma vida um pouquinho mais longa. Se for um vinho de uma denominação de Bordeaux ou mesmo uma sub-região do Languedoc envelhecido em barris de carvalho arrisque, mesmo se já tiver mais de 5 anos. Os bons vinhos são aqueles que possuem vida longa. Santé.

 

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