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Uma taça de prosa com Thibaud Marion do Domaine Seguin-Manuel na Borgonha

Tenho 48 anos, sou de Beaune na Borgonha. Diplomado pela Escola Superior de Comércio de Bordeaux e possuo um Brevê Profissional de Responsável de Produção Agrícola. Antes de me integrar na empresa da minha família, trabalhei em Paris numa agência de comunicação de 1993 a 1997 onde estava encarregado da estratégia de mídia para os clientes. Depois de sete anos no Domaine Chanson Père e Fils, na época ainda propriedade dos Chanson, fui dirigir a propriedade da família o Domaine Seguin-Manuel, em 2004. O ampliei e hoje sou o diretor e vinificador.

 

Meu primeiro vinho – Na verdade eu não tenho muitas lembranças, mas as fotos podem testemunhar que com poucos meses no dia de meu batismo, umas gotas de um delicioso néctar da Borgonha foi colocado sob os meus lábios e que eu as sugava com prazer e mostrava uma certa precocidade na minha atração pelo vinho. Tive de esperar meus 16 anos para que uma nova emoção vínica aflorasse. Foi quando meu pai me serviu uma taça de Corton-Vergennes, 1969, de um vinhedo do meu tio. Foi assim que comecei minha iniciação!

Minha harmonização predileta – Essa eu chuto para escanteio. Quem diz harmonização predileta diz prato favorito. Acontece que enquanto gastrônomo eu amo muitas receitas diferentes e eu ainda não desenvolvi um algoritmo que me diga “com este prato eu vou servir este vinho”. Mas existem alguns pratos que dão realmente água na boca. Com um tamboril à Armoricaine um bom Mersault vai dar conta do recado. Um magret de canard (peito de pato) na frigideira vai se harmonizar com um Givry 1er Cru ainda jovem. Já para uma paleta de cordeiro eu vou pedir um Beaune “ Champimonts” maduro que será um regalo!

Minha região preferida – Isso é pegadinha? Eu digo sem hesitar a Borgonha. Se eu disser outra coisa iria parecer que estou renegando minha região que me viu nascer e crescer, que me mata a sede e que é meu ganha pão hoje…de certa forma um reconhecimento do ventre, não é verdade? Em parte, sim, eu tenho também muito prazer em beber um Cabernet Franc do Loire, um Riesling da Alsácia, um Cru do Rhône ou um belo château bordalês… eu assumo perfeitamente meu chauvinismo francês.

Meu vinho favorito – Resumir tudo em um só vinho é não valorizar a enorme diversidade dos Crus da Borgonha! Direi então qual vinho me impressionou fora da Borgonha e da França. Trata-se do californiano Ridge Monte Bello, 1985, que tive a chance de degustar às cegas. Sem a influência da etiqueta achei este vinho de uma plenitude e harmonia que são as marcas dos grandes vinhos.

Minha melhor safra – Um Beaune ”Champimonts” 1er Cru 2015. O vinho se vendeu tão rápido que eu tive poucas oportunidades de degustá-lo. Mas a cada vez que a chance de o apreciar seu equilíbrio global me impressionou.

Capa do livro de Van Gogh – obras completas

Se meu vinho fosse um personagem – Com toda humildade eu escolheria Vincent Van Gogh! Não pelos seus afrescos, mas por sua interpretação do mundo que ele fez através de suas telas. Cada objeto se integra no todo e nos deixa ver uma harmonia suprema. Na minha pequena posição de vinificador eu tento, por pinceladas sucessivas, interpretar o que os elementos naturais nos dão. Dessa soma de “eu não sei bem o quê” nasce um conjunto coerente e vibrante que suscita emoções quando levamos a taça aos lábios.

Santé.

 

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