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Caem os preços dos Grands Crus de Bordeaux 2017

A campanha de Bordeaux Primeurs 2017 terminou com preços e volumes para baixo, o motivo foi a geada que complicou a produção e as vendas. A disparidade entre os châteaux, mais ou menos atingidos pelos caprichos da natureza, foi determinante na quantidade ofertada e nos preços propostos. Veja a coluna de 28/4 para saber quais os 40 importantes châteaux que não produziram vinho em 2017.

Após duas safras com volume e qualidades excepcionais, 2015 e 2016, constata-se este ano uma queda nos preços de -3 a -25% em relação ao ano anterior. Segundo o sindicato dos Courtiers (corretores) de Bordeaux os Crus Classés do Médoc tiveram queda de -8 a -11%. Assim, boas oportunidades se apresentaram como a do Château Cheval Blanc Grand Cru Classé A de Saint Émilion, que em 2016 com pontuação 97/99 de Neal Martin, então no guia de Robert Parker; saiu por 552€ e este ano por 432€ e nota 93/95 do mesmo crítico, que agora está com Antonio Galloni no site Vinous, mostra queda de 21% no preço. Já James Suckling, ex-Wine Spectator, pontuou 97/98 para a safra 2017 e 98/99 a de 2016.

Com queda de 120€ entre 2016 e 2017 Cheval Blanc foi uma barbada na campanha de Primeurs 2017.

O sistema de Primeurs consiste na venda antecipada, antes do envelhecimento do vinho que dura de 18 a 24 meses, por um preço menor do que aquele que será proposto quando o vinho estiver pronto para ser comercializado. O sistema permite aos grandes châteaux de Bordeaux vender antecipadamente cerca de 80% da sua produção aos negociantes, que por sua vez os revendem aos importadores e distribuidores. A campanha começa em abril e termina no final de junho.

Este mercado representa apenas 5% do volume dos 6000 châteaux que formam o vinhedo bordalês, mas estes são os de maior prestígio, qualidade e notoriedade. O mercado é bem diferente de um Cru a outro. As marcas fortes tiveram bastante êxito, as menos sólidas tiveram mais dificuldade e tiveram que diminuir a margem ou vender durante um período mais longo durante a campanha, explica Yann Jestin vice-presidente do sindicato dos corretores.

Os negociantes tiveram mais dificuldade para vender aos distribuidores e importadores a safra 2017, após duas safras excepcionais onde os clientes estavam ainda bastante estocados. Esta boa safra é menos especulativa o que fez diminuir o interesse de americanos e ingleses, compradores tradicionais. Por outro lado, novos clientes como os asiáticos garantiram o resultado de muitos negociantes. Os grandes vinhos esgotaram rapidamente. Mas as vendas continuam e se a campanha formalmente acabou as vendas não pararam, assegura Christine Janvier do negociante L.D. Vins.

No Brasil os compradores tiveram um outro componente a afugentá-los: o câmbio. A forte queda do Real, o câmbio incerto no futuro e a conjuntura totalmente indefinida deixaram o mercado nacional muito nervoso. Afinal, os pagamentos são antecipados e ninguém tem bola de cristal para saber se com este câmbio está comprando barato ou caro para uma venda que começará somente em 2020. Santé.

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