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Château Grand Moulin faz do enoturismo uma ferramenta de marketing e vendas

No verão os châteaux e domaines abrem suas portas aos visitantes. Sejam turistas de passagem, moradores do entorno, frequentadores e amigos. Na França a estação estival faz com que as pessoas saiam de casa e busquem o sol. O dia termina tarde e o sol vai se pôr lá pelas dez da noite. Enquanto a colheita não entra no seu ritmo frenético os vinhateiros aproveitam para ganhar um extra com o enoturismo. Afinal, nada melhor do que vender sem intermediários a bom preço e criar novos embaixadores, como nos ensinam as boas regras de marketing.

 

Le 49.3 é um Vin de France que qualidade que cabe em qualquer ocasião. (fotos divulgação)

Os eventos pequenos e grandes pipocam em todas as regiões produtoras. Bem pertinho de casa acontece toda quinta-feira o jantar do Château Grand Moulin, da AOP Corbières. O Jean Nöel Bousquet produtor emblemático de Lézignan-Corbières, minha cidade, organiza um jantar que oferece entrada, prato principal, queijo e sobremesa por modestos 22€ e tem direito ao vinho do aperitivo à vontade, até o momento de ser iniciado o serviço. Você pode escolher qualquer das cores. Não precisa se limitar ao branco e ao rosé, como manda o figurino. As mesas são colocadas entre as cubas inox de vinificação. Cerca de 150 pessoas se deliciaram com a bisteca, o prato de resistência, aqui chamada de côte de boeuf. Uma verdadeira instituição do churrasco francês. Evidentemente a churrasqueira era alimentada por cepas de videiras que conferem à carne um gosto especial. Os vinhos eram vendidos ao preço da lojinha do Château, ou mesmo mais barato para facilitar o troco.

Carignan, Syrah e Grenache é o corte do La CSG também um Vin de France.

 

Enquanto a brigada do traiteur contratado servia as mesas o cliente ia ao balcão, eles têm um amplo bar para fazer o serviço de degustação, e escolhia seu vinho. Dois vinhos tintos descomplicados faziam sucesso o Le 49.3 e o La C.S.G. O primeiro é uma alusão a um recurso presidencial para impor a aprovação de uma lei  sem submetê-la ao voto do parlamento e CSG é a abreviação de Contribuição Social Generalizada, um imposto similar ao Cofins no Brasil. O Le 49.3 é um vinho que serve para qualquer ocasião e La CSG é o corte Carignan, Syrah e Grenache. Este tem um vermelho violáceo profundo, aromas de frutas negras, alcaçuz e possui  bom corpo. Já o Le 49.3 é um vinho frutado com aromas de pequenas frutas vermelhas e bem fácil de beber. Como o artifício legal pode se impor em qualquer ocasião. Custavam no jantar apenas 8€.

Já foi o top da casa, mas segue em alto nível.

 

Na hora em que a bisteca enorme chegou optei por um vinho mais tradicional o Terres Rouges (terras vermelhas) alusão a uma parcela do terroir de Lézignan, próximo ao vilarejo de Conilhac-Corbières, que tem esta cor e onde uma parte das vinhas estão plantadas. Quando fiz minha visita técnica ao Grand Moulin em 2005, durante minha formação em enologia, este era o vinho top da casa. Hoje existem ainda dois Corbières-Boutenac,  no alto da pirâmide. Por 10 euros você recebia um vinho de corte Syrah e Grenache de parcelas selecionadas, com envelhecimento de 12 meses, sendo 1/3 do vinho em barris franceses e 2/3 em cubas de inox. Terres Rouges vai ter uma nota de baunilha que não vai esconder os deliciosos aromas de frutas vermelhas e negras maduras, nem as especiarias. De bela elegância este vinho é encorpado e tem um final longo. Um vinho que você pode guardar mais de dez anos. Na saída Jean-Noël Bousquet se despedia de cada conviva personalizando o evento e captando novos embaixadores. Seus vinhos ainda não estão disponíveis no Brasil. Santé.

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