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O vinhedo francês votou na direita mostra estudo de esquerda

Nesse momento de colheita das uvas na França a Fundação Jean Jaurés, um think thank de esquerda, encomendou um estudo ao Instituto Francês de Opinião Pública, IFOP, sobre o resultado das eleições presidenciais de 2017 que colocou no segundo turno uma França rural pró Front National, FN, extrema direita, e a França das metrópoles de Emmanuel Macron, o candidato do centro.

O voto de Bordeaux, Bourgogne, Champagne, Beaujolais ou do Midi não é uniforme. Na Borgonha quem leva a melhor é o candidato da direita François Fillon, Les Républicains, sua votação vai de 30% no norte em Aloxe Corton a 56,7% em Volnay mais ao sul, um recorde. Na Côtes de Nuits Fillon faz seus melhores resultados com 50% em Vosne- Romanée. Nas comunas onde se concentram os Grands Crus Fillon lidera com folga. A extrema direta tem votação importante nos vilarejos rurais onde não há mais produção agrícola.

Mais a denominação de origem possui prestígio mais o voto dela é para a direita, são vinhedos que ganharam com a mundialização, explica o estudo. Ele barra o voto da extrema direita. O FN vai ter maior presença onde o terroir se vende com maior dificuldade e é menos lucrativo. É o caso de Rully et Saint Véran.

Votos de François Fillon e Marine Le Pen no primeiro turno nos vilarejos do Marne classificados Premier Cru. (Fonte Fundação Jean Jaurès)

Na Alsácia Fillon lidera com tranquilidade. Já no Beaujolais apesar de Fillon estar quase sempre na frente de Marine Le Pen vem coladinha. Na região de Champagne o efeito terroir é menos importante. Mesmo assim Fillon vence nos 16 vilarejos classificados como Premier Cru e em Reims. Já Marine Le Pen leva em Épernay.

Na região bordalesa a comparação entre o Médoc e Saint Emilion e seus satélites também mostra diferenças. No Médoc grandes grupos financeiros investem e controlam as propriedades e châteaux de maior prestígio. Já na margem direita os vinhedos estão ainda com muitos pequenos produtores. Eles irrigam a economia local e aqui Fillon prospera. No Médoc que utiliza mão de obra externa, prestadores de serviço subcontratados para trabalhos temporários, o FN lidera.

A queda do consumo do vinho na França nos últimos 50 anos teve repercussão importante no vinhedo que no passado era responsável pelo vinho industrial, o vinho das massas populares. O Languedoc Roussillon, principal vinhedo francês, situado no chamado Midi vermelho perdeu nos últimos 45 anos 43% da sua área plantada. O número de cooperativas caiu de 550 para 200 em 2012. Essas estruturas são o elemento principal da identidade de esquerda no Midi vermelho. Vai ser exatamente nestes vilarejos que o FN vai colher mais votos. Mas aqui ela rivaliza com Jean-Luc Mélenchon o candidato da extrema esquerda. Ele ganha nos terroirs de altitude e Marine nos da planície. Estes tiveram um aumento de população vindas de outras regiões, a construção de polos comerciais e conjuntos residenciais. Aqui desemprego e imigração são preocupações que fizeram com que Le Pen ganhasse. O Midi vermelho passa a ter uma cor bem desbotada, mostra o estudo da Fundação Jean Jaurés. Santé.

 

 

 

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