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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Uma taça de prosa com Charles Philipponnat da Maison Philipponnat em Champagne

Tenho 56 anos e não sou enólogo. Estudei Direito, Economia e Ciências Políticas. Meu pai era chef de adegas em Champagne, meu avô materno fazia rolhas de Champagne. Sempre trabalhei no mundo do vinho e do Champagne. Aprendi tudo do vinho e do Champagne fazendo. Em 2000 voltei para nossa antiga propriedade familiar em Mareuil sur Aÿ e passei a dirigir o Champagne Philipponnat. (foto divulgação Maison Philipponnat)

Meu primeiro vinho – Foi com meus parentes, claro. Fui batizado com uma gota de Champagne na ponta do dedo, como é a tradição por aqui, mas realmente não me recordo. Minha primeira lembrança remonta a quando tinha 4 ou 5 anos e de molhar um biscoito champanha no fundo de uma taça de vinho tinto do meu pai. Era um Côte du Rhône, sem dúvida, esse era seu vinho do dia a dia. Posteriormente aos 14 anos, num dia de domingo, quando meu pai abria um belo vinho, provei o tinto Château Montrose, onde meu pai atuou como consultor. Eu devia ter 14 anos. Mais tarde ainda eu descobri a Borgonha. Foi um Beaune-Grèves e os Musigny do Domaine Georges de Vogüé.

 

O Gruyère suíço AOC  produzido na região homônima situada no cantão de Fribourg. A foto é um detalhe de um cartaz publicitário que promove a Denominação de Origem Controlada deste queijo. (divulgação)

Minha harmonização predileta – O Champagne e o queijo! Antigos blanc des blancs harmonizo com queijos de massa dura como Comté ou Gruyère, falo do verdadeiro da Suíça. Com Champagnes onde domina a Pinot Noir gosto de queijos de massa mole com a crosta lavada como o Münster, Maroilles ou ainda um Langres.

Minha região preferida – Saindo da Champagne eu aprecio o Pinot Noir, especialmente o borgonhês, pois esta uva extraordinária é também a nossa em Champagne e exige um equilíbrio perfeito entre corpo e fruta, entre suavidade e frescor, sem tender para a oxidação nem para a redução. Degustá-lo e entende-lo é sempre um aprendizado. Também gosto de beber os Rieslings secos, aromaticamente tão diferentes das uvas champanhesas, mas tão similares em termos de estrutura, acidez, textura e intensidade. Mas bebo igualmente outros vinhos, procuro me manter muito eclético.

Meu vinho favorito – É impossível responder a esta questão! Que chatice ter de tomar todo dia a mesma coisa. Na Champagne além do Clos de Goisses, ao qual minha vida é dedicada há 20 anos, amo o respeito do belo classicismo mais que centenário de Pol Roger. Na Borgonha eu tenho uma queda pelo estilo carnudo e frutado do Domaine Méo-Camuzet e, como disse antes, pelos Musigny em geral, eu sei não é difícil… Sem esquecer dos Riesling, os alsacianos sobre um solo de granito e os alemães ensolarados sobre um solo de xisto, como logo ali, mais a oeste em Rüdesheim.

Minha melhor safra – Essa é fácil de dizer: 2008. Um ano excepcional que caiu tão bem ao Clos de Goisses, expressivo, muito longo e cheio de vivacidade. E mais particularmente a parcela “Les Cintres”. Eu sou ainda mais orgulhoso de ter tido êxito no ingrato ano de 2001, que eu apresentava em degustações às cegas e que todos achavam que era do ano de 2002, bem melhor.

Se meu vinho fosse um personagem – São João Evangelista apresentando o Cálice, de El Greco.

 

Quadro El Greco O Evangelho de Saint Jean, museu do Prado. (reprodução)

O Blog segue com o tema Champagne até o final das festas. Santé.

 

 

 

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