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Jornal do Brasil

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Uma taça de prosa com Arnaud Thomassin do Château de France, Péssac-Léognan

Arnaud Thomassin – Tenho 49 anos e nasci em L’Isle Adam na região parisiense. Me formei em viticultura e enologia no Beaujolais! Sou tecnólogo de nível superior tenho um BTS, Brevê Técnico Superior.  Nessa época eu morava no monte Brouilly, região do Beaujolais e terroir do Cru homônimo. Sempre que vejo um Broully na carta de um restaurante eu peço. Me traz sempre boas lembranças. Fiz meu estágio nos Hospices de Beaujeu, no Beaujolais. Terminei meus estudos em 1992. No ano seguinte fiz meu serviço militar na Gendarmerie que aqui equivale à Polícia Militar. Foi nesse período que eu degustei pela primeira vez o Château Haut Brion! Não me lembro mais da safra. Já em 1994 eu fui para a propriedade familiar o Château de France, que na época era dirigido por meu pai, Bernard, falecido em 2013 (Nota do Conexão Francesa: já participei de uma deliciosa e simpática degustação com Bernard Thomassin na antiga loja do Club de Tastevin, na Av. Almirante Barroso no Rio, do François Dupuis).  Minha primeira safra foi a de 1996. Uma safra muito boa com a Cabernet Sauvignon bem madura. Um belo vinho de guarda. Hoje sou o diretor geral do Château de France que é situado em Péssac, na denominação de origem Péssac-Léognan.

 

Vista do Château de France em Péssac, Bordeaux. (foto divulgação)

Meu primeiro vinho – Eu tinha 12 anos e meu pai me fez provar um vinho branco da Alsácia, Gewurztraminer, colheita tardia, que tinha uma boa dose de açúcar residual, da Cave d’Eguisheim. Eu bebi toda minha taça. Era tão bom e a taça tão pequena…

Minha harmonização predileta – Uma bisteca de Bazas (uma carne com Indicação Geográfica Protegida) com um Crozes-Hermitage do Domaine Michelas Saint Jemms, do vilarejo de Mercurol no norte do Rhône.

Minha região de produção preferida – Côte Rôtie, também no norte do Rhône. Um vinho incomparável. A Syrah, novamente ela, em todo seu esplendor. É um vinho com um belo frescor e muito complexo.

Meu vinho favorito – Château de France 2014

Minha melhor safra -Eu diria o 1996. Foi a minha primeira vez. Como este vinho é enorme.

Nelson Mandela durante a campanha Dê um minuto da sua vida para parar a AIDS. (foto divulgação Nações Unidas)

Se meu vinho fosse um personagem – Nelson Mandela: aberto, generoso, longevo,…

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Château Grand Moulin faz do enoturismo uma ferramenta de marketing e vendas

No verão os châteaux e domaines abrem suas portas aos visitantes. Sejam turistas de passagem, moradores do entorno, frequentadores e amigos. Na França a estação estival faz com que as pessoas saiam de casa e busquem o sol. O dia termina tarde e o sol vai se pôr lá pelas dez da noite. Enquanto a colheita não entra no seu ritmo frenético os vinhateiros aproveitam para ganhar um extra com o enoturismo. Afinal, nada melhor do que vender sem intermediários a bom preço e criar novos embaixadores, como nos ensinam as boas regras de marketing.

 

Le 49.3 é um Vin de France que qualidade que cabe em qualquer ocasião. (fotos divulgação)

Os eventos pequenos e grandes pipocam em todas as regiões produtoras. Bem pertinho de casa acontece toda quinta-feira o jantar do Château Grand Moulin, da AOP Corbières. O Jean Nöel Bousquet produtor emblemático de Lézignan-Corbières, minha cidade, organiza um jantar que oferece entrada, prato principal, queijo e sobremesa por modestos 22€ e tem direito ao vinho do aperitivo à vontade, até o momento de ser iniciado o serviço. Você pode escolher qualquer das cores. Não precisa se limitar ao branco e ao rosé, como manda o figurino. As mesas são colocadas entre as cubas inox de vinificação. Cerca de 150 pessoas se deliciaram com a bisteca, o prato de resistência, aqui chamada de côte de boeuf. Uma verdadeira instituição do churrasco francês. Evidentemente a churrasqueira era alimentada por cepas de videiras que conferem à carne um gosto especial. Os vinhos eram vendidos ao preço da lojinha do Château, ou mesmo mais barato para facilitar o troco.

Carignan, Syrah e Grenache é o corte do La CSG também um Vin de France.

 

Enquanto a brigada do traiteur contratado servia as mesas o cliente ia ao balcão, eles têm um amplo bar para fazer o serviço de degustação, e escolhia seu vinho. Dois vinhos tintos descomplicados faziam sucesso o Le 49.3 e o La C.S.G. O primeiro é uma alusão a um recurso presidencial para impor a aprovação de uma lei  sem submetê-la ao voto do parlamento e CSG é a abreviação de Contribuição Social Generalizada, um imposto similar ao Cofins no Brasil. O Le 49.3 é um vinho que serve para qualquer ocasião e La CSG é o corte Carignan, Syrah e Grenache. Este tem um vermelho violáceo profundo, aromas de frutas negras, alcaçuz e possui  bom corpo. Já o Le 49.3 é um vinho frutado com aromas de pequenas frutas vermelhas e bem fácil de beber. Como o artifício legal pode se impor em qualquer ocasião. Custavam no jantar apenas 8€.

Já foi o top da casa, mas segue em alto nível.

 

Na hora em que a bisteca enorme chegou optei por um vinho mais tradicional o Terres Rouges (terras vermelhas) alusão a uma parcela do terroir de Lézignan, próximo ao vilarejo de Conilhac-Corbières, que tem esta cor e onde uma parte das vinhas estão plantadas. Quando fiz minha visita técnica ao Grand Moulin em 2005, durante minha formação em enologia, este era o vinho top da casa. Hoje existem ainda dois Corbières-Boutenac,  no alto da pirâmide. Por 10 euros você recebia um vinho de corte Syrah e Grenache de parcelas selecionadas, com envelhecimento de 12 meses, sendo 1/3 do vinho em barris franceses e 2/3 em cubas de inox. Terres Rouges vai ter uma nota de baunilha que não vai esconder os deliciosos aromas de frutas vermelhas e negras maduras, nem as especiarias. De bela elegância este vinho é encorpado e tem um final longo. Um vinho que você pode guardar mais de dez anos. Na saída Jean-Noël Bousquet se despedia de cada conviva personalizando o evento e captando novos embaixadores. Seus vinhos ainda não estão disponíveis no Brasil. Santé.

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Moulin Rouge lidera consumo com 240 mil garrafas de Champagne por ano

O cabaré mais famoso do mundo, o Moulin Rouge de Paris, é o maior consumidor de Champagne do mundo. O Champagne é a bebida oficial da casa e são consumidas anualmente 240 mil garrafas por ano. Com seus 900 lugares, sempre ocupados, a casa oferece uma carta de Champagnes e vinhos franceses de alta qualidade. O serviço é garantido por uma brigada de 120 profissionais: maîtres d’hotel, chefes de setor e garçons. É a maior da França. A cozinha é gastronômica e preparada no local pelo chef David Le Quellec e seus 25 cozinheiros. Dançarinas, dançarinos, cantores, acrobatas, contorcionista e outros artistas fazem no palco um belo e empolgante espetáculo. 400 pessoas trabalham no Cabaré e garantem a sua noite desta que brilha desde 1889.

 

As Doriss Girls em cena. ( fotos Moulin Rouge)

Você não vai ao Moulin Rouge, somente para tomar Champagne. Jantar e dançar na pista antes dos artistas entrarem em cena são momentos encantadores, não perca. Você vai se sentir como no filme homônimo de Baz Luhrmann ao entrar na pista e dançar com sua Satine e ver o famoso Cancan do cabaré onde as dançarinas cantam e gritam, com voz alta e forte, a cada grande movimento. Existem diversos magníficos momentos no espetáculo, mas o clássico dos clássicos é French Cancan. Este que é o mais famoso do mundo é executado pelas belas Doriss Girls.

A revista Féerie acontece em dois espetáculos por dia, 365 dias por ano, executados por 60 dançarinas e 20 dançarinos . A decoração Belle Époque do salão é idêntica àquela em que Nicole Kidman e Ewan McGregor contracenaram. Quando se chega em Montmatre, na Place de Clichy você vê a fachada do moinho vermelho iluminada tal qual no cartaz do filme.

O Champagne La Cuvée Brut de Laurent-Perrier é servido em garrafa ou meia garrafa no balde de prata. (Foto RR)

Os ingressos incluem meia garrafa de Champagne por pessoa por apenas mais 10€ (R$ 44). Na carta os Champagnes começam a ser vendidos a 90€ (R$ 396). Os primeiros da lista, mas nem por isso inferiores, são o Delamotte Brut e Duval-Leroy Brut. Seguidos de Laurent-Perrier La Cuvée, Louis Roederer Brut Premier, Taittinger Cuvée Prestige e Charles Heidsieck Brut Réserve por 98€ (R$ 435). Uma verdadeira tropa de elite nos primeiros preços. A 105€ (R$ 466) Bollinger Spécial Cuvée, Billecart-Salmon Brut (Réserve Moulin Rouge) e Gosset Grande Réserve Brut. A 120€ (R$ 532) Taittinger Prélude e a 130€ (R$577) Duval-Leroy Cuvée MOF. Os 700 baldes do serviço são todos de prata e vem com um pouco de gelo no fundo, peça mais.

O French Cancan é um dos pontos altos do espetáculo Féerie.

As Champagnes de Prestígio são em geral safradas como a Louis Roederer Brut Nature Starck por 200€ (R$ 888) e Bollinger 1999 e 2004, La Grande Année, por 300€ (R$ 1332). Dom Pérignon 2009 e Henri Abelé Cuvée Le Sourire de Reims saem por 380€ (R$ 1687).  Dentre as Blancs des Blancs destaque para D. Ruinart 1990 a 430€ (R$ 1910) e Salon “S” safra 2002, 450€ (R$ 2000).  Fechando a lista das brancas tem a Louis Roederer Cristal, 2002, 2004, 2005 ou 2006, por 550€ (R$ 2442). As Rosés começam com 110€ (R$ 488), passando por uma Perrier-Jouët Belle Époque Rosé por 380€ (R$ 1688). Fechando a lista a D. Pérignon Rosé 2005 por 650€ (R$2886).

As Doriss Girls no camarim

Os vinhos começam a 70€ (R$ 310) com um Château Lagrange, Graves, 2016, Château Larose de Gruaud 2012, o segundo vinho do Gruaud Larose sai por 80€ (R$ 355) e Château Clerc Milon 2004, GCC de Pauillac sai por 110€ (R$  488). A seleção de grandes Bordeaux tem ainda seis grandes vinhos e destaco aqui Château Léoville Poyferré, GCC de Saint Julien, 2003, por 200€ (R$888), Pichon Longueville Comtesse de Lalande, 2004, GCC de Pauillac por 300€ (R$1322) e o mais caro e nobre Château Mouton Rothschild, 1996, GCC de Pauillac por 850€ (R$ 3774). O sommelier da casa não esqueceu as demais regiões da França. Da Borgonha tem Louis Latour, Bouchard Père e Fils, Petit Chablis do Domaine W. Fèvre, do Sul do Rhône tem Dela Frères, e da Provence o Domaine Ott e Château La Martinette. O Loire traz um Vouvray do Château Gaillard e um Sancerre do Domaine du Pré Semelé.

O chef David Le Quellec e duas Doriss Girls

Para tantos vinhos era necessário uma cozinha gastronômica e o Chef David Le Quellec, é contratado em 2015 e deixa o Café Terminus no Hotel Corcorde Opéra. Ele tem uma carreira meteórica e passagem por: Ledoyen Taillevent, a Table du Cinq no Four Seasons George V, o Four Seasons Resort Provence,  o Hotel Impérial Garoube Relais &  Château. No abaré ele passa a servir cerca de 600 jantares por dia, 365 dias por ano, no Moulin Rouge.  Ah, sua esposa é Stéphanie Le Quellec vencedora do Top Chef 2011. Santé.

Feliz Dia dos Pais

 

Serviço:

Endereço:

82 Boulevard de Clichy, 75018 Paris

Como chegar:

Pegue o metrô  e prefira as linhas 2 (Blanche), 13 (Place de Clichy) e 12 (Pigalle).

http://www.moulinrouge.fr

 

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Safra 2018 terá maior volume do que a de 2017

A safra de 2017 foi pequena em toda a França devidos aos caprichos da mãe natureza. Já 2018 com as boas chuvas de maio e junho e o calor do verão promete uma colheita bem maior. Mas nem tudo é alegria. Fortes ataques de míldio, especialmente no sul da França, que prejudicou sobretudo os que conduzem o vinhedo em modo orgânico, e um tanto de granizo e geada tiraram a alegria de alguns produtores. A produção vai ser maior e a safra promete ser de boa qualidade. Em consequência devemos ter menor pressão sobre os preços.

As videiras possuem raízes que podem chegar a 40 metros de profundidade.

O forte calor das últimas semanas na França tem prejudicado os cerais e outras lavouras. Mas a uva ama o sol. Suas raízes profundas encontram a água a dezenas de metros da superfície. Vamos aguardar e ver como vai ser a colheita que já está começando em algumas regiões. Somente ao final poderemos ter um balanço mais preciso. Santé.

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O Grand Bistro causa sensação no verão parisiense

Garry Dorr deu uma sacudida no menu dos seus quatro Grandes Bistros e no Bistro des Deux Théâtres, em Paris, ao chamar os gêmeos Jacques e Laurent Pourcel, chefs triplamente estrelados de Montpellier, para assinar um menu de verão dos seus restaurantes. Grand Bistro tem uma cozinha que o francês chama de “bistronomic”, isto é um Bistro gastronômico. A carta de vinhos é ampla e contempla muitos países. Elaborada por Maxime Barraud, sommelier do ano 2017 da Wine Spectator. Além de garrafas oferece 22 vinhos na taça. Vai do Champagne ao Languedoc passando pelo Vale do Loire e Borgonha.

Os irmãos Purcel, chefs estrelados de Montpellier (foto divulgação)

Fui no Grand Bistro de Breteuil que é bem decorado, tem grande espaço e bonita adega no final do salão. Tem na sua carta garrafas de vinho de 19€ (R$83), um IGP d’Oc do Domaine Nicole até um Pavillon Rouge do Château Margaux 2005 por 249€ (R$ 1095). Para quem está acostumado a tomar um Chardonnay de Paul Mas no Brasil, trazido pela Decanter, pode pedir a taça que sai por apenas 5€ (R$22). Tem para todos os bolsos. Bistro é assim.

Bacana é que o menu não mudou de preço com a chegada dos irmãos Pourcel. O menu tudo incluído sai por 44€ (R$194) e o sem bebidas sai por 35€ (R$154). Veja tudo que tem na oferta. O aperitivo é uma taça de Kir Royal (Champagne mais licor de cassis) ou um americano acompanhado com torradas e tapenade (pasta de azeitona). Depois você pode escolher entre 9 entradas – provamos três de cada -, 8 pratos principais e 9 sobremesas assinadas aqui por Ihlan Moudnib, Master Chef e vice-campeão mundial de pâtisserie. Para fechar a conta Ihlan propõe também o café o café gourmet, é o café acompanhado de mini sobremesas. A fórmula parece estar agradando, afinal a frequência dobrou em relação à do ano passado.

Magret de pato é um dos destaques do novo menu de verão. (fotos Rogerio Rebouças)

Madame M. e eu tomamos o Kir Royal. A tapenade estava muito bem-feita. Depois degustamos três entradas: sardinha marinada no sal e seu caviar de berinjela, posta de salmão defumado e creme de ruibarbo e a entrada do dia burrata com pesto de rúcula. A sardinha veio num molho de tomate com aniz, pimentão, tomate e beldroega também chamada no Brasil de salada de negro. O molho estava muito interessante. O salmão defumado cortado em fatia grossa faz uma grande diferença na boca e na apresentação. A compota de ruibarbo tinha limão e mostarda à l’ancienne decorada com pequenas folhas de espinafre. Delicioso. A burrata era de muita qualidade e saborosa veio com um molho pesto de rúcula, ananás zebra (variedade de tomate criada por Tom Wagner), azeite de olivas perfumado com manjericão. Tudo muito bem equilibrado.

Um dos bons vinhos da carta é o Bordeaux B de Maucaillou.

Descobrimos três dos pratos principais dos irmãos Pourcel e vimos passar para a mesa ao lado um belo brochete de vieiras e camarão vg que estava de dar água na boca. Atum meio cozido com duo de alcachofra, crocante de trilha com tomate em compota e tiras de magret de pato nas peras formaram nosso trio de resistência. A trilha tinha no molho uma base de creme de leite e cebolinha, caviar de berinjela, tomate confitado, cebola grelhada, beterraba e a trilha estava dentro de folha de brick, massa mais fina que a de pastel). O meio cozido de atum e seu purê de alcachofra de berrigule, maçã na grelhada e alcachofra crua completando o duo. O pato suculento tinha um cozimento perfeito, o que valorizou a carne, o pêssego cozido quase ao ponto, era acompanhado de um gratin dauphinois perfeito. A casa tem fritas secas e crocantes como manda o figurino. Acompanhamento ideal do steack tartare. Afinal, Bistro sem fritas não existe.

Para harmonizar na taça você tem como várias boas opções como o Sancerre de Thierry Merlin Cherrier para o que vem do mar. Eu optei pela terra e fui de B de Maucaillou 2016, um Bordeaux Superior. Château Maucaillou é um Moulis em Médoc, que vale um Grand Cru Classé e nesse preço é vendido. O seu Bordeaux, o primo mais em conta, é intenso, sedoso, longo e com aromas de frutas vermelhas e pretas maduras com notas de baunilha e especiarias. Um vinho com estirpe.

Champagne Ayala faz parte da elite

A sobremesa também veio em dose tripla de degustação. O mil folhas dos anjos é uma tentação de grande tamanho. Enorme e deliciosa. A torta fina de maça com sorvete é um clássico. A salada de frutas de época é apresentada sobre um leito fino de abacaxi. Tudo lindo e perfeito. Harmonizei com uma taça de Champagne Ayala Brut Majeur. Esta Maison é uma das grandes referências de Champagne. A uvas vem de parcelas Premier Cru e Grand Cru com 45% de Pinot Noir, 30% de Chardonnay e 25% de Pinot Meunier e tem 3 anos de envelhecimento na adega, o que lhe confere grande complexidade. Belo frescor e mineralidade num estilo aéreo. Fechou com louvor o almoço “bistronomic” de alta qualidade assinados pelos chefs Pourcel. Santé.

 

 

 

 

 

Mil folhas dos anjos vem no tamanho grandes prazeres.

 

Serviço:

Grand Bistro Breteuil
3, place de Breteuil
Paris 7ème

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Uma taça de prosa com Laurent Fortin do Château Dauzac – 5° Cru Classé de Margaux

Laurent Fortin – Nasci na região parisiense por acaso, minhas raízes estão no Aveyron, departamento francês famoso por produzir o queijo Roquefort. Estudei numa escola de Comércio, Marketing & MBA. Trabalhei nos Estados Unidos e no Sudoeste francês. Sou diretor do Château Dauzac, Grand Cru Classé da Denominação Margaux desde 2013. Onde tenho feito um trabalho de renovação com uma abordagem de proteção ao meio ambiente.

Meu primeiro vinho – Claro, foi um vinho do Aveyron. Era um Marcillac, da casta Fer Servadou (também conhecida pelos nomes de Braucol, Pinenc e Mansois) produzido de um vinhedo plantado por meu bisavô. Um vinho rústico com aromas de frutas vermelhas.

Minha harmonização predileta – Um grande Sauternes com um Roquefort da fazenda.

Minha região de produção preferida – Margaux evidentemente, vinhos refinados, que se apoiam na fruta-  cassis e framboesa – de taninos sofisticados e longos na boca.

Meu vinho favorito – Sem hesitação um Screaming Eagle, um grande Cabernet Sauvignion do Napa Valley.

Minha melhor safra – Château Dauzac 2015.

Se meu vinho fosse um personagem – Um cavalheiro fazendeiro, culto, refinado tendo pleno conhecimento do seu terroir.

Santé.

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Taittinger desbanca Veuve Clicquot e assume liderança do mercado brasileiro

Pela primeira vez uma marca do grupo Louis Vuitton Möet Hennessy, LVMH, não está no topo das marcas de Champagne mais vendidas no Brasil. O Champagne Taittinger assumiu a pole position provisória do ranking dos últimos 12 meses segundo estudo da Ideal Consultoria. Taittinger era o terceiro colocado e vinha com uma grande taxa de crescimento. A líder histórica do mercado nacional sempre foi a Veuve Clicquot, salvo em 2016 quando esteve no topo a Möet & Chandon, também da LVMH.

Desde que foi lançada pela Interfood no Brasil em 2013 a marca vem conquistando o mercado e agradando ao público apreciador dos melhores Champagnes. Se Taittinger cresceu mais 43,5% nos últimos 12 meses do estudo da Ideal (junho a maio 2017 X junho a maio 2018) Möet & Chandon caiu 46,2% e Veuve Clicquot 59,7%, em valor. Em volume Taittinger cresceu 33,7%, Möet caiu 48,4% e Veuve Clicquot 60,5%. Outras marcas também estão crescendo como Perrier Jouet com mais 81,5%, Montaudon mais 7,8%, Louis Roederer mais 29,9%, Piper Heidsiek mais 66,7% e Nicolas Feuillate mais 712%, mas o volume destas é muito pequeno se comparado à queda das duas principais marcas do grupo LVMH. O mercado está menor e em mudança.

Taittinger Champagne oficial da FIFA , lança série limitada durante a Copa do Mundo. (fotos divulgação)

O segredo deste sucesso nos conta Rafael Martins gerente de marketing de espumantes e do grupo Remy Cointreau na Interfood, importadora exclusiva de Taittinger, nos conta que “o rejuvenescimento da marca através de ações de branding como apoios, patrocínios e parcerias com marcas de luxo e eventos exclusivos tem sido o foco. A grande alavanca estratégica para iniciar este processo de rejuvenescimento foi o fato da marca, em 2013, ter fechado o acordo com a FIFA para ser o Champagne Oficial da Copa do Mundo em 2014 no Brasil e em 2018 na Rússia”, disse.

Para Rafael Martins o “mercado brasileiro está mais maduro, especialmente nas capitais e na região Sudeste, mas ainda temos muitos mercados para melhorar e amadurecer, principalmente para o Champagne. Taittinger está presente em bares, restaurantes, supermercados e lojas especializadas, estes são primordiais para o posicionamento da marca e para o contato com o consumidor final. Uma grande participação nas vendas decorre de eventos sociais e corporativos, ensina.

É este amadurecimento que vai permitir a entrada de outros grandes produtores de Champagne no topo do ranking brasileiro e dar esta sacudida no mercado. A Perrier Joüet já ocupa o 3° lugar em volume deixando Veuve Clicquot em 4°. O market share hoje está assim divido entre os que possuem dois dígitos: Taittinger 21,9%, Möet & Chandon 20,2%, Perrier Joüet 20,5% e Veuve Clicquot 15,2%.

Duas marcas que atuam pela internet estão ganhando mercado, Montaudon, a submarca do grupo Jacquart, que ocupa o 5°lugar com 5,6% de parte de mercado e a recém-chegada, com menos de 3 anos no Brasil, Nicolas Feuillatte, líder na França, já alcançou 2,1%. Todas as demais estão abaixo de 2%.

A família Taittinger com o pai Pierre-Emmanuel, ao centro, o filho Clovis e a filha Vitalie.

A nova líder do mercado tem uma característica que remete aos grandes châteaux de Bordeaux “ela ainda é controlada pela família Taittinger. É a única grande Maison de Champagne que não pertence a um grupo. Por isso a imagem e a qualidade da marca estão muito ligadas às pessoas que fazem parte e dirigem a empresa como Pierre-Emmanuel Taittinger, presidente, e seus filhos Clovis e Vitalie Taittinger, explica o gerente de marketing da Interfood. Na zdorovie !

Observação: Os números da Ideal se referem aos dados de importação. (7/6/2018)

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Trilha com vinhos e alta gastronomia em La Clape no Languedoc

No último domingo participei do XV Sentiers Gourmands em La Clape Vinhateiro, uma trilha apetitosa no sul da França. Foram 9,5 km de marcha acompanhados da boa cozinha do chef Marc Schwall, Cuisiniers Cavistes de Narbonne, dos bons vinhos da denominação e de um lindo dia ensolarado na beira do Mediterrâneo. Cheguei com um grupo às 11:45 e pegamos em seguida nosso kit para a trilha: chapéu de palha, taça de vinho, caderneta com os nomes dos vinhos e roteiro, lápis e os tickets para cada prato do programa. Tudo dentro de uma bolsinha tiracolo para pendurar no pescoço. 1450 pessoas pagaram 56€ para participar do evento. Era forte a presença de ingleses e belgas.

Participantes retiram os seus kits no Château Pech-Céleyran em La Clape.

A primeira parada era pertinho do Château Pech-Céleyran, nosso ponto de partida. Bastaram 250 metros e ostras da ilha Saint Martin em Gruissan e um gaspacho Andaluz com pão frito e olivas em compota nos esperavam. Para degustar tínhamos seis vinhos sendo quatro brancos e dois rosés, onde destaco dois brancos. Château La Negly, Brise Marine, 2017, que foi muito bem com o gaspacho, importado pela Grand Cru. E o branco da cooperativa Cave de Gruissan, La Clape, 2017, que com seu frescor e aromas fez bom duo com as ostras. Em La Clape os vinhos brancos têm na Bourboulenc e Grenache branca as uvas dominantes, mas também são importantes a Marsanne, Roussane, Clairette, Rolle (Vermentino na Itália) e Picpoul, além de outras complementares.

Vista da tenda onde foi servido o prato principal.

Subimos a colina e aproveitamos a bela vista que nos oferecia de um lado os arredores de Narbonne, vinhedos e do outro o Mediterrâneo. Atravessamos umas parcelas de vinha e após uns vinte minutos de marcha e muito bate papo chegamos na segunda etapa do percurso. Uma entrada fria nos aguardava. Era um Entremelé de tourteau (siri gigante) e camarão num molho vinagrete de maracujá, muito bom. Aqui tivemos quatro brancos, um rosé e um tinto. O branco Classique do Château d’Anglès 2016 é um vinho de grande qualidade. O proprietário é Eric Fabre, ex-diretor técnico de Lafite Rothschild. Importado pelo Supernosso de BH.

O La Clape branco da Cave de Gruissan sendo servido.

Seguimos avançando com nosso grupo e chegamos na entrada quente. Era um delicioso raviole de pato confitado acompanhado de um minestrone de legumes, molho de vinho da uva grenache e um tomme de ovelha ralado. Quatro tintos e um rosé se apresentaram. Me chamou a atenção o Château Capitoul, Rocaille, 2016, que agora gira em torno do grupo Bonfils um dos grandes players do Languedoc. Os tintos têm nas uvas Syrah, Grenache e Mourvèdre sua base. Carignan e Cinsault são utilizadas de forma complementar.

Mais uma boa marcha, outra colina e chegou a vez de comermos um feijão branco com uma linguiça de porco preto ao torresmo. Delícia para matar a fome acompanhado do habitual pedaço de pão. Este é obrigatório nas refeições francesas. Aqui tinha mesa e conseguimos sentar na sombra. Que beleza. Os bons vinhos, seis tintos e um rosé, faziam a alegria dos participantes. Muitos destaques e cito aqui Château Rouquette sur Mer com sua Cuvée Amarante, tinto, 2015. A propriedade fica debruçada ao Mediterrâneo na antiga ilha de La Clape. Isso mesmo na época galo-romana era uma ilha, hoje está unida ao continente. Este vinho de Jacques Boscary é o ADN do Château. É o AOC mais em conta da casa, mas o que melhor expressa o terroir. Château Mire l’Etang, 2016, Duc de Fleury e o L’Intrus, 2016, do Mas de Soleilla (importado por Casa do Vinho do Armando Martini em BH). Outro bom vinho é o do Domaine Sarrat de Goundy, Le Planteur, tinto 2016. O Rosé Domaine d’Angel 2017 fez bonito.

 

Penúltima etapa antes do retorno ao ponto de partida nos levou a um queijo de cabra da fazenda, isto é, não pasteurizado, La Chamoise. Para escoltá-lo três brancos e dois tintos. O branco da Abbaye des Monges, Augustine, 2016, é produzido por um amigo, Paul de Chefdebien, nesta abadia cisterciense que data de 1202, do qual nos resta a capela Nossa Senhora dos Olieux. O vinho tem um corte de Bourboulenc (60%) e Rousanne e seu nariz é floral. Na boca frutas brancas e cítrico, tônico e com bom frescor. Um par perfeito para o queijo de cabra.

Ao final da trilha todos os vinhos do evento podiam ser novamente degustados ou comprados ao preço Château.

Descendo a colina voltamos ao Château Pech-Celéyran para sobremesa e café. Como na denominação não tem vinho doce ou espumante, a mousse de chocolate que estava dentro de uma casca de ovo, o petit gâteau e a compota de framboesas tiveram de se contentar com água e café Lavazza. Outra opção é o participante recomeçar a degustação ao som de bandas de música por todo o entardecer. Santé.

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Festival de Cannes é um grande negócio para alimentos e bebidas

Os eventos aumentam em muito o consumo habitual de alimentos e bebidas nos hotéis. O departamento de A&B tem nos eventos uma fonte muito importante de faturamento. Na verdade, ele não se limita a servir café da manhã, refeições e bebidas aos hóspedes. Os salões, quando bem trabalhados, são fundamentais. No caso de Cannes, onde demos números na coluna anterior, mostram a força dos eventos.  O Festival de Cannes não se limita a um concurso para escolher os melhores filmes, atrizes, atores, roteiros e companhia. Se fosse isso seria apenas mais um dia na alta temporada. É o maior evento da indústria cinematográfica mundial. Em paralelo acontecem encontros que geram negócios, muitos negócios.

Ilha de queijos na Praia Majestic.

O Marché du Film é o mais importante centro de negócios do cinema reunindo 12000 profissionais sendo 3200 produtores, 1200 vendedores, 1750 compradores e 800 programadores de festivais. Percebeu que não tem ator e diretor na lista? Tem que alimentar esse povo todo. O hotel Majestic Barrière recebeu nesta última semana os profissionais do Marché. Foi lá na praia Majestic onde além do píer o hotel tem um restaurante que se debruça sobre as areias do Mediterrâneo. Ostras, queijos, canapés, vinhos e champagnes em profusão mantiveram o clima de negócio animado. Nas fotos abaixo e com os números que dei fica fácil acreditar que se consomem 18500 garrafas de vinhos e espumantes em 12 dias além de toneladas de alimentos. Santé.

 

Milhares de ostras vão ser consumidas no Majestic durante o Marché du Film. (As fotos são uma cortesia da produtora brasileira Mares Filmes.)

Os convidados no píer Majestic se servem de canapés.

Taças de vinho esperam os participantes no final do píer. 

 

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Château Croix Mouton é um grande vinho a preço bem comportado

Jean Philippe Janoueix é a quarta geração de uma família que sabe produzir e vender vinhos. As origens remontam a 1867, mas será em 1930 que seu avô Joseph comprará a primeira propriedade Château Haut Sarpe e posteriormente La Croix e La Croix Saint Georges em Pomerol. Seu pai Jean François expande as propriedades adquirindo outros châteaux na margem direita. Em 1994 o caçula Jean Philippe pilota o Château Chambrun de apenas 1,7 hectares em Pomerol, lá as propriedades são pequenas mesmo, e se destaca. O seu sucesso permite buscar outras aventuras e possuir alguns ícones da margem direita como Château La Confession, Saint Émilion Grand Cru, e Château La Croix Saint Georges em Pomerol. Parker o considera um belo produtor e suas notas estão em geral acima de 90 nestes dois vinhos, chega a atingir 93 em 2010 no de Saint Émilion e 93+ com o Pomerol em 2012. Além de possuir outros bons vinhos em áreas nobres como Sacré Coeur também em Pomerol, Cap Saint George em Saint Émilion e Cap D’Or na denominação satélite Saint Georges Saint Emilion.

A cada ano a fonte e a cor da letra M mudam marcando a diferença entre as safras do Château Croix Mouton.

Além destes grandes vinhos Jean Philippe tem ainda outras belas propriedades que buscam produzir vinhos que não necessitam de um longo de envelhecimento para se ter prazer. Não necessitam, mas podem envelhecer por vários anos. Falo de 20 Mille, Château Le Conseiller e Château Croix Mouton todos em Bordeaux Supérieur. Vou me restringir a este último pois é facilmente encontrado no Brasil.

 

Dionísio Chaves sommelier bicampeão brasileiro, degusta atrás das garrafas os vinhos de J.P. Janoueix

Duas safras distintas estão no mercado neste momento. A rede carioca Zona Sul selecionou Château Croix Mouton 2010 e a escolha do sommelier consultor Dionísio Chaves não se deu apenas porque o ano foi fantástico, mas por também estar pronto para beber e no seu apogeu. Um dos critérios da seleção de toda a linha Reserva Especial. O preço é R$ 129,60. Já a Evino, site de vendas on line, optou pela safra 2014 um ano dito clássico, isto é, bom sem ser excepcional, e está hoje sendo vendido a R$ 127,90. Para Robert Parker o 2010 do talentoso Jean Philippe é um “excepcional de uma denominação modesta” (outstanding wine from a humble appellation) e sapecou 90 pontos. Foi Neal Martin quem provou 2014 no guia americano e o defende de quem o considera de estilo moderno alegando que é equilibrado e potente. Deu 87 pontos e pode ser bebido agora ou dentro de alguns anos. Críticos diferentes e anos diferentes. Mas sempre com patamares altos de notas.

Com os vinhos de Jean Philippe Janoueix a certeza é que mesmo em denominações mais modestas o rigor no cultivo, na seleção das uvas e na vinificação estão presentes. A uva dominante é a merlot, a densidade chega a atingir 6600 pés por hectare, o rendimento é inferior a 46 hl/ha, quase igual ao do La Confession  que tem 42, idem para o período na cubas. A idade das vinhas é de 39 anos quando em La Confession é de 40. Outro terroir e outras características, mas um grande vinho por um preço bastante justo para os padrões brasileiros. Santé.

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