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Jornal do Brasil

Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

George ” Star Wars” Lucas adquire château na Provence

O cineasta americano George Lucas, acionista majoritário de Lucas Skywalker Vineyards, adquiriu em grande sigilo o Château Margüi, que data do século XVIII, na Provence. A notícia foi publicada no último domingo no jornal local Var-Matin, mas a venda foi realizada em abril. Os valores não foram oficialmente revelados, mas segundo o prefeito do vilarejo de Châteauvert, Serge Loudes, o montante foi de 9,5 milhões de euros. A propriedade tem mais de 100 hectares sendo 15 em produção na denominação Côteaux Varois em Provence, produzindo brancos e rosados. A Provence está na moda em Hollywood. Em 2013 Angelina Jolie e Bradd Pitt compraram o Château Miraval.

O cara de Star Wars e Indiana Jones vai investir 15 milhões de euros na modernização da propriedade e na construção de um espaço hoteleiro que vai permitir a realização de eventos e encontros empresariais. Para isto a câmara municipal teve de fazer uma pequena alteração na legislação de urbanismo local. Após dois anos de obras o Château Margüi vai gerar entre 20 e 30 empregos para o vilarejo. George Lucas é também proprietário na Califórnia e na Itália. Segundo a revista Forbes sua fortuna está avaliada em 4,9 bilhões de dólares.

Skywalkers Vineyrads é dirigida por Angelo Garcia e o enólogo é Scott McLeod. O antigo proprietário, Philippe Guillanton vai assegurar a transição para a Skywalker Vineyards. Ainda neste verão os rosés e brancos já estarão disponíveis nos EUA. Que a Força esteja com ele. Santé.

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Diga não ao terrorismo. Hoje só vinho espanhol.

 

Os jornais de esporte espanhóis não falaram de futebol hoje. Estão cobertos de razão. O momento é de repúdio ao terror islâmico e de solidariedade às vítimas. Um ato simbólico para quem está distante é abrir uma garrafa de vinho espanhol. Santé.

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Château Joanin Bécot é feito com amor – 4****

Na etiqueta apenas o nome do Château, do produtor e a safra. Château Joanin Bécot é um vinho de Juliette Bécot. A mesma produtora do Premier Grand Cru Classé de Saint Émilion Beau Sejour Bécot, faz parte da tropa de elite da margem direita. Um Bordeaux com estirpe.

A denominação de origem consta somente na contra etiqueta: Castillon Côtes de Bordeaux. Essa AOC faz parte da região de Libourne (Libournais) tal qual Saint Émilion e Pomerol. Com menos prestigio e renome do que estas duas mais famosas vai oferecer vinhos de qualidade a preços bem em conta. Tal qual Fronsac e os satélites de Saint Émilion.

Este vinho é produzido numa pequena parcela de 12 hectares situado na comuna de Saint Philippe D’Aiguilhe e seu terroir é o do planalto de Saint Émilion(!) com um solo argilo calcário com depósitos marinhos. Propício a oferecer vinhos de guarda. As vinhas possuem mais de 35 anos, a seleção parcelar é rigorosa, com baixo rendimento, apenas 35hl/ha, colheita manual, tripla triagem dos bagos e desengaço. O corte é merlot 75% e 25% Cabernet Franc. Como todos os vinhos elaborados pela muito simpática Juliette Bécot é feito com amor (Made with Love), menção que consta na contra etiqueta.

 

Juliette Bécot produtora do Château Joanin Bécot.

O resultado deste 2014 é um vinho apetitoso, com aromas de frutas vermelhas e pretas maduras, com muitas especiarias, muito bom frescor, bem equilibrado e elegante, a crítica francesa gosta dele e eu também. Pode ser bebido agora mas tem potencial para 15 anos. 4****. Por aqui custa 15,95€ (R$60) no supermercado Auchan. Santé.

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Ótimos Bordeaux com pedigree

Com os preços dos Grandes Vinhos de Bordeaux nas alturas e mesmo de alguns segundos vinhos mais badalados, algumas propriedades de prestígio passaram a produzir sob o guarda-chuva genérico de Bordeaux alguns vinhos muito interessantes. Já havíamos comentado aqui no blog sobre os brancos secos de produtores de Sauternes. Hoje vamos ver alguns Bordeaux elaborados com o esmero de grandes Crus a preços bastante acessíveis.

A estratégia de ter um vinho que leve o nome do château, mas que possa atingir um público mais amplo tem tudo para dar certo. No campo do marketing é importante que a diferença entre o irmão mais nobre seja nítida, isto é, que não se venda gato por lebre. Porém é também necessário que o prestigio emprestado ao vinho de uma denominação menor, seja Bordeaux, Bordeaux Superior, Côtes de Castillon ou mesmo um Médoc tenha na taça o DNA da família. O que tenho visto justifica a aposta.

Durante a Vinexpo conheci o D de Dauzac, o Bordeaux do Grand Cru Classé de Margaux Château Dauzac. 2015 foi a primeira safra do D, que apesar de ser um vinho que não necessita ser guardado anos a fio antes de ser aberto, é feito dentro do ritual técnico do Margaux, isto é, como vinho de gente grande. Já estou com uma amostra da safra 2016 que será engarrafada em meados de Setembro. Depois eu conto.

Em julho quando estava no Japão me deparei com um vinho muito interessante Château Chapelle d’Alienor by La Gaffelière, 1° Grand Cru Classé de Saint Émilion, aqui é a assinatura que garante a qualidade. Este Bordeaux Superior é muito interessante.  Na mesma linha existe o Ronan By Clinet, do Château Clinet no Pomerol.

Um que me encantou e que aos meus olhos é realmente uma grande opção é o Moulin d’Issan, do Château Issan, 3° Grand Cru Classé de Margaux. Produzindo este Bordeaux desde 2004 este vinho tem tudo para alegrar os paladares mais exigentes que não queiram pagar o preço do vinho principal ou do segundo vinho deste château de Margaux. É vinho para fazer sucesso nas boas mesas de restaurantes de São Paulo e Rio. Tive a oportunidade de degustar este vinho com diferentes sommeliers que atuam no Brasil. Massimo Leoncini da Grand Cru é um que adorou este vinho. Longo, sedutor, com frutas maduras e boa complexidade com taninos finos e suaves. Harmônico expressa muito bem a uva merlot que domina no corte.

A curiosidade é que o Moulin de Issan fica ali mesmo em Margaux , mas nas zonas onde as terras são inundáveis e, portanto, não se beneficia da famosa e cara denominação. Em 2012 O Château Issan foi adquirido por François e Jacky Lorenzetti que possuem também os renomados Château Pedesclaux em Pauillac e Lilian Ladouys em Saint-Estèphe. Só fez melhorar. Santé.

 

 

 

 

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Verão no Corbières – Château Haut Gléon

De volta ao meu recanto aproveito para acompanhar a agenda de eventos de verão dos vilarejos e dos produtores de vinho. É nessa época que o povo vai para a rua ao encontro de festas, eventos e degustações. Os turistas estão por todo lado. Inglês e alemão são idiomas que ouço com muita facilidade nesta época do ano seja nas feiras, mercados, bares ou nos restaurantes do Corbières, Languedoc no sul da França.

Uma das referências do Corbières obteve 91 pontos no guia de Robert Parker.

Na sexta-feira passada o Château Haut Gléon, um dos melhores produtores da denominação Corbières, organizou uma noitada com direito a visita da adega, pequena degustação, jantar e música ao vivo. No menu a tradicional paella, que atesta a influência catalã, departamento vizinho, que tornou este prato uma das preferências do verão no Languedoc. Plano B mexilhões com fritas, um clássico das brasseries francesas. O Château Haut Gléon, uma pepita do terroir de altitude do Corbières, foi comprada recentemente pelo grupo Foncalieu, numa iniciativa para melhorar sua imagem e lhe dar um brilho de qualidade. Foncalieu é uma grande estrutura de cooperativas que é mais conhecida pela produção de vinhos regionais, mas que também está presente na AOP Saint Chinian no Languedoc, no Rhône e na Gasconha, terra do famoso mosqueteiro D’Artagnan.

Durante minha formação em enologia, nível técnico, fiz uma visita ao Château e tive a oportunidade de degustar toda a linha que é muito consistente. A safra 2014 do Corbières tinto obteve 91 pontos de Jeb Dunnuck, para o guia de Robert Parker e medalha de prata no Sommelier Wine Awars. A garrafa diferenciada é uma característica da casa. De vez em quando ele aparece na minha mesa e a qualidade está sempre presente. O Château tem uma pequena e boa produção de azeite. Santé.

 

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Entre tapas, vinhos e história em Tarragona.

O verão por aqui está quente e ensolarado. Ontem na minha cidade, Lézignan-Corbières, a temperatura atingiu 37°C. Verão é sinônimo de férias e aqui realmente muita coisa para nesta época. As empresas dão férias coletivas. Até o seu Manuel da padaria (obrigado Seu Jorge) fecha as portas e vai à praia. Semana passada fui à Tarragona, na Espanha, que fica no sul da Catalunha à 1 hora de carro de Barcelona.

No período romano foi a capital da Hispania e se estendia por quase toda a atual Espanha. Suas magníficas ruínas estão inscritas no patrimônio mundial da Unesco. Aquedutos, fórum, anfiteatro, … E bem ao lado do Anfiteatro tem uma série de barzinhos e restaurantes que me fizeram a alegria.

Ruínas da época romana em Tarragona.

Fui no Tabularium um bar simples, mas onde tudo é fresco e preparado no local. Nada de congelados que se compram em lojas especializadas em fornecer pratos semi-prontos para restaurantes. Os preços interessantes e a carta de vinho suficientemente ampla para atender em taça ou em garrafa. Optei por passear entre as ofertas na taça e beliscar diversos tapas. Lulas, batatas bravas, presunto cru e pão com tomate.

Comecei com o Titella do Priorat, depois o Vinã Pomal, crianza 2014 da Rioja, e um Val Aranda crianza da Ribera del Duero do mesmo ano. O Priorat era o de maior estrutura, o Rioja era fácil de beber e agradou bastante com os tapas. O Val Aranda também é um bom vinho de taça. Os preços na taça iam de 2,20€ a 3,30€. As garrafas iam de 12,50 a 30 euros. Tudo alegria. Santé.

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Champagne tem previsão de venda recorde em 2017

 

No último dia 21 os vinhateiros e as “Maisons” de Champagne decidiram que o rendimento este ano será de 10800 kg/ha sendo 500 kg da reserva Champagne. Esta decisão se deu baseada nas perspectivas agronômicas favoráveis que estimam a colheita entre 10 e 11 mil kg por hectare. O rendimento comercializável de 10800 kg/ha oferecerá condições de atender a uma demanda crescente  do mercado. No primeiro semestre deste ano as vendas cresceram 2,9%, puxados por uma alta da exportação que cresce globalmente 9% especialmente fora da Europa. O que deixa prever um ano recorde para as vendas de Champagne, afirma Thibaut Le Mailloux diretor de comunicação do CIVC, Comitê Champagne. Santé.

Foto CIVC.

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Champagne terá uma das cinco safras mais precoces de sua história

O clima quente que se instalou em Champagne a partir de meados de maio vai fazer com que a região tenha sua colheita no final de maio. A evolução das vinhas mostra um amadurecimento antecipado de dez dias em relação à média da década. O vinhedo está verde e são. Será uma das cinco mais precoces de toda a história do vinhedo champanhês, assegura Thibaut Le Mailloux diretor de comunicação do CIVC, ou simplesmente, Comitê Champagne. Santé.

 

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Como escolher um bom sake sem saber falar japonês

Estive no Japão na última quinzena e a bebida nacional atraiu a minha curiosidade. Cada vez que ia ao restaurante um leque de opções de sake se apresentava nas diversas cartas. Nos supermercados, aqui os minimercados dominam a paisagem, sempre ficava a admirar as garrafas de sake sem nada entender. Indo visitar o museu do pintor Katsushika Hokusai (1760-1849), famoso pela sua onda, em Obuse, região de Nagano, passei em frente à sede do produtor Masuchi-Ichimura Sake Brewery, ou simplesmente Masuchi. Nagano possui 87 produtores, é o segunda maior concentração de “brasseurs” do Japão logo atrás de Niigata com 97 e empatado com Hyogo.

Equipe do produtor de sake Masuchi em Obuse, Japão. (foto: site oficial)

Masuchi é uma “ brasserie” artesanal que utiliza tonéis de madeira e não de inox. Além da sede possui um hotel, lojinha e restaurante, no melhor estilo enoturismo. Na verdade, o sake é bebido como um “vinho” de arroz, e possui classificação como os vinhos. Sua fermentação é chamada de múltipla fermentação paralela.

Bom vamos ao que nos interessa saber na hora de escolher um sake na prateleira ou no restaurante. Isto é saber ao menos como evitar um sake de mesa (como no vinho evitar o vin de table) e beber um AOP, isto é, um sake especialmente classificado. O futsu-shu é o sake de mesa, a parte inferior da classificação, pois possui ingredientes que não são autorizados para os sakes especialmente classificados. Este tem uma taxa de polimento do arroz superior a 70% e contém mais de 10% de álcool adicionado. A taxa de polimento é fundamental na determinação da qualidade. Quanto menor a taxa maior a qualidade. 70% é o limite alto, 60% você já tem algo bem legal e abaixo de 50% é a elite.

O rótulo traz muitas informações, mas sempre em japonês, o que dificulta bastante, ao menos para este colunista. O grau alcoólico dá para ser percebido, no alto à esquerda do rótulo. Geralmente entre 15 e 17 graus. Importante é a informação de que o sake é 100% da mesma variedade. Se tem a taxa de polimento é também um bom sinal. A densidade indica se o sake é seco, meio seco ou doce. O ponto de referência é zero, baixo de zero é doce, acima é mais seco. Tem muitas outras informações, mas tudo em japonês e, sinceramente, não ajuda. Com esta já dá para escolher.

O sake pode ser bebido gelado, na temperatura ambiente ou quente. De 5°C a 50°C. Para esquentar o sake coloque ele em banho maria até atingir 50°C. Santé.

Créditos: Cameraman – Eric Rebouças

Intérprete – Danieli Nakamura

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Faleceu Nicolas de Chevron Villette da Abadia de Fontfroide

Estava no Japão semana passada quando recebi a notícia do falecimento do meu amigo, jurado do nosso blog e responsável pelos vinhos da Abadia de Fontfroide. Foi no dia 10 de julho aos 57 anos que ele partiu deixando sua esposa Laure, também membro de nossas degustações e três filhos em idade escolar.

Nicolas durante degustação de champagnes em dezembro 2016.

Nicolas morava em Paris e já havia trabalhado na Maison Pommery, em Champagne, quando se mudou para a Abadia com sua esposa em 2004. Ela herdeira do co-proprietário da Abbaye de Fontfroide, veio com Nicolas assumir a direção do restaurante, do vinhedo e da abadia propriamente dita. Esta é a maior atração turística privada do departamento do Aude. O desafio era enorme. Rentabilizar e revitalizar Fontfroide, a abadia que já deu um Papa para a Igreja.

Para assumirem o vinhedo tiveram de passar pelos bancos da escola técnica CFPPA do Quatourze em Narbonne. Foi lá que eu os conheci. O curso durava dois semestres e eles chegaram no semestre anterior ao meu.

Cheio de ideias e projetos para a propriedade e para o restaurante, a parte que lhe cabia na gestão daquele latifúndio. Conseguiu colocar em outro patamar os vinhos da abadia. Todo ano recebia a medalha de ouro no respeitado Concours Général Agricole de Paris , foram tantas que tiveram de lhe dar o prêmio de excelência para seus AOP Corbières. Mas não foi apenas neste que seus vinhos foram reconhecidos. A bíblia do consumidor francês, o guia Hachette de Vinhos, lhe conferiu as 3 estrelas, a nota máxima, que o qualifica como vinho excepcional, nas safras 2004 e 2011 do Deo Gratias, seu vinho de referência. Mas os vinhos mais básicos, isto é, os Corbières tradicionais, que não passam em barricas como o Ocellus, que era importado pela Wine Mundi, recebia sempre 1 ou 2 estrelas nas diversas cores. Deo Gratias 2010 recebeu 86 pontos de Jeb Dunneck, do guia Parker.

Em dezembro ele esteve lá em casa e me levou uma amostra da nova safra de um ícone, a Cuvée Cloture, com menos de 4000 garrafas produzidas nos grandes anos. – “Guarde para tomar daqui há alguns anos, esse é para ser a imagem da excelência da Abadia”. A garrafa segue na adega esperando.

Formado na ESSEC, uma das grandes escolas de comércio da França, Nicolas se reconverteu profissionalmente. Ou melhor nunca deixou o comércio, seja na boutique da Abadia vendendo para os turistas, seja no mercado francês onde distribuía para restaurantes e delis. Mas também na exportação. Passou também a gerir a adega, acompanhar a vinificação, a colheita e gerir o restaurante. Tendo sempre Laure ao seu lado.

Nicolas no vinhedo de Fontfroide. (Foto Facebook)

Culto e muito bom orador sabia fazer análises com profundidade e pertinência. Como morava na própria abadia cisterciense, entenda-se por uma habitação austera, tinha de receber os amigos no terraço do restaurante. O fazia umas duas vezes por ano para retribuir os convites que recebia. Normalmente eram dois ou três grandes grupos temáticos de amigos. Eu me enquadrava em dois. Sempre com música francesa e brasileira, ele gostava da nossa MPB e da Bossa Nova, seus vinhos e canapés e doces feitos pelo chef do restaurante, isto é, um tradicional “cocktail dinatoire” (coquetel jantar). Deixa saudades e muitos amigos. Santé.

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