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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Chef Sinicropi faz jantar exclusivo para o júri de Cannes e serve Taittinger Prélude

Nem só de grandes eventos vivem os restaurantes durante o Festival de Cannes. Antes de tudo começar, na véspera da abertura oficial, dia 7 de maio, um jantar em petit comité, reuniu os jurados da 71ª edição no Palme D’Or, o restaurante duas estrelas Michelin, situado no primeiro andar do Grand Hayatt Hotel Martinez, na Croisette, em Cannes. O chef Christian Sinicropi, cinéfilo assumido, preparou um jantar inspirado na filmografia da presidente do júri a australiana Cate Blanchett. Justa homenagem.

“Arte requer verdade não sinceridade” legendou no prato Catherine Sinicropi. (Foto divulgação) 

Manifesto é o título da entrada, Não estou Lá, nomeou o prato principal e O Senhor dos Anéis, foi a sobremesa. Estes foram os nomes escolhidos pelo chef Sinicropi e que inspiraram sua esposa Catherine, artista plástica, a criar pratos de cerâmica originais para cada serviço. Se Manifesto é inovação e transformação a receita de Pan Bagnat mandou bem: – “A fruta se transforma em sorvete, a horta em polpa acidulada, o campo crocante leva um toque de uma erva chamada marjolaine”. Para iniciar a conversa foi servido o champagne Taittinger Prélude feito de uma assemblagem de parcelas classificadas como Grands Crus sendo 50% Chardonnay e 50% Pinot Noir. A vinosidade da Pinot Noir vai valorizar a acidez da entrada. Ainda na entrada foi servido branco Quintessence 2014, AOC Palette, do Domaine Henri Bonnau. Palette é uma micro denominação de origem da Provence com somente 42 hectares. O prato principal foi o cordeiro de Aveyron, a melhor região produtora da França, a receita se inspira no estilo country de Bob Dylan: – “Um horizonte sensorial tendo como eixo o filé da sela do cordeiro, tomilho selvagem, o pasto e o estábulo.” Foi escoltado pelo Volnay Premiers Crus Les Brouillards 2012 do Domaine Parigot. Um Pinot Noir rico e amplo e de bela complexidade. Outra opção foi um vinho italiano, afinal estamos pertinho da fronteira, Aléatico 2011 da vinícola Antinori. A sobremesa foi um crocante de morangos regionais. Aqui voltamos ao Prélude Taittinger.

  • Champagne Taittinger Prélude abriu o jantar.

A vista para o Mediterrâneo é um convite para se debruçar na varanda do Palme d’Or, ver o mar, o pôr do sol ou estrelas desfilando na Croisette. O setor de alimentos e bebidas nos hotéis pode fazer eventos para pequenos ou grandes grupos, de luxo ou mais econômicos conforme a clientela e orçamento. Atrai com isso o público para a hotelaria e aumenta o faturamento e o glamour da casa. Santé.

Vista do terraço do restaurante Palme d’Or no primeiro andar do hotel Martinez em Cannes. (Foto divulgação)

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Veuve Cliquot bomba no festival de Cannes

Maio na França é o mês dos feriados. São quatro: 1° de maio, esse você conhece, 8 quando se comemora a vitória na II Guerra Mundial, 10 é dia da Assunção da Virgem Maria, e mais para o final do mês, dia 21, Pentecostes, descida do Espírito Santo. Esta semana foram dois como você percebeu. Um na terça e outro na quinta. O resultado é que nem campanha de Bordeaux Primeur teve. Afinal, aqui a turma enforca direto.

A rotunda do Majestic mudou de nome e agora chama-se Veuve Clicquot, nova parceira do renovado hotel Majestic.

A França que não parou é a que recebe o Festival de Cannes. O mítico evento cinematográfico faz a cidade do Mediterrâneo ferver. No hotel Majestic Barrière os números dos 12 dias do Festival são assombrosos. São 25 mil refeições servidas, 2 toneladas de lavagantes, 3 de peixes, 40 de frutas e legumes, 160 mil ovos, 50 kilos de caviar, 350 de foie gras e 800 lagostas. 18500 garrafas de vinho, sendo mais da metade de Champagne. Quem deitava e rolava era o grupo Vranken-Pommery, parceiro da casa. Este ano a parceira passou a ser Veuve Clicquot. A equipe do hotel passa de 350 a 700 pessoas. 15% do faturamento anual com o item alimentação acontece nestes 12 dias. Uma loucura. Mas o Festival não é apenas o Majestic, seu berço, mas toda uma cidade que recebe turistas, jornalistas e artistas nesta grande festa da sétima arte. Santé.

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Restaurante L’Entrecôte de Toulouse faz sucesso há 52 anos.

Estava este 1° de maio em Toulouse e passei em frente a um restaurante que sempre tive a curiosidade de conhecer. O L’Entrecôte. Curiosidade, pois nunca tive coragem de enfrentar a longa fila que se estende pela calçada do Boulevard de Strasbourg, artéria principal da cidade. Já havia ouvido comentários de que a carne era boa e tinha fritas. Neste feriado não havia fila do lado de fora. Entrei. Uma pequena fila de 12 pessoas me aguardava no interior. Não desesperei. Em oito minutos sentei. O serviço é rápido e as mesas giram diversas vezes ao longo do dia.

O tradicional contra-filé com seu molho secreto.

Olhei e não vi cardápio ou carta de vinhos. A garçonete chegou e perguntou qual o cozimento da carne que desejava. Ao ponto, mal passado ou sangrando. A carne é uma só. E não é entrecôte. É um contra-filé fatiado de 170 gramas com fritas à vontade. Enquanto não chega a carne uma salada de alface com nozes e a tradicional cesta de pão fazem o tempo passar. Perguntei pela carta de vinhos, mas a garçonete me deu o nome dos vinhos da casa. O Le Bordeaux de L’Entrecôte, com um corte Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignion,   e o Rosé de L’Entrecôt. Um terceiro vinho regional vai estar presente em cada um dos restaurantes desta pequena rede de sucesso. Em Toulouse é o Château de Saurs, cuvée La Constance, de Gaillac, uma denominação do Sudoeste. O outro rosé é o IGP d’Oc Domaine de Fontiès. Você pode pedir taça, meia garrafa ou garrafa. Provei os tintos e preferi o Bordeaux que é correto e equilibrado, já o Gaillac apresentava um certo desequilíbrio. O vinho era quente no jargão da sommellerie, isto é, o álcool estava muito presente na boca.

Château de Sours tem no seu corte as castas regionais Brocol e Duras além das badaladas Merlot e Syrah tudo em partes iguais.

Quem faz muito sucesso é o molho, mas eles não dão a receita de jeito nenhum.  Decifrei boa parte da receita secreta. O molho é à base de manteiga, mostarda de Dijon, alcaparras, aliche, uma ponta de limão siciliano e pimenta do reino em quantidade. Delicioso. Existem 5 unidades na França: Montpellier, Lyon, Nantes, Bordeaux e Toulouse, o original da rede. Este foi criado em 1962 por Henri Ginestes de Saurs que se inspira no parisiense Relais de Venise, criado por seu pai alguns anos antes. Há 56 anos a fórmula do sucesso não muda.

A tarte tatin da casa é saborosa e tem uma bola de sorvete de baunilha. (fotos Rogerio Rebouças)

A única carta é a de sobremesas muito boa e farta. Tudo feito na hora. Não é um restaurante gastronômico evidentemente, mas é de estilo familiar, bem feito e bem servido. As sobremesas custam 6€ (R$25,20) ou 5,50€ (23,10€), o menu 19€ (R$80) e os vinhos 4€ (R$17) a taça, 9€ (R$38) a meia garrafa e 16€ (R$68) a garrafa. As garçonetes se vestem de amarelo e preto e as paredes são decoradas com um tecido de estampa escocesa.

No Brasil o L’Entrecôte de Paris e o L’Entrecôte d’Olivier são amplamente inspirados no conceito francês. Os dois andam se bicando nos tribunais. Ah, se o original francês mete a colher nessa briga. Santé.

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Inédito – Safra 2017 em Bordeaux não terá 40 grandes châteaux

A campanha de Primeurs de Bordeaux começou desfalcada 40 grandes châteaux que não produziram vinhos suficientes para fazer a famosa venda antecipada. Na campanha são vendidos a melhor preço, mas com pagamento antecipado, os vinhos que ainda estão envelhecendo nos barris e que ficarão prontos somente em dois anos. A drástica decisão se acontece devido à forte geada de abril que atingiu o vinhedo bordalês em 2017. Um fato inédito que atingiu toda a região e se mostrou particularmente severa na margem direita. Como já disse aqui no blog a qualidade para quem produziu é excelente, mas quem foi atingido viu sua safra encolher e até mesmo não ter o que vinificar.

Mil magnums numeradas do Château Fleur Cardinale é tudo que restou da safra 2017. ( foto divulgação)

Stephen Carrier do Château Fieuzal, Grand Cru Classé de Graves, em Péssac-Léognan não teve condições de colocar sua produção no mercado, faltou vinho. Annabelle Cruse-Bardinet do Château Corbin, Grand Cru Classé de Saint Emilion, teve de tomar a mesma medida. Na margem esquerda não produziram este ano Haut Bergey, Doisy-Védrines, Climens e Sénejac. Veja abaixo uma relação parcial das propriedades que já informaram que não estarão participando da campanha 2018. Château Fleur Cardinale conseguiu salvar 1000 garrafas em formato magnum. Elas serão colocadas à venda na Campanha. Puro marketing já que sua produção normal é de 100.000 garrafas. Triste. Santé.

 

Lista oficial dos grandes Châteaux que já comunicaram que não estarão produzindo este ano.

VINGT MILLE No production
AMPELIA No production
FLEUR DE BOUARD No production
CHAMBRUN No production
DE FIEUZAL No production
GAZIN No production
POINTE ( LA ) No production
DASSAULT No production
ROL VALENTIN No production
TOUR DU PIN FIGEAC No production
FAURIE DE SOUCHARD No production
FLEUR CARDINALE No production
CHAUVIN No production
COTES DE BALEAU No production
GRAND CORBIN No production
GRAND CORBIN DESPAGNE No production
LARMANDE No production
LAROZE No production
CORBIN No production
LE PLUS DE LA FLEUR DE BOUARD No production
PIERRE 1er No production
LE CAILLOU No production
MONCETS No production

 

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Fusion N’ Rolls é um japa inovador com anões no jardim

Fusion N’Rolls Sushi é um restaurante com conceito inovador que desafia a cozinha tradicional Japonesa, graças ao seus maki rolls de estilo americano. Fusão que vai dar origem ao nome da casa. Situado não longe de Paris, em Bourg La Reine, o restaurante recebe em um ambiente animado com mesas no exterior. Francês adora ir para a calçada quando abre um solzinho. Garçons e garçonetes tem todos esses sorrisos cúmplices, que nascem da segurança da qualidade dos pratos que servem. O menu oferece pratos mais tradicionais (gyozas, sashimis, sushis e mochis recheados de sorvetes) e outros mais vanguardistas, porém todos são de alta qualidade, fartos e com preços razoáveis.

 

Tartare de abacate e gyozas à direita.

Devido às inúmeras escolhas, que parecem cada uma melhor do que a outra, pedi que a garçonete me explicasse o menu e recomendasse os top-sellers. Optei na entrada pelos famosos gyozas que são suculentos e crocantes (eles são ligeiramente fritos), até me disseram que haviam clientes que vinham só por causa deles! Em seguida veio um tartare delicioso de abacate, salmão com o molho especial da casa que realmente amplia a harmonia entre esses dois ingredientes.

Para o prato principal segui os conselhos que me foram dados e experimentei um roll de 10 peças de “Saumon Roll” (salmão meio-cozido por fora, cru no interior, abacate e molho do chefe), um roll de “Dragon Roll” (abacate no exterior, tempura de camarão, e um molho maionese com notas de cheddar) e para acabar um “Crunchy Roll” (tempura de camarão, surimi e abacate, isso tudo frito). Os três vêem em um prato de ardósia preta e a única maneira de descrever isso é como numa obra de arte, dá quase pena de comer, quase!

Ardósia de Saumon Roll, Dragon Roll e Crunchy Roll

O “Saumon Roll”, bem que mais clássico, mistura diferentes texturas que lhe dão um relevo particular e um refino certo. O “Dragon Roll” já é mais ousado, como uma aposta que você ganhou. Ingredientes japoneses são misturados com uma maionese que me parecia ligeiramente apimentada com notas de cheddar, definitivamente único e saboroso. E por último, o “Crunchy Roll” era o mais farto e crocante. Sua decoração, com flocos de Bonito secos que se mexem com o calor faz com que o prato pareça vivo!

O Chenin branco e seu anão do jardim

Para acompanhar tudo isso o restaurante propõe uma cerveja importada de uma pequena cervejaria Japonesa “Coedo”, da cidade de Kawagoe, e claro vinhos. Para acompanhar meus pratos de peixes e abacates nesse dia ensolarado, escolhi um vinho fresco e leve, um IGP Val de Loire, Chenin de Jardin bio de J. Mourat, 2016, 15€ (65 reais). Esse Chenin é jovem, com aromas de frutas, puro, com uma ligeira acidez que traz bom frescor e como diz na etiqueta é conduzido em modo orgânico. Seu rótulo descontraído traz um gnomo (anão) no jardim com uma taça na mão. O que em francês permite um trocadilho com anão (nain) do jardim, aqueles cafonas da branca de neve. Hilário.

A carta é curta mas atende plenamente e possui preços muito bem comportados.

Apesar de ficar longe de Paris, com o RER B em apenas meia hora do centro você pode chegar lá. O restaurante é bom e altamente recomendado pelo seu visual trabalhado e seu preço razoável. Santé. (fotos e texto Eric Rebouças)

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El Regajal tem a assinatura de Jerome Bougnaud (Pingus)

Me encantou o vinho espanhol El Regajal que provei na Alimentaria. Este projeto de origem familiar do advogado Daniel Pita com um vinhateiro conhecido, Ignacio de Miguel, vai nascer em 2001. O desafio é fazer um grande vinho numa DOC ainda pouco conhecida: Madri. Na Ribeira del Duero, Rioja ou Toro existem muitos. Madri apesar de ter grande potencial ainda precisa mostrar ao que veio. Em 2002 Daniel Pita Junior e o enólogo Jerome Bougnaud, do famoso Pingus, se juntam ao projeto. O foco é na qualidade.

Jerome Bougnaud enólogo de Pingus e de El Regajal. (foto divulgação)

O vinhedo fica em Aranjuez, ao sul de Madri e tem 16 hectares. Em 1998 foram plantadas 4 variedades de uvas: tempranillo, cabernet sauvignion, syrah e merlot. Em 2001 chegou a Petit Verdot. O vinhedo é conduzido em modo orgânico e a colheita é manual. Toda a equipe foi formada pelo craque Jerome Bougnaud, bela escolha. A vinícola El Gegajal produz  2 vinhos El Regajal e Las Retamas del Regajal.

El Regajal 2015 é um corte de Tempranillo, Syrah Cabernet Sauvignion e Merlot com envelhecimento de 13 meses em barricas. O resultado é um vinho que valoriza e muito a DOC Madri. Intenso, mas elegante, muito bem equilibrado e com complexos aromas de frutas escuras. Madeira muito bem integrada e longo comprimento na boca. Um vinho de qualidade excepcional. 4,5****

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Bons vinhos e gastronomia na Alimentaria

Terminou ontem em Barcelona Alimentaria a feira de alimentos, bebidas e serviços de gastronomia. O público desta feira não é apenas o importador de vinhos, mas também hotéis, restaurantes e supermercados. Para quem está acostumado a ver apenas vinhos esta é bem diferente. Maquete do Vaticano toda em chocolate, distribuição de torrones e outros doces no stand do fabricante, exposição de peças inteiras de boi e, claro, a churrasqueira mandando brasa, pizza no forno de lenha, carrocinha de sorvete italiano. Tudo em um ritmo de serviço non stop do 16 ao 19 de abril.

Hacienda Albae volta este ano ao Brasil com a Evino.

Como disse, o público é diferente. Muitos já se conhecem, são compradores habituais que vêm com toda sua equipe e vêm para comer. Outros ficam a distribuir guloseimas, o avanço é tão grande que as apresentadoras nem tem tempo de explicar.

Botas de Barro chegou em 2017 ao Brasil.

Mas tinha vinho sim. Grandes como Freixenet e Marquês de Riscal e outsiders como Spanish Palate. Esta trouxe vinhos das diversas vinícolas que representa como a Hacienda Albae, que já esteve no Carrefour e que volta agora pelas mãos da Evino, Botas de Barro que está com a Wine 2 You. Também tinha Barcolobo, Costa do Sol, Emilio Valério, El Regajal e Rompesedas. Este vem da denominação Toro e suas vinhas, com idade média de 80 anos, são pés francos e muitas plantadas antes da Phyloxera atacar a Europa. El Regajal é outro destaque pois tem como enólogo Jerome Bougnaud, o mesmo do ícone espanhol Pingus. Tomara que cheguem logo ao Brasil.

Muitos importadores do Brasil estavam presentes como: Zona Sul, Viníssimo, Casa Rio Verde, Vinea e Casa Fiesta. Santé.

Maquette do Vaticano em chocolate na Alimentaria.

Esta é para os amantes da carne.

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Pipi de gato é aroma de sucesso

Degustar um vinho é sempre um prazer. Na hora de beber tente apreciar suas sutilezas. Em cada gole uma oportunidade de descobrir aromas e compartilhar sensações com quem estiver dividindo a garrafa e o momento. Para alguns a identificação de cada aroma surge muito naturalmente, para outros existe uma maior dificuldade de traduzi-las. Nada impede o prazer.

Quem gosta de cozinhar vai percebendo o desfile de aromas que lhe são familiares especiarias doces, morango, mirtilho, jabuticada, cereja, ameixa… para os tintos. Para os brancos os perfumes serão de damasco, limão, pêra, pêssego fresco, abacaxi … ou ainda aromas florais de acácia, rosa, menta, pimentão, tomilho e tantos outros. Nem todos percebem tudo e cada um percebe de forma diferente certos gostos e sensações. É da natureza humana. Se quiser se aprofundar pratique, compartilhe, troque comentários ao beber ou trine com os kits de aromas. Ou apenas beba.

Tem aromas que nada tem a ver com os odores da cozinha como o couro, suor de cavalo, a pelica ou o pipi de gato. Este é uma característica de alguns vinhos brancos feitos com a uva Sauvignion.  Quando colhida um pouco verde apresenta este cheiro. Isso acontece devido à presença da molécula de mercapto butano (4MMP) que em função das suas diferentes concentrações pode trazer aromas de cassis, broto de cassis ou pipi de gato. Todos estes aromas em pequenas proporções são interessantes e agradáveis. Alguns gostam com maior intensidade e outros detestam. A cada um seu gosto.

Rótulo do vinho da neozelandesa Cooper’s Creek.

Onde achar o pipi de gato? Em vinhos de Sauvignon branca do Vale do Loire, de Bordeaux, Bergerac e mesmo da Nova Zelândia onde é muito apreciado. Tão apreciado que a vinícola Cooper’s Creek lançou a marca Cat’s Pee on a Gooseberry Bush. Jogada de marketing. Santé.

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As notas da discórdia de 20 a 100 ou América x Europa

Cada vez que comparo, e com certeza não estou sozinho nisso, as notas dos críticos americanos com as dos europeus, e franceses em particular, é a mesma confusão. Parecem as notas da discórdia. Franceses, portugueses e a inglesa Jancis Robinson pontuam sobre 20 pontos. Por que eles pontuam assim? Ora nas escolas desde pequeno as notas são sobre 20 e não sobre 10 pontos como no Brasil. As revistas americanas e, hoje em dia, a inglesa Decanter fazem sobre 100 pontos. A associação dos enólogos e dos sommeliers também usam 100 pontos. Se fosse um probleminha de 10, 20 e 100 era fácil de explicar. Bastava fazer uma proporção simples.

Os profissionais experientes já têm a tabela de pontuação na memória e intuitivamente colocam pontos para o visual, nariz e boca. Esta última é a que tem maior peso e aqui são analisados o equilíbrio, o comprimento na boca e a apreciação geral. Cada tabela vai ter suas sutilezas e diferenças. Mas o que muda mesmo são as malditas notas. A escola europeia é mais rigorosa. Sabe aquele professor que nunca dá mais de 8 para ninguém? Aqui é assim. Na França quando um vinho atinge 15/20 pontos ele é muito bom e equivale 88 a 90 pontos, dependendo do “professor”. Se você jogar isso numa conversão americana a nota seria medíocre 75 pontos!! Vinho intragável. Tem muito Champagne bom, de grandes marcas, que são avaliados entre 14 e 15 pontos. E são muito bons! Atingir 16 pontos nas revistas e guias franceses é coisa para vinho de altíssima qualidade. Fora da curva como está na moda dizer. E olha que são apenas 80 pontos! Imagina um vinho de 90 teria que atingir estratosféricos 18 pontos. Numa boa universidade professor algum distribui estas notas aleatoriamente e com frequência,  somente em trabalhos ou provas excepcionais. Anote aí: se o vinho obtém na França 14 pontos é para considerar seu bom vinho para beber com amigos e ter agradáveis momentos juntos. Se chega a 15 pode reservar para beber com quem entende e aprecia. Se bater 16 acenda velas e convide alguém especial. Acima disso é vinho para grandes ocasiões. Vinho para o dia a dia é entre 11 e 13 pontos. Anotou?

Anúncio da Evino mostra diferentes pontuações para o mesmo vinho.

Vejamos o caso prático de anúncio no site da Evino: Péssac Léognan 2011 do Château Lespault-Martillac. James Suckling ex-Wine Spectator e hoje independente deu 91 pontos, ele sempre pontua para cima em relação aos seus colegas americanos. Bettane & Desseauve, o Parker daqui, é muito econômico nas notas e sapecou um 15 neste 2011 do Château Lespault-Martillac, que nos grandes anos obteve 16! Veja que os comentários, tradução minha, tem enormes elogios – « Nós amamos o nariz todo elegante, a fruta bem madura, as notas de especiarias e minerais, a boca é harmoniosa, sem ter nada de pesada ou agressiva, apresentando uma bela trama de taninos, muito sedosos e com um final longo, fresco e equilibrado.” Não conheço o vinho, mas um comentário desse quer dizer que o ele é tudo de bom. B&D recomenda beber até 2020. Não conheço e não provei, mas confio. Santé.

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Safra 2017 de Bordeaux surpreende os críticos

Semana passada estive em Bordeaux visitando alguns grandes châteaux e pude apurar e perceber que é grande e positiva a expectativa para a safra 2017. A degustação dos vinhos Primeurs começa na próxima semana para os profissionais do mercado, mas para os jornalistas ela já aconteceu. Uma coisa é certa as uvas foram colhidas em boa maturação. Nenhuma nota verde detectada em ambas as margens do vinhedo. Os críticos começam a publicar seus comentários e as notas são bem altas e os melhores atingem 96 pontos na margem direita e 95 na esquerda para a Wine Spectator.

Quando visitei o Château Angélus, 1° Grand Cru Classé A, vi por diversas vezes Hubert de Boüard consultor e coproprietário, circular pelas adegas e supervisionar sua equipe. Ele nos conta que as merlots, uvas mais precoces do que as cabernets, foram colhidas em setembro e estavam bem equilibradas e com frescor, o que corresponde a uma tendência de gosto atual do consumidor. Foi na segunda semana de outubro que atingiu seu ponto de madureza a Cabernet Franc e em seguida foi a vez da Cabernet Sauvignion. A extração durante a vinificação foi a palavra chave do sucesso e do equilíbrio de um vinho terminado. A extração se fez delicadamente, privilegiando os taninos, o que marcará o ADN desta safra. Para os produtores que não sofreram com a geada, que mais parece para alguns uma amputação, a safra 2017 se inscreve na linhagem das mais belas expressões bordalesas. Equilíbrio, pureza, taninos carnudos, frescor e apetência, certifica Boüard.

Fachada do Château Angelus (foto Edith Monseux)

Já o crítico francês Jean Marc Quarin, que acabou de degustar 300 vinhos da nova safra, resume assim suas degustações: – Os tintos são bastante coloridos (nas degustações em Primeurs esta é uma característica que denota qualidade, nota minha) os aromas são frutados, precisos e constantemente puros, sem notas verdes e os melhores vinhos são complexos. Minha primeira surpresa foi a suavidade dos vinhos. Não esperava. Eles serão muito agradáveis de se beber, mesmo jovens. A graduação alcoólica está em torno de 13, característica do ano. Outra agradável surpresa é que os vinhos estão bem construídos no meio de boca e no final. Na margem direita os vinhedos das partes mais baixas gearam, o que obrigou o produtor que possui vinhas nas encostas a usar apenas estas, de melhor qualidade. O resultado mudou o vinho que ganhou em profundidade e é mais entusiasmante, conclui Quarin.

Se os châteaux atenderam às expectativas do público teremos preços para baixo, mas como a safra foi menor acho difícil. Em todo caso 2017 é um belo ano. Santé.

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