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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

O vinho da Cité de Carcassonne

Se tem um local que gosto de visitar é Carcassonne. A famosa cidade medieval é a maior atração turística do departamento do Aude, Occitânia. Fica a apenas 30 quilômetros de casa, portanto visita obrigatória quando recebo amigos, parentes e clientes. Classificada como patrimônio da humanidade pela UNESCO a fortaleza tem dentro das suas muralhas hotéis, restaurantes, lojas, bares, residências, museu, catedral e o castelo propriamente dito. Do lado externo pode-se ver o vinhedo que dá nome a uma zona de produção regional: Vin du Pays de La Cité de Carcassonne.

Vista da Cité de Carcassonne. (crédito Office de Tourisme)

Esse vinho é um IGP (Indicação Geográfica Protegida) que abrange 18 vilarejos e se estende por 20 quilômetros. Muito do agrado dos turistas por ter quase sempre no rótulo as muralhas, que são o cartão postal da cidade. Mas o vinhedo é de qualidade e oferece um ótimo vinho para o dia a dia. São vinhos que podem ser varietais ou de corte, brancos, tintos e rosados. As uvas Cabernet, Malbec, Syrah, Merlot, Carignan, Grenache e mesmo Pinot Noir são cultivadas para fazer os tintos. Possuem o estilo típico dos vinhos do Mediterrâneo, isto é, são amplos, generosos e de bom corpo. O sol do longo verão garante uma maturidade completa que se traduz por muita fruta nos aromas e o fato da cidade estar um pouco afastada da costa, faz ela ter uma certa influência continental o que traz um bom frescor. É um companheiro ideal para carnes e tapas. Dominam no vinhedo a Syrah e a Grenache. Os AOCs que dividem o entorno são o Minervois, Corbières e Malepère. Alguns dos bons produtores da região são Domaine de Sautès, Maison Lorgeril e Domaine Lalande. As cooperativas da região, como a de Cantalric, também produzem o IGP Carcassonne.

Rótulo da vinho produzidopelo Conde de Lorgeril, conhecid por seus bons vinhos do Languedoc.

Rótulo da cooperativa de Cantalric também usa as muralhas.

Atenção não confunda com o vinho homônimo, Carcassonne, marca argentina que é um popular vinho de mesa de primeiro preço. Santé.

 

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Vinhateiros alugam 16 helicópteros para combater a geada no Vale do Loire

O frio que voltou com força neste mês de Abril levou produtores do Loire, na denominação de origem Montlouis-sur-Loire, que fica perto da cidade de Tours, a novamente utilizar helicópteros para proteger o vinhedo do frio gelado. O objetivo é proteger os brotos das videiras. No dia 20 de abril a técnica deu certo. Neste dia foram utilizados 7 helicópteros. Ontem 16 helicópteros estavam alugados para atuarem contra a geada hoje e amanhã. Eles devem ser usados também em Vouvray e Bourgueil denominações que ficam na proximidade. Não se trata de luxo, mas de salvar uma produção. Santé.

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Helicópteros, velas e ventiladores gigantes contra a geada da primavera

Nas duas últimas noites, 19 para 20 e 20 para 21, vários locais em toda a França sofreram com este incidente climático. Neste momento o vinhedo está “acordando” do inverno. Os brotos estão nascendo e são sensíveis ao frio fora de época. A frente fria vindo da Rússia é a causa deste frio repentino. Mesmo no meu departamento, Aude, situado no Sul da França e banhado pelo Mediterrâneo, foi atingido. Mas é em Champagne e no Loire que o frio foi é mais intenso atingindo até -9ºC.

Ventilador gigante dispersa ar quente no vinhedo.

Alguns produtores usaram soluções criativas e inteligentes para proteger seu vinhedo. Alguns fazem irrigação por dispersão para que o gelo faça uma cápsula protetora. Outras opções são ventiladores gigantes, velas enormes e mesmo helicópteros. O objetivo é o ar quente fique perto das vinhas. Se quiser assistir a reportagem do telejornal 20 horas da TF1 clique aqui. Santé.

 

Brotos protegidos com gelo.

Velas gigantes entre as carreiras de vinhas.

Helicóptero dispersa o ar frio.

 

 

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Os brancos voltam com força em Bordeaux

Se você acha que em Bordeaux os vinhos tintos sempre dominaram reveja seus conceitos. Até meados dos anos 70 o vinhedo bordalês era majoritariamente branco. Hoje representam cerca de 11% da produção. Mas o aumento do interesse pela uva Sauvignon branca deu um novo élan a estes vinhos que podem também ser de guarda. Graves e Péssac-Léognan são denominações líderes nesta cor, mas hoje Médoc faz belos vinhos e há a concorrência também de Sauternes, que em função da crise dos vinhos licorosos, lançou vários brancos de prestígio. Os brancos a serem bebidos jovens, em geral, são de Entre-Deux-Mers e Bordeaux.

Este vinho agradou pelo seu frescor e complexidade.

G de Château Guiraud é o branco seco deste  Grand Cru Classé de Sauternes. Não se trata de um segundo vinho, mas de um ótimo branco feito por Michel Liessi e Xavier Planty que traz um corte com 70% de Sauvignion branca e 30% de Semillon. Na hora da colheita selecionam as uvas maduras que não foram afetadas pela podridão nobre, botrytis, nas duas primeiras passagens pelo vinhedo. O vinho é intenso, amplo, com notas de agrumes e frutas. Tem muito boa complexidade. Durante almoço na Cité du Vin, em Bordeaux ,foi a minha escolha. Delicioso. Não é um vinho caro 12€ (R$42) nas lojas. Na mesma linha você vai encontrar o Y do Château d’ Yquem, de preço mais salgado, 150€ (R$525), R de Riussec a 18€ (R$63) ou o S de Suduiraut em comportados 12€ (R$42).

No Médoc as ofertas se multiplicam. O Château Fonréaud de Listrac-Médoc faz um branco para ser bebido jovem o Le Cygne, muito bom, por 17€ ( R$60). Já o Château Mouton Rothschild faz o Bordeaux Ailes d’Argent, excelente, provei o 2015 durante a degustação de Primeus ano passado, possui grande precisão de aromas, bela acidez e uma mineralidade magnífica, traz uma ponta de sal no final. O preço é de 70€ (R$245). Já o Pavillon Blanc do Château Margaux é um Bordeaux 100% Sauvignion branco, amplo, carnudo e estruturado e um final incrível. O preço também 170€ (R$595).

Mas tradição é tradição e me encantam os vinhos de Graves e Péssac Léognan. Vinhos excelentes que possuem preços razoáveis como o Château Malartic-Lagravière a 50€ (R$175) ou o Château Carbonnieux de 28€ (R$100) que aceita vários anos de envelhecimento ou o Château de Chantegrive com sua Cuvée Caroline, maravilhosa ou seu “primeiro preço” Chantegrive a 12€ (R$42), que vai agradar a muitos e deve ser bebido jovem.

Um segundo vinho de qualidade.

Não faltam opções entre os Bordeaux brancos. Mas se aí no Brasil os preços são bem maiores e seu orçamento não der para estes tops, busque um Entre-Deux-Mers, 2015, de um pequeno Château que com certeza não irá decepcioná-lo. Uma oportunidade? O Bordeaux Le Charme de Marjosse 2012 de Pierre Lurton por R$ 112. Santé.

Onde encontrar:

www.grandcru.com.br

Malartic-Lagravière 2010 e 2013 São excelentes vinhos de guarda e ambos possuem 93 pontos Robert Parker.

Château de Fieuzal 2010 com 92 pontos RP

Domaine de Chevalier 2010 com 92 WS

Château Smith Haut Lafitte 2010 e 2012 ambos com 95 pontos WS

www.vinosevinos.com.br

Château les Charmes de Marjosse 2012

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Dois belos vinhos para a Páscoa

Dessa vez fui fuçar nos sites e ver que bons vinhos você pode ter para esta ocasião especial. Páscoa é momento único para reunir a família e pede vinhos diferenciados. Assim, separe uma graninha a mais e veja quais belos vinhos estão disponíveis nos sites para esta grande ocasião.

Na Evino, loja virtual de vendas on line, vice-líder do mercado, vejo um vinho que provei em Primeur na campanha 2015 de Bordeaux: Clémentin de Pape Clément. É o segundo vinho do Châteu Pape Clément, Péssac-Léognan, propriedade do exigente Bernard Margrez, um dos melhores produtores de toda a França. O corte é dominado pela Sauvignon branca com 75%, 20% de Semillon e 5% de Muscadelle. Vinho longo e equilibrado com aromas de frutas brancas, cítricos e de muito bom frescor. Vai harmonizar com peixes acompanhados de molho e fará contraponto interessante com a untuosidade de um bacalhau a Zé do Pipo. Muito produtores adorariam ter este como seu primeiro vinho. Vale os R$183,00 pedidos pela Evino.

No Vinho Site da Casa Rio Verde, de BH, tem um belo Borgonha branco, Santenay  Clos de Champs Carafe, branco feito no Domaine Olivier. A safra é 2013 o vinho está ótimo. Vinificado como exigem os grandes vinhos da Borgonha. Antoine Olivier é o principal produtor de brancos de Santenay. Este vinho é mineral, untuoso e amplo. Você vai se surpreender. No site por R$299,00. Santé.

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Bordeaux Primeurs: 2016 melhor do que o ótimo 2015

A safra 2015 foi excepcional e deixou a todos felizes. A safra 2016 que é agora apresentada encantou mais ainda. Todas as castas amadureceram de forma ideal, mesmo as Petit Verdot e Cabernet Franc na margem esquerda. Os vinhos ganharam em potência, estrutura, acidez e estão em grande equilíbrio. Seja na margem direita seja na margem esquerda os châteaux membros da UGCB, União de Grandes Crus de Bordeaux, estão com qualidade excepcional. Na margem direita vários tops devem bater os 100 pontos. O mesmo deve ocorrer na margem esquerda. Se a qualidade e o volume estão agradando a todos é bom se preparar para um aumento entre 8% e 15% dos preços. Os produtores vão tentar voltar aos preços de 2010.

Laurent Fortin, diretor geral do Château Dauzac, apresenta seu vinho em primeur. Um Margaux de excelente qualidade.

O mais interessante é que os Cru Bourgeois e os chamados petits (pequenos) châteaux estão em plena forma e vão trazer oportunidades para o consumidor que busca preços mais competitivos. Dos mais de 200 Crus Bourgeois apresentados para a imprensa mais de ¼ deverá receber notas acima dos 90 pontos. Uma festa. Santé.

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No Médoc os Châteaux Chasse-Spleen, Cantemerle, Clarke e Camensac se destacaram

As degustações dos vinhos Primeurs de Bordeaux começaram ontem. Minha primeira série foi no Château de Cantemerle, no Médoc, no vilarejo de Macau. Os vinhos de Listrac-Médoc, Moulis em Médoc e Haut Médoc estavam expostos em mesas que estavam situadas dentro da adega do Château. Os vinhos eram apresentados muitas vezes pelo proprietário pessoalmente. Afinal, ele está neste momento recebendo os compradores mais importantes do mundo para descobrir como seu vinho se saiu na safra 2016. Já tida como excelente graças a um final de verão bastante longo, o que garantiu uma colheita perfeita das uvas.

Nesta degustação alguns vinhos me agradaram bastante Château Clarke com um corte de 70% Merlot e 30% Cabernet Sauvignion estava amplo e sedoso para um vinho que ainda vai ter de esperar 2 anos antes de entrar na garrafa. Tem um belo potencial. Château Fourcas Dupré mostrou bastante elegância e mostra-se promissor. Já em Moulis em Médoc o Château Chasse-Spleen me parece acima dos seus co-irmãos Maucaillou e Poujeaux que estavam muito bons.

A degustação no Château de Cantemerle aconteceu na adega.

No Haut Médoc começamos maravilhosamente bem com Château Beaumont, encontramos um Château Camensac em grande forma e um esplêndido Château Cantemerle, de excepcional comprimento. Château Citran, La Tour Carnet e La Lagune mostraram vinhos de alta qualidade e também estão acima da média, que é elevada. Finalizei esta sequência com La Tour de By, grande vinho.

Vista noturna do Château de Cantemerle.

Os produtores que tiveram paciência começaram a colheita no finalzinho de setembro início de outubro e terminaram na terceira semana, por volta do dia 20. Há sempre o risco de esperar ao máximo, em busca de um amadurecimento perfeito, e as chuvas chegarem. Mas em geral a espera tem dado certo. Neste grande ano de 2016 a espera se justificou com sobras. Uma excelente safra tanto na margem direita quanto na esquerda. Santé.

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Meu programa: degustar os Primeurs de Bordeaux, os malbecs de Cahors e os brancos de Limoux

Esta promete ser uma semana animada para o mundo do vinho na França. Na segunda começa a degustação dos famosos Bordeaux Primeurs, aquele que só será engarrafado em dois anos. Destaque para os vinhos da Union des Grands Crus de Bordeaux, UGCB, que reúne a elite dos vinhos bordaleses. Cheval Blanc, d’Yquem, Mouton Rothschild, Branaire-Ducru, Talbot, Angélus, Pape Clément,… a lista é grande. Em paralelo os Crus Bourgeois também fazem sua degustação e pegam carona no interesse que os compradores, consultores e sommeliers têm nos mais badalados.

No sábado em Limoux, no Sul da França, será a vez da 28ª edição de Toques et Clochers, o segundo maior leilão de vinhos caritativos da França, o primeiro posto é dos Hospices de Beaune, na Borgonha. Este ano a festa leilão será no vilarejo de Cépie, sempre na denominação de origem Limoux, que terá o campanário de sua igreja medieval restaurado graças ao leilão. O evento este ano será co-presidido pelo chef triplamente estrelado Patrick Bertron, do relais Bernard Loiseau e pelo melhor sommelier da França Lyonel Leconte.

Na segunda pela manhã pego o carro em direção à Bordeaux.  Vou visitar a Cité du Vin, o museu em homenagem ao vinho às margens do rio Garonne. Espaço de descoberta, aprendizado, exposição, gastronomia e degustação em torno de belas garrafas. Terça, quarta e quinta degustação nos melhores châteaux da UGCB. Antes de chegar em Limoux uma parada em Cahors, afinal os malbecs franceses tem chegado com força no Brasil. Sexta à noite já estarei em Limoux ávido para degustar quase uma centena de grandes brancos de uva chardonnay elaborados pela Cave de Sieur d’Arques.

Não vai faltar tema para post esta semana. Santé.

 

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Novas tendências na Prowein

Prowein mostra-se um fortíssimo concorrente da tradicional feira francesa de Vinexpo. Este ano novamente bombou. Foram 6500 expositores de 60 países, um novo recorde alemão, e 58.500 visitantes profissionais. A Itália entrou com 1600 produtores, a França com 1500, a Alemanha com 1000, os países de além-mar eram 600, Áustria, Espanha e Portugal também tiveram presença significativa. Foram três dias intensos, 19 a 21/3, das 10 às 18 horas para o público.

A feira está tão grande que já começou um movimento para que ela dure mais um dia, como na Vinexpo de Bordeaux. Prowein é local de prospecção mas também o melhor local para rever os clientes de todo o planeta. O stand do Wines of Brasil estava ao lado de Chile e Argentina, estes bem maiores. Normal. Portugal e Espanha tinham um pavilhão para eles. França tinha dois. Itália estava enorme.

Barrinhas, Verdemar, Casa Rio Verde, Evino, Wine.com, Grand Cru, Zona Sul e possivelmente outros importadores brasileiros estavam presentes. Além de visitar seus fornecedores vieram em busca por novidades. Novos produtores, novos produtos, descobrir tendências e saber o que anda acontecendo pelo mundo. Nestes salões além da compra e venda há também uma troca de informações muito interessante. Percebe-se que no Brasil há mais confiança. Que o pior já passou, apesar de a crise ainda persistir. Explico. Na ponta da importação é necessário antecipar. Se é a primeira a sofrer com a crise e a alta do câmbio, é também a primeira a perceber a luz no fim do túnel.

Projetos antigos voltam a ser analisados. Vinhos de melhor perfil qualitativo voltam a entrar na pauta. Se a crise democratizou o vinho barato, o chamado primeiro preço, agora ela flerta com os chamados “ coeur de marché”, literalmente coração de mercado. Estes são os vinhos de boa relação qualidade preço. Além destes algumas denominações de maior prestígio voltam a ser estudas e estarão em breve voltando ao portfólio dos nossos importadores.

No entanto, destaque mesmo é para a descoberta de novas denominações de origem que em passado recente estavam ausentes ou pouco presentes no Brasil. Por terem menor notoriedade e preços melhores vão começar a ganhar as mesas e taças do Brasil. São os vinhos regionais, IGP (Indicação Geográfica Protegida), e de denominações menos badaladas como Cahors e Buzet no Sudoeste ou Costières de Nîmes e Ventoux nas margens do Rhône. Bourgogne Grand Ordinaire, Bourgogne Alligoté, Petit Chablis e Beaujolais, patinhos feios da Bourgogne, devem achar um espaço para mostrar suas virtudes e bons preços e podem se transformar em cisnes. Dentre os regionais os vinhos IGP Loire, Pays d’Oc, Pays d’Aude e Pays du Gard devem se destacar. Santé.

Ambiente festivo no pavilhão francês às 18 horas na segunda feira.

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Prowein é show de profissionalismo

A Alemanha não é um grande produtor de vinho, mas a feira de Prowein reúne os mais importantes do mundo vinícola. Aqui em Düsseldorf italianos, gregos, franceses, portugueses, americanos, espanhóis, chilenos, brasileiros e vinhateiros de muitas outras nacionalidades comparecem para vender seus vinhos pelo mundo.
Os produtores chegam antes das 9 horas para aprontar seus stands e poder receber compradores dos quatro cantos da terra. As garrafas começam a ser abertas e as rolhas cedo estão a estourar num mágico ritual. Santé.

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