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Jornal do Brasil

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Degustamos 11 champagnes que cabem no seu bolso – final

Nesta parte final publico as notas e comentários dos champagnes que obtiveram as melhores avaliações do júri. Na Champagne a classificação dos terroirs é de Cru, Premier Cru e Grand Cru, sendo esta a mais alta na hierarquia. Alguns dos vinhos deste lote final vem destes territórios mais nobres, assim possuem preço mais alto.

charles ellner

7- Charles Ellner Grande Réserve Brut – Um champagne de vinhateiro que vem ganhando prestígio da crítica internacional. Recentemente esta Cuvée recebeu 91 pontos na WS. Ainda sem importador no Brasil ela possui um preço competitivo por aqui acima de 20€. No nariz expressivo se destacam aromas de damasco e pêssego que evoluem para notas de brioche e torradas. “Na boca uma bela acidez e um longo comprimento. Surpreendente”, afirma a produtora Laure de Chevron Villette. Sem importador no momento. 4****

brut-premier-cru

8 – Cattier Brut Antique Premier Cru – Este vinho é feito apenas de parcelas classificadas como Premier Cru. O corte é 40% Pinot Meunier, 35% Pinot Noir e 25% Chardonnay. Sua cor ouro bronze a diferencia. Seu perfume de lichia fresco é flagrante. Mas tem ainda notas de caramelo, brioche e uma ponta de café. Na boca tem muito boa estrutura, percebe-se frutas cítricas, uma vivacidade muito boa e longa persistência. “Os aromas me encantaram”, atesta a consultora gastronômica Edith Monseux. http://www.vinhoeponto.com.br/ Preço R$ 458,00. 4****

lallier

9 – Lallier Grand Réserve Brut – Um dos raros casos em Champagne onde o proprietário também é o enólogo. Francis Tribaut adquire em 2004 a propriedade e um grande esforço é feito para que esta pequena Maison champanhesa de Aÿ atinja uma qualidade excepcional. Hoje ela é vista pela crítica francesa como uma das melhores. É a estrela em ascensão. Suas uvas são todas de parcelas classificadas como Grand Cru. A seleção final conta com a consultoria de Serge Dubs, sommelier campeão mundial. O corte é Chardonnay de Avize e Cramant, 35% e Pinot Noir de Aÿ e Verzenay, 65%. Terroirs de muito prestígio. Sua cor é dourada com reflexos esverdeados. No nariz bem aberto tem flor de laranjeira, frutas maduras, pão de mel e especiarias mostrando grande complexidade. Na boca o ataque é fresco e estruturado. Os aromas se confirmam. Para Laurent Mingaud um produto apetitoso que vai à mesa e pode acompanhar um salmão defumado ou marinado. Importado pela Vinhos do Mundo. Preço R$ 656,47 no site Bebidas do Sul. 4****

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10 – Delamotte Brut – Situada na Côtes de Blancs no magnífico terroir de Mesnil Sur Oger divide o espaço com sua irmã Salon, um ícone champanhês. Todas as uvas de Delamotte vêem de terroirs Grand Cru como Avize, Cramant, Mesnil sur Oger e Oger. No corte domina a branca Chardonnay que traz a estrutura, a Pinot Noir entra para trazer produndidade e o aroma frutado. A Pinot Meunier, menos ácida, colabora com a densidade aromática. No nariz perfumado percebe-se o mel, especiarias, torradas e marmelo. O ataque é magnífico, na boca é estruturado e potente, afirma o blogueiro. Vai à mesa com louvor. Importador Franco Suíça. O site não informa o preço. 4,5****

philipponnat

11 – Philipponnat Royale Réserve Brut – Considerada uma das champagnes de referência ela é dirigida por Charles Philipponat. Possui uma parcela ícone chamada Clos de Goisses que se projeta sobre o rio Marne e que faz parte da propriedade desde 1935. O vinhedo fica em Aÿ e domina a uva Pinot Noir com 65%, 30% de Chardonnay e 5% de Pinot Meunier. Neste momento sem importador no Brasil, a versão rose era servida em taça nos restaurantes do grupo Fasano. Seu preço na França está situado no segmento alto acima de 30€. O nariz é aberto e complexo com notas de flores brancas, pêssego, damasco e marmelo. “ O ataque é sedutor, preciso e de bela vicacidade. A Pinot Noir se afirma mostrando potência. O vinho é untuoso e longo. Belo equilíbrio conclui Laurent Mingaud. 4,5****

Minha conclusão é que a melhor relação qualidade preço nesta categoria Premium é a Nicolas Feuillatte. Para quem pode pagar um pouco a mais Joseph Perrier, Cattier Premier Cru e Charles Legend fazem bonito. Lallier e Delamotte são as melhores disponíveis sem safra. Boas festas e Santé.

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Degustamos 11 champagnes que cabem no seu bolso – parte 2

Hoje publicamos a primeira parte dos comentários e pontuações dos 11 champagnes degustados às cegas. Vamos apresentá-los pela ordem de pontuação do menor para o maior. Todos os champagnes atenderam a um alto padrão de qualidade. Agradam a públicos diferentes e podem ser servidos em momentos distintos. Os mais complexos são ideais para irem à mesa e outros estão mais indicados para o aperitivo. Destacaremos os comentários do jurado que mais gostou de cada produto. Todos os champagnes são NV, isto é, não safrados. Os ideais para todas as ocasiões.

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1 – Drappier Carte d’Or Brut – Propriedade familiar que chega a oitava geração. Tudo começou em 1808 quando François Drappier se instala em Urville, na Côte de Bar. A cave de Drappier é um anexo da abadia de Clairvaux e foi construída por São Bernado, em 1152. A aqui bebe-se história em bolhas. O corte é dominante Pinot Noir 75%, 15% Chardonnay e 10% Pinot Meunier. Seus aromas de flor de laranja, marmelo e frutas maduras mostram a boa complexidade e o estilo Drappier. Para Edith e um vinho de fácil compreensão. Ideal para o aperitivo. Importador Zahil www.zahil.com.br Preço R$336,80 – 3,5***

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2 – Cattier Brut Icône – Maison familiar e independente há 11 gerações, desde 1763, e fica situada na montanha de Reims. Seus vinhedos se estendem por mais de 30 hectares, o que em Champagne é uma enormidade. O corte é 50% Pinot Meunier, 30% Pinot Noir e 20% Chardonnay. No nariz frutado traz aromas cítricos e minerais. Anne Marie viu aqui “um bom frescor num ataque que agrada, no final delicada mineralidade”. Um champagne para o aperitivo que harmoniza com tira gostos à base de peixes. Importador Vinho e Ponto. http://www.vinhoeponto.com.br/ Preço: R$ 393,00

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3 – Nicolas Feuillatte Brut – Centro Vinícola Nicolas Feuillate tem apenas 40 anos, mas já é a marca mais vendida na França e a terceira do mundo. A queridinha dos franceses tem um corte de 40% Pinot Noir, 40% Pinot Meunier e 20% Chardonnay, No nariz flores brancas, frutas como pêra e damasco. Na boca pão de mel e boa vivacidade. Para o enólogo Laurent Mingaud ela é “apetitosa, rica, complexa e elegante”. Agrada tanto no aperitivo como pode ir à mesa. Uma excelente relação prazer e preço. Importador Evino www.evino.com.br. Preço R$ 179,90. 3,5***

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4 – Roux de Beaucès Grande Réserve – Este champagne é produzido pela família Roux proprietáriade  vários châteaux em Bordeaux e dentre estes o Crus Bourgeois Taffard de Blaignan, no Médoc. Este Champagne é uma das belas jóias da casa. O corte é o clássico com as três uvas em proporções similares. Seus aromas de limão e tangerina tem destaque, mas flor de laranjeira e frutas em compota também estão presentes. Na boca é untuosa e equilibrada. Para este blogueiro sua persistência é um ponto forte. Não disponível no Brasil. 3,5***

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5 – Joseph Perrier Cuvée Royale Brut – Fundada em 1825 por Joseph Perrier em Châlons en Champagne vai ganhar fama ao se tornar o champagne oficial da Rainha Vitória e do Rei Eduardo VII. Daí surge o título de Royale Cuvée. A vinícola é dirigida pela mesma família a 5 gerações. O corte é 35% Chardonnay, 35% Pinot Noir e 30% Pinot Meunier que vem dos vinhedos de Cumières, Damery, Verneuil e Hautvilliers – bem pertinho da abadia de D. Pérignon). O nariz é discreto e complexo com notas de agrumes, flores brancas e brioche. Para Nicolas de Chevron Villette é um “champagne de boa estrutura, bastante potente e muito agradável podendo ir à mesa”. Importador Wine Mundi. 21 3860 1701. 4****

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6 – Charles Legend Brut Royal – Mickaël Devena mora no Brasil e é proprietário do Champagne Charles Legend. O nome é uma homenagem ao Rei da Inglaterra Charles II que se apaixonou pelas bolhas de Champagne enquanto esteve exilado na França. O corte tem 80% Pinot Noir e 20% de Chardonnay. Este vinho tem um nariz amplo com aromas de pão de mel, torradas e rosas secas com muito boa complexidade. É um vinho aéreo e muito bem equilibrado. Encantou Laurent Mingaud pela sua elegância. Onde comprar: http://www.emporiomundo.com.br. Preço não disponível no site. 4****

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Degustamos 11 champagnes que cabem no seu bolso

Este ano o tema da nossa degustação de Champagnes de final de ano é o brut sem safra. Aquele que tem o menor preço nas prateleiras. O motivo? A situação econômica atual impõe, para uma grande maioria, um aperto no orçamento e levamos isto em consideração. Claro que o leitor pode optar por um espumante brasileiro, francês, italiano, espanhol ou mesmo português. O blog Conexão Francesa não quis romper com sua tradicional degustação de Champagnes, afinal Réveillon é apenas uma vez por ano.

champagnes 2016 juri

Estive na champagne este mês e pude constatar nas minhas conversas, leituras e principalmente nas taças que está em curso uma grande evolução na qualidade dos vinhos efervescentes produzidos nesta mítica região. Seja uma melhoria no vinhedo, fundamental para se ter melhor matéria-prima, seja no que concerne a dosagem, o licor de expedição que contém açúcar. Este se dá por dois motivos principais. 1 – Uma colheita de uvas mais maduras e portanto com menor acidez. 2- A outra explicação é que o paladar do consumidor segue evoluindo para um vinho com maior precisão, mais direto, menos suave. Tal tendência se constata pelo surgimento do nicho “dosagem zero”, sem a adição de açúcar do licor de expedição, o que exige um champagne de menor acidez e de grande qualidade. Como disse, trata-se de um nicho formado por “experts”, mas que aponta uma tendência. As grandes “Maisons” de champagnes e importantes vinhateiros diminuíram suas dosagens.

Este ano degustamos 11 Champagnes de diferentes estilos, “terroirs”, preço e tamanho de propriedade. Selecionamos produtores independentes, os chamados “Champagnes de Vignerons” (vinhateiros), como Charles Ellner e Lallier. De pequenos negociantes como Charles Legend, o proprietário Mikäel Devena mora no Brasil, e Roux de Beaucés, que pertence ao produtor do Château homônimo em Bordeaux. Incluímos também Casas de prestígio internacional como Joseph Perrier, Philipponnat, Delamotte, Drappier e Cattier. As cooperativas estão representadas por Nicolas Feuillatte que enviou seu brut mais vendido na França, aquele que os franceses escolhem para todas as ocasiões: Nicolas Feuillatte Brut. Poderia ter optado pelo Brut Réserve, um pouco mais caro, mas com 90 pontos na WS. Para quem não sabe Nicolas Feuillatte é a marca mais vendida na França. Seu volume é superior ao de Moët et Chandon e Veuve Clicquot reunidas!

O júri deste ano contou com os produtores da Abbaye de Fontfroide, famosa também pelos seus vinhos do Corbières, Laure e Nicolas de Chevron Villette, este já trabalhou na “Maison” champanhesa Pommery. O enólogo Laurent Mingaud, ex-diretor da Cave de Sieur d’Arques em Limoux, famosa por seus espumantes e brancos, e sua esposa Anne Marie, consumidora habituada ao champagne. Edith Monseux Rebouças, minha esposa e consultora gastronômica e este jornalista que é formado em vitivinicultura no CFPPA de Narbonne, onde ser forma boa parte dos vinhateiros do Languedoc, tal qual os Chevron Villette. Continua na próxima coluna. Santé.

Nicolas laure

Nicolas  e Laure de Chevron Villette produtores de vinho no Corbières, Sul da França.

laurent mingaud  anne marie

O enólogo Laurent Mingaud e sua esposa Anne Marie.

edith  rogerio

Edith consultora em gastronomia e seu blogueiro Rogerio Rebouças.

 

 

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Épernay é o coração da Champagne

Esta semana botei o pé na estrada. Dirigi por 870 km até chegar em Epernay, a cidade símbolo da Champagne. Viajei pela auto-estrada onde o limite de velocidade é mais elevado: 130 km/h. Mas chegando no departamento do Marne as estradas eram menores e meu GPS me levou por pequenos vilarejos, o caminho mais curto. Boa oportunidade para ver a chamada França profunda. Quando você se aproxima de Épernay as casas dos vinhateiros de Champagne se sucedem. Para identificar é fácil. Há sempre uma placa na casa como o nome do produtor e a menção degustação e venda de champagne.

avenue de champagne

Giratório na avenida do Champagne

Reims é a cidade grande com a magnífica catedral Notre Dame de Reims. Mas a avenida do Champagne fica em Épernay. As sedes das grandes “Maisons” se sucedem. Moët et Chandon, Perrier Jouet, Pol Roger, Boizel, Comtesse Lafond e tantas outras num espetáculo arquitetônico esculpido no século XIX. Riqueza, esplendor e beleza são características das mansões da avenida que faz parte do patrimônio mundial. Dali se vê a torre da Maison Castellane, do grupo Laurent Perrier. Mais afastada do centro da cidade fica a vinícola Nicolas Feuillatte, a mais vendida na França.

Apesar de ter apenas 23 mil habitantes a cidade é dinâmica, charmosa e animada. Seus bons restaurantes têm sempre nas mesas os produtores com seus clientes, turistas e, claro, os moradores. A Brasserie de La Banque fica na antiga sede local do Banque de France (Banco da França), a inscrição na fachada não foi retirada o que facilita a identificação, bem no centro. O local é imponente, grande e a comida é boa. Uma opção que me agradou mais foi a Grillade Gourmande, que além de muito boa cozinha possui uma churrasqueira à lenha, o que confere um gosto especial às carnes e peixes. Sugiro a pluma de porco ibérico. Épernay se dá ao luxo de ter uma ópera, sua fachada possui marcas de balas da Segunda Guerra Mundial.

avenue nuit

A avenida do Champagne já está decorada para as festas de final de ano.

Uma característica nos restaurantes da cidade é que as harmonizações se fazem sempre com champagne. Não vi ninguém beber vinho tranqüilo nas mesas ao lado nos dois restaurantes. Coincidência? Um champagne rosé ou uma cuvée de prestígio com preponderância da Pinot Noir para as carnes, o Blanc des Blancs para os peixes com molho e o brut sem safra para o aperitivo ou para acompanhar uma entrada são boas escolhas. Santé.

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A Black Friday e o vinho

A moda americana chegou para ficar no Brasil. Alguns atores do mercado se programaram, fizeram compras melhores e apresentaram ofertas realmente boas. Sacrificaram margens e ofereceram bom desconto. Não acredito que no Brasil a Black Friday deva acontecer no mesmo momento que nos EUA. No entanto ela é uma boa oportunidade para quem quer antecipar as compras de Natal ou os vinhos para as festas de final de ano. Tenha cuidado com as falsas promoções.

Ainda acho que as grandes liquidações de vinhos no Brasil terão sempre melhor sucesso em janeiro. Uma Black Friday de conceito tropical funcionaria perfeitamente na segunda sexta-feira de janeiro. Quando já estamos habituados às tradicionais liquidações.

Simples de entender. A turma comprou e gastou o que podia e o que não podia nas festas de final de ano. O comércio parado precisa de caixa para fechar as contas do mês que é um dos piores do ano. Natural que se faça promoções para aumentar o faturamento. Em janeiro e mesmo em fevereiro, as promoções são ótimas pois a corda aperta e os preços caem.

Mas para não dizer que não falei de vinho recomendo uma pesquisa nos sites de vinho como Evino, Belle Cave, Vinho Site, Wine ou em bons supermercados como Zona Sul, Verdemar e Supernosso. Que fazem importação direta e oferecem bons preços. Santé.

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Hospices de Beaune – Barril dos Presidentes é arrematado por 200.000€

O emblemático Barril dos Presidentes, 228 litros de Corton Bressandes Grand Cru, atingiu a soma de 200.000 euros e foi co-arrematado por Jean-Claude Bernard, diretor do hotel do CEP e Yan Hong Cao, uma empresária chinesa e enófila. O 156º leilão dos Hospices de Beaune atingiu a marca de 8,4 milhões de euros. Foram leiloados 470 barris de tintos, Pinot Noir e 126 de brancos, Chardonnay de diversas Denominações de Origem da Borgonha e ainda 4 barris de destilado.

Hospices

Claude Lelouch, Valérie Bonneton, Virginie Ledoyen e Kathia Buniatishvili animaram o leilão do Barril dos Presidentes.

O leilão deste ano teve como beneficiários do Barril dos Presidentes as obras caritativas Fondation Coeur e Recherches (Fundação Coração e Pesquisas) representados por Claude Lelouch e Valérie Bonneton e L’ARC, (Associação para a Pesquisa sobre o Câncer) na presença de Virginie Ledoyen e Kathia Buniatishvili que co-presidiram o leilão. Os demais barris vão para as obras dos Hospices de Beaune. O leilão foi organizado por Christie’s.

Vale lembrar que a safra 2015 foi de excepcional qualidade o que certamente atraiu os amantes dos bons vinhos. Albert Bichot, produtor e negociante de alta qualidade, oferecia em seu site a oportunidade para que pessoas físicas co-arrematassem pequenas quantidades de uma seleção previamente estabelecida. Santé.

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A volta do cabinho

Ouvi dizer muitas vezes que o viticultor que fazia desengaço, retirada do cabinho, nunca mais voltava a vinificar com cabinho. Falso. A grande verdade é que os cabinhos verdes podem trazer notas vegetais e amargor. Mas quando o cabinho está mais seco, menos verde em quantidades menores, de 10% a 25% dos cachos somente ele traz virtudes interessantes. Se no Rhône e na Borgonha a prática já vinha acontecendo ela agora chega em Bordeaux.

cabinho

Cabinho volta a ser usado também em Bordeaux por grandes produtores.

Até os anos 80 utilizava-se regularmente os cabinhos para baixar a acidez dos vinhos por causa da riqueza em potássio que fazia precipitar o ácido tártrico, explica o enólogo Stéphane Derenoncourt. Hoje no entanto com colheitas mais tardias e portanto com uvas mais maduras e maior teor de açúcar a tendência é faltar acidez. No entanto é muito interessante observar que para as uvas Cabernet Sauvignion e Cabernet Franc os cabinhos trazem notas florais e de especiarias. Elas ainda valorizam as tramas tânicas de final de boca, podem trazer uma tensão ao vinho e diminuem o excesso de compota. Isto é trazem elegância. Alguns châteaux de prestígio como Smith Haut Lafitte em Péssac Léognan e Berliquet em Saint Emilion, já vem utilizando um percentual de cabinhos. Santé.

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Trump brut para qualquer ocasião

A vitória espetacular e surpreendente de Donald Trump sobre a candidata Democrata Hillary Clinton merece ser bebida. Como dizia Napoleão na derrota nós precisamos, na vitória nó merecemos. Assim sendo os dois campos podem beber um espumante americano, de muito boa qualidade produzido pelo presidente eleito americano, em nome da reconciliação.

trump brut blanc

Isso mesmo Trump tem um vinhedo na Virgínia. Ele o adquiriu num leilão, foi uma pechincha. O Kluge Estate Winery and Vineyards of Virginia estava avaliado em 70 milhões de dólares. Mas o miliardário o arrematou por 6,2 milhões em 2011. O Kluge é a maior propriedade da costa leste e inclui um magnífico hotel, uma especialidade de Trump. O local é cenário ideal para casamentos.

hotel trump

O vinhedo é dirigido por Eric Trump, filho de Donald e Ivana, nasceu em 1984 e a vinícola foi apontada pela Wine Enthusiast como uma “”Estrela em Ascenção. Já o espumante Trump, Blancs des Blancs, Brut, 2009 foi degustado pela Wine Advocate, e recebeu do crítico Mark Squires 88 pontos e vários elogios. “ Muito saboroso e uma barganha que todos podem desfrutar. O enólogo é Jonathan Wheeler que veio de Finger Lakes. A Virgínia tem nos espumantes seus melhores vinhos, assegura Squires.

trump brut

O preço de mercado é em torno de US$24. Vai encarar? Santé.

 

 

 

 

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Château Cap Saint Martin, Côtes de Blaye, quase um Médoc por R$ 135

A Denominação de Origem Blaye Côtes de Bordeaux fica na margem direita do rio Gironde bem em frente do vinhedo de Listrac-Médoc e de Saint Julien, ambos no Médoc. Basta atravessar o rio.  Portanto, o clima não é diferente e tem no estuário um fator determinante na atenuação do clima no inverno. O solo é que trará diferenças, mas terão o calcário como ponto de maior semelhança. De um lado o calcário de Saint Estéphe, do Eoceno Superior, que está presente perto de Beychevelle. Já em Blaye, de solo muito complexo, terá na localidade do Château Cap Saint Martin, o calcário de Blaye do Eoceno Médio, também de origem marinha. Ambos propícios a vinhos de grande fineza. O corte das duas zonas diferem. A uva Cabernet Sauvignion domina em Saint Julien, e a Merlot em Blaye. No passado a Cot ou Malbec era também plantada em Blaye, e alguns produtores estão replantando. Blaye oferece bons vinhos com preços bem mais em conta.

 

Château Cap Saint Martin, 2012, tinto, AOP Blaye Côtes de Bordeaux

cap saint martin

Os produtores são Béatrice e Pierre Ardoin que cuidam desta propriedade familiar de 22 hectares. As uvas Merlot (95%) e Cabernet Sauvignion (5%) são plantadas em elevada densidade com 5500 mil pés por hectare. O rendimento é de apenas 50 hl/ha, a colheita tem uma triagem metódica com desengaço, descarte de grãos verdes e de resíduos vegetais, como nos grandes vinhos do Médoc. O vinho é envelhecido 18 meses sendo de 6 a 9 em barris de carvalho de 2 e 3 vinhos. A maceração é longa de 3 a 4 semanas.

O resultado é um vinho de muito boa qualidade como atesta o guia Bettane e Desseauve que pontuou 15/20 ou 7,5 nas universidades brasileiras. Não custa lembrar que a pontuação francesa é mais rigorosa, como nas boas escolas. Assim, considere esta nota como um 88 pontos. “Muito charme para este vinho de nariz intenso de frutas pretas, resinoso, alcaçuz e violeta, na boca é saboroso e ligeiramente amadeirado, profundo com taninos elegantes e um perfeito equilíbrio”, assegura B&D em seu guia.

Onde encontrar: Vinos e Vinos – R$135,00. Se telefonar sempre tem um desconto. Santé.

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100 mil pessoas na colheita em Champagne

Foram 100.000 pessoas colhendo uvas na Champagne este ano. Afinal, para fazer as mágicas bolhas, toda a colheita é obrigatoriamente manual. A mão de obra temporária contratada é enorme. Junte-se a estes os que atuam no vinhedo o ano inteiro e você pode imagina o formigueiro humano, durante cerca de 30 dias, perambulando entre as videiras. Gerir todo este mundão de gente é tarefa complexa que os vinhateiros e as “maisons” (grandes empresas) de Champagne realizam a cada ano.

colheita

Trabalhadores temporários colhem uva em Champagne.

A safra 2016 teve um grau de complexidade e exigência muito grande. Os produtores tiveram de estar atentos para combater os ataques de mildiou e bem conduzir o vinhedo. Mas o clima foi o grande vilão em boa parte do ano. Geada na primavera, chuvas intensas e granizo amputaram a colheita em 30%. Mas para o consumidor o mais importante é saber que os meses de agosto e setembro foram perfeitos. Um verão seco e quente que teve alguns dias caniculares. O resultado foi uma colheita que começou para as parcelas precoces em 10 de setembro e para as mais tardias no dia 27. Ao final da primeira semana de outubro a safra 2016 estava colhida. As previsões iniciais eram mais conservadoras quanto ao volume, no entanto, ao final, o rendimento médio esteve acima de 8000 kg por ha. Os vinhos de reserva serão utilizados para compensar a quebra, mas em menor quantidade do que o estimado inicialmente antes da colheita, informa Thibaut Le Mailloux assessor de imprensa do Comitê Interprofissional dos Vinhos de Champagne.

francis tribaut

O produtor e enólogo Francis Tribaut na cave de Lallier.

Uma curiosidade da safra é que em alguns terroirs, como em Aÿ, a colheita da Pinot Noir se deu antes da Chardonnay. Foi assim para Francis Tribaut, produtor do Champagne Lallier, importado pela Vinhos do Mundo, um dos últimos a iniciar a colheita. “O forte calor de setembro fez com que nossas magníficas Chardonnays estivessem com sua maturação atrasada em relação à Pinot Noir. Estas foram colhidas no final de setembro e as brancas no começo de outubro”.  A maioria do vinhedo de Lallier se saiu muito bem, a uvas são de bela qualidade e nos deixam prever uma bela “assemblage”, (mistura como se diz em Portugal), conclui Tribaut.

Agora é só esperar e ver em dois ou três anos como estarão estes Champagnes de 2016. Santé.

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