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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

As notas da discórdia de 20 a 100 ou América x Europa

Cada vez que comparo, e com certeza não estou sozinho nisso, as notas dos críticos americanos com as dos europeus, e franceses em particular, é a mesma confusão. Parecem as notas da discórdia. Franceses, portugueses e a inglesa Jancis Robinson pontuam sobre 20 pontos. Por que eles pontuam assim? Ora nas escolas desde pequeno as notas são sobre 20 e não sobre 10 pontos como no Brasil. As revistas americanas e, hoje em dia, a inglesa Decanter fazem sobre 100 pontos. A associação dos enólogos e dos sommeliers também usam 100 pontos. Se fosse um probleminha de 10, 20 e 100 era fácil de explicar. Bastava fazer uma proporção simples.

Os profissionais experientes já têm a tabela de pontuação na memória e intuitivamente colocam pontos para o visual, nariz e boca. Esta última é a que tem maior peso e aqui são analisados o equilíbrio, o comprimento na boca e a apreciação geral. Cada tabela vai ter suas sutilezas e diferenças. Mas o que muda mesmo são as malditas notas. A escola europeia é mais rigorosa. Sabe aquele professor que nunca dá mais de 8 para ninguém? Aqui é assim. Na França quando um vinho atinge 15/20 pontos ele é muito bom e equivale 88 a 90 pontos, dependendo do “professor”. Se você jogar isso numa conversão americana a nota seria medíocre 75 pontos!! Vinho intragável. Tem muito Champagne bom, de grandes marcas, que são avaliados entre 14 e 15 pontos. E são muito bons! Atingir 16 pontos nas revistas e guias franceses é coisa para vinho de altíssima qualidade. Fora da curva como está na moda dizer. E olha que são apenas 80 pontos! Imagina um vinho de 90 teria que atingir estratosféricos 18 pontos. Numa boa universidade professor algum distribui estas notas aleatoriamente e com frequência,  somente em trabalhos ou provas excepcionais. Anote aí: se o vinho obtém na França 14 pontos é para considerar seu bom vinho para beber com amigos e ter agradáveis momentos juntos. Se chega a 15 pode reservar para beber com quem entende e aprecia. Se bater 16 acenda velas e convide alguém especial. Acima disso é vinho para grandes ocasiões. Vinho para o dia a dia é entre 11 e 13 pontos. Anotou?

Anúncio da Evino mostra diferentes pontuações para o mesmo vinho.

Vejamos o caso prático de anúncio no site da Evino: Péssac Léognan 2011 do Château Lespault-Martillac. James Suckling ex-Wine Spectator e hoje independente deu 91 pontos, ele sempre pontua para cima em relação aos seus colegas americanos. Bettane & Desseauve, o Parker daqui, é muito econômico nas notas e sapecou um 15 neste 2011 do Château Lespault-Martillac, que nos grandes anos obteve 16! Veja que os comentários, tradução minha, tem enormes elogios – « Nós amamos o nariz todo elegante, a fruta bem madura, as notas de especiarias e minerais, a boca é harmoniosa, sem ter nada de pesada ou agressiva, apresentando uma bela trama de taninos, muito sedosos e com um final longo, fresco e equilibrado.” Não conheço o vinho, mas um comentário desse quer dizer que o ele é tudo de bom. B&D recomenda beber até 2020. Não conheço e não provei, mas confio. Santé.

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Safra 2017 de Bordeaux surpreende os críticos

Semana passada estive em Bordeaux visitando alguns grandes châteaux e pude apurar e perceber que é grande e positiva a expectativa para a safra 2017. A degustação dos vinhos Primeurs começa na próxima semana para os profissionais do mercado, mas para os jornalistas ela já aconteceu. Uma coisa é certa as uvas foram colhidas em boa maturação. Nenhuma nota verde detectada em ambas as margens do vinhedo. Os críticos começam a publicar seus comentários e as notas são bem altas e os melhores atingem 96 pontos na margem direita e 95 na esquerda para a Wine Spectator.

Quando visitei o Château Angélus, 1° Grand Cru Classé A, vi por diversas vezes Hubert de Boüard consultor e coproprietário, circular pelas adegas e supervisionar sua equipe. Ele nos conta que as merlots, uvas mais precoces do que as cabernets, foram colhidas em setembro e estavam bem equilibradas e com frescor, o que corresponde a uma tendência de gosto atual do consumidor. Foi na segunda semana de outubro que atingiu seu ponto de madureza a Cabernet Franc e em seguida foi a vez da Cabernet Sauvignion. A extração durante a vinificação foi a palavra chave do sucesso e do equilíbrio de um vinho terminado. A extração se fez delicadamente, privilegiando os taninos, o que marcará o ADN desta safra. Para os produtores que não sofreram com a geada, que mais parece para alguns uma amputação, a safra 2017 se inscreve na linhagem das mais belas expressões bordalesas. Equilíbrio, pureza, taninos carnudos, frescor e apetência, certifica Boüard.

Fachada do Château Angelus (foto Edith Monseux)

Já o crítico francês Jean Marc Quarin, que acabou de degustar 300 vinhos da nova safra, resume assim suas degustações: – Os tintos são bastante coloridos (nas degustações em Primeurs esta é uma característica que denota qualidade, nota minha) os aromas são frutados, precisos e constantemente puros, sem notas verdes e os melhores vinhos são complexos. Minha primeira surpresa foi a suavidade dos vinhos. Não esperava. Eles serão muito agradáveis de se beber, mesmo jovens. A graduação alcoólica está em torno de 13, característica do ano. Outra agradável surpresa é que os vinhos estão bem construídos no meio de boca e no final. Na margem direita os vinhedos das partes mais baixas gearam, o que obrigou o produtor que possui vinhas nas encostas a usar apenas estas, de melhor qualidade. O resultado mudou o vinho que ganhou em profundidade e é mais entusiasmante, conclui Quarin.

Se os châteaux atenderam às expectativas do público teremos preços para baixo, mas como a safra foi menor acho difícil. Em todo caso 2017 é um belo ano. Santé.

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Château Guiraud 1° Cru Classé é pioneiro em vinhos orgânicos

Esta última quinzena foi intensa. Depois de Prowein, a feira mundial de vinhos em Dusseldorf, emendei com Toques e Clochers, o leilão dos grandes brancos de Limoux, em seguida fiz com uma semana de visitas a grandes châteaux de Bordeaux. De volta ao meu vilarejo no Corbières trago para vocês alguns desses momentos. Começo com uma das últimas visitas a do Château Guiraud, 1° Grand Cru Classé de 1855, produtor magnífico que faz um fantástico Sauternes e um branco encantador.

Château Guiraud é um pioneiro na condução do seu vinhedo em modo orgânico entre os primeiros Crus Classés de Bordeaux. Entre as carreiras de videiras são plantadas gramíneas e uma cerca viva de diferentes variedades de plantas percorre a propriedade e trazem maior biodiversidade ao ecossistema. A fragilidade de um vinhedo é devida a monocultura e a uma mesma identidade genética para cada pé de videira, tornando-o uma lavo fácil para pragas. Para aumentar as defesas naturais o coproprietário e gerente Xavier Planty, criou um conservatório de cepas, onde faz uma seleção massal para replantar suas cepas e garantir diferentes ADNs. São 135 espécies de Sémillons e Sauvignions brancas com diferentes matrizes genéticas que Guiraud possui e conserva. A maior parte dos vinhedos usa clones reproduzidos em escala em hortos, mais econômicos e mais vulneráveis. O trabalho efetuado por Planty vai além da condução e se aproxima da biodinâmica, sem bruxaria, e vê tudo de forma holística. Ninhos para passarinhos podem ser vistos por todas as parcelas, eles irão atacar insetos que são nocivos. Insetos que também atacam as pragas tem sua presença estimulada para criar um ambiente ecológico onde a natureza ajude a evitar as doenças e pragas que atacam o vinhedo. Planty não usa herbicidas e possui certificação de orgânico desde 2011, apesar de conduzir deste modo desde 1996.

A localização em Sauternes é em frente ao Château d’Yquem, ao lado de Château Rieussec e banhado pelo rio Cirons, posição ideal para que a podridão nobre (Botrytis cinerea) aconteça. A uvas vão se botritisando, graças a um microclima particular, e são colhidas uma a uma conforme ficam no ponto ideal da prodridão nobre. A colheita se estende por vários meses no Château. Começa em final de agosto, para os brancos e podem terminar somente em dezembro para as uvas do Sauternes. Um verdadeiro trabalho de ourivesaria com colheita manual bago por bago, muito rigorosa. Aliada a uma vinificação perfeita vão oferecer vinhos de excelente qualidade. O branco é uma novidade que tem dado certo entre alguns grandes de Sauternes como neste e em d’Yquem.

G de Guiraud é um Bordeaux branco, a parcela é vizinha de cerca, viva, do Sauternes, mas não possui a classificação, tendo de se contentar com a denominação genérica, como seus vizinhos. Isso não impede que seja um grande vinho. É vinificado pela equipe de Planty com uma dedicação extrema. O corte é 50% de Sémillon e 50% de Sauvignion branca, tudo conduzido da mesma forma que o Sauternes. As cepas possuem idade média de 35 anos. No entanto as uvas não são botritizadas, são colhidas no final de agosto antes que a podridão se instale. A fermentação alcoólica é feita 80% em barricas, as mesmas que foram usadas no ano anterior para o grande Sauternes, e 20% em cubas de inox. O envelhecimento em barricas dura cerca de sete meses. Provei o 2014 e o 2017. O primeiro é muito aromático, untuoso e de longo comprimento. Aromas de pêssego branco, casca de limão e frutas exóticas. O segundo é mais jovial, com notas florais e toranja. Há um ano havia provado o 2013 um vinho enorme. G de Guiraud 2014 – 4****

Os Sauternes de Guiraud fazem parte do primeiríssimo nível. O Petit Guiraud é muito bom e o Guiraud excelente. Provei o Petit Guiraud 2013 e os Guirauds 1998, 2008 e 2009. Meu destaque é para o 2008 que possui frescor ótimo, aromas de damasco e toranja, na boca é amplo e com textura delicada. Elegante e possui um equilíbrio perfeito. Guiraud 2008 – 5***** Santé.

P.S. Recomendo também o restaurante do Château, La Chapelle que já merece sua primeira estrela.

 

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Atentado cancela parte do evento de Toques e Clochers em Limoux

 

O pacato interior do sul da França foi atingido pelo terrorismo islâmico. O leitor que acompanha Conexão Francesa sabe que moro perto de onde aconteceu o atentado. Carcassonne é a capital do departamento do Aude e tem 50 mil habitantes, Trèbes é bem menor. O supermercado U fica na estradinha que liga as duas cidades. Carcassonne, cidade medieval, recebe os turistas para a festa de Toques e Clochers em Limoux, no mesmo departamento. Limoux é o palco da festa leilão de Toques e Clochers que valoriza os vinhos da denominação e preserva o patrimônio histórico local. O atentado fez com que a festa popular no vilarejo de Loupia fosse cancelada. Foi por respeito às vítimas e por questões de segurança me confirma o presidente da cooperativa de Sieur d’ Arques Pierre-Louis Farges.

A festa popular já teve o sabor do Rio quando Kátia Barbosa, do Aconchego Carioca, fez os quitutes que agradaram em cheio aos 40 mil que lotavam um dos vilarejos da denominação de origem Limoux. Em 2012 quem presidiu o leilão foram os chefs do Rio Roberta Sudbrack, Claude Troisgros, Roland Villard e o sommelier carioca Dionísio Chaves. Mas o evento de 2018 vai acontecer e o leilão será neste domingo de Ramos e o jantar de gala também está mantido me assegura Farges. Este ano o chef triplamente estrelado Gert de Mageleer, da Bélgica, presidirá o leilão ao lado do melhor sommelier belga de 2005 Joachin Boudens. O chef assinará o menu do jantar de gala para 500 convidados e o sommelier estará a cargo da harmonização. Este ano além das tradicionais barricas (300 garrafas) que são dedicadas a restaurar os campanários das igrejas medievais de Limoux teremos as barricas da solidariedade. Estas para ajudar os vinhateiros de Limoux que foram atingidos por uma chuva de granizo que destruiu, em alguns casos até 100% da colheita. Santé.

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Prowein é uma corrida frenética

Prowein é uma corrida frenética por encontros e degustações. São apenas 3 dias para visitar 6870 expositores, mais 255 neste ano,  vindo de 64 países, mais 2 em relação a 2017. Sessenta mil visitantes contra 58.500 no ano anterior. Muita coisa em muito pouco tempo. O sucesso da feira está provocando reação na concorrência. Vinexpo que já foi a maior do mundo, como o Maracanã, vai reagir. O rumor é que em 2020 ela será em Paris e em janeiro. Portanto antes da Prowein e da Vinisud, duplo ataque. Pode dar certo. Se vão faltar châteaux para visitar vão sobrar oportunidades na Cidade das Luzes para belas recepções.

Brasil marcou presença com stand comum de Wines of Brasil. (foto Edith Monseux)

Durante a feira o Comitê Interprofissional do Vinho de Champagne, que reúne todos os produtores e Maisons, anunciou os números da exportação em 2017. O faturamento atingiu 2,8 bilhões de euros com crescimento de 6,6%. Aproveitei o momento para apurar os dados do Brasil que há alguns anos, antes da crise, chegou a passar de 1 milhão de garrafas. 2017 representa um crescimento de 2,1% em volume e de 10,1% em valor, comparado com 2016, totalizando 11.796.004€ e 57.5562 garrafas ocupando um modesto 28° lugar. Portugal é o 26°. Ao menos os números são positivos o que demonstra uma melhora da economia no Brasil. Santé.

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Novidades e negócios ditam o ritmo na Prowein

Dusseldorf é o palco da Prowein. O frio alemão nos acolhe com sua tradicional hospitalidade. Neva. Hoje, sábado, os últimos preparativos são realizados pelos produtores para poder receber os visitantes, leia-se compradores, na amanhã de domingo. A feira dura três dias e acaba no final da tarde de terça-feira. Prowein é imensa, circular entre os diversos pavilhões e visitar a todos exige do comprador disciplina e preparo físico. Selecionar vinhos vai ser quase uma maratona.

França, Itália e Alemanha são os países que ocupam dois pavilhões cada na Prowein.

Conferências, lançamentos e degustações especiais estão previstas. O Champagne Chassenay d’Arce vai lançar, em avant première, seu Pinot Blanc Extra Brut 2009 na segunda feira às 11 horas da manhã. Não será a única a trazer novidades o Champagne Bernard Remy também promete chamar a atenção. A União de Grands Crus de Bordeaux organiza uma degustação para mostrar os grandes vinhos de bordaleses. Não vão faltar novidades na Prowein. Santé.

Pode-se ver ao fundo os palets durante a montagem da feira no sábado.

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Como comprar vinhos em liquidações

Aqui a primavera está chegando e com ela as queimas de estoque de vinhos nas lojas e supermercados. Após as festas do final de ano e as férias de inverno, o estoque do enófilo francês diminuiu. O feirão da primavera que se aproxima é menos importante do que o do outono, mas é sempre uma oportunidade para repor algumas garrafas de vinho na adega. Esta feira exige sempre maiores cuidados para que o consumidor não caia em alguma armadilha e pegue alguns encalhes. O que é mais comum neste feirão. Este atende a demanda das lojas o outro dos vinhateiros.

No Brasil é importante notar que algumas liquidações às vezes oferecem, misturado aos bons vinhos, vários que não giraram bem. Não vender rápido pode ser apenas uma falta de hábito do consumidor com aquele produto, ou o vinho não ter agradado, ou podem ter errado o posicionamento, enfim, muitos fatores podem ser a causa. Na minha cidade, no Languedoc, a venda de Bordeaux é menor. Aqui a turma prefere o vinho da região. Há 3 anos um dos supermercados fez uma queima de belos vinhos do Médoc por 5€, apenas para abrir espaço na prateleira. Aproveitei e comprei tudo que pude.

Barbada no supermercado Lidl, Château La Couspaude GCC de Saint Émilion a preço de custo R$140.

Quando escolher um vinho em grandes promoções dê preferência para aqueles de denominações de origem que você conheça. Se o vinho teve estágio em barris de carvalho, é bem provável que ele aguente 5 anos ou mais, dependendo da região. Procure perguntar ao sommelier ou olhe na internet. Os bons do Languedoc você pode guardar sem susto de 5 a 8 anos. Um Bordeaux Superior, um Médoc, Châteauneuf du Pape ou Saint Émilion podem ser mais antigos. Já os varietais regionais é melhor você beber jovem, com 2 ou 3 anos de guarda apenas, para poder aproveitar os aromas de frutas frescas. Caso você queira um rosé, prefira Tavel, são vinhos com mais estrutura e que envelhecem bem.

Mas tudo depende do objetivo original com o que o vinho foi feito. Se foi feito para ser bebido jovem, normalmente os mais baratos, evite os mais antigos. Se é de uma denominação mais nobre vale arriscar e aproveitar a oportunidade. Se a moleza for grande compre uma garrafa, teste e se gostar compre a caixa e avise aos amigos. Santé.

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Prowein é a maior feira internacional do vinho

Para o consumidor o início do ano é o momento de aproveitar as centenas de promoções efetuadas por supermercados, lojistas e importadores. Afinal, é no verão que acontece a tradicional queima de estoques para fazer caixa e pagar a folha salarial. O motivo é a queda sazonal do consumo do vinho no Brasil e do tinto em particular. Afinal, é este que puxa a fila com quase 80% das vendas. O que justifica as promoções.

Por aqui o momento é bem diferente. É hora de produtores encontrarem os compradores, conhecerem a nova safra e encomendarem os vinhos que estarão à venda em 2018. Já tivemos a Millésime Bio, a Vinisud e no próximo final de semana começa a Prowein. Esta feira acontece em Dusseldorf, na Alemanha e se impôs como a principal feira mundial do vinho. A London Wine Fair encolheu absurdamente, a de Frankfurt, que alternava com Dusseldorf, sumiu. Vinisud busca se reinventar e briga com Vinexpo pela hegemonia francesa. Vinexpo encolheu, mas resiste bravamente graças aos seus fabulosos châteaux e grandes festas. O timing de Vinexpo atende apenas aos interesses de Bordeaux, pois acontece em junho. Bordeaux tem a apresentação dos vinhos Primeurs em abril e em maio a campanha de venda destes Grands Crus e assemelhados. Só lhe resta junho. Não é o momento ideal para os compradores que preferem ir às compras mais cedo. Bordeaux atrai muita gente, mas perdeu o peso enquanto grande encontro internacional do vinho, mas não o glamour.

Prowein entendeu isso e Vinisud também. Prowein forte de seus 6700 expositores de 61 países funciona como uma máquina de guerra alemã. São apenas 3 dias. Uma correria infernal. Com 52 mil m2 e seus enormes pavilhões os grandes produtores e negociantes estão todos lá. Os pequenos e médios tem muita dificuldade para participar. Os custos são altos. Os compradores gostam, pois lá podem fazer o encontro da maior parte de seus fornecedores em três dias. Uma proeza.

Para garimpar pepitas, novos e bons produtores, o esforço é grande. Afinal, não tem espaço para todos e nem todos conseguem fazer a viagem. Haja orçamento para feiras. Além das grandes – Vinisud, Millésime Bio e Vinexpo – existem as regionais, eventos B to B e as feiras para o público consumidor.

Estarei na Prowein e muitos importadores brasileiros não vão perder a oportunidade, afinal todos os países e grandes produtores estarão presentes. Eventos paralelos, degustações, nova safra, verticais, cursos e palestras. Vai ter de tudo. Ah, este salão, bem alemão, não oferece uma gastronomia decente. Uns poucos food trucks e algumas salsichas com fritas. Nada comparado à boa mesa dos eventos franceses.

Neste momento, na França o consumidor aproveita o feirão de vinhos de inverno. Menos importante do que o do verão que antecede a colheita, mas sempre uma boa oportunidade para encher a adega. Santé.

 

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Homens preferem rosé e as loiras

Continuando a degustar a pesquisa da Sowine/SSI para Vinisud nos deparamos com a questão sobre a cor preferida dos vinhos para a geração Milênios. Quando a questão é saber qual a cor do vinho preferida as duas cidades estão de acordo e a ordem de preferência é a mesma: 1° tinto, 2° branco e 3° rosé. A surpresa que rompe com estereótipos é que dentre os que preferem rosé a maioria é de homens. O rosé é mais consumido por homens, 56% em NY e 45% em Londres, do que por mulheres, 31% e 24% respectivamente. Definitivamente os homens preferem rosés e as loiras, como diz o título do filme dirigido por Howard Hawks e que tem Marilyn Monroe como ícone.

Espumantes lideram em Londres na geração Milênios. (arte Sowine)

Em uma coisa os dois sexos concordam: amam espumantes. O vinho preferido dos ingleses é o espumante com 41%, e olha que o Champagne está fora desta pesquisa, o que com certeza elevaria o índice, mas quem comprou a pesquisa foi Vinisud, do sul e não os champanheses, situados mais ao norte. Os Yankees colocam os espumantes em segundo com 36%. E 40% consomem as bolhas uma ou mais vezes por semana enquanto 36% dos ingleses a bebem mais ocasionalmente. Os homens consomem muito mais frequentemente os espumantes do que as mulheres, essas sempre nos surpreendendo. Em NY 54% dos homens bebem uma ou mais vezes espumante durante a semana, as mulheres são apenas 27% e em Londres 22%.

Quando esta geração bebe? De noite, né? Na noite e nos finais de semana é a escolha de 60% dos britânicos, já em NY eles são 50%. Mas nas noites durante a semana o consumo também é grande e um há um empate técnico entre Londres, 47% e NY 46%. No almoço durante a semana é a vez dos americanos mostrarem força com 23% contra 13% dos súditos de sua majestade. O local de preferência é, pela ordem, em casa, nos restaurantes e nas casas dos amigos, os índices são iguais ou acima de 50%. Nos bares apenas 29% dos ingleses e 24% dos nova-iorquinos bebem vinho. Devem tomar cerveja ou será que os pubs estão vazios? Os americanos fazem compras mais vezes por semana 49% contra 40% dos britânicos. Os ingleses preferem nitidamente comprar em lojas de varejo e supermercados 66%, tal qual na França os supermercados lideram. Afinal, sempre tem excelentes preços. Os americanos se contentam com 51%. Nas lojas especializadas 45% de americanos e 30% de londrinos. Na internet os Yankees são 25% a preferir este meio de compra enquanto os ingleses são 16%. No Brasil estima-se em 26%. Enquanto na China 40% das vendas seriam on line. Outro estudo da Sowine, genérico e não restrito a uma geração apenas, diz que no Reino Unido este índice seria de 30%. Acredito que nas grandes cidades a facilidade de comprar por impulso e a presença de muitos pontos de vendas próximos diminua a força da internet.

A geração muda, mas o bolso continua sendo a parte onde mais sensível do corpo humano. Os dois principais critérios para compra são o preço 40% em NY e 47% em Londres. No segundo critério temos outro empate. A origem do vinho é importante para 36% dos consumidores da geração Milênios. Praticamente no mesmo patamar, mas em terceiro lugar, as qualidades gustativas e olfativas do vinho. Logo depois são os tipos de uvas que determinam a escolha. E só então entra a força da marca que alcança expressivos 24% em NY e 14% em Londres. Uma coisa é certa as etiquetas devem ser de fácil leitura. Os rótulos clássicos ou modernas oferecem o mesmo grau de atração. O que ninguém gosta é de etiqueta maluca, as chamadas originais.

Anúncio desta semana do supermercado Lidl oferece preços baixos e bons vinhos.

Na outra pesquisa da Sowine, genérica, temos o orçamento médio do parisiense por garrafa que oscila entre 5€ e 10€ e o do nova-iorquino entre 11€ e 20€. Veja como é bom morar num país produtor onde o vinho não é taxado como álcool forte ou produto de luxo. Claro que mais perto de 10€ o vinho é melhor, mas este intervalo permite comprar vinhos muito bons. Santé.

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Merlot é a uva preferida em Nova Iorque e Londres

Nova-iorquinos e londrinos preferem vinhos de uva Merlot. A segunda colocada é a Pinot Noir, já a Chardonnay é a terceira. Se em NY a liderança é folgada, 34%, em Londres, 27%, o resultado é mais apertado e a Pinot Noir tem 23%, número quase idêntico ao americano que a coloca com 24%. A Chardonnay tem 23% em NY e 24% em Londres. Isso junto a um público jovem chamado de geração Milênios ou Y, como gostam os sociólogos e outros analistas do comportamento. No Brasil a Cabernet Sauvignion é uma das preferidas, mas nestas cidades fica apenas em quinto lugar, atrás ainda da Sauvignion branca.

Consumo de vinho pela geração Milênios. A merlot é a preferida nas duas cidades.

A Vinisud, feira de vinhos do Mediterrâneo, encomendou um estudo de mercado para agência de consultoria Sowine/SSI sobre as tendências de consumação de vinhos para a geração Milênios, aquela das pessoas que nasceram entre 1980 e 2000. O que estas pessoas têm em comum? São digitais nativos. Por isso tantos estudos sobre elas. É o novo perfil dos consumidores do futuro. E o vinho não podia deixar passar a oportunidade de saber como compra, quando e onde bebe esta geração. E mesmo saber se o fato do vinho ser orgânico ou ter preocupações com o planeta são importantes fatores de decisão no momento da escolha final. A pesquisa focou em dois grupos os americanos de Nova York e os ingleses de Londres. O motivo é que estes países são o segundo e o terceiro maiores importadores de vinhos (Fonte: OIV 2016) e as duas cidades são as de maior poder de influência no mundo (Pesquisa Forbes).

Interessante ver que o nova-iorquino conhece mais de vinho que o inglês e é mais interessado em aprender. Mesmo assim, na hora da escolha de um vinho a primeira consulta é feita a uma pessoa próxima para ambos (51%). A internet é fonte para 42% de americanos e 35% dos ingleses. Enquanto 59% dos americanos entrevistados bebem 1 ou mais vezes vinho por semana os londrinos são 52%. Os ingleses preferem os vinhos franceses, 40%, os Yankees preferem o vinho da nacional, 47%, com o francês em segundo com 36%. A Itália tem 36% nos dois países, sendo a terceira colocada em Londres. Santé (continua)

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