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Os Cru Classés de Graves

Escrevi na coluna anterior que os Crus Classés de Graves são na verdade de Pessac-Léognan. Graves é o berço histórico dos vinhos de Bordeaux. Mas somente em 1953 o terroir de Graves vai ser elevado à categoria mais alta da hierarquia. Paradoxalmente o Château Brion é um Premier Cru Classé desde 1855 quando a classificação dos Crus Classés surge.

Graves é o nome de um tipo de solo pedregoso que deu origem ao nome da denominação que fica às portas de Bordeaux. As videiras chegaram à região na Alta Antiguidade e se estendeu para o sul. A geologia e o microclima favoráveis levaram os romanos a produzir vinhos na região. Os tintos são elegantes e complexos com uma grande tipicidade e oferecem grandes brancos secos com enorme capacidade de envelhecimento. Hoje os Crus Classés de Graves ocupam 10% do vinhedo de Graves.

No jantar de abertura da Vinexpo o tinto de Haut Brion 2000, garrafa magnum, levado pelas mãos do príncipe Robert de Luxemburgo foi um dos destaques. Mas o Carbonnieux branco 2011, dos anfitriões, também em garrafa Magnum, chamou bastante a atenção dos convidados. Se as safras dos tintos iam de 1995 a 2010 os brancos se contentaram com as safras 2011, 2012 e 2013. Santé.

 

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Vinexpo, um salão com muito glamour

Se não se pode negar que Prowein é a feira mais profissional e, que em tamanho e certamente em negócios é hoje a maior, não há como comparar o glamour e a nobreza de Vinexpo. As recepções nos châteaux são magníficas e se impõe. O Brasil esteve presente com diversos importadores de todos os tamanhos seja do Rio, São Paulo ou Minas Gerais. Casa Flora, Casa Rio Verde, Wine Mundi, Grand Cru, Verdemar, Evino e outros que não tive a oportunidade de encontrar.

A cerimônia de abertura foi no Château Carbonnieux, um Cru Classé de Graves, organizada pelo sindicato dos Cru Classés de Graves, por mais que todos estejam em Péssac Léognan. Os 14 Crus estavam presentes com seus proprietários e diretores. O número de lugares era bastante limitado com menos de 300 convidados. Pelo que soube custava 300€ por pessoa.

Ao chegarmos em Carbonnieux atravessamos um jardim onde estavam expostos carros franceses do início do século XX. Nos jardins eram servidos sofisticados canapés, dentre eles um de filé de pombo. Em mesas os donos ou diretores dos châteaux nos serviam pessoalmente seus vinhos brancos e tintos. A matriarca de Carbonnieux cumprimentava a cada convidado quando estes entravam no salão. Na verdade, o pátio interior foi coberto por uma grande estrutura e se transformou num imenso salão para o banquete. O menu foi preparado pelo chef Alain Dutournier, do restaurante Carré des Feuillants, que ostenta 2 estrelas Michelin.

Para ver a lista completa dos Crus vá ao site www.crus-classes-de-graves.com.

Vale notar que entre os vinhos servidos estavam Château Haut-Brion tinto 2000, Smith Haut Lafitte tinto 1998, Château Olivier tinto 2003 , Château Carbonnieux branco 2011, Château Chevalier branco 2012. Veja a lista completa e o menu na foto abaixo.

Sua alteza real o príncipe da Luxemburgo, proprietário do Château Haut Brion eram um dos proprietários presentes ao solene jantar que exigia black-tie. Na saída do salão um café guloso isto é, com muitos docinhos, era servido aos convidados que podiam tomar também alguns GCC de Sauternes como La Tour Blanche, Guiraud e Champagne Deutz. Para encerrar com chave de ouro fogos de artifício de bela pirotecnia. Santé.

 

 

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Chegou a coleção primavera-verão dos vinhos franceses

A coleção primavera-verão não é uma exclusividade da alta-costura. Na França com o sol chegando depois de um longo e ” tenebroso” inverno é hora de abrir as portas dos châteaux e domaines para os consumidores e turistas. Mostrar a nova safra é primordial. O enoturismo é uma atividade complementar e importante da receita dos vinhateiros. Afinal, é na venda direta ao consumidor que o produtor tem uma maior margem.
Nesta sexta-feira, aqui perto de casa, quem abre as portas é o Château Vieux Moulin, um Corbières do terroir de Lézignan. Os vinhos de Alexandre They são de grande personalidade. No Brasil pode ser encontrada a safra 2012 do Corbières tinto Vox Dei, 91 pontos no guia de Robert Parker, a R$134 e o Les Ailes, o top da propriedade, com 93 pontos RP por R$199, ambos no site da importadora Grand Cru.
Ainda na sexta-feira um evento com jazz ao vivo no santo ambiente da Abadia de Fontfroide. Lá além da boa música os grandes vinhos de Fontfroide, que já esteve no Brasil pelas mãos da Wine Mundi, Ollieux Romanis, um clássico do Corbières-Boutenac, o muito bom Château La Bastide que era trazido pela Decanter e ainda a cooperativa Cellier de l’Aussou. Os vinhos são grátis e o pratinho de tapas custa 12€. Que beleza.
No sábado tem o evento da muito boa cooperativa de Castelmaure que produz principalmente vinhos de Corbières, mas ser um enclave entre o Fitou marítimo e o Fitou de interior. Seu território é o alto Corbières, terroir de Durban o que vai-lhe trazer uma maturidade tardia e mais frescor. Suas cuvées de referência são a Pompadour e a ambicionada número 3. Na programação lançamento do livro que conta a história desta cooperativa que nasceu no começo do século XX. Domingo é a festa dos profissionais na Vinexpo em Bordeaux.Santé.

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Muito além do vinho na AOP Fronton

Estive neste final de semana passeando em Toulouse, a grande cidade francesa do Sudoeste vinhateiro. A denominação de origem mais próxima é Fronton. A grande Toulouse chega a 1,2 milhão de habitantes, mas a cidade intramuros apenas 450 mil habitantes. A apenas 45 km pode se visitar o magnífico castelo de Laréole que data do século XVI. Aberto a visitas somente de maio a setembro é uma parada obrigatória para quem se aventura por Fronton, Gaillac ou Cahors. Como o castelo não é mobiliado o espaço é sempre utilizado para exposições e neste momento as esculturas de Daniel Coulet são a bola da vez. O artista expôs uma série onde a forma arco é a estrela.

Château de Laréole e um arco de do escultor Daniel Coulet.

A uva típica da denominação é a Negrette, que você pode encontrar também no Rosé Piscine, um delicioso vinho de verão desenvolvido para ser bebido com gelo. Na lojinha do château você encontra vinhos de Gaillac e Fronton, além de bons livros de história medieval. Santé.

A Catedral de Daniel Coulet.

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Paisagens do Vinhedo Rio-Grandense ganha prêmio principal do júri da OIV

Na Bulgária o Júri Internacional da Organização Internacional do Vinho, OIV, durante seu 40º congresso, atribuiu 10 prêmios e 8 menções especiais às melhores obras que disputaram a competição. Eram 65 concorrentes de 19 países. A originalidade e a qualidade das obras apresentadas caracterizaram a bela edição 2017 do Prêmio OIV. Havia prêmios em diversas categorias como Viticultura, Enologia, Economia Vitícola, História-Literatura-Belas Artes, História, Descoberta e Apresentação de Vinhos, Vinhos & Territórios, Vinhos e Gastronomia e Monografia. O Brasil ganhou o prêmio principal da categoria Vinhos e Territórios com a obra Paisagens do Vinhedo Rio Grandense de Rinaldo Dal Pizzol e Luis Vicente Elias Pastor publicada pelas Organizações Dores Couto. Santé.

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China mantém posição de segundo maior produtor mundial de vinho

Ontem foi divulgado o balanço do 40º Congresso Mundial da Vinha e do Vinho, o diretor geral da Organização Internacional do Vinho (OIV) Jean Marie Aurand divulgou os números globais do setor vinícola. A superfície plantada é hoje de 7,5 milhões de hectares e a produção de uvas atingiu 75,8 milhões de toneladas em 2016. A produção foi de 267 milhões de hectolitros e o consumo de 241 milhões de hectolitros. O vinhedo chinês segue crescendo (+ 17000 ha entre 2015 e 2016) atingindo um total de 0,84 milhão de hectares. Em primeiro lugar está a Espanha com quase 0.98 milhão de ha e a França em terceiro com 0,79 milhão de ha.

A produção de vinho em 2016 caiu 3% em comparação com 2015 devido a condições climáticas difíceis em diferentes países. O ranking ficou assim: Itália 50,9 milhões hl, França 43,5 milhões hl e Espanha com 39,3 milhões hl ocupam as três primeiras posições. Na América do Sul Chile 10,1, Argentina 9,4, Brasil 1,6, sempre em milhões de hectolitros, tiveram queda na produção devido ao clima. O Brasil é o 16º maior produtor de uvas, incluindo as de mesa.

Os maiores consumidores são os EUA, França, Itália, Alemanha e a China. O Brasil consumiu 3,3 milhões de hectolitros e tem um consumo per capita de 2 litros, na frente da China que tem apenas 1,4, mas bem atrás do líder Portugal com 54, dos vizinhos argentinos com 31,6 litros por pessoa ou mesmo do Chile que tem um consumo de 14,7. Santé.

O gráfico mostra as 5 principais variedades de uvas dos principais países produtores. Percebe-se a força da diversificação italiana. Louvável.

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Bordeaux não para e tira casquinha até do Festival de Cannes.

Enquanto em Bordeaux a place coloca à venda seus grandes vinhos da safra 2016, a campanha de Bordeaux Primeurs. Mouton Cadet que há 25 anos é patrocinador oficial do Festival de Cannes mostra sua força com seu Wine Bar no coração do Festival de Cinema de Cannes. Há cinco anos é aqui o local onde você deve estar (The place to be). Além do best seller Mouton Cadet a maison Baron Philippe de Rothschild oferece também grandes vinhos ao receber os convidados vip do Festival, isto é, membros do júri e artistas de renome mundial.

Na varanda do Mouton Cadet  Wine Bar Julien de Beaumarchais,

Philippe Sereys de Rothschild e Eva Longoria. @MCWB

O Wine bar que se debruça sobre a praia é também um momento de pausa para as estrelas que lá estão livres dos “paparazzis”. O “QG” do júri é aqui, onde podem ficar mais tranquilos. Um local ideal para degustar bons vinhos em Cannes. A marca de Bordeaux mais vendida no mundo produz para o evento uma série limitada, com serigrafia personalizada para o Festival do qual é fornecedora oficial. Quem quer aparecer não deve ir a este wine bar.
Casquinha não, tira pedaço. 😉 Santé.

 

A série especial tem as três cores.

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Fenavin a grande feira espanhola de vinhos

A Feira Nacional de Vinhos da Espanha é o local ideal para encontrar um amplo leque de vinhos espanhóis. O evento acontece na pequena Ciudad Real em pleno vinhedo da Mancha, a maior denominação de origem do mundo. A dificuldade de hospedagem é grande. Acidade não oferece grandes atrativos além da feira. Mas nós viemos para ver vinho, não?

Detalhe do painel dos vinhos da Andaluzia. (foto RR)
A oferta é grande, os preços são bastante atraentes e você pode encontrar muitos vinhos de grande corpo e estrutura e mesmo vinhos elegantes e nem por isso menos potentes. Comparando com Vinexpo, Prowein e Vinisud é uma feiri pequena, mas que vem crescendo. Ela guarda aquele tamanho humano onde o contato acontece sem os efeitos pirotécnicos dos grandes eventos. Vários brasileiros vieram e com certeza encontraram bons vinhos para fazer bons negócios.
Um grande espaço para degustar espumantes e tranquilos permitia uma análise isenta.Gostei da feira. Santé.

Detalhe do espaço de degustação livre. (foto divulgação)

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O vinho das mães

O vinho das mães não pode nunca ser qualquer vinho. Tem de ser escolhido com amor, carinho e afeto. Pode ser vinho, francês, italiano, espanhol, brasileiro ou mesmo de garrafão. Mas no seu ventre tem de ter um rebento que exale os aromas mais profundos do milagre da vida. Pouco importa a cor escolhida. Branca, rosada ou tinta a cor do amor tem que conter.
Se a mãe prefere um rosado, um branco inspirado ou tinto do sangue eterno não deixe de oferecer. Afinal, ela fez por merecer. Seja você o portador da garrafa almejada que decante este amor. Santé.

P.S.: Abra com carinho

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Taittinger vai produzir espumante na Inglaterra

A tradicional produtora de champagne Taittinger plantou 70 hectares de videiras em solo inglês, na região de Kent. O objetivo produzir um “sparkling wine” de alta qualidade. É bem verdade que a Inglaterra já vinha produzindo espumantes de qualidade (veja nossa matéria sobre a vinícola Denbies). O vinhedo foi comprado em 2015 junto à família Gaskain que produzia maçãs, pera e ameixa. Naquele ano as vinhas foram plantadas.
Em pleno cenário de Brexit, saída do Reino Unido da Europa, a Maison Taittinger investe na instalação de uma produção num território desconhecido. O solo inglês é similar ao da Champagne explicou em um comunicado Pierre Emmanuel Taittinger, o Presidente. “Nós continuaremos a amar os ingleses mesmo depois do Brexit. As primeiras garrafas ainda vão levar ao menos 6 anos para chegar ao mercado. Não adianta fazer fila. Santé.

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