Publicidade

Jornal do Brasil

Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Uma taça de prosa com o zagueiro Eric Prissette do domaine Villa Symposia

Nasci em agosto de 1964 no departamento do Norte, na cidade de Lille. Era zagueiro habilidoso  e joguei durante 10 anos no LOSC Lille, da primeira divisão francesa. Após me aposentar do futebol mudei me para o mundo do vinho em Saint Émilion, onde criei Château Rol Valentin, em 1994. Em 2009, com o Château já renomado o vendi para buscar um novo desafio! E lancei no Languedoc o domaine Villa Symposia, na época Coteaux du Languedoc, que conduzo em método orgânico nos seus 20 hectares. Entre 2011 e 2012 viajei ao Brasil do Rio até Natal parando de pousada em pousada com minha esposa e filho de 3 anos onde tive maravilhosos encontros com pessoas formidáveis. Fiz um pit stop em São Miguel de Gostoso, no Rio Grande do Norte, antes de voltar para a França para tocar o vinhedo. Estou doido para voltar ao Brasil.

Meu primeiro vinho –  Aos 25 anos tomei um Cos d’Estournel 1975. Como estava bom…. foi a recompensa por uma vitória num clássico de futebol.

 

Minha harmonização predileta – Um galeto na brasa com um merlot da margem direita de Bordeaux, num estilo Pomerol ou Saint Émilion. Dando nome aos bois Rol Valentin ou Pavie Macquin.

O melhor vinho que produzi – É sempre aquele que chega, é sempre a descoberta, como um nascimento e constante desejo de cuidar bem do recém chegado.

Minha região produtora preferida – Bordeaux e sua capacidade de oferecer grandes vinhos mesmo depois de 20 ou 30 anos de guarda.

 

Minha melhor lembrança – Cheval Blanc 1959, uma maravilha de equilíbrio e uma juventude empolgante.

Tonéis do domaine Villa Symposia no Languedoc. (fotos Eric Prissette)

Se meu vinho fosse alguém – Ele estaria sempre de bom humor.

Onde encontrarVilla Symposia pode ser encontrado na rede Zona Sul.

Santé.

Compartilhe:
Comentar

Uma taça de prosa com Jean-Pierre Foubet do Château Chasse-Spleen

Conexão Francesa cria dentro do blog a coluna “Uma taça de prosa com… ”. Oportunidade de colocar um rosto na garrafa do vinho que você bebe e assim dar uma nova vida ao vinho. Aproximar produtor de consumidor e, quem sabe, gerar uma empatia, uma identificação ou simplesmente saber que existe alguém atrás da garrafa. Vamos começar a coluna com Jean-Pierre Foubet do Château Chasse-Spleen em Moulis-en-Médoc, Grand Cru Excepcional de 1932.

Jean-Pierre Foubet é formado em relações públicas e psicossociologia. Trabalhou em agência e como freelancer. A partir de 2000 ele se une à família Merlaut e assume as rédeas do Château Chasse-Spleen como gerente geral sob a presidência de sua esposa Céline Villars Foubet. Em 2005 compra com Jean Merlaut o Château de Camensac, 5° Cru Classé situado no Haut-Médoc. Como sua esposa ele viaja o mundo para promover seus vinhos quando não está numa das propriedades.

Meu primeiro vinho – No dia da minha confirmação da fé católica, Crisma,  fui atraído pela promessa de um belo relógio e de dinheiro, que de fato recebi em segredo de minha avó. Na verdade, era bem pouquinho já que ela ainda contava em franco antigo. O vinho foi um Morgon. Mal comecei a beber e me senti alegre demais e tive que me sentar. Estava radiante. Meus pais eram da Lorena, fronteira belgo-alemã, e a adega deles era repleta de vinhos da Alsácia e Borgonha.

Céline Villars Foubet do Château Chasse-Spleen esposa de Jean-Pierre Foubet.

Minha harmonização preferida – Um vinho de Bordeaux bem encorpado com um queijo Camembert da fazenda, daqueles que seriam proibidos de entrar em solo americano, com uma bisnaga bem morena.

Minha região de produção preferida – Eu amo as uvas syrah do norte da Côte du Rhône como Hermitage e Saint Joseph. Os sabores são para mim exóticos, azeitonas pretas, perfume de “garrigue” e notas minerais, sem os defeitos dos vinhos de regiões quentes. Como exemplo citaria um Hermitage de Jean Louis Chave, 1988.

Minha melhor safra – Até o momento a de 2005. Seu nariz é de After Eight e cereja preta. Sua estrutura é muito bem integrada e com grande volume.

Fachada do château Chasse Spleen. (fotos divulgação)

 

Se meu vinho fosse um personagemJohn Cleese (foto Wikipédia), membro do Monty Python, grupo de comediantes ingleses. Sempre chic mas sabendo ser desconcertante. Chasse-Spleen nunca seguiu a moda do vinho. Ele é desconcertante por não seguir o modismo: uva super madura, vinho amadeirado e muito alcoólico. Ele é desconcertante, pois não temos medo do tanino e nem da acidez necessária ao equilíbrio. Ele é chic, pois envelhece com uma notável complexidade, sempre preciso.

Onde encontrar: Belle Cave, Mistral e nas boas casas do ramo.

Santé.

Compartilhe:
Comentar

Vinexpo Honk Kong consolida liderança francesa na China

De 29 a 31 de maio aconteceu a Vinexpo Hong Kong. São 20 anos de sucesso da feira de Bordeaux na China. A França soube construir e sabe liderar o mercado de exportação de vinho para a China. Lá ela conquistou 30,7% do mercado em volume e 42,2% em valor. O que mostra a força de Bordeaux, mas também dos vinhos do Languedoc e mesmo dos vinhos de mesa. Dois outros atores importantes no mercado chinês são o Chile e a Austrália, país homenageado este ano na feira. O país do canguru levou 225 expositores e a vizinha China 27. Dedicada aos profissionais Vinexpo levou 17500 compradores (+2%) num mercado asiático em pleno crescimento.

Contrato na mão mostra força dos críticos franceses. ( foto B&D)

Com o crítico Robert Parker Jr. aposentado quem brilhou foi a dupla francesa Michel Bettane e Thierry Desseauve que assinou contrato importante com o gigante da internet Alibaba para avaliar os vinhos do site e utilizar as notas do guia homônimo da dupla na plataforma de e-commerce. Estima-se que na China as vendas on-line representem 28% do mercado. Segundo Mike Hu, FMCG CEO do grupo Alibaba, “Nós apreciamos a segurança, a independência e a qualidade das avaliações de Bettane & Desseauve para ajudar nossos consumidores a escolherem os melhores vinhos”, afirmou. A luta do marketing se trava na mente do consumidor, neste caso uma vitória francesa.

Grandes Crus franceses conquistaram a China como o Château Guiraud. ( foto Candice Hunt)

Os produtores franceses com quem tive a oportunidade de conversar estavam felizes com as visitas no salão e com os tradicionais jantares de negócios que varavam a madrugada. Os vinhos de Bordeaux, fortíssimo no alto da pirâmide, e os do Languedoc na parte mais intermediária são os destaques franceses. Os vinhos de mesa, VDF, e VCE, da Comunidade Europeia fazem a parte inferior e garantem um forte volume. A União de Grandes Crus de Bordeaux tem espaço de destaque no salão. Hong Kong é plataforma que a turma do mercado considera o principal “hub” para o mercado asiático e a China em particular. A antiga colônia de sua majestade não absorve tudo, mas é de lá que os vinhos são em grande parte distribuídos para o circuito Ásia-Pacífico. Além de chineses e honcongueses, coreanos do sul, australianos, singapurianos, tailandeses, vietnamitas e malaios são os principais visitantes de Vinexpo. Santé.

União des Grandes Crus de Bordeaux teve espaço nobre na Vinexpo Hong Kong. ( foto Candice Hunt)

 

 

Compartilhe:
Comentar

O fim da ditadura Parker, a democracia das notas e a volta ao classicismo bordalês

Até 2012 Robert Parker Jr. acompanha de perto cada safra de Bordeaux. Seu julgamento imparcial e preciso, com enorme peso nos EUA, primeiro consumidor de vinho no mundo, e em outros mercados dita um estilo Parker. Este se caracteriza, apesar de ter evoluído, por uma grande concentração e muita madeira. Seja na melhoria dos processos, importante, seja para fazer prazer ao palato do crítico americano, nem tanto. O peso de suas notas influenciam produtores e consumidores do mundo inteiro. É a moda do gosto de madeira. Em 2013 Parker aproveita a deixa de uma safra complicada e não vai à Bordeaux degustar os vinhos “primeurs”, aqueles que estão nascendo e ainda vão envelhecer até dois anos. O mercado fica nervoso. Logo depois sua aposentadoria e a venda do seu boletim são anunciados.

Quatro grandes vinhos de Bernard Magrez.

A partir de 2015 o estilo dos vinhos de Bordeaux começa a mudar. Ou melhor, há um retorno de muitos produtores ao classicismo bordalês. Acabara a necessidade de fazer vinhos para que RP desse altas notas e com isso obter melhores preços e faturar mais na exportação. No mercado francês sua importância é desprezível. Alguns châteaux pagaram caro esta opção pois ficaram marcados por serem vinhos com muita madeira, estilo moderno. O que para um grande vinho é uma ofensa.

A ausência de Robert Parker fez com que outros críticos, revistas e concursos voltassem a ganhar maior importância. Em Bordeaux pode ser nitidamente observado a volta do frescor da fruta, uma presença da madeira mais controlada, da elegância e uma maior quantidade de vinhos mais aéreos. Isto é, vinhos mais sutis onde se aprecia cada curva do corpo com mais prazer. O vinho é mais insinuante, tem mais classe. Muita gente nunca aderiu ao estilo que fez moda. E pagou um preço. Hoje são glorificados.

A safra 2017 é o novo paradigma. Mais elegante, digesta e clássica afirma Florence Cathiard do Château Smith Haut Lafitte, GCC de Graves. Bernard Magrez, proprietário dos Châteaux Pape Clément, Fombrauge, La Tour Carnet, Les Grands Chênes e vários outros, afirma que hoje o consumidor está mais homogêneo e busca vinhos mais elegantes, frutados, menos pesados e com menos madeira.

O vinho e o amante do vinho evoluíram para melhor. Agora o consumidor pode valorizar a medalha dos concursos, as notas dos críticos europeus e quem sabe, em breve, a de bons sommeliers e críticos brasileiros. O que acho fundamental em Parker é que ele de certa forma forçou os vinhateiros franceses a evoluírem, a investir nas consultorias, melhorar o trabalho no vinhedo e na vinificação. Não bastava mais ter apenas o melhor terroir. Santé.

Compartilhe:
Comentar

Trilha com vinhos e alta gastronomia em La Clape no Languedoc

No último domingo participei do XV Sentiers Gourmands em La Clape Vinhateiro, uma trilha apetitosa no sul da França. Foram 9,5 km de marcha acompanhados da boa cozinha do chef Marc Schwall, Cuisiniers Cavistes de Narbonne, dos bons vinhos da denominação e de um lindo dia ensolarado na beira do Mediterrâneo. Cheguei com um grupo às 11:45 e pegamos em seguida nosso kit para a trilha: chapéu de palha, taça de vinho, caderneta com os nomes dos vinhos e roteiro, lápis e os tickets para cada prato do programa. Tudo dentro de uma bolsinha tiracolo para pendurar no pescoço. 1450 pessoas pagaram 56€ para participar do evento. Era forte a presença de ingleses e belgas.

Participantes retiram os seus kits no Château Pech-Céleyran em La Clape.

A primeira parada era pertinho do Château Pech-Céleyran, nosso ponto de partida. Bastaram 250 metros e ostras da ilha Saint Martin em Gruissan e um gaspacho Andaluz com pão frito e olivas em compota nos esperavam. Para degustar tínhamos seis vinhos sendo quatro brancos e dois rosés, onde destaco dois brancos. Château La Negly, Brise Marine, 2017, que foi muito bem com o gaspacho, importado pela Grand Cru. E o branco da cooperativa Cave de Gruissan, La Clape, 2017, que com seu frescor e aromas fez bom duo com as ostras. Em La Clape os vinhos brancos têm na Bourboulenc e Grenache branca as uvas dominantes, mas também são importantes a Marsanne, Roussane, Clairette, Rolle (Vermentino na Itália) e Picpoul, além de outras complementares.

Vista da tenda onde foi servido o prato principal.

Subimos a colina e aproveitamos a bela vista que nos oferecia de um lado os arredores de Narbonne, vinhedos e do outro o Mediterrâneo. Atravessamos umas parcelas de vinha e após uns vinte minutos de marcha e muito bate papo chegamos na segunda etapa do percurso. Uma entrada fria nos aguardava. Era um Entremelé de tourteau (siri gigante) e camarão num molho vinagrete de maracujá, muito bom. Aqui tivemos quatro brancos, um rosé e um tinto. O branco Classique do Château d’Anglès 2016 é um vinho de grande qualidade. O proprietário é Eric Fabre, ex-diretor técnico de Lafite Rothschild. Importado pelo Supernosso de BH.

O La Clape branco da Cave de Gruissan sendo servido.

Seguimos avançando com nosso grupo e chegamos na entrada quente. Era um delicioso raviole de pato confitado acompanhado de um minestrone de legumes, molho de vinho da uva grenache e um tomme de ovelha ralado. Quatro tintos e um rosé se apresentaram. Me chamou a atenção o Château Capitoul, Rocaille, 2016, que agora gira em torno do grupo Bonfils um dos grandes players do Languedoc. Os tintos têm nas uvas Syrah, Grenache e Mourvèdre sua base. Carignan e Cinsault são utilizadas de forma complementar.

Mais uma boa marcha, outra colina e chegou a vez de comermos um feijão branco com uma linguiça de porco preto ao torresmo. Delícia para matar a fome acompanhado do habitual pedaço de pão. Este é obrigatório nas refeições francesas. Aqui tinha mesa e conseguimos sentar na sombra. Que beleza. Os bons vinhos, seis tintos e um rosé, faziam a alegria dos participantes. Muitos destaques e cito aqui Château Rouquette sur Mer com sua Cuvée Amarante, tinto, 2015. A propriedade fica debruçada ao Mediterrâneo na antiga ilha de La Clape. Isso mesmo na época galo-romana era uma ilha, hoje está unida ao continente. Este vinho de Jacques Boscary é o ADN do Château. É o AOC mais em conta da casa, mas o que melhor expressa o terroir. Château Mire l’Etang, 2016, Duc de Fleury e o L’Intrus, 2016, do Mas de Soleilla (importado por Casa do Vinho do Armando Martini em BH). Outro bom vinho é o do Domaine Sarrat de Goundy, Le Planteur, tinto 2016. O Rosé Domaine d’Angel 2017 fez bonito.

 

Penúltima etapa antes do retorno ao ponto de partida nos levou a um queijo de cabra da fazenda, isto é, não pasteurizado, La Chamoise. Para escoltá-lo três brancos e dois tintos. O branco da Abbaye des Monges, Augustine, 2016, é produzido por um amigo, Paul de Chefdebien, nesta abadia cisterciense que data de 1202, do qual nos resta a capela Nossa Senhora dos Olieux. O vinho tem um corte de Bourboulenc (60%) e Rousanne e seu nariz é floral. Na boca frutas brancas e cítrico, tônico e com bom frescor. Um par perfeito para o queijo de cabra.

Ao final da trilha todos os vinhos do evento podiam ser novamente degustados ou comprados ao preço Château.

Descendo a colina voltamos ao Château Pech-Celéyran para sobremesa e café. Como na denominação não tem vinho doce ou espumante, a mousse de chocolate que estava dentro de uma casca de ovo, o petit gâteau e a compota de framboesas tiveram de se contentar com água e café Lavazza. Outra opção é o participante recomeçar a degustação ao som de bandas de música por todo o entardecer. Santé.

Tags: , , , , , , , , , ,

Compartilhe:
2 Comentários

Chef Sinicropi faz jantar exclusivo para o júri de Cannes e serve Taittinger Prélude

Nem só de grandes eventos vivem os restaurantes durante o Festival de Cannes. Antes de tudo começar, na véspera da abertura oficial, dia 7 de maio, um jantar em petit comité, reuniu os jurados da 71ª edição no Palme D’Or, o restaurante duas estrelas Michelin, situado no primeiro andar do Grand Hayatt Hotel Martinez, na Croisette, em Cannes. O chef Christian Sinicropi, cinéfilo assumido, preparou um jantar inspirado na filmografia da presidente do júri a australiana Cate Blanchett. Justa homenagem.

“Arte requer verdade não sinceridade” legendou no prato Catherine Sinicropi. (Foto divulgação) 

Manifesto é o título da entrada, Não estou Lá, nomeou o prato principal e O Senhor dos Anéis, foi a sobremesa. Estes foram os nomes escolhidos pelo chef Sinicropi e que inspiraram sua esposa Catherine, artista plástica, a criar pratos de cerâmica originais para cada serviço. Se Manifesto é inovação e transformação a receita de Pan Bagnat mandou bem: – “A fruta se transforma em sorvete, a horta em polpa acidulada, o campo crocante leva um toque de uma erva chamada marjolaine”. Para iniciar a conversa foi servido o champagne Taittinger Prélude feito de uma assemblagem de parcelas classificadas como Grands Crus sendo 50% Chardonnay e 50% Pinot Noir. A vinosidade da Pinot Noir vai valorizar a acidez da entrada. Ainda na entrada foi servido branco Quintessence 2014, AOC Palette, do Domaine Henri Bonnau. Palette é uma micro denominação de origem da Provence com somente 42 hectares. O prato principal foi o cordeiro de Aveyron, a melhor região produtora da França, a receita se inspira no estilo country de Bob Dylan: – “Um horizonte sensorial tendo como eixo o filé da sela do cordeiro, tomilho selvagem, o pasto e o estábulo.” Foi escoltado pelo Volnay Premiers Crus Les Brouillards 2012 do Domaine Parigot. Um Pinot Noir rico e amplo e de bela complexidade. Outra opção foi um vinho italiano, afinal estamos pertinho da fronteira, Aléatico 2011 da vinícola Antinori. A sobremesa foi um crocante de morangos regionais. Aqui voltamos ao Prélude Taittinger.

  • Champagne Taittinger Prélude abriu o jantar.

A vista para o Mediterrâneo é um convite para se debruçar na varanda do Palme d’Or, ver o mar, o pôr do sol ou estrelas desfilando na Croisette. O setor de alimentos e bebidas nos hotéis pode fazer eventos para pequenos ou grandes grupos, de luxo ou mais econômicos conforme a clientela e orçamento. Atrai com isso o público para a hotelaria e aumenta o faturamento e o glamour da casa. Santé.

Vista do terraço do restaurante Palme d’Or no primeiro andar do hotel Martinez em Cannes. (Foto divulgação)

Compartilhe:
Comentar

Festival de Cannes é um grande negócio para alimentos e bebidas

Os eventos aumentam em muito o consumo habitual de alimentos e bebidas nos hotéis. O departamento de A&B tem nos eventos uma fonte muito importante de faturamento. Na verdade, ele não se limita a servir café da manhã, refeições e bebidas aos hóspedes. Os salões, quando bem trabalhados, são fundamentais. No caso de Cannes, onde demos números na coluna anterior, mostram a força dos eventos.  O Festival de Cannes não se limita a um concurso para escolher os melhores filmes, atrizes, atores, roteiros e companhia. Se fosse isso seria apenas mais um dia na alta temporada. É o maior evento da indústria cinematográfica mundial. Em paralelo acontecem encontros que geram negócios, muitos negócios.

Ilha de queijos na Praia Majestic.

O Marché du Film é o mais importante centro de negócios do cinema reunindo 12000 profissionais sendo 3200 produtores, 1200 vendedores, 1750 compradores e 800 programadores de festivais. Percebeu que não tem ator e diretor na lista? Tem que alimentar esse povo todo. O hotel Majestic Barrière recebeu nesta última semana os profissionais do Marché. Foi lá na praia Majestic onde além do píer o hotel tem um restaurante que se debruça sobre as areias do Mediterrâneo. Ostras, queijos, canapés, vinhos e champagnes em profusão mantiveram o clima de negócio animado. Nas fotos abaixo e com os números que dei fica fácil acreditar que se consomem 18500 garrafas de vinhos e espumantes em 12 dias além de toneladas de alimentos. Santé.

 

Milhares de ostras vão ser consumidas no Majestic durante o Marché du Film. (As fotos são uma cortesia da produtora brasileira Mares Filmes.)

Os convidados no píer Majestic se servem de canapés.

Taças de vinho esperam os participantes no final do píer. 

 

Tags: , , , , , ,

Compartilhe:
Comentar

Veuve Cliquot bomba no festival de Cannes

Maio na França é o mês dos feriados. São quatro: 1° de maio, esse você conhece, 8 quando se comemora a vitória na II Guerra Mundial, 10 é dia da Assunção da Virgem Maria, e mais para o final do mês, dia 21, Pentecostes, descida do Espírito Santo. Esta semana foram dois como você percebeu. Um na terça e outro na quinta. O resultado é que nem campanha de Bordeaux Primeur teve. Afinal, aqui a turma enforca direto.

A rotunda do Majestic mudou de nome e agora chama-se Veuve Clicquot, nova parceira do renovado hotel Majestic.

A França que não parou é a que recebe o Festival de Cannes. O mítico evento cinematográfico faz a cidade do Mediterrâneo ferver. No hotel Majestic Barrière os números dos 12 dias do Festival são assombrosos. São 25 mil refeições servidas, 2 toneladas de lavagantes, 3 de peixes, 40 de frutas e legumes, 160 mil ovos, 50 kilos de caviar, 350 de foie gras e 800 lagostas. 18500 garrafas de vinho, sendo mais da metade de Champagne. Quem deitava e rolava era o grupo Vranken-Pommery, parceiro da casa. Este ano a parceira passou a ser Veuve Clicquot. A equipe do hotel passa de 350 a 700 pessoas. 15% do faturamento anual com o item alimentação acontece nestes 12 dias. Uma loucura. Mas o Festival não é apenas o Majestic, seu berço, mas toda uma cidade que recebe turistas, jornalistas e artistas nesta grande festa da sétima arte. Santé.

Compartilhe:
Comentar

Restaurante L’Entrecôte de Toulouse faz sucesso há 52 anos.

Estava este 1° de maio em Toulouse e passei em frente a um restaurante que sempre tive a curiosidade de conhecer. O L’Entrecôte. Curiosidade, pois nunca tive coragem de enfrentar a longa fila que se estende pela calçada do Boulevard de Strasbourg, artéria principal da cidade. Já havia ouvido comentários de que a carne era boa e tinha fritas. Neste feriado não havia fila do lado de fora. Entrei. Uma pequena fila de 12 pessoas me aguardava no interior. Não desesperei. Em oito minutos sentei. O serviço é rápido e as mesas giram diversas vezes ao longo do dia.

O tradicional contra-filé com seu molho secreto.

Olhei e não vi cardápio ou carta de vinhos. A garçonete chegou e perguntou qual o cozimento da carne que desejava. Ao ponto, mal passado ou sangrando. A carne é uma só. E não é entrecôte. É um contra-filé fatiado de 170 gramas com fritas à vontade. Enquanto não chega a carne uma salada de alface com nozes e a tradicional cesta de pão fazem o tempo passar. Perguntei pela carta de vinhos, mas a garçonete me deu o nome dos vinhos da casa. O Le Bordeaux de L’Entrecôte, com um corte Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignion,   e o Rosé de L’Entrecôt. Um terceiro vinho regional vai estar presente em cada um dos restaurantes desta pequena rede de sucesso. Em Toulouse é o Château de Saurs, cuvée La Constance, de Gaillac, uma denominação do Sudoeste. O outro rosé é o IGP d’Oc Domaine de Fontiès. Você pode pedir taça, meia garrafa ou garrafa. Provei os tintos e preferi o Bordeaux que é correto e equilibrado, já o Gaillac apresentava um certo desequilíbrio. O vinho era quente no jargão da sommellerie, isto é, o álcool estava muito presente na boca.

Château de Sours tem no seu corte as castas regionais Brocol e Duras além das badaladas Merlot e Syrah tudo em partes iguais.

Quem faz muito sucesso é o molho, mas eles não dão a receita de jeito nenhum.  Decifrei boa parte da receita secreta. O molho é à base de manteiga, mostarda de Dijon, alcaparras, aliche, uma ponta de limão siciliano e pimenta do reino em quantidade. Delicioso. Existem 5 unidades na França: Montpellier, Lyon, Nantes, Bordeaux e Toulouse, o original da rede. Este foi criado em 1962 por Henri Ginestes de Saurs que se inspira no parisiense Relais de Venise, criado por seu pai alguns anos antes. Há 56 anos a fórmula do sucesso não muda.

A tarte tatin da casa é saborosa e tem uma bola de sorvete de baunilha. (fotos Rogerio Rebouças)

A única carta é a de sobremesas muito boa e farta. Tudo feito na hora. Não é um restaurante gastronômico evidentemente, mas é de estilo familiar, bem feito e bem servido. As sobremesas custam 6€ (R$25,20) ou 5,50€ (23,10€), o menu 19€ (R$80) e os vinhos 4€ (R$17) a taça, 9€ (R$38) a meia garrafa e 16€ (R$68) a garrafa. As garçonetes se vestem de amarelo e preto e as paredes são decoradas com um tecido de estampa escocesa.

No Brasil o L’Entrecôte de Paris e o L’Entrecôte d’Olivier são amplamente inspirados no conceito francês. Os dois andam se bicando nos tribunais. Ah, se o original francês mete a colher nessa briga. Santé.

Compartilhe:
2 Comentários

Château Croix Mouton é um grande vinho a preço bem comportado

Jean Philippe Janoueix é a quarta geração de uma família que sabe produzir e vender vinhos. As origens remontam a 1867, mas será em 1930 que seu avô Joseph comprará a primeira propriedade Château Haut Sarpe e posteriormente La Croix e La Croix Saint Georges em Pomerol. Seu pai Jean François expande as propriedades adquirindo outros châteaux na margem direita. Em 1994 o caçula Jean Philippe pilota o Château Chambrun de apenas 1,7 hectares em Pomerol, lá as propriedades são pequenas mesmo, e se destaca. O seu sucesso permite buscar outras aventuras e possuir alguns ícones da margem direita como Château La Confession, Saint Émilion Grand Cru, e Château La Croix Saint Georges em Pomerol. Parker o considera um belo produtor e suas notas estão em geral acima de 90 nestes dois vinhos, chega a atingir 93 em 2010 no de Saint Émilion e 93+ com o Pomerol em 2012. Além de possuir outros bons vinhos em áreas nobres como Sacré Coeur também em Pomerol, Cap Saint George em Saint Émilion e Cap D’Or na denominação satélite Saint Georges Saint Emilion.

A cada ano a fonte e a cor da letra M mudam marcando a diferença entre as safras do Château Croix Mouton.

Além destes grandes vinhos Jean Philippe tem ainda outras belas propriedades que buscam produzir vinhos que não necessitam de um longo de envelhecimento para se ter prazer. Não necessitam, mas podem envelhecer por vários anos. Falo de 20 Mille, Château Le Conseiller e Château Croix Mouton todos em Bordeaux Supérieur. Vou me restringir a este último pois é facilmente encontrado no Brasil.

 

Dionísio Chaves sommelier bicampeão brasileiro, degusta atrás das garrafas os vinhos de J.P. Janoueix

Duas safras distintas estão no mercado neste momento. A rede carioca Zona Sul selecionou Château Croix Mouton 2010 e a escolha do sommelier consultor Dionísio Chaves não se deu apenas porque o ano foi fantástico, mas por também estar pronto para beber e no seu apogeu. Um dos critérios da seleção de toda a linha Reserva Especial. O preço é R$ 129,60. Já a Evino, site de vendas on line, optou pela safra 2014 um ano dito clássico, isto é, bom sem ser excepcional, e está hoje sendo vendido a R$ 127,90. Para Robert Parker o 2010 do talentoso Jean Philippe é um “excepcional de uma denominação modesta” (outstanding wine from a humble appellation) e sapecou 90 pontos. Foi Neal Martin quem provou 2014 no guia americano e o defende de quem o considera de estilo moderno alegando que é equilibrado e potente. Deu 87 pontos e pode ser bebido agora ou dentro de alguns anos. Críticos diferentes e anos diferentes. Mas sempre com patamares altos de notas.

Com os vinhos de Jean Philippe Janoueix a certeza é que mesmo em denominações mais modestas o rigor no cultivo, na seleção das uvas e na vinificação estão presentes. A uva dominante é a merlot, a densidade chega a atingir 6600 pés por hectare, o rendimento é inferior a 46 hl/ha, quase igual ao do La Confession  que tem 42, idem para o período na cubas. A idade das vinhas é de 39 anos quando em La Confession é de 40. Outro terroir e outras características, mas um grande vinho por um preço bastante justo para os padrões brasileiros. Santé.

Tags: , , , , , , , ,

Compartilhe:
Comentar
?>