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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

A safra de 2018 em Bordeaux é um bom investimento

Para entender como funciona a campanha de Bordeaux Primeurs e seus mecanismos Conexão Francesa entrevistou Laurent Bonnet diretor (foto abaixo) e sócio da L. D. Vins, um dos grandes negociantes de Bordeaux que tem entre seus acionistas os donos do Châteaux Issan, Pédesclaux e Lilian Ladouys, o que lhes permite perceber o que acontece em duas pontas do mercado.

RR – Quais os critérios para uma boa safra em Bordeaux?
LB – Como você sabe, para que haja uma grande safra em Bordeaux, devido ao nosso clima oceânico, são necessários vários critérios: floração rápida e homogênea, uma restrição hídrica progressiva em julho para retardar o crescimento da videira, um amadurecimento completo das uvas graças aos meses secos de agosto e setembro, mas sem calor excessivo a fim de evitar um estresse hídrico. Um tempo moderadamente quente e com leves chuvas durante as colheitas de uva. Estes critérios foram respeitados em 2018 e o conjunto da vindima é muito qualitativo, esta observação foi confirmada pelas degustações, bem como pela clientela internacional e os vários jornalistas especializados.

RR – Algum destaque?
LB – Mesmo as propriedades, muito afetadas pelos diferentes ataques de míldio, produziram uma qualidade muito boa, como foi o caso do Château Palmer. Há alguns grandes sucessos nesta safra, especialmente nos Médocs comunais. Os brancos também foram muito bem sucedidos.

RR – O que faz uma campanha de Primeurs ter sucesso?
LB – Para uma campanha ser exitosa é necessário que o mercado acompanhe e, em um contexto econômico global complicado, a questão do preço é muito sensível. O preço justo é entre o preço de 2015 e o preço de 2016 dependendo da situação de cada safra. Château Angelus 2018, lançado ao preço de 2015, foi quase imediatamente esgotado. Todos os mercados que seguem os Primeurs estão ativos, na Europa, França, Ásia e Estados Unidos. Estes desfrutando de uma tripla vantagem: boa saúde da economia americana, taxa de câmbio favorável e um grande ano.

RR – Vale apena investir na safra 2018?

LB – O ano de 2018 é, sem dúvida, um bom investimento porque as quantidades estão muito bem distribuídas e repartidas pelos diferentes mercados e clientes, o que resulta em uma avaliação quase mecânica e imediata. Também é uma boa safra para os importadores investirem numa distribuição nos diversos canais de vinhos ao consumidor e para vinhos de preço médio.
Como diz o enólogo Eric Boissenot, “2018 é uma safra excessiva em todos os sentidos”, a esperança para o sucesso desta campanha é que os preços permaneçam razoáveis e que o sucesso seja total.
Santé.

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Bordeaux 2018 tem excelente qualidade e preços bem comportados

A chamada campanha de Bordeaux Primeurs 2018 começou e os preços estão se mostrando bem comportados. O primeiro vinho a sair foi o badalado Château Angelus que é oferecido pelo negócio a 252€ a garrafa, uma queda de 8,7% em relação à campanha da safra 2017 e o mesmo preço de 2005. O mercado comprador deve ser bastante ativo para ingleses e americanos, que sempre olham os preços com atenção. Assim o mercado não dependerá tanto dos asiáticos, mais perdulários. Como a qualidade está excelente os importadores e os grandes compradores franceses estão certos de que este ano é um bom ano para investir e comprar antecipado.

Outros vinhos renomados já saíram como o Chateau La Couspaude, Saint Émilion Grand Cru, que em 2017 estava por 30€ e este ano manteve o preço, Château La Tour Carnet saiu a 20,40€ em 2017 e este ano ficou estável a 20,76€ para o tinto. O Sauternes Rayne Vigneau se manteve a 31,20€. O La Tour Blanche segue no mesmo preço a 27,60€. O Château Dauzac, Cru Classé de Margaux, também repetiu o preço de 2017 e se contentou com 30€, apesar da pontuação ter subido na Wine Spectator de 90/93 para 92/95. Segundo Colette Van Der Hauwert, gerente de exportação da Maison Bouey, um grande negociante de Bordeaux, os grandes vinhos ainda não saíram e são eles que definirão a tendência exata da campanha 2018. «Até o momento ninguém saiu realmente acima de 2017», afirmou a gerente.

Nos próximos dias a campanha deve acelerar, pois este ano a feira de vinhos de Bordeaux, Vinexpo, começa mais cedo. A XX edição vai de 13 a 16 de maio, este é o grande encontro francês do vinho e a campanha tem que acabar antes, afinal os atores estarão na feira recebendo seus clientes e degustando seus vinhos. Este ano o presidente francês Emmanuel Macron, um grande amante e defensor do vinho, irá abrir os salões para os 1600 expositores de 29 países. Vinexpo que nasceu em Bordeaux se multiplicou e hoje acontece com sucesso em Hong Kong e Xangai. Tem ainda uma edição New York e em 2020 lança a versão Paris, em janeiro, para forçar uma disputa direta com Wine Paris, ligada a Vinisud e a alemã Prowein.

Grandes marcas internacionais francesas estão confirmadas em Bordeaux como Champagne Bollinger, Henri Bourgeois, Minuty, GH Martel & Cie, Grands Chais de France, Champagne Nicolas Feuillatte, Albert Bichot, Joanne, Baron Philippe de Rothschild, Bernard Magrez ou ainda CVBG-Dourthe Kressmann. Da Argentina Catena Zapata e Clos de los Siete, da África do Sul Robinson & Sinclair, da Espanha Felix Solis Avantis, Marques de Cáceres e até a China vai estar presente com Cofco Greatwall. Brasil vai se contentar com a versão New York. Este ano há um aumento 15% do número de expositores e três novos países: Vietnam, Suécia e Turquia. Santé.

 

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Degustando em diferentes momentos da vida do vinho

Em abril estive duas vezes em Bordeaux. Primeiro para acompanhar a degustação dos vinhos Primeurs, os que estão nascendo da safra de 2018, e depois numa visita enoturística por alguns grandes châteaux e bons restaurantes bordaleses. Entre uma e outra festejei o Domingo de Ramos em Limoux no famoso leilão de Toques e Clochers, onde a uva Chardonnay se exprime de dezenas de modos diferentes. Cada visita destas é uma verdadeira aula de sommellerie.

Degustando so grandes vinhos de Bernard Magrez no château Pape Clément.
Na degustação de Primeurs de Bordeaux e Limoux temos de projetar a evolução dos vinhos que ainda estão nas barricas. Já na visita aos châteaux degustamos safras prontas e diferentes vinhos do mesmo produtor, além de visitar as adegas e ver as mais modernas inovações que os produtores de ponta estão utilizando ou experimentando. No Château Pape Clément pude degustar os grandes vinhos de Bernard Magrez: Château Grand Chêne no Médoc, Fombrauge em Saint Émilion, Tour Carnet no Haut Médoc, Pape Clément em Péssac Léognan (branco e tinto) e Clos Haut Peyraguey em Sauternes. Expressões diferentes de Bordeaux em cada garrafa, mas com a sensibilidade de Bernard Magrez em todas as taças. São vinhos elegantes, profundos, complexos, longos e longevos como devem ser os grandes vinhos.
Em Limoux acontece o casamento perfeito entre a alta gastronomia, o jantar foi preparado pelos chefs triplamente estrelados René e Maxime Meilleur, e os grandes brancos do Sul da França. São Chardonnays com corpo, alma, estrutura e capazes de envelhecer até vinte anos. Sim, o Languedoc sabe fazer grandes vinhos de guarda tanto brancos como tintos. Os Toques e Clochers são vinificados e envelhecidos em barris como os grandes da Borgonha. Possuem condições para sustentar harmonizações com peixes, mas também com carnes brancas e mesmo algumas vermelhas. São de grande nível e superam os 90 pontos com facilidade.
O exercício de degustar vinhos Primeurs é sempre a busca por um tiro de longa distância. Tanto para os brancos de Limoux quanto para brancos e tintos de Bordeaux. Os aromas, taninos e outros ainda não estão integrados. São peças soltas e inacabadas de um delicioso quebra-cabeças. Por isso os críticos preferem dar um intervalo de nota do que uma nota precisa ao degustar estes vinhos. O tempo dirá se a nota é para mais ou para menos no intervalo. O vinho será degustado novamente depois de engarrafado, ainda será um recém-nascido. Somente os anos lhe darão traços que o marcarão e o definirão para o resto de suas vidas. Santé.

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Safra de Bordeaux em 2018 tem vinhos excepcionais – parte 2

São cerca de 200 châteaux e 300 vinhos que são apresentados e comercializados em Primeurs. Eles atraem 6000 profissionais para as degustações. As vendas antecipadas, sistema único no mundo, tem como principal ator a Union des Grands Crus de Bordeaux, UGCB, que reúne a elite dos produtores, mas que representa somente 3% da produção da bordalesa. A compra antecipada oferece a oportunidade de comprar vinhos raros a bons preços.

Michel Roland, o guru do vinho acredita em uma safra com vinhos excepcionais.

O consultor e produtor Jean Luc Thunevin mostrava na sua garagem de Saint Émilion seus vinhos e o de dezenas de produtores parceiros. Dentre eles destaco Château Fleur Cardinale, Saint Emilion GCC, em grande forma após um 2017 sem produção devido a geada, Château Bellevue de Tayac, Margaux, mostrando toda sua precisão. De autoria própria de Thunevin me encantaram Bad Boy, a referência “garagem” e, claro, Valandraud seu grande vinho, estrela maior do espaço. Não longe dali Michel Roland recebia compradores no Château La Dominique e mostrava não apenas este grande vinho mais a nova safra dos vinhos para os quais presta consultoria. O guru do vinho comentou a safra e disse: – “Os vinhos de Bordeaux estão concentrados e maduros. Se a safra não é de todo homogênea, penso que é um ano um tanto excepcional e teremos vinhos excepcionais”, afirmou ao gravar vídeo para a revista francesa La Revue du Vin de France.

Cenário indiano para as sessões de fotos. Na esquerda Rogerio Rebouças, ao centro Rafael Moreira com sua esposa Vanessa à direita. 

Fiz algumas visitas e degustações privativas na companhia de Rafael Moreira Romano, diretor da importadora Barrinhas e degustamos juntos os vinhos do Château Nenin, L’Evangile, Ausone e Cos Estournel. Com certeza foi neste último onde a recepção foi mais impactante. Os jardins com suas cercas vivas em forma de elefante, o magnífico château, o casal de recepcionistas vestidos em roupas típicas da Índia, país que tanto encanta o proprietário. Degustações comentadas dos vinhos de Cos Estournel e, de quebra Champagne Jeeper e o do Tokaj-Hétszolo, ambos tops de linha. A diferença começa na recepção quando cada convidado recebe um livreto trilíngue personalizado, isso mesmo, com seu nome na terceira página. Ali você encontra todas as informações sobre a safra 2018 e os vinhos que serão degustados. Eram cinco os vinhos. Cos d’Estournel e seu segundo vinho o Pagodes de Cos, ambos nas duas cores e ainda o Goulée by Cos d’Estournel, Médoc. Os tintos são Saint-Estèphe já os brancos, por questões legais, são classificados como Bordeaux apesar de serem produzidos na mesma região. Após a degustação uma foto num cenário indiano que você recebe na hora. Na saída um pequeno mimo é entregue pela recepcionista, um potinho de pimenta em grãos de Kerala, Índia.

Entrada do Château Cos d’Estournel em Saint Estèphe, Bordeaux, com seus elefantes. (foto Rogerio Rebouças)

Para Rafael Moreira a semana de Primeurs foi de alto nível e permitiu conhecer melhor os vinhos ao ir na propriedade, sempre melhor do que numa feira, explica. Os jantares e almoços foram muito bons. Realmente um evento que dá vontade de repetir, afirma. Durante as degustações da UGCB alguns châteaux selecionados (Fonréaud e Branaire Ducru) ofereceram um almoço no estilo executivo regado ao vinho da casa. À noite jantares oferecidos por negociantes ou produtores completam a programação. No negociante L.D. Vins cada noite um château era colocado em destaque e uma vertical era apresentada pelo produtor. Este ano os destaques foram Château Palmer, Château Pape Clément e Almaviva. Santé.

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Bordeaux Primeurs 2018 – primeiras impressões

Bordeaux apresentou esta semana seus vinhos da safra 2018. Não se trata de uma feira como Prowein ou mesmo Vinexpo. É algo bem mais reservado e dedicado aos grandes “players” do mercado dos Grandes Crus, os melhores de Bordeaux. A grande locomotiva são as degustações da Union des Grands Crus de Bordeaux, que reúne a tropa de elite. A elite desta elite faz degustações privativas para os compradores, coisa fina e seleta. Mas outsiders como os Crus Bourgeois e alguns enólogos de referência como Stéphane Derenoncourt e Jean-Luc Thunevin também mostram seus vinhos para esta seleta clientela em degustações paralelas.

Taças de prova no Château Clos D’Estournel em Saint-Estèphe.

O que pude constatar conversando com diversos produtores e seus enólogos foi que a safra de 2018 exigiu muita atenção devido as chuvas no começo do verão. Ela favoreceu a proliferação do míldio, um fungo que ataca as vinhas. A pressão foi forte e exigiu uma atenção reforçada dos produtores. Mas as demais condições climáticas e da vegetação foram todas atingidas. O final de estação foi perfeito graças a um final de verão quente e seco. O dito aquecimento global tem favorecido o vinhedo de Bordeaux que tem produzido safras exuberantes com maior frequência e as safras mais difíceis, como 2013, não foram na realidade tão prejudicadas como nos mostram degustações atuais. Resultado deste ano é uma safra excepcional, com exceção de Barsac e Sauternes.

Na margem esquerda segundo Michel Bettane, o principal crítico francês, o maior destaque é para Saint-Estèphe e ele destaca Calon Ségur e seu pupilo Cru Bourgeois Capbern que tem um precinho superbém comportado. Beychevelle, Haut-Marbuzet, Armailhac, Gloria, Saint-Pierre, Giscours, Boyd-Cantenac, Brane-Cantenac (sempre no topo) seguem uma via de excelência. Palmer se aproxima a grandes passos do topo da lista. Este ano Palmer não produziu seu segundo vinho, Alter Ego, devido ao rendimento extremamente baixo, 11hl/ha. Fui na degustação privativa de Cos d’Estournel onde pude constatar esta performance sublime de Saint-Estèphe.

O Château Ausone em Saint Emilion apresentou também o grande Château La Clotte.

Na margem direita são destaques La Dominique e Angelus segundo as primeiras impressões da equipe de Bettane. Adiciono ainda Ausone, La Clotte, Nenin e L’Evangile que estão fenomenais. Pape Clément em Pessac Léognan se distinguem juntamente com Haut Brion. Santé. (Continua)

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Uma taça de prosa com Didier Depond dos Champagnes Salon e Delamotte

Tenho 54 anos e nasci em Tours no Vale do Loire. Em 1986 entrei no grupo Laurent-Perrier e hoje presido o Champagne Salon e Delamotte (ambos fazem parte do grupo) que são vinificados no mesmo local. Comecei minha carreira como vendedor e depois fui para o marketing onde cheguei ao posto de diretor geral em 1997 e presidente em 2000. Meu primeiro vinho – Meu primeiro vinho eu provei muito cedo como é tradição numa família de vinhateiros, meus dois avós eram produtores na Touraine. Respeitando o antigo costume uma gota de vinho na ponta do dedo de meu pai foi colocada na minha boca durante meu batismo. Sorte de iniciante era um bom Sauvignon branco.
Minha harmonização preferida – Sem dúvida Champagne com trufas ou com um Comté, (queijo de massa dura) curtido 12 meses. Já com um Champagne de safra antiga gosto de um “ris de veau” (timo do vitelo) ligeiramente grelhado.

 

Minha região preferida – Quando nós amamos realmente o vinho estamos sempre abertos a diferentes regiões e bons vinhos são produzidos em muitas partes do mundo. Eu prefiro beber os bons e os grandes vinhos, não importa de onde venham. Bordeaux, Borgonha e Champagne são meus prediletos, mas não esqueço a Argentina e seus Malbecs, a Espanha e seu Jerez, nem Portugal e o vinho do Porto.

 

Meu vinho favorito – A ocasiões são muitas para beber bons vinhos e conforme o momento irei mudar. Meus Champagnes, claro. Eu gosto de beber um Fino (Jerez) ou um grande Armand Rousseau, da Côte de Nuits na Borgonha, ou ainda um Léoville Las Cases, de Saint Julien no Médoc.

Didier degusta um Salon 2002. (fotos Michel Jolyot/divulgação)

Minha melhor safra – Produzir vinhos e safras é como o nascimento em uma família. Cada filho é precioso e todos devem ser amados. Eles serão diferentes, cada qual com sua personalidade. Em Delamotte o Blanc des Blancs é um vinho fabuloso, bem equilibrado e verdadeiro. Um vinho para beber e repetir. Ele é a carteira de identidade da nossa “Maison”. Já em Salon somente produzimos nos grandes anos. Foram apenas 37 no século XX, caso único no mundo do vinho em todos os continentes. Então destaco Salon 1997, Salon 2002 e, em breve, Salon 2008 que foi produzido apenas em formato magnum.


Se meu vinho fosse um personagem – Talvez Napoleão pela força e ambição, mas também uma mulher como Audrey Hepburn, a perfeita feminilidade, a perfeita elegância, enfim “la classe”. ( Detalhe de poster Audrey Hepburn)
Santé.

P.S. – O Blog volta na segunda semana de Janeiro. Feliz Ano Novo.

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Uma taça de prosa com Charles Philipponnat da Maison Philipponnat em Champagne

Tenho 56 anos e não sou enólogo. Estudei Direito, Economia e Ciências Políticas. Meu pai era chef de adegas em Champagne, meu avô materno fazia rolhas de Champagne. Sempre trabalhei no mundo do vinho e do Champagne. Aprendi tudo do vinho e do Champagne fazendo. Em 2000 voltei para nossa antiga propriedade familiar em Mareuil sur Aÿ e passei a dirigir o Champagne Philipponnat. (foto divulgação Maison Philipponnat)

Meu primeiro vinho – Foi com meus parentes, claro. Fui batizado com uma gota de Champagne na ponta do dedo, como é a tradição por aqui, mas realmente não me recordo. Minha primeira lembrança remonta a quando tinha 4 ou 5 anos e de molhar um biscoito champanha no fundo de uma taça de vinho tinto do meu pai. Era um Côte du Rhône, sem dúvida, esse era seu vinho do dia a dia. Posteriormente aos 14 anos, num dia de domingo, quando meu pai abria um belo vinho, provei o tinto Château Montrose, onde meu pai atuou como consultor. Eu devia ter 14 anos. Mais tarde ainda eu descobri a Borgonha. Foi um Beaune-Grèves e os Musigny do Domaine Georges de Vogüé.

 

O Gruyère suíço AOC  produzido na região homônima situada no cantão de Fribourg. A foto é um detalhe de um cartaz publicitário que promove a Denominação de Origem Controlada deste queijo. (divulgação)

Minha harmonização predileta – O Champagne e o queijo! Antigos blanc des blancs harmonizo com queijos de massa dura como Comté ou Gruyère, falo do verdadeiro da Suíça. Com Champagnes onde domina a Pinot Noir gosto de queijos de massa mole com a crosta lavada como o Münster, Maroilles ou ainda um Langres.

Minha região preferida – Saindo da Champagne eu aprecio o Pinot Noir, especialmente o borgonhês, pois esta uva extraordinária é também a nossa em Champagne e exige um equilíbrio perfeito entre corpo e fruta, entre suavidade e frescor, sem tender para a oxidação nem para a redução. Degustá-lo e entende-lo é sempre um aprendizado. Também gosto de beber os Rieslings secos, aromaticamente tão diferentes das uvas champanhesas, mas tão similares em termos de estrutura, acidez, textura e intensidade. Mas bebo igualmente outros vinhos, procuro me manter muito eclético.

Meu vinho favorito – É impossível responder a esta questão! Que chatice ter de tomar todo dia a mesma coisa. Na Champagne além do Clos de Goisses, ao qual minha vida é dedicada há 20 anos, amo o respeito do belo classicismo mais que centenário de Pol Roger. Na Borgonha eu tenho uma queda pelo estilo carnudo e frutado do Domaine Méo-Camuzet e, como disse antes, pelos Musigny em geral, eu sei não é difícil… Sem esquecer dos Riesling, os alsacianos sobre um solo de granito e os alemães ensolarados sobre um solo de xisto, como logo ali, mais a oeste em Rüdesheim.

Minha melhor safra – Essa é fácil de dizer: 2008. Um ano excepcional que caiu tão bem ao Clos de Goisses, expressivo, muito longo e cheio de vivacidade. E mais particularmente a parcela “Les Cintres”. Eu sou ainda mais orgulhoso de ter tido êxito no ingrato ano de 2001, que eu apresentava em degustações às cegas e que todos achavam que era do ano de 2002, bem melhor.

Se meu vinho fosse um personagem – São João Evangelista apresentando o Cálice, de El Greco.

 

Quadro El Greco O Evangelho de Saint Jean, museu do Prado. (reprodução)

O Blog segue com o tema Champagne até o final das festas. Santé.

 

 

 

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Uma taça de prosa com Arnaud Thomassin do Château de France, Péssac-Léognan

Arnaud Thomassin – Tenho 49 anos e nasci em L’Isle Adam na região parisiense. Me formei em viticultura e enologia no Beaujolais! Sou tecnólogo de nível superior tenho um BTS, Brevê Técnico Superior.  Nessa época eu morava no monte Brouilly, região do Beaujolais e terroir do Cru homônimo. Sempre que vejo um Broully na carta de um restaurante eu peço. Me traz sempre boas lembranças. Fiz meu estágio nos Hospices de Beaujeu, no Beaujolais. Terminei meus estudos em 1992. No ano seguinte fiz meu serviço militar na Gendarmerie que aqui equivale à Polícia Militar. Foi nesse período que eu degustei pela primeira vez o Château Haut Brion! Não me lembro mais da safra. Já em 1994 eu fui para a propriedade familiar o Château de France, que na época era dirigido por meu pai, Bernard, falecido em 2013 (Nota do Conexão Francesa: já participei de uma deliciosa e simpática degustação com Bernard Thomassin na antiga loja do Club de Tastevin, na Av. Almirante Barroso no Rio, do François Dupuis).  Minha primeira safra foi a de 1996. Uma safra muito boa com a Cabernet Sauvignon bem madura. Um belo vinho de guarda. Hoje sou o diretor geral do Château de France que é situado em Péssac, na denominação de origem Péssac-Léognan.

 

Vista do Château de France em Péssac, Bordeaux. (foto divulgação)

Meu primeiro vinho – Eu tinha 12 anos e meu pai me fez provar um vinho branco da Alsácia, Gewurztraminer, colheita tardia, que tinha uma boa dose de açúcar residual, da Cave d’Eguisheim. Eu bebi toda minha taça. Era tão bom e a taça tão pequena…

Minha harmonização predileta – Uma bisteca de Bazas (uma carne com Indicação Geográfica Protegida) com um Crozes-Hermitage do Domaine Michelas Saint Jemms, do vilarejo de Mercurol no norte do Rhône.

Minha região de produção preferida – Côte Rôtie, também no norte do Rhône. Um vinho incomparável. A Syrah, novamente ela, em todo seu esplendor. É um vinho com um belo frescor e muito complexo.

Meu vinho favorito – Château de France 2014

Minha melhor safra -Eu diria o 1996. Foi a minha primeira vez. Como este vinho é enorme.

Nelson Mandela durante a campanha Dê um minuto da sua vida para parar a AIDS. (foto divulgação Nações Unidas)

Se meu vinho fosse um personagem – Nelson Mandela: aberto, generoso, longevo,…

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Uma taça de prosa com Laurent Fortin do Château Dauzac – 5° Cru Classé de Margaux

Laurent Fortin – Nasci na região parisiense por acaso, minhas raízes estão no Aveyron, departamento francês famoso por produzir o queijo Roquefort. Estudei numa escola de Comércio, Marketing & MBA. Trabalhei nos Estados Unidos e no Sudoeste francês. Sou diretor do Château Dauzac, Grand Cru Classé da Denominação Margaux desde 2013. Onde tenho feito um trabalho de renovação com uma abordagem de proteção ao meio ambiente.

Meu primeiro vinho – Claro, foi um vinho do Aveyron. Era um Marcillac, da casta Fer Servadou (também conhecida pelos nomes de Braucol, Pinenc e Mansois) produzido de um vinhedo plantado por meu bisavô. Um vinho rústico com aromas de frutas vermelhas.

Minha harmonização predileta – Um grande Sauternes com um Roquefort da fazenda.

Minha região de produção preferida – Margaux evidentemente, vinhos refinados, que se apoiam na fruta-  cassis e framboesa – de taninos sofisticados e longos na boca.

Meu vinho favorito – Sem hesitação um Screaming Eagle, um grande Cabernet Sauvignion do Napa Valley.

Minha melhor safra – Château Dauzac 2015.

Se meu vinho fosse um personagem – Um cavalheiro fazendeiro, culto, refinado tendo pleno conhecimento do seu terroir.

Santé.

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