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A safra de 2018 em Bordeaux é um bom investimento

Para entender como funciona a campanha de Bordeaux Primeurs e seus mecanismos Conexão Francesa entrevistou Laurent Bonnet diretor (foto abaixo) e sócio da L. D. Vins, um dos grandes negociantes de Bordeaux que tem entre seus acionistas os donos do Châteaux Issan, Pédesclaux e Lilian Ladouys, o que lhes permite perceber o que acontece em duas pontas do mercado.

RR – Quais os critérios para uma boa safra em Bordeaux?
LB – Como você sabe, para que haja uma grande safra em Bordeaux, devido ao nosso clima oceânico, são necessários vários critérios: floração rápida e homogênea, uma restrição hídrica progressiva em julho para retardar o crescimento da videira, um amadurecimento completo das uvas graças aos meses secos de agosto e setembro, mas sem calor excessivo a fim de evitar um estresse hídrico. Um tempo moderadamente quente e com leves chuvas durante as colheitas de uva. Estes critérios foram respeitados em 2018 e o conjunto da vindima é muito qualitativo, esta observação foi confirmada pelas degustações, bem como pela clientela internacional e os vários jornalistas especializados.

RR – Algum destaque?
LB – Mesmo as propriedades, muito afetadas pelos diferentes ataques de míldio, produziram uma qualidade muito boa, como foi o caso do Château Palmer. Há alguns grandes sucessos nesta safra, especialmente nos Médocs comunais. Os brancos também foram muito bem sucedidos.

RR – O que faz uma campanha de Primeurs ter sucesso?
LB – Para uma campanha ser exitosa é necessário que o mercado acompanhe e, em um contexto econômico global complicado, a questão do preço é muito sensível. O preço justo é entre o preço de 2015 e o preço de 2016 dependendo da situação de cada safra. Château Angelus 2018, lançado ao preço de 2015, foi quase imediatamente esgotado. Todos os mercados que seguem os Primeurs estão ativos, na Europa, França, Ásia e Estados Unidos. Estes desfrutando de uma tripla vantagem: boa saúde da economia americana, taxa de câmbio favorável e um grande ano.

RR – Vale apena investir na safra 2018?

LB – O ano de 2018 é, sem dúvida, um bom investimento porque as quantidades estão muito bem distribuídas e repartidas pelos diferentes mercados e clientes, o que resulta em uma avaliação quase mecânica e imediata. Também é uma boa safra para os importadores investirem numa distribuição nos diversos canais de vinhos ao consumidor e para vinhos de preço médio.
Como diz o enólogo Eric Boissenot, “2018 é uma safra excessiva em todos os sentidos”, a esperança para o sucesso desta campanha é que os preços permaneçam razoáveis e que o sucesso seja total.
Santé.

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Château Croix Mouton é um grande vinho a preço bem comportado

Jean Philippe Janoueix é a quarta geração de uma família que sabe produzir e vender vinhos. As origens remontam a 1867, mas será em 1930 que seu avô Joseph comprará a primeira propriedade Château Haut Sarpe e posteriormente La Croix e La Croix Saint Georges em Pomerol. Seu pai Jean François expande as propriedades adquirindo outros châteaux na margem direita. Em 1994 o caçula Jean Philippe pilota o Château Chambrun de apenas 1,7 hectares em Pomerol, lá as propriedades são pequenas mesmo, e se destaca. O seu sucesso permite buscar outras aventuras e possuir alguns ícones da margem direita como Château La Confession, Saint Émilion Grand Cru, e Château La Croix Saint Georges em Pomerol. Parker o considera um belo produtor e suas notas estão em geral acima de 90 nestes dois vinhos, chega a atingir 93 em 2010 no de Saint Émilion e 93+ com o Pomerol em 2012. Além de possuir outros bons vinhos em áreas nobres como Sacré Coeur também em Pomerol, Cap Saint George em Saint Émilion e Cap D’Or na denominação satélite Saint Georges Saint Emilion.

A cada ano a fonte e a cor da letra M mudam marcando a diferença entre as safras do Château Croix Mouton.

Além destes grandes vinhos Jean Philippe tem ainda outras belas propriedades que buscam produzir vinhos que não necessitam de um longo de envelhecimento para se ter prazer. Não necessitam, mas podem envelhecer por vários anos. Falo de 20 Mille, Château Le Conseiller e Château Croix Mouton todos em Bordeaux Supérieur. Vou me restringir a este último pois é facilmente encontrado no Brasil.

 

Dionísio Chaves sommelier bicampeão brasileiro, degusta atrás das garrafas os vinhos de J.P. Janoueix

Duas safras distintas estão no mercado neste momento. A rede carioca Zona Sul selecionou Château Croix Mouton 2010 e a escolha do sommelier consultor Dionísio Chaves não se deu apenas porque o ano foi fantástico, mas por também estar pronto para beber e no seu apogeu. Um dos critérios da seleção de toda a linha Reserva Especial. O preço é R$ 129,60. Já a Evino, site de vendas on line, optou pela safra 2014 um ano dito clássico, isto é, bom sem ser excepcional, e está hoje sendo vendido a R$ 127,90. Para Robert Parker o 2010 do talentoso Jean Philippe é um “excepcional de uma denominação modesta” (outstanding wine from a humble appellation) e sapecou 90 pontos. Foi Neal Martin quem provou 2014 no guia americano e o defende de quem o considera de estilo moderno alegando que é equilibrado e potente. Deu 87 pontos e pode ser bebido agora ou dentro de alguns anos. Críticos diferentes e anos diferentes. Mas sempre com patamares altos de notas.

Com os vinhos de Jean Philippe Janoueix a certeza é que mesmo em denominações mais modestas o rigor no cultivo, na seleção das uvas e na vinificação estão presentes. A uva dominante é a merlot, a densidade chega a atingir 6600 pés por hectare, o rendimento é inferior a 46 hl/ha, quase igual ao do La Confession  que tem 42, idem para o período na cubas. A idade das vinhas é de 39 anos quando em La Confession é de 40. Outro terroir e outras características, mas um grande vinho por um preço bastante justo para os padrões brasileiros. Santé.

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