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Jornal do Brasil

Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Degustando em diferentes momentos da vida do vinho

Em abril estive duas vezes em Bordeaux. Primeiro para acompanhar a degustação dos vinhos Primeurs, os que estão nascendo da safra de 2018, e depois numa visita enoturística por alguns grandes châteaux e bons restaurantes bordaleses. Entre uma e outra festejei o Domingo de Ramos em Limoux no famoso leilão de Toques e Clochers, onde a uva Chardonnay se exprime de dezenas de modos diferentes. Cada visita destas é uma verdadeira aula de sommellerie.

Degustando so grandes vinhos de Bernard Magrez no château Pape Clément.
Na degustação de Primeurs de Bordeaux e Limoux temos de projetar a evolução dos vinhos que ainda estão nas barricas. Já na visita aos châteaux degustamos safras prontas e diferentes vinhos do mesmo produtor, além de visitar as adegas e ver as mais modernas inovações que os produtores de ponta estão utilizando ou experimentando. No Château Pape Clément pude degustar os grandes vinhos de Bernard Magrez: Château Grand Chêne no Médoc, Fombrauge em Saint Émilion, Tour Carnet no Haut Médoc, Pape Clément em Péssac Léognan (branco e tinto) e Clos Haut Peyraguey em Sauternes. Expressões diferentes de Bordeaux em cada garrafa, mas com a sensibilidade de Bernard Magrez em todas as taças. São vinhos elegantes, profundos, complexos, longos e longevos como devem ser os grandes vinhos.
Em Limoux acontece o casamento perfeito entre a alta gastronomia, o jantar foi preparado pelos chefs triplamente estrelados René e Maxime Meilleur, e os grandes brancos do Sul da França. São Chardonnays com corpo, alma, estrutura e capazes de envelhecer até vinte anos. Sim, o Languedoc sabe fazer grandes vinhos de guarda tanto brancos como tintos. Os Toques e Clochers são vinificados e envelhecidos em barris como os grandes da Borgonha. Possuem condições para sustentar harmonizações com peixes, mas também com carnes brancas e mesmo algumas vermelhas. São de grande nível e superam os 90 pontos com facilidade.
O exercício de degustar vinhos Primeurs é sempre a busca por um tiro de longa distância. Tanto para os brancos de Limoux quanto para brancos e tintos de Bordeaux. Os aromas, taninos e outros ainda não estão integrados. São peças soltas e inacabadas de um delicioso quebra-cabeças. Por isso os críticos preferem dar um intervalo de nota do que uma nota precisa ao degustar estes vinhos. O tempo dirá se a nota é para mais ou para menos no intervalo. O vinho será degustado novamente depois de engarrafado, ainda será um recém-nascido. Somente os anos lhe darão traços que o marcarão e o definirão para o resto de suas vidas. Santé.

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Safra de Bordeaux em 2018 tem vinhos excepcionais – parte 2

São cerca de 200 châteaux e 300 vinhos que são apresentados e comercializados em Primeurs. Eles atraem 6000 profissionais para as degustações. As vendas antecipadas, sistema único no mundo, tem como principal ator a Union des Grands Crus de Bordeaux, UGCB, que reúne a elite dos produtores, mas que representa somente 3% da produção da bordalesa. A compra antecipada oferece a oportunidade de comprar vinhos raros a bons preços.

Michel Roland, o guru do vinho acredita em uma safra com vinhos excepcionais.

O consultor e produtor Jean Luc Thunevin mostrava na sua garagem de Saint Émilion seus vinhos e o de dezenas de produtores parceiros. Dentre eles destaco Château Fleur Cardinale, Saint Emilion GCC, em grande forma após um 2017 sem produção devido a geada, Château Bellevue de Tayac, Margaux, mostrando toda sua precisão. De autoria própria de Thunevin me encantaram Bad Boy, a referência “garagem” e, claro, Valandraud seu grande vinho, estrela maior do espaço. Não longe dali Michel Roland recebia compradores no Château La Dominique e mostrava não apenas este grande vinho mais a nova safra dos vinhos para os quais presta consultoria. O guru do vinho comentou a safra e disse: – “Os vinhos de Bordeaux estão concentrados e maduros. Se a safra não é de todo homogênea, penso que é um ano um tanto excepcional e teremos vinhos excepcionais”, afirmou ao gravar vídeo para a revista francesa La Revue du Vin de France.

Cenário indiano para as sessões de fotos. Na esquerda Rogerio Rebouças, ao centro Rafael Moreira com sua esposa Vanessa à direita. 

Fiz algumas visitas e degustações privativas na companhia de Rafael Moreira Romano, diretor da importadora Barrinhas e degustamos juntos os vinhos do Château Nenin, L’Evangile, Ausone e Cos Estournel. Com certeza foi neste último onde a recepção foi mais impactante. Os jardins com suas cercas vivas em forma de elefante, o magnífico château, o casal de recepcionistas vestidos em roupas típicas da Índia, país que tanto encanta o proprietário. Degustações comentadas dos vinhos de Cos Estournel e, de quebra Champagne Jeeper e o do Tokaj-Hétszolo, ambos tops de linha. A diferença começa na recepção quando cada convidado recebe um livreto trilíngue personalizado, isso mesmo, com seu nome na terceira página. Ali você encontra todas as informações sobre a safra 2018 e os vinhos que serão degustados. Eram cinco os vinhos. Cos d’Estournel e seu segundo vinho o Pagodes de Cos, ambos nas duas cores e ainda o Goulée by Cos d’Estournel, Médoc. Os tintos são Saint-Estèphe já os brancos, por questões legais, são classificados como Bordeaux apesar de serem produzidos na mesma região. Após a degustação uma foto num cenário indiano que você recebe na hora. Na saída um pequeno mimo é entregue pela recepcionista, um potinho de pimenta em grãos de Kerala, Índia.

Entrada do Château Cos d’Estournel em Saint Estèphe, Bordeaux, com seus elefantes. (foto Rogerio Rebouças)

Para Rafael Moreira a semana de Primeurs foi de alto nível e permitiu conhecer melhor os vinhos ao ir na propriedade, sempre melhor do que numa feira, explica. Os jantares e almoços foram muito bons. Realmente um evento que dá vontade de repetir, afirma. Durante as degustações da UGCB alguns châteaux selecionados (Fonréaud e Branaire Ducru) ofereceram um almoço no estilo executivo regado ao vinho da casa. À noite jantares oferecidos por negociantes ou produtores completam a programação. No negociante L.D. Vins cada noite um château era colocado em destaque e uma vertical era apresentada pelo produtor. Este ano os destaques foram Château Palmer, Château Pape Clément e Almaviva. Santé.

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Bordeaux Primeurs 2018 – primeiras impressões

Bordeaux apresentou esta semana seus vinhos da safra 2018. Não se trata de uma feira como Prowein ou mesmo Vinexpo. É algo bem mais reservado e dedicado aos grandes “players” do mercado dos Grandes Crus, os melhores de Bordeaux. A grande locomotiva são as degustações da Union des Grands Crus de Bordeaux, que reúne a tropa de elite. A elite desta elite faz degustações privativas para os compradores, coisa fina e seleta. Mas outsiders como os Crus Bourgeois e alguns enólogos de referência como Stéphane Derenoncourt e Jean-Luc Thunevin também mostram seus vinhos para esta seleta clientela em degustações paralelas.

Taças de prova no Château Clos D’Estournel em Saint-Estèphe.

O que pude constatar conversando com diversos produtores e seus enólogos foi que a safra de 2018 exigiu muita atenção devido as chuvas no começo do verão. Ela favoreceu a proliferação do míldio, um fungo que ataca as vinhas. A pressão foi forte e exigiu uma atenção reforçada dos produtores. Mas as demais condições climáticas e da vegetação foram todas atingidas. O final de estação foi perfeito graças a um final de verão quente e seco. O dito aquecimento global tem favorecido o vinhedo de Bordeaux que tem produzido safras exuberantes com maior frequência e as safras mais difíceis, como 2013, não foram na realidade tão prejudicadas como nos mostram degustações atuais. Resultado deste ano é uma safra excepcional, com exceção de Barsac e Sauternes.

Na margem esquerda segundo Michel Bettane, o principal crítico francês, o maior destaque é para Saint-Estèphe e ele destaca Calon Ségur e seu pupilo Cru Bourgeois Capbern que tem um precinho superbém comportado. Beychevelle, Haut-Marbuzet, Armailhac, Gloria, Saint-Pierre, Giscours, Boyd-Cantenac, Brane-Cantenac (sempre no topo) seguem uma via de excelência. Palmer se aproxima a grandes passos do topo da lista. Este ano Palmer não produziu seu segundo vinho, Alter Ego, devido ao rendimento extremamente baixo, 11hl/ha. Fui na degustação privativa de Cos d’Estournel onde pude constatar esta performance sublime de Saint-Estèphe.

O Château Ausone em Saint Emilion apresentou também o grande Château La Clotte.

Na margem direita são destaques La Dominique e Angelus segundo as primeiras impressões da equipe de Bettane. Adiciono ainda Ausone, La Clotte, Nenin e L’Evangile que estão fenomenais. Pape Clément em Pessac Léognan se distinguem juntamente com Haut Brion. Santé. (Continua)

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25ª Prowein é show de eficiência e sucesso de público

Prowein sempre surpreende pelo seu tamanho, número de visitantes e expositores. Todos são profissionais do setor. Amador não entra, nem pagando. O ingresso custa 50€ por dia, para todos. São apenas três dias e nunca dá tempo de visitar todo mundo. Este ano foram 61.500 participantes (60.500 em 2018) de 142 países (133 em 2018). Do outro lado do balcão são 6.800 fornecedores de 64 países. Esta foi a 25ª edição da feira alemã de Dusseldorf que conseguiu se impor como a maior feira mundial de vinhos e destilados.

 

Importadora Expert Wine trará vinhos da Borgonha com a dupla assinatura Bernard Loiseau – Albert Bichot para o Brasil. Na foto (da esquerda para a direita) Orlando Leone,  Albéric Bichot, Eugênio Fernandes e Christian Ciamos comemoram a nova parceria.
Com tanto fornecedor junto este é o momento ideal para que compradores revejam todos os produtores com quem trabalham. Circulando pelos salões notei diversos importadores brasileiros: Grand Cru, Expert Wine, All Wine, Casa Rio Verde, Decanter, Verdemar, Mistral e com certeza muitos outros estavam presentes. No campo dos expositores o Brasil ficou no pavilhão dos ultramarinos, no stand coletivo Wines of Brasil. Estavam lá Casa Valduga, Aurora, Perrini, Salton e vários outros. No mesmo pavilhão ainda tinham os EUA, Nova Zelândia, Austrália, Israel, Chile, Argentina e Uruguai. Já a França e Itália tinha dois pavilhões cada e diversos produtores dispersos no pavilhão alemão onde seus importadores locais expunham seus vinhos para o trade local. Espanha e Portugal dividiam um pavilhão. Tinha mais, mas nem tive tempo de chegar em países do leste e outros.

 

James Tetsuo da curitibana All Wine traz da Prowein os vinhos do Château Maison Blanche da Maison Bouey.
Aconteceram muitos encontros, degustações, algumas palestras e um corre-corre que não acaba mais. Das nove às dezoito horas é um movimento frenético. O primeiro dia é relativamente mais calmo, pois cai num domingo. Já o segundo é uma loucura e tem forte presença alemã. No fim da tarde do terceiro dia muitos começam a correr para pegar seus vôos, antecipando o encerramento da sua participação no salão. Afinal, ninguém quer passar mais uma noite em Dusseldorf. Alguns tentam esticar as degustações e ficar mais um pouco, mas às 19 horas as equipes de desmonte dos stands começam a agir e desmontam tudo. É aquela rigidez alemã característica. Pela manhã não resta pedra sobre pedra. Tudo está pronto para o próximo evento no parque de exposições de Messe. Um salão extremamente profissional, mas sem qualquer glamour. Santé.

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Qual vinho beber com… os sogros?

Acabou a folia. Agora é a hora de harmonizar vinho e gente. Tem vinho para cada ocasião ou melhor para cada tipo de pessoa que você vai encontrar. Vinho e comida você já está habituado agora vamos ver se você sabe qual vinho vai com cada convidado.

Se você vai na casa dos seus sogros opte por uma solução clássica. Não corra riscos. Leve um bonito Bordeaux branco. Sim, branco, vamos mudar os velhos hábitos. Afinal, não são eles que acabam trazendo de volta os velhos problemas? Sugiro o Château de Parenchère que tem um corte de Sauvignon branca, Sémillon e Muscadelle. Vamos deixar a intensidade somente para os aromas de frutas brancas e cítricos. Seu frescor apaga qualquer início de conversa mais quente. Importado pela Barrinhas (R$90,00) e vendido principalmente em restaurantes. Santé.

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Paris encanta como capital mundial do vinho

Wine Paris terminou nesta quarta-feira, dia 13, e conseguiu mostrar o charme do lado off deste salão dedicado ao vinho. Paralelamente às degustações, palestras e formações durante o dia Paris recebeu à noite eventos que permitem antever o quão atraente para os visitantes pode ser a capital francesa.

Encontros B to B aconteceram de 7 a 10 em um hotel durante o World Wine Meetings. Foi só trabalho. Charmoso mesmo são os eventos para convidados como o organizado por duas Denominações de Origem do Languedoc Fitou, a mais antiga, e Picpoul de Pinet, a maior produtora de brancos da região, que optaram pelo Allénoteque, o novo bar de vinhos do chef triplamente estrelado Yannick Alléno. Show.

Paris é uma atração à parte durante Wine Paris.

Pomerol, uma das mais prestigiosas denominações de Bordeaux, realizou uma degustação no hotel Paris Le Grand, da rede Intercontinental, ao lado da Opéra, ponto turístico obrigatório da cidade. A mais bela jogada foi a dos produtores do Vale do Loire que usaram como palco Paris vista do famoso bateau-mouche. Organizaram um happy hour na terça-feira, de 19 às 22 horas, durante um cruzeiro pelo Sena. Enquanto as papilas dos profissionais e jornalistas degustavam os bons vinhos do Vale do Loire, famoso por seus magníficos de castelos, seus olhos admiravam os maiores monumentos parisienses e a Torre Eiffel iluminada.

Imagine um grande evento como a feira de Bordeaux, Vinexpo, em Paris. Vai ser uma enorme e charmosa festa do vinho. Paris by Wine? Santé.

 

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Paris é a capital mundial do vinho?

A França não ia ficar sem reagir ao forte crescimento da feira alemã de Prowein. Paris será o campo de batalha desta guerra que tem como objetivo trazer para de volta para a França a supremacia sobre os salões de vinho. Vinovision era um mediano salão de vinhos setentrionais franceses com participação do Loire, Centro, Beaujolais e Champagne. Acontecia em Paris. Vinovision comprou Vinisud, o tradicional e importante salão bienal dos vinhos do Sul da França e o transformou em anual. Um ano em Montpellier, como rezava a tradição, e o ano seguinte, este ano, em Paris juntamente com Vinovision. Dessa união nasceu o ambicioso projeto Wine Paris que começou ontem e vai até o dia 13 no Parque de Exposições de Paris porta de Versailles.

O fato de ser em fevereiro ajuda na luta contra Prowein que é em março. Vinexpo Bordeaux, a antiga maior do mundo acontece em junho, pois isto atende aos interesses dos anfitriões, mas já é tarde para as compras na Europa. Os alemães colocaram sua máquina de guerra (eficácia, precisão…) contra o glamour dos châteaux e festas de Bordeaux. Ganharam.  Hoje são 6.500 expositores de todo o planeta. Mas o império contra-ataca e Bordeaux já prepara seu próximo salão, também em Paris, mas em janeiro de 2020. Os grandes vinhos de Bordeaux e de toda a França, estarão aliados ao charme de Paris neste combate. Pode ser uma boa estratégia. Nos dois casos Paris ganha.

Wine Paris tem forte presença de produtores franceses. (foto: Jean Bounan)

Não faz sentido a maior feira ser na Alemanha, mas as divisões entre Vinisud e Vinexpo e as datas criaram a oportunidade. Londres que é um grande mercado já havia visto sua feira minguar e se tornar algo apenas para os comerciantes locais. Wine Paris começa modesta com 10 países, 7% do total, e uma forte representação francesa. São 2.000 expositores. Mas Bordeaux enviou apenas uma participação simbólica de 200 produtores. Para os visitantes são 1200 vinhos em degustação livre. Em todo caso vai começar a incomodar.

Mas a grande vencedora será Paris. Cidade onde mais se consome vinho no mundo com 49,5 litros por pessoa e 23.570 pontos de venda on-trade e off-trade (lojas e supermercados). São 20.000 bares, cafés, restaurantes e hotéis na região parisiense (on-trade). Cereja no bolo a capital francesa tem 142 estrelas no guia Michelin, sendo 10 restaurantes com 3 estrelas. Além de uma rede de formadores de opinião de grande importância internacional. Acredito que se depender apenas da Cidade das Luzes a alemã Dusseldorf vai perder esta guerra.

É sempre bom lembrar que a união faz a força, mas ainda não vai ser dessa vez. Não vejo espaço para tantas feiras na França. Os produtores não conseguem pagar tantos stands, viagens e deslocar equipes comerciais o tempo todo. Santé.

 

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Moulin Rouge lidera consumo com 240 mil garrafas de Champagne por ano

O cabaré mais famoso do mundo, o Moulin Rouge de Paris, é o maior consumidor de Champagne do mundo. O Champagne é a bebida oficial da casa e são consumidas anualmente 240 mil garrafas por ano. Com seus 900 lugares, sempre ocupados, a casa oferece uma carta de Champagnes e vinhos franceses de alta qualidade. O serviço é garantido por uma brigada de 120 profissionais: maîtres d’hotel, chefes de setor e garçons. É a maior da França. A cozinha é gastronômica e preparada no local pelo chef David Le Quellec e seus 25 cozinheiros. Dançarinas, dançarinos, cantores, acrobatas, contorcionista e outros artistas fazem no palco um belo e empolgante espetáculo. 400 pessoas trabalham no Cabaré e garantem a sua noite desta que brilha desde 1889.

 

As Doriss Girls em cena. ( fotos Moulin Rouge)

Você não vai ao Moulin Rouge, somente para tomar Champagne. Jantar e dançar na pista antes dos artistas entrarem em cena são momentos encantadores, não perca. Você vai se sentir como no filme homônimo de Baz Luhrmann ao entrar na pista e dançar com sua Satine e ver o famoso Cancan do cabaré onde as dançarinas cantam e gritam, com voz alta e forte, a cada grande movimento. Existem diversos magníficos momentos no espetáculo, mas o clássico dos clássicos é French Cancan. Este que é o mais famoso do mundo é executado pelas belas Doriss Girls.

A revista Féerie acontece em dois espetáculos por dia, 365 dias por ano, executados por 60 dançarinas e 20 dançarinos . A decoração Belle Époque do salão é idêntica àquela em que Nicole Kidman e Ewan McGregor contracenaram. Quando se chega em Montmatre, na Place de Clichy você vê a fachada do moinho vermelho iluminada tal qual no cartaz do filme.

O Champagne La Cuvée Brut de Laurent-Perrier é servido em garrafa ou meia garrafa no balde de prata. (Foto RR)

Os ingressos incluem meia garrafa de Champagne por pessoa por apenas mais 10€ (R$ 44). Na carta os Champagnes começam a ser vendidos a 90€ (R$ 396). Os primeiros da lista, mas nem por isso inferiores, são o Delamotte Brut e Duval-Leroy Brut. Seguidos de Laurent-Perrier La Cuvée, Louis Roederer Brut Premier, Taittinger Cuvée Prestige e Charles Heidsieck Brut Réserve por 98€ (R$ 435). Uma verdadeira tropa de elite nos primeiros preços. A 105€ (R$ 466) Bollinger Spécial Cuvée, Billecart-Salmon Brut (Réserve Moulin Rouge) e Gosset Grande Réserve Brut. A 120€ (R$ 532) Taittinger Prélude e a 130€ (R$577) Duval-Leroy Cuvée MOF. Os 700 baldes do serviço são todos de prata e vem com um pouco de gelo no fundo, peça mais.

O French Cancan é um dos pontos altos do espetáculo Féerie.

As Champagnes de Prestígio são em geral safradas como a Louis Roederer Brut Nature Starck por 200€ (R$ 888) e Bollinger 1999 e 2004, La Grande Année, por 300€ (R$ 1332). Dom Pérignon 2009 e Henri Abelé Cuvée Le Sourire de Reims saem por 380€ (R$ 1687).  Dentre as Blancs des Blancs destaque para D. Ruinart 1990 a 430€ (R$ 1910) e Salon “S” safra 2002, 450€ (R$ 2000).  Fechando a lista das brancas tem a Louis Roederer Cristal, 2002, 2004, 2005 ou 2006, por 550€ (R$ 2442). As Rosés começam com 110€ (R$ 488), passando por uma Perrier-Jouët Belle Époque Rosé por 380€ (R$ 1688). Fechando a lista a D. Pérignon Rosé 2005 por 650€ (R$2886).

As Doriss Girls no camarim

Os vinhos começam a 70€ (R$ 310) com um Château Lagrange, Graves, 2016, Château Larose de Gruaud 2012, o segundo vinho do Gruaud Larose sai por 80€ (R$ 355) e Château Clerc Milon 2004, GCC de Pauillac sai por 110€ (R$  488). A seleção de grandes Bordeaux tem ainda seis grandes vinhos e destaco aqui Château Léoville Poyferré, GCC de Saint Julien, 2003, por 200€ (R$888), Pichon Longueville Comtesse de Lalande, 2004, GCC de Pauillac por 300€ (R$1322) e o mais caro e nobre Château Mouton Rothschild, 1996, GCC de Pauillac por 850€ (R$ 3774). O sommelier da casa não esqueceu as demais regiões da França. Da Borgonha tem Louis Latour, Bouchard Père e Fils, Petit Chablis do Domaine W. Fèvre, do Sul do Rhône tem Dela Frères, e da Provence o Domaine Ott e Château La Martinette. O Loire traz um Vouvray do Château Gaillard e um Sancerre do Domaine du Pré Semelé.

O chef David Le Quellec e duas Doriss Girls

Para tantos vinhos era necessário uma cozinha gastronômica e o Chef David Le Quellec, é contratado em 2015 e deixa o Café Terminus no Hotel Corcorde Opéra. Ele tem uma carreira meteórica e passagem por: Ledoyen Taillevent, a Table du Cinq no Four Seasons George V, o Four Seasons Resort Provence,  o Hotel Impérial Garoube Relais &  Château. No abaré ele passa a servir cerca de 600 jantares por dia, 365 dias por ano, no Moulin Rouge.  Ah, sua esposa é Stéphanie Le Quellec vencedora do Top Chef 2011. Santé.

Feliz Dia dos Pais

 

Serviço:

Endereço:

82 Boulevard de Clichy, 75018 Paris

Como chegar:

Pegue o metrô  e prefira as linhas 2 (Blanche), 13 (Place de Clichy) e 12 (Pigalle).

http://www.moulinrouge.fr

 

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Safra 2018 terá maior volume do que a de 2017

A safra de 2017 foi pequena em toda a França devidos aos caprichos da mãe natureza. Já 2018 com as boas chuvas de maio e junho e o calor do verão promete uma colheita bem maior. Mas nem tudo é alegria. Fortes ataques de míldio, especialmente no sul da França, que prejudicou sobretudo os que conduzem o vinhedo em modo orgânico, e um tanto de granizo e geada tiraram a alegria de alguns produtores. A produção vai ser maior e a safra promete ser de boa qualidade. Em consequência devemos ter menor pressão sobre os preços.

As videiras possuem raízes que podem chegar a 40 metros de profundidade.

O forte calor das últimas semanas na França tem prejudicado os cerais e outras lavouras. Mas a uva ama o sol. Suas raízes profundas encontram a água a dezenas de metros da superfície. Vamos aguardar e ver como vai ser a colheita que já está começando em algumas regiões. Somente ao final poderemos ter um balanço mais preciso. Santé.

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O Grand Bistro causa sensação no verão parisiense

Garry Dorr deu uma sacudida no menu dos seus quatro Grandes Bistros e no Bistro des Deux Théâtres, em Paris, ao chamar os gêmeos Jacques e Laurent Pourcel, chefs triplamente estrelados de Montpellier, para assinar um menu de verão dos seus restaurantes. Grand Bistro tem uma cozinha que o francês chama de “bistronomic”, isto é um Bistro gastronômico. A carta de vinhos é ampla e contempla muitos países. Elaborada por Maxime Barraud, sommelier do ano 2017 da Wine Spectator. Além de garrafas oferece 22 vinhos na taça. Vai do Champagne ao Languedoc passando pelo Vale do Loire e Borgonha.

Os irmãos Purcel, chefs estrelados de Montpellier (foto divulgação)

Fui no Grand Bistro de Breteuil que é bem decorado, tem grande espaço e bonita adega no final do salão. Tem na sua carta garrafas de vinho de 19€ (R$83), um IGP d’Oc do Domaine Nicole até um Pavillon Rouge do Château Margaux 2005 por 249€ (R$ 1095). Para quem está acostumado a tomar um Chardonnay de Paul Mas no Brasil, trazido pela Decanter, pode pedir a taça que sai por apenas 5€ (R$22). Tem para todos os bolsos. Bistro é assim.

Bacana é que o menu não mudou de preço com a chegada dos irmãos Pourcel. O menu tudo incluído sai por 44€ (R$194) e o sem bebidas sai por 35€ (R$154). Veja tudo que tem na oferta. O aperitivo é uma taça de Kir Royal (Champagne mais licor de cassis) ou um americano acompanhado com torradas e tapenade (pasta de azeitona). Depois você pode escolher entre 9 entradas – provamos três de cada -, 8 pratos principais e 9 sobremesas assinadas aqui por Ihlan Moudnib, Master Chef e vice-campeão mundial de pâtisserie. Para fechar a conta Ihlan propõe também o café o café gourmet, é o café acompanhado de mini sobremesas. A fórmula parece estar agradando, afinal a frequência dobrou em relação à do ano passado.

Magret de pato é um dos destaques do novo menu de verão. (fotos Rogerio Rebouças)

Madame M. e eu tomamos o Kir Royal. A tapenade estava muito bem-feita. Depois degustamos três entradas: sardinha marinada no sal e seu caviar de berinjela, posta de salmão defumado e creme de ruibarbo e a entrada do dia burrata com pesto de rúcula. A sardinha veio num molho de tomate com aniz, pimentão, tomate e beldroega também chamada no Brasil de salada de negro. O molho estava muito interessante. O salmão defumado cortado em fatia grossa faz uma grande diferença na boca e na apresentação. A compota de ruibarbo tinha limão e mostarda à l’ancienne decorada com pequenas folhas de espinafre. Delicioso. A burrata era de muita qualidade e saborosa veio com um molho pesto de rúcula, ananás zebra (variedade de tomate criada por Tom Wagner), azeite de olivas perfumado com manjericão. Tudo muito bem equilibrado.

Um dos bons vinhos da carta é o Bordeaux B de Maucaillou.

Descobrimos três dos pratos principais dos irmãos Pourcel e vimos passar para a mesa ao lado um belo brochete de vieiras e camarão vg que estava de dar água na boca. Atum meio cozido com duo de alcachofra, crocante de trilha com tomate em compota e tiras de magret de pato nas peras formaram nosso trio de resistência. A trilha tinha no molho uma base de creme de leite e cebolinha, caviar de berinjela, tomate confitado, cebola grelhada, beterraba e a trilha estava dentro de folha de brick, massa mais fina que a de pastel). O meio cozido de atum e seu purê de alcachofra de berrigule, maçã na grelhada e alcachofra crua completando o duo. O pato suculento tinha um cozimento perfeito, o que valorizou a carne, o pêssego cozido quase ao ponto, era acompanhado de um gratin dauphinois perfeito. A casa tem fritas secas e crocantes como manda o figurino. Acompanhamento ideal do steack tartare. Afinal, Bistro sem fritas não existe.

Para harmonizar na taça você tem como várias boas opções como o Sancerre de Thierry Merlin Cherrier para o que vem do mar. Eu optei pela terra e fui de B de Maucaillou 2016, um Bordeaux Superior. Château Maucaillou é um Moulis em Médoc, que vale um Grand Cru Classé e nesse preço é vendido. O seu Bordeaux, o primo mais em conta, é intenso, sedoso, longo e com aromas de frutas vermelhas e pretas maduras com notas de baunilha e especiarias. Um vinho com estirpe.

Champagne Ayala faz parte da elite

A sobremesa também veio em dose tripla de degustação. O mil folhas dos anjos é uma tentação de grande tamanho. Enorme e deliciosa. A torta fina de maça com sorvete é um clássico. A salada de frutas de época é apresentada sobre um leito fino de abacaxi. Tudo lindo e perfeito. Harmonizei com uma taça de Champagne Ayala Brut Majeur. Esta Maison é uma das grandes referências de Champagne. A uvas vem de parcelas Premier Cru e Grand Cru com 45% de Pinot Noir, 30% de Chardonnay e 25% de Pinot Meunier e tem 3 anos de envelhecimento na adega, o que lhe confere grande complexidade. Belo frescor e mineralidade num estilo aéreo. Fechou com louvor o almoço “bistronomic” de alta qualidade assinados pelos chefs Pourcel. Santé.

 

 

 

 

 

Mil folhas dos anjos vem no tamanho grandes prazeres.

 

Serviço:

Grand Bistro Breteuil
3, place de Breteuil
Paris 7ème

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