Publicidade

Jornal do Brasil

Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rosé Piscine lidera mercado e vira “case” de marketing

Estive na última semana no Brasil acompanhando o lançamento mundial da garrafa de formato Magnum, do vinho Rosé Piscine, o líder entre os rosés. Segmento onde a França domina. O Rosé Piscine não é um vinho como os outros. Ele foi concebido para ser bebido com gelo. Este jeito descontraído do francês beber seu rosé na beira da praia ou da piscina no verão deu muito certo no Brasil. Este sucesso foi construído em apenas quatro anos.

Garrafa magnum e um drinque com frutas criado pela master chef Luri Toledo. (fotos divulgação)

Isto é o que se chama de case de marketing. A ESPM deveria se debruçar e analisar. Uma importadora pequena, Wine 2 You, pega um produto que não é um vinho clássico, que tem uma bela garrafa e o transforma no líder dos rosés. Ele já fazia sucesso na França onde nasceu há 15 anos, portanto antes do champagne da Moët et Chandon Ice. Foi o pioneiro do conceito on ice, isto é, com gelo. Criou um segmento novo no mercado, como a Apple. São 2 milhões de garrafas por ano em mais de 20 países. Aqui, em plena crise, ele deve atingir 200 mil garrafas este ano. No Brasil ele é muito consumido no segmento feminino, mas os homens também gostam bastante. Faz sucesso em casamentos onde é a escolha da noiva, em detrimento de espumantes de prestígio como o Chandon. Nas baladas e festas é presença garantida.

Hildebrando Lacerda, um distribuidor,  a master chef Luri Toledo e Jacques Tranier presidente da Vinovalie.

Camaleão pode ser consumido tanto à noite como de dia. Ele também se presta muito bem a coquetéis como nos ensinou a bela master chef Luri Toledo no Bardega, em São Paulo, onde preparou uma série de drinks com frutas e especiarias e os harmonizou com diversos “tapas” concebidos especialmente para o evento de lançamento da garrafa Magnum de 1,5 litros. No Rio conquistou os quiosques de praia mais badalados como o Pesqueiro e o Cavalo Marinho. Hoje estreia nos bares e camarotes do HSBC Arena no show dos Tribalistas.

Momento descontraído no Donna em Jurerê Internacional.

Vai ser no lançamento em Florianópolis no Art’s, no Donna e no Acqua em Jurerê Internacional onde vai mostrar toda sua alegria e força. Nessas casas praianas ele faz sucesso tanto na beira da praia quanto nas festas noturnas.  Ele amplia a franja dos consumidores de vinho e agrada a diversas gerações de consumidores. Faz tanto sucesso que o presidente da Vinovalie, a vinícola produtora, enviou para o lançamento mundial seu presidente Jacques Tranier. Afinal, o Brasil hoje é o segundo mercado do Rosé Piscine no planeta. Santé.

Tags: , , , , , ,

Compartilhe:
2 Comentários

Château Grand Moulin faz do enoturismo uma ferramenta de marketing e vendas

No verão os châteaux e domaines abrem suas portas aos visitantes. Sejam turistas de passagem, moradores do entorno, frequentadores e amigos. Na França a estação estival faz com que as pessoas saiam de casa e busquem o sol. O dia termina tarde e o sol vai se pôr lá pelas dez da noite. Enquanto a colheita não entra no seu ritmo frenético os vinhateiros aproveitam para ganhar um extra com o enoturismo. Afinal, nada melhor do que vender sem intermediários a bom preço e criar novos embaixadores, como nos ensinam as boas regras de marketing.

 

Le 49.3 é um Vin de France que qualidade que cabe em qualquer ocasião. (fotos divulgação)

Os eventos pequenos e grandes pipocam em todas as regiões produtoras. Bem pertinho de casa acontece toda quinta-feira o jantar do Château Grand Moulin, da AOP Corbières. O Jean Nöel Bousquet produtor emblemático de Lézignan-Corbières, minha cidade, organiza um jantar que oferece entrada, prato principal, queijo e sobremesa por modestos 22€ e tem direito ao vinho do aperitivo à vontade, até o momento de ser iniciado o serviço. Você pode escolher qualquer das cores. Não precisa se limitar ao branco e ao rosé, como manda o figurino. As mesas são colocadas entre as cubas inox de vinificação. Cerca de 150 pessoas se deliciaram com a bisteca, o prato de resistência, aqui chamada de côte de boeuf. Uma verdadeira instituição do churrasco francês. Evidentemente a churrasqueira era alimentada por cepas de videiras que conferem à carne um gosto especial. Os vinhos eram vendidos ao preço da lojinha do Château, ou mesmo mais barato para facilitar o troco.

Carignan, Syrah e Grenache é o corte do La CSG também um Vin de France.

 

Enquanto a brigada do traiteur contratado servia as mesas o cliente ia ao balcão, eles têm um amplo bar para fazer o serviço de degustação, e escolhia seu vinho. Dois vinhos tintos descomplicados faziam sucesso o Le 49.3 e o La C.S.G. O primeiro é uma alusão a um recurso presidencial para impor a aprovação de uma lei  sem submetê-la ao voto do parlamento e CSG é a abreviação de Contribuição Social Generalizada, um imposto similar ao Cofins no Brasil. O Le 49.3 é um vinho que serve para qualquer ocasião e La CSG é o corte Carignan, Syrah e Grenache. Este tem um vermelho violáceo profundo, aromas de frutas negras, alcaçuz e possui  bom corpo. Já o Le 49.3 é um vinho frutado com aromas de pequenas frutas vermelhas e bem fácil de beber. Como o artifício legal pode se impor em qualquer ocasião. Custavam no jantar apenas 8€.

Já foi o top da casa, mas segue em alto nível.

 

Na hora em que a bisteca enorme chegou optei por um vinho mais tradicional o Terres Rouges (terras vermelhas) alusão a uma parcela do terroir de Lézignan, próximo ao vilarejo de Conilhac-Corbières, que tem esta cor e onde uma parte das vinhas estão plantadas. Quando fiz minha visita técnica ao Grand Moulin em 2005, durante minha formação em enologia, este era o vinho top da casa. Hoje existem ainda dois Corbières-Boutenac,  no alto da pirâmide. Por 10 euros você recebia um vinho de corte Syrah e Grenache de parcelas selecionadas, com envelhecimento de 12 meses, sendo 1/3 do vinho em barris franceses e 2/3 em cubas de inox. Terres Rouges vai ter uma nota de baunilha que não vai esconder os deliciosos aromas de frutas vermelhas e negras maduras, nem as especiarias. De bela elegância este vinho é encorpado e tem um final longo. Um vinho que você pode guardar mais de dez anos. Na saída Jean-Noël Bousquet se despedia de cada conviva personalizando o evento e captando novos embaixadores. Seus vinhos ainda não estão disponíveis no Brasil. Santé.

Tags: , , , , , , ,

Compartilhe:
Comentar

Trilha com vinhos e alta gastronomia em La Clape no Languedoc

No último domingo participei do XV Sentiers Gourmands em La Clape Vinhateiro, uma trilha apetitosa no sul da França. Foram 9,5 km de marcha acompanhados da boa cozinha do chef Marc Schwall, Cuisiniers Cavistes de Narbonne, dos bons vinhos da denominação e de um lindo dia ensolarado na beira do Mediterrâneo. Cheguei com um grupo às 11:45 e pegamos em seguida nosso kit para a trilha: chapéu de palha, taça de vinho, caderneta com os nomes dos vinhos e roteiro, lápis e os tickets para cada prato do programa. Tudo dentro de uma bolsinha tiracolo para pendurar no pescoço. 1450 pessoas pagaram 56€ para participar do evento. Era forte a presença de ingleses e belgas.

Participantes retiram os seus kits no Château Pech-Céleyran em La Clape.

A primeira parada era pertinho do Château Pech-Céleyran, nosso ponto de partida. Bastaram 250 metros e ostras da ilha Saint Martin em Gruissan e um gaspacho Andaluz com pão frito e olivas em compota nos esperavam. Para degustar tínhamos seis vinhos sendo quatro brancos e dois rosés, onde destaco dois brancos. Château La Negly, Brise Marine, 2017, que foi muito bem com o gaspacho, importado pela Grand Cru. E o branco da cooperativa Cave de Gruissan, La Clape, 2017, que com seu frescor e aromas fez bom duo com as ostras. Em La Clape os vinhos brancos têm na Bourboulenc e Grenache branca as uvas dominantes, mas também são importantes a Marsanne, Roussane, Clairette, Rolle (Vermentino na Itália) e Picpoul, além de outras complementares.

Vista da tenda onde foi servido o prato principal.

Subimos a colina e aproveitamos a bela vista que nos oferecia de um lado os arredores de Narbonne, vinhedos e do outro o Mediterrâneo. Atravessamos umas parcelas de vinha e após uns vinte minutos de marcha e muito bate papo chegamos na segunda etapa do percurso. Uma entrada fria nos aguardava. Era um Entremelé de tourteau (siri gigante) e camarão num molho vinagrete de maracujá, muito bom. Aqui tivemos quatro brancos, um rosé e um tinto. O branco Classique do Château d’Anglès 2016 é um vinho de grande qualidade. O proprietário é Eric Fabre, ex-diretor técnico de Lafite Rothschild. Importado pelo Supernosso de BH.

O La Clape branco da Cave de Gruissan sendo servido.

Seguimos avançando com nosso grupo e chegamos na entrada quente. Era um delicioso raviole de pato confitado acompanhado de um minestrone de legumes, molho de vinho da uva grenache e um tomme de ovelha ralado. Quatro tintos e um rosé se apresentaram. Me chamou a atenção o Château Capitoul, Rocaille, 2016, que agora gira em torno do grupo Bonfils um dos grandes players do Languedoc. Os tintos têm nas uvas Syrah, Grenache e Mourvèdre sua base. Carignan e Cinsault são utilizadas de forma complementar.

Mais uma boa marcha, outra colina e chegou a vez de comermos um feijão branco com uma linguiça de porco preto ao torresmo. Delícia para matar a fome acompanhado do habitual pedaço de pão. Este é obrigatório nas refeições francesas. Aqui tinha mesa e conseguimos sentar na sombra. Que beleza. Os bons vinhos, seis tintos e um rosé, faziam a alegria dos participantes. Muitos destaques e cito aqui Château Rouquette sur Mer com sua Cuvée Amarante, tinto, 2015. A propriedade fica debruçada ao Mediterrâneo na antiga ilha de La Clape. Isso mesmo na época galo-romana era uma ilha, hoje está unida ao continente. Este vinho de Jacques Boscary é o ADN do Château. É o AOC mais em conta da casa, mas o que melhor expressa o terroir. Château Mire l’Etang, 2016, Duc de Fleury e o L’Intrus, 2016, do Mas de Soleilla (importado por Casa do Vinho do Armando Martini em BH). Outro bom vinho é o do Domaine Sarrat de Goundy, Le Planteur, tinto 2016. O Rosé Domaine d’Angel 2017 fez bonito.

 

Penúltima etapa antes do retorno ao ponto de partida nos levou a um queijo de cabra da fazenda, isto é, não pasteurizado, La Chamoise. Para escoltá-lo três brancos e dois tintos. O branco da Abbaye des Monges, Augustine, 2016, é produzido por um amigo, Paul de Chefdebien, nesta abadia cisterciense que data de 1202, do qual nos resta a capela Nossa Senhora dos Olieux. O vinho tem um corte de Bourboulenc (60%) e Rousanne e seu nariz é floral. Na boca frutas brancas e cítrico, tônico e com bom frescor. Um par perfeito para o queijo de cabra.

Ao final da trilha todos os vinhos do evento podiam ser novamente degustados ou comprados ao preço Château.

Descendo a colina voltamos ao Château Pech-Celéyran para sobremesa e café. Como na denominação não tem vinho doce ou espumante, a mousse de chocolate que estava dentro de uma casca de ovo, o petit gâteau e a compota de framboesas tiveram de se contentar com água e café Lavazza. Outra opção é o participante recomeçar a degustação ao som de bandas de música por todo o entardecer. Santé.

Tags: , , , , , , , , , ,

Compartilhe:
2 Comentários

Pipi de gato é aroma de sucesso

Degustar um vinho é sempre um prazer. Na hora de beber tente apreciar suas sutilezas. Em cada gole uma oportunidade de descobrir aromas e compartilhar sensações com quem estiver dividindo a garrafa e o momento. Para alguns a identificação de cada aroma surge muito naturalmente, para outros existe uma maior dificuldade de traduzi-las. Nada impede o prazer.

Quem gosta de cozinhar vai percebendo o desfile de aromas que lhe são familiares especiarias doces, morango, mirtilho, jabuticada, cereja, ameixa… para os tintos. Para os brancos os perfumes serão de damasco, limão, pêra, pêssego fresco, abacaxi … ou ainda aromas florais de acácia, rosa, menta, pimentão, tomilho e tantos outros. Nem todos percebem tudo e cada um percebe de forma diferente certos gostos e sensações. É da natureza humana. Se quiser se aprofundar pratique, compartilhe, troque comentários ao beber ou trine com os kits de aromas. Ou apenas beba.

Tem aromas que nada tem a ver com os odores da cozinha como o couro, suor de cavalo, a pelica ou o pipi de gato. Este é uma característica de alguns vinhos brancos feitos com a uva Sauvignion.  Quando colhida um pouco verde apresenta este cheiro. Isso acontece devido à presença da molécula de mercapto butano (4MMP) que em função das suas diferentes concentrações pode trazer aromas de cassis, broto de cassis ou pipi de gato. Todos estes aromas em pequenas proporções são interessantes e agradáveis. Alguns gostam com maior intensidade e outros detestam. A cada um seu gosto.

Rótulo do vinho da neozelandesa Cooper’s Creek.

Onde achar o pipi de gato? Em vinhos de Sauvignon branca do Vale do Loire, de Bordeaux, Bergerac e mesmo da Nova Zelândia onde é muito apreciado. Tão apreciado que a vinícola Cooper’s Creek lançou a marca Cat’s Pee on a Gooseberry Bush. Jogada de marketing. Santé.

Tags: , , , , , ,

Compartilhe:
Comentar
?>