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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Degustando em diferentes momentos da vida do vinho

Em abril estive duas vezes em Bordeaux. Primeiro para acompanhar a degustação dos vinhos Primeurs, os que estão nascendo da safra de 2018, e depois numa visita enoturística por alguns grandes châteaux e bons restaurantes bordaleses. Entre uma e outra festejei o Domingo de Ramos em Limoux no famoso leilão de Toques e Clochers, onde a uva Chardonnay se exprime de dezenas de modos diferentes. Cada visita destas é uma verdadeira aula de sommellerie.

Degustando so grandes vinhos de Bernard Magrez no château Pape Clément.
Na degustação de Primeurs de Bordeaux e Limoux temos de projetar a evolução dos vinhos que ainda estão nas barricas. Já na visita aos châteaux degustamos safras prontas e diferentes vinhos do mesmo produtor, além de visitar as adegas e ver as mais modernas inovações que os produtores de ponta estão utilizando ou experimentando. No Château Pape Clément pude degustar os grandes vinhos de Bernard Magrez: Château Grand Chêne no Médoc, Fombrauge em Saint Émilion, Tour Carnet no Haut Médoc, Pape Clément em Péssac Léognan (branco e tinto) e Clos Haut Peyraguey em Sauternes. Expressões diferentes de Bordeaux em cada garrafa, mas com a sensibilidade de Bernard Magrez em todas as taças. São vinhos elegantes, profundos, complexos, longos e longevos como devem ser os grandes vinhos.
Em Limoux acontece o casamento perfeito entre a alta gastronomia, o jantar foi preparado pelos chefs triplamente estrelados René e Maxime Meilleur, e os grandes brancos do Sul da França. São Chardonnays com corpo, alma, estrutura e capazes de envelhecer até vinte anos. Sim, o Languedoc sabe fazer grandes vinhos de guarda tanto brancos como tintos. Os Toques e Clochers são vinificados e envelhecidos em barris como os grandes da Borgonha. Possuem condições para sustentar harmonizações com peixes, mas também com carnes brancas e mesmo algumas vermelhas. São de grande nível e superam os 90 pontos com facilidade.
O exercício de degustar vinhos Primeurs é sempre a busca por um tiro de longa distância. Tanto para os brancos de Limoux quanto para brancos e tintos de Bordeaux. Os aromas, taninos e outros ainda não estão integrados. São peças soltas e inacabadas de um delicioso quebra-cabeças. Por isso os críticos preferem dar um intervalo de nota do que uma nota precisa ao degustar estes vinhos. O tempo dirá se a nota é para mais ou para menos no intervalo. O vinho será degustado novamente depois de engarrafado, ainda será um recém-nascido. Somente os anos lhe darão traços que o marcarão e o definirão para o resto de suas vidas. Santé.

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Qual vinho beber com um especialista em vinhos?

Se seu amigo conhece muito sobre vinhos não adianta querer levar uma garrafa de uma denominação famosa, ou um vinho badalado e pontuado. Ele já conhece. Para surpreender um especialista você tem de fugir do pré-estabelecido. Patience (Paciência) é um Vin de France 100% Cabernet Franc elaborado na região de Cabardès, sul da França. Por não usar as uvas da denominação ele é desclassificado e tem que se contentar com a categoria mais baixa dos vinhos franceses. Mas não se iluda ele é vinificado como um grande vinho em pequenas cubas de inox e o rendimento no vinhedo é baixo  e tem apenas 30 hl/ha. Um vinho de guarda, por isso tenha paciência e espere uns três anos antes de servir. Os vinhos da Maison Ventenac estarão em breve no Brasil, mas para esta cuvée ainda vai ser necessário ter um pouco de paciência. Santé.

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30 anos de Toques e Clochers

O evento leilão que colocou num patamar superior os vinhos brancos do sul da França vai completar 30 anos neste final de semana. Como é tradição Toques e Clochers sempre acontece no Domingo de Ramos. O leilão tem por característica usar parte dos seus recursos para restaurar uma das igrejas medievais da denominação. Este ano foi a escolhida foi a igreja do vilarejo de Digne d’Amont, no terroir Océanique, que recebeu recursos para a restauração de um retábulo do século XVIII. Clocher significa campanário. Toques é o chapéu do chef. Sempre um chef três estrelas Michelin preside o leilão tendo ao seu lado um grande sommelier. Essa aliança patrimônio histórico, alta gastronomia e os grandes vinhos de Limoux criaram um evento obrigatório para quem ama a região, os grandes brancos e a boa mesa.

Maxime, o filho, e René, o pai, são os padrinhos do 30° leilão de Toques e Clochers.

Este ano o jantar de gala para mais de 400 pessoas vai ser preparado pelos chefs René e Maxime Meilleur, pai e filho, que pilotam o triplamente estrelado La Bouitte na Savóia. Em 2015 eles receberam a terceira estrela. Era a primeira vez que a Savóia recebia a nota máxima do guia Michelin. A harmonização com os vinhos de Sieur d’Arques fica a cargo do sommelier do La Bouitte Antoine Marie Bourlier. O Brasil já participou. Foi numa época em que ainda não havia no Brasil o guia Michelin e as principais referências eram o Quatro Rodas e a revista Veja. Vieram os chefs Roland Villard, Claude Troigros, Roberta Sudbrack e o sommelier Dionísio Chaves. Deram um show.

No sábado, véspera do leilão, acontece a famosa festa popular quando os 286 habitantes do vilarejo de Digne d’Amont recebem mais de trinta mil pessoas em clima de folia e alegria. Muita música, arte, vinhos e iguarias alimentam as festividades que começa de tarde e atravessa a noite. Importadores brasileiros têm participado regularmente nos últimos anos: Casa do Vinho, Supernosso, Zona Sul, Wine Mundi, Wine To You.  Os vinhos do leilão são considerados todos mais de 90 pontos. Santé.

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Safra de Bordeaux em 2018 tem vinhos excepcionais – parte 2

São cerca de 200 châteaux e 300 vinhos que são apresentados e comercializados em Primeurs. Eles atraem 6000 profissionais para as degustações. As vendas antecipadas, sistema único no mundo, tem como principal ator a Union des Grands Crus de Bordeaux, UGCB, que reúne a elite dos produtores, mas que representa somente 3% da produção da bordalesa. A compra antecipada oferece a oportunidade de comprar vinhos raros a bons preços.

Michel Roland, o guru do vinho acredita em uma safra com vinhos excepcionais.

O consultor e produtor Jean Luc Thunevin mostrava na sua garagem de Saint Émilion seus vinhos e o de dezenas de produtores parceiros. Dentre eles destaco Château Fleur Cardinale, Saint Emilion GCC, em grande forma após um 2017 sem produção devido a geada, Château Bellevue de Tayac, Margaux, mostrando toda sua precisão. De autoria própria de Thunevin me encantaram Bad Boy, a referência “garagem” e, claro, Valandraud seu grande vinho, estrela maior do espaço. Não longe dali Michel Roland recebia compradores no Château La Dominique e mostrava não apenas este grande vinho mais a nova safra dos vinhos para os quais presta consultoria. O guru do vinho comentou a safra e disse: – “Os vinhos de Bordeaux estão concentrados e maduros. Se a safra não é de todo homogênea, penso que é um ano um tanto excepcional e teremos vinhos excepcionais”, afirmou ao gravar vídeo para a revista francesa La Revue du Vin de France.

Cenário indiano para as sessões de fotos. Na esquerda Rogerio Rebouças, ao centro Rafael Moreira com sua esposa Vanessa à direita. 

Fiz algumas visitas e degustações privativas na companhia de Rafael Moreira Romano, diretor da importadora Barrinhas e degustamos juntos os vinhos do Château Nenin, L’Evangile, Ausone e Cos Estournel. Com certeza foi neste último onde a recepção foi mais impactante. Os jardins com suas cercas vivas em forma de elefante, o magnífico château, o casal de recepcionistas vestidos em roupas típicas da Índia, país que tanto encanta o proprietário. Degustações comentadas dos vinhos de Cos Estournel e, de quebra Champagne Jeeper e o do Tokaj-Hétszolo, ambos tops de linha. A diferença começa na recepção quando cada convidado recebe um livreto trilíngue personalizado, isso mesmo, com seu nome na terceira página. Ali você encontra todas as informações sobre a safra 2018 e os vinhos que serão degustados. Eram cinco os vinhos. Cos d’Estournel e seu segundo vinho o Pagodes de Cos, ambos nas duas cores e ainda o Goulée by Cos d’Estournel, Médoc. Os tintos são Saint-Estèphe já os brancos, por questões legais, são classificados como Bordeaux apesar de serem produzidos na mesma região. Após a degustação uma foto num cenário indiano que você recebe na hora. Na saída um pequeno mimo é entregue pela recepcionista, um potinho de pimenta em grãos de Kerala, Índia.

Entrada do Château Cos d’Estournel em Saint Estèphe, Bordeaux, com seus elefantes. (foto Rogerio Rebouças)

Para Rafael Moreira a semana de Primeurs foi de alto nível e permitiu conhecer melhor os vinhos ao ir na propriedade, sempre melhor do que numa feira, explica. Os jantares e almoços foram muito bons. Realmente um evento que dá vontade de repetir, afirma. Durante as degustações da UGCB alguns châteaux selecionados (Fonréaud e Branaire Ducru) ofereceram um almoço no estilo executivo regado ao vinho da casa. À noite jantares oferecidos por negociantes ou produtores completam a programação. No negociante L.D. Vins cada noite um château era colocado em destaque e uma vertical era apresentada pelo produtor. Este ano os destaques foram Château Palmer, Château Pape Clément e Almaviva. Santé.

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Bordeaux Primeurs 2018 – primeiras impressões

Bordeaux apresentou esta semana seus vinhos da safra 2018. Não se trata de uma feira como Prowein ou mesmo Vinexpo. É algo bem mais reservado e dedicado aos grandes “players” do mercado dos Grandes Crus, os melhores de Bordeaux. A grande locomotiva são as degustações da Union des Grands Crus de Bordeaux, que reúne a tropa de elite. A elite desta elite faz degustações privativas para os compradores, coisa fina e seleta. Mas outsiders como os Crus Bourgeois e alguns enólogos de referência como Stéphane Derenoncourt e Jean-Luc Thunevin também mostram seus vinhos para esta seleta clientela em degustações paralelas.

Taças de prova no Château Clos D’Estournel em Saint-Estèphe.

O que pude constatar conversando com diversos produtores e seus enólogos foi que a safra de 2018 exigiu muita atenção devido as chuvas no começo do verão. Ela favoreceu a proliferação do míldio, um fungo que ataca as vinhas. A pressão foi forte e exigiu uma atenção reforçada dos produtores. Mas as demais condições climáticas e da vegetação foram todas atingidas. O final de estação foi perfeito graças a um final de verão quente e seco. O dito aquecimento global tem favorecido o vinhedo de Bordeaux que tem produzido safras exuberantes com maior frequência e as safras mais difíceis, como 2013, não foram na realidade tão prejudicadas como nos mostram degustações atuais. Resultado deste ano é uma safra excepcional, com exceção de Barsac e Sauternes.

Na margem esquerda segundo Michel Bettane, o principal crítico francês, o maior destaque é para Saint-Estèphe e ele destaca Calon Ségur e seu pupilo Cru Bourgeois Capbern que tem um precinho superbém comportado. Beychevelle, Haut-Marbuzet, Armailhac, Gloria, Saint-Pierre, Giscours, Boyd-Cantenac, Brane-Cantenac (sempre no topo) seguem uma via de excelência. Palmer se aproxima a grandes passos do topo da lista. Este ano Palmer não produziu seu segundo vinho, Alter Ego, devido ao rendimento extremamente baixo, 11hl/ha. Fui na degustação privativa de Cos d’Estournel onde pude constatar esta performance sublime de Saint-Estèphe.

O Château Ausone em Saint Emilion apresentou também o grande Château La Clotte.

Na margem direita são destaques La Dominique e Angelus segundo as primeiras impressões da equipe de Bettane. Adiciono ainda Ausone, La Clotte, Nenin e L’Evangile que estão fenomenais. Pape Clément em Pessac Léognan se distinguem juntamente com Haut Brion. Santé. (Continua)

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Participamos da degustação do guia Hachette de Vinhos 2020

Guia Hachette de Vinhos, a bíblia francesa dos vinhos, começa a selecionar os vinhos da 35ª edição, a de 2020, que será publicada no segundo semestre de 2019. A etapa de ontem foi no Languedoc, em Montpellier. O júri se reuniu às 10 horas da manhã no Mas de Saporta, a casa dos vinhos do Languedoc, para degustar os tintos das denominações de origem Faugères, Saint Chinian, La Clape, Pézenas, Terrases du Larzac, Pic Saint Loup, e Saint Chinian. O organizador do guia Stéphane Rosa comentou sobre a força do guia junto ao consumidor francês. “São 86.000 exemplares impressos e uma versão on line”, afirmou. Os demais guias vendem em torno de 20 mil exemplares. Para ter no guia 10 mil vinhos a editora conta com a colaboração de 1500 profissionais selecionados que degustam mais de 40 mil vinhos em diversas cidades da França.

 

Tive o prazer de novamente participar desta degustação independente e imparcial. Os vinhos são todos degustados às cegas. Na minha mesa a denominação escolhida foi Pézenas, a terra de Molière, degustamos 15 vinhos sendo 4 de 2017 e 11 de 2016, sempre às cegas e com garrafas apenas numeradas. O nível estava bem alto e representativo da denominação de origem. Os vinhos da zona geográfica AOC Languedoc Pézenas, 24 km2, possuem um solo variado com uma mistura de calcário, xisto e basalto vulcânico. As uvas são Syrah, Grenache e Mourvèdre que devem responder por no mínimo 70% do corte e complementarmente podem ter Carignan e Cinsault. Por ser pequena busca fazer vinhos de muito boa qualidade, as vinhas devem ter ao menos sete anos de idade, o rendimento é inferior ao autorizado e o envelhecimento deve ser de no mínimo um ano. Santé.

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Que vinho beber com a sua amante?

Pode ser o seu ou a sua amante. O que não pode é faltar o aroma ou a cor do pecado. Nada como os aromas de maça verde de um Crémant de Limoux, o pecado original, digo, terra do espumante original que nasce em 1531. A maçã verde vai deixar seus lábios tão incandescentes que nem o frescor das bolhas vai ser capaz de atenuá-los. Esses momentos românticos merecem glamour, mas não devem deixar você se arruinar. No Zona Sul o Crémant de Limoux Aimery Grand Cuvée 1531, série limitada, está por R$ 83,70 no site. (Foto: Kika Revolver do Crazy Horse nas lentes de François Goize). Santé.

 

 

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Danio Braga conta os bastidores do concurso de Melhor Sommelier do Mundo

Ontem começou o mundial dos sommeliers e o Brasil está na disputa com Diego Arrebola, tricampeão brasileiro. Para saber como tudo está acontecendo conversamos com Danio Braga, o presidente da Associação Brasileira de Sommeliers, ABS Brasil, que está em Anvers, na Bélgica acompanhando e participando da organização do XVI concurso de Melhor Sommelier do Mundo.

 

Diego Arrebola é o candidato do Brasil no mundial.

RR – Como está o nível de preparação dos candidatos?

DB – A cada concurso as coisas são sempre mais complicadas. O preparo dos candidatos muda a cada vez que acontece um mundial. O preparo, o coaching como se diz internacionalmente, é um fato que vem acontecendo nos três últimos mundiais. Candidatos muito preparados são treinados por equipes que se dedicam exclusivamente a isso. Vários países que não tinha tradição como os do norte da Europa são hoje extremamente fortes devido ao treinamento. Acho que é cada vez é mais difícil se tornar campeão do mundo. Há 50 anos que existe este Concurso e do primeiro campeão para o 16° existem várias diferenças. A tecnologia ajudou no entanto, o mundo do vinho também mudou muito, as perguntas são inúmeras, a complexidade do mercado também mudou, o consumidor está muito mais esclarecido, …realmente está cada vez mais difícil ser campeão.  É claro que beber e o serviço do vinho pouco mudaram, mas o conhecimento técnico, o conhecimento do mercado faz com que este profissional tenha que se atualizar mais a cada dia, a cada momento.

RR – Neste cenário muito competitivo como se situam nossos sommeliers?

DB – O Diego é um sommelier extremamente preparado, mas acredito que estejamos ainda muito longe do preparo que os candidatos europeus e canadenses possam ter. Nós temos trabalhado muito nestes últimos três concursos e preparado nossos sommeliers com estágio na Europa incentivado pela indústria. Mas nós não temos uma indústria do vinho que tenha ainda a sensibilidade de investir dinheiro para promover o mercado profissional de uma forma um pouco mais ampla, correta e ao meu ver dirigida a um mercado de qualidade. Sem apoios fica difícil criar profissionais. As associações de sommeliers tem trabalhado ultimamente para montarmos um projeto de ensino diferente para melhorar a qualidade dos profissionais. Mas o profissional no Brasil, como você sabe, tem um conhecimento básico, baixo, e com um conhecimento baixo fica difícil querer alcançar grandes resultados lá na frente.

RR – Qual sua expectativa?

DB – Vamos fazer o nosso melhor. Acho que o Diego Arrebola tem grandes chances de poder chegar entre os semifinalistas. Acredito que vai ser um concurso maravilhoso, de grande nível e extremamente rico. Cada vez mais os profissionais estão bem qualificados. Que vença o melhor.

Santé.

 

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Qual vinho beber com… os sogros?

Acabou a folia. Agora é a hora de harmonizar vinho e gente. Tem vinho para cada ocasião ou melhor para cada tipo de pessoa que você vai encontrar. Vinho e comida você já está habituado agora vamos ver se você sabe qual vinho vai com cada convidado.

Se você vai na casa dos seus sogros opte por uma solução clássica. Não corra riscos. Leve um bonito Bordeaux branco. Sim, branco, vamos mudar os velhos hábitos. Afinal, não são eles que acabam trazendo de volta os velhos problemas? Sugiro o Château de Parenchère que tem um corte de Sauvignon branca, Sémillon e Muscadelle. Vamos deixar a intensidade somente para os aromas de frutas brancas e cítricos. Seu frescor apaga qualquer início de conversa mais quente. Importado pela Barrinhas (R$90,00) e vendido principalmente em restaurantes. Santé.

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Diego Arrebola é o Brasil no XVI Concurso de Melhor Sommelier do Mundo

Quem será o 16° campeão mundial de sommellerie? A parada vai ser dura. São 66 candidatos representando 63 países. Três vagas são para os campeões da América, Ásia e da Europa. O concurso vai acontecer de 11 a 15 de março na Bélgica, como a 50 anos quando o francês Armand Melkonian levantou a taça. O concurso é trienal e acontece desde 1969.

A prova vai ter um nível muito alto. Já acompanhei provas internacionais organizadas pela sommellerie francesa e vi o grau de exigência e sofisticação da prova. O mundial a exigência e os candidatos colocam tudo num patamar mais elevado. Além dos 3 campeões continentais chega entre os favoritos o francês David Biraud, que foi finalista no último concurso e que tem por hábito ganhar na sua segunda tentativa. Foi assim quando se sagrou campeão francês. O atual campeão o sueco Jon Arvid Rosengren também bateu na trave em 2013 antes de se sagrar em 2016.

Diego Arrebola é o representante do Brasil no mundial. (foto divulgação)

O Brasil manda seu melhor talento Diego Arrebola três vezes campeão brasileiro e que estará disputando seu terceiro mundial. Mas ele não é o favorito. Diego cita os três campeões continentais e destaca o Raimonds Tonson da Letônia, campeão europeu, vem com muita força, aposta. Cita ainda o David Biraud que “este ano a associação francesa se organizou para ele ter os patrocínios necessários e poder se dedicar de forma exclusiva. Está a cerca de um ano se preparando exclusivamente para o mundial. Vem forte.  A francesa Julie Dupouy, que representa a Irlanda, e que foi finalista em 2016 é força, como se diz no turfe. Cita ainda a argentina Martin Bruno e o tradicional representante do Canadá que vem representado por Carl Villeneuve Lepage, este tem sobrenome de campeão de F1. Correm por fora dez a quinze candidatos que podem surpreender. A disputa vai ser bem acirrada. O Brasil tem sempre as suas limitações na preparação, sempre ligada a falta de apoio. Mas a expectativa é positiva e o primeiro objetivo é melhorar a posição em relação a última participação. Se tudo correr bem e eu conseguir chegar na semifinal aí tudo pode acontecer, profetiza Arrebola.

David Biraud representa a França e é um dos favoritos. (Foto ASI)

Perguntei para Diego Arrebola qual das provas – escrita, reconhecimento de vinhedos e personagens, degustação, harmonização e degustação de destilados e serviço – ele se sentia melhor preparado. “Estou bem preparado, mas como se diz no futebol treino é treino e jogo é jogo. Sou bom nas perguntas escritas, mas isso é até receber a prova e ver as questões (risos). Tudo depende de quais vinhos e perguntas vão ser feitas. É difícil dizer sobre o que estamos preparados. No serviço me sinto confiante, mas teremos de ver as instruções e as demandas dos jurados. Passei uma semana em Londres me preparando para as degustações um item em que fui bem no Pan-americano e espero ir bem aqui no mundial também”, conclui. Boa sorte Diego. Santé

Os 65 candidatos:

  1. Carl Villeneuve Lepage 33 anos Canadá
  2. Andreas Jechsmayr 46 anos Áustria
  3. Aleksandr Rassadkin 31 anos Rússia
  4. Eric Zwiebel 45 anos Inglaterra
  5. Julie Dupouy 35 anos Irlanda
  6. Marc Almert 27 anos Alemanha
  7. Ivan Jug 35 anos Croácia
  8. Thorleifur Sigurbjörnsson 43 anos Islândia
  9. Daniele Arcangeli 42 anos Itália
  10. Piotr Pietras 31 anos Polônia
  11. Jo Wessels 32 anos África do Sul
  12. Kaspars Reitups 28 anos Letônia
  13. Dayana Nassyrova 21 anos Cazaquistão
  14. Andreas Kyprianou 40 anos Chipre
  15. Ivo Peralta 27 anos Portugal
  16. Martin Gruzovin 38 anos Eslovênia
  17. Iulia Scavo 35 anos Romênia
  18. Pakpoom Towatcharakun 34 anos Tailândia
  19. Antoine Lehebel 36 anos Bélgica
  20. Livern Ho 31 anos Malásia
  21. Nina Højgaard Jensen 26 anos Dinamarca
  22. Jeff Luciano Thomé 33 anos Ilhas Maurício
  23. Fabio Masi 36 anos Suíça
  24. Jungmin Ahn 31 anos Coréia do Sul
  25. Máté Horváth 33 anos Hungria
  26. Martynas Pravilonis 32 anos Lituânia
  27. Alp Acik 32 anos Índia
  28. Satoru Mori 41 anos Japão
  29. Anna Pototska 32 anos Ucrânia
  30. Tamaz Tamazashvili 26 anos Geórgia
  31. Bujar Tukuli 33 anos Albânia
  32. Fredrik Lindfors 32 anos Suécia
  33. Simon Zimmermann 29 anos Noruega
  34. Gonzalo Troncoso 36 anos Chile
  35. Oscar Orta 33 anos Venezuela
  36. Vuk Vuletić 27 anos Sérvia
  37. Martin Bruno 35 anos Argentina
  38. Federico de Moura 37 anos Uruguai
  39. Reeze Choi Kam Fung 31 anos China
  40. Diego Arrebola 37 anos Brasil
  41. Aristotelis-Iosif Sklavenitis 31 anos Grécia
  42. Markku Niemi 29 anos Finlândia
  43. Ketri Leis 28 anos Estônia
  44. Bruno Scavo 58 anos Principado de Mônaco
  45. Rastislav Šuták 45 anos Eslováquia
  46. Steve Ayon Espitia 28 anos México
  47. Pier-Alexis Soulière 31 anos Canadá
  48. Raimonds Tomsons 38 anos Letônia
  49. Roberto Duran 38 anos Espanha
  50. Wataru Iwata 29 anos Japão
  51. Chang-Hsun Yeh 40 anos Formosa
  52. Loic Avril 33 anos Austrália
  53. Eanglebert Guina 41 anos Filipinas
  54. David Biraud 46 anos França
  55. Lendl Mijnhijmer 33 anos Holanda
  56. Jakub Přibyl 35 anos República Tcheca
  57. Roberto Araujo 54 anos Paraguai
  58. Joseph Ruiz Acosta 33 anos Peru
  59. Andrea Martinisi 33 anos Nova Zelândia
  60. Zeljko Hajdukovic 29 anos Montenegro
  61. Zakaria Wahby 31 anos Marrocos
  62. Niels Philip Toase 33 anos Luxemburgo
  63. Shu hui Chua 32 anos Singapura
  64. Andres Villegas-Green 36 anos Colômbia
  65. Dario Rosario Mejia 46 anos República Dominicana
  66. Dustin Chabert 32 anos Estados Unidos

 

 

 

 

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