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30 anos de Toques e Clochers

O evento leilão que colocou num patamar superior os vinhos brancos do sul da França vai completar 30 anos neste final de semana. Como é tradição Toques e Clochers sempre acontece no Domingo de Ramos. O leilão tem por característica usar parte dos seus recursos para restaurar uma das igrejas medievais da denominação. Este ano foi a escolhida foi a igreja do vilarejo de Digne d’Amont, no terroir Océanique, que recebeu recursos para a restauração de um retábulo do século XVIII. Clocher significa campanário. Toques é o chapéu do chef. Sempre um chef três estrelas Michelin preside o leilão tendo ao seu lado um grande sommelier. Essa aliança patrimônio histórico, alta gastronomia e os grandes vinhos de Limoux criaram um evento obrigatório para quem ama a região, os grandes brancos e a boa mesa.

Maxime, o filho, e René, o pai, são os padrinhos do 30° leilão de Toques e Clochers.

Este ano o jantar de gala para mais de 400 pessoas vai ser preparado pelos chefs René e Maxime Meilleur, pai e filho, que pilotam o triplamente estrelado La Bouitte na Savóia. Em 2015 eles receberam a terceira estrela. Era a primeira vez que a Savóia recebia a nota máxima do guia Michelin. A harmonização com os vinhos de Sieur d’Arques fica a cargo do sommelier do La Bouitte Antoine Marie Bourlier. O Brasil já participou. Foi numa época em que ainda não havia no Brasil o guia Michelin e as principais referências eram o Quatro Rodas e a revista Veja. Vieram os chefs Roland Villard, Claude Troigros, Roberta Sudbrack e o sommelier Dionísio Chaves. Deram um show.

No sábado, véspera do leilão, acontece a famosa festa popular quando os 286 habitantes do vilarejo de Digne d’Amont recebem mais de trinta mil pessoas em clima de folia e alegria. Muita música, arte, vinhos e iguarias alimentam as festividades que começa de tarde e atravessa a noite. Importadores brasileiros têm participado regularmente nos últimos anos: Casa do Vinho, Supernosso, Zona Sul, Wine Mundi, Wine To You.  Os vinhos do leilão são considerados todos mais de 90 pontos. Santé.

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Château Croix Mouton é um grande vinho a preço bem comportado

Jean Philippe Janoueix é a quarta geração de uma família que sabe produzir e vender vinhos. As origens remontam a 1867, mas será em 1930 que seu avô Joseph comprará a primeira propriedade Château Haut Sarpe e posteriormente La Croix e La Croix Saint Georges em Pomerol. Seu pai Jean François expande as propriedades adquirindo outros châteaux na margem direita. Em 1994 o caçula Jean Philippe pilota o Château Chambrun de apenas 1,7 hectares em Pomerol, lá as propriedades são pequenas mesmo, e se destaca. O seu sucesso permite buscar outras aventuras e possuir alguns ícones da margem direita como Château La Confession, Saint Émilion Grand Cru, e Château La Croix Saint Georges em Pomerol. Parker o considera um belo produtor e suas notas estão em geral acima de 90 nestes dois vinhos, chega a atingir 93 em 2010 no de Saint Émilion e 93+ com o Pomerol em 2012. Além de possuir outros bons vinhos em áreas nobres como Sacré Coeur também em Pomerol, Cap Saint George em Saint Émilion e Cap D’Or na denominação satélite Saint Georges Saint Emilion.

A cada ano a fonte e a cor da letra M mudam marcando a diferença entre as safras do Château Croix Mouton.

Além destes grandes vinhos Jean Philippe tem ainda outras belas propriedades que buscam produzir vinhos que não necessitam de um longo de envelhecimento para se ter prazer. Não necessitam, mas podem envelhecer por vários anos. Falo de 20 Mille, Château Le Conseiller e Château Croix Mouton todos em Bordeaux Supérieur. Vou me restringir a este último pois é facilmente encontrado no Brasil.

 

Dionísio Chaves sommelier bicampeão brasileiro, degusta atrás das garrafas os vinhos de J.P. Janoueix

Duas safras distintas estão no mercado neste momento. A rede carioca Zona Sul selecionou Château Croix Mouton 2010 e a escolha do sommelier consultor Dionísio Chaves não se deu apenas porque o ano foi fantástico, mas por também estar pronto para beber e no seu apogeu. Um dos critérios da seleção de toda a linha Reserva Especial. O preço é R$ 129,60. Já a Evino, site de vendas on line, optou pela safra 2014 um ano dito clássico, isto é, bom sem ser excepcional, e está hoje sendo vendido a R$ 127,90. Para Robert Parker o 2010 do talentoso Jean Philippe é um “excepcional de uma denominação modesta” (outstanding wine from a humble appellation) e sapecou 90 pontos. Foi Neal Martin quem provou 2014 no guia americano e o defende de quem o considera de estilo moderno alegando que é equilibrado e potente. Deu 87 pontos e pode ser bebido agora ou dentro de alguns anos. Críticos diferentes e anos diferentes. Mas sempre com patamares altos de notas.

Com os vinhos de Jean Philippe Janoueix a certeza é que mesmo em denominações mais modestas o rigor no cultivo, na seleção das uvas e na vinificação estão presentes. A uva dominante é a merlot, a densidade chega a atingir 6600 pés por hectare, o rendimento é inferior a 46 hl/ha, quase igual ao do La Confession  que tem 42, idem para o período na cubas. A idade das vinhas é de 39 anos quando em La Confession é de 40. Outro terroir e outras características, mas um grande vinho por um preço bastante justo para os padrões brasileiros. Santé.

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