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Jornal do Brasil

Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

O incrível crescimento dos vinhos rosés franceses

O aumento nas vendas dos vinhos rosés franceses no Brasil é impressionante. Nos últimos cinco anos sua taxa de crescimento foi de 244%, contra 16% dos brancos e 3,7% dos tintos. Hoje o “market share” dos roses é de 25,4% em volume. Os tintos seguem liderando com 61,5% e os brancos se contentam com 13,1%. Os rosés cresceram principalmente em cima dos tintos nos mostram o estudo da Ideal Consultoria.

Série histórica da Ideal Consultoria sobre a importação de vinhos franceses.

O clima tropical brasileiro ajuda a explicar esta mudança de comportamento do consumidor. Mas não basta. Um amplo trabalho foi feito pelos produtores franceses e principalmente pela região de Provence, grande produtora de rosés. Enquanto denominação de origem a Provence cresceu nos últimos cinco anos exatos 265,7% em volume e atingiu em 2018 a marca de 64.814 caixas de 12 garrafas. O aumento não é apenas dos rosés da Provence. Estes são a ponta de lança de uma tendência mundial. Vamos ter um forte incremento nas outras denominações de origem e principalmente nos vinhos com Indicação Geográfica Protegida – IGP – os regionais, e também os genéricos Vin de France, também classificados como sem IG, ganhando mercado.

O crescimento do consumo de vinhos rosés é global. De 2002 a 2016 o crescimento foi de 32% e totalizou 24 milhões de hectolitros. O Brasil segue esta tendência. A França é líder mundial no consumo com 35% e tem 28% da produção dos rosados. Os Estados Unidos são o segundo país consumidor com 14% e a Alemanha o 3° com 8%. O consumo na França está tão aquecido que ela tem importado vinho rosé apesar do crescimento da produção dos vinhos com IGP e dos vinhos sem IG. A França exporta 16% do volume de vinhos rosés e 32% em valor, nos informa o Observatório do Rosé 2018, com dados de 2016.

Cena do filme Crô em família com o Rosé Piscine como coadjuvante.

Esse crescimento espetacular, tendência global, chegou ao Brasil e alçou ao topo da pirâmide de mais vendidos o Rosé Piscine, um vinho que se bebe com gelo.Para o diretor da Ideal Consultoria, Felipe Galtaroça, o brasileiro gosta de tudo mais doce e o maior açúcar residual em alguns rosés, o elevado investimento em marketing e a maior oferta ajudam a explicar o fenômeno dos rosados franceses. Os tempos mudaram. Santé.

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Qual vinho beber com um especialista em vinhos?

Se seu amigo conhece muito sobre vinhos não adianta querer levar uma garrafa de uma denominação famosa, ou um vinho badalado e pontuado. Ele já conhece. Para surpreender um especialista você tem de fugir do pré-estabelecido. Patience (Paciência) é um Vin de France 100% Cabernet Franc elaborado na região de Cabardès, sul da França. Por não usar as uvas da denominação ele é desclassificado e tem que se contentar com a categoria mais baixa dos vinhos franceses. Mas não se iluda ele é vinificado como um grande vinho em pequenas cubas de inox e o rendimento no vinhedo é baixo  e tem apenas 30 hl/ha. Um vinho de guarda, por isso tenha paciência e espere uns três anos antes de servir. Os vinhos da Maison Ventenac estarão em breve no Brasil, mas para esta cuvée ainda vai ser necessário ter um pouco de paciência. Santé.

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30 anos de Toques e Clochers

O evento leilão que colocou num patamar superior os vinhos brancos do sul da França vai completar 30 anos neste final de semana. Como é tradição Toques e Clochers sempre acontece no Domingo de Ramos. O leilão tem por característica usar parte dos seus recursos para restaurar uma das igrejas medievais da denominação. Este ano foi a escolhida foi a igreja do vilarejo de Digne d’Amont, no terroir Océanique, que recebeu recursos para a restauração de um retábulo do século XVIII. Clocher significa campanário. Toques é o chapéu do chef. Sempre um chef três estrelas Michelin preside o leilão tendo ao seu lado um grande sommelier. Essa aliança patrimônio histórico, alta gastronomia e os grandes vinhos de Limoux criaram um evento obrigatório para quem ama a região, os grandes brancos e a boa mesa.

Maxime, o filho, e René, o pai, são os padrinhos do 30° leilão de Toques e Clochers.

Este ano o jantar de gala para mais de 400 pessoas vai ser preparado pelos chefs René e Maxime Meilleur, pai e filho, que pilotam o triplamente estrelado La Bouitte na Savóia. Em 2015 eles receberam a terceira estrela. Era a primeira vez que a Savóia recebia a nota máxima do guia Michelin. A harmonização com os vinhos de Sieur d’Arques fica a cargo do sommelier do La Bouitte Antoine Marie Bourlier. O Brasil já participou. Foi numa época em que ainda não havia no Brasil o guia Michelin e as principais referências eram o Quatro Rodas e a revista Veja. Vieram os chefs Roland Villard, Claude Troigros, Roberta Sudbrack e o sommelier Dionísio Chaves. Deram um show.

No sábado, véspera do leilão, acontece a famosa festa popular quando os 286 habitantes do vilarejo de Digne d’Amont recebem mais de trinta mil pessoas em clima de folia e alegria. Muita música, arte, vinhos e iguarias alimentam as festividades que começa de tarde e atravessa a noite. Importadores brasileiros têm participado regularmente nos últimos anos: Casa do Vinho, Supernosso, Zona Sul, Wine Mundi, Wine To You.  Os vinhos do leilão são considerados todos mais de 90 pontos. Santé.

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Participamos da degustação do guia Hachette de Vinhos 2020

Guia Hachette de Vinhos, a bíblia francesa dos vinhos, começa a selecionar os vinhos da 35ª edição, a de 2020, que será publicada no segundo semestre de 2019. A etapa de ontem foi no Languedoc, em Montpellier. O júri se reuniu às 10 horas da manhã no Mas de Saporta, a casa dos vinhos do Languedoc, para degustar os tintos das denominações de origem Faugères, Saint Chinian, La Clape, Pézenas, Terrases du Larzac, Pic Saint Loup, e Saint Chinian. O organizador do guia Stéphane Rosa comentou sobre a força do guia junto ao consumidor francês. “São 86.000 exemplares impressos e uma versão on line”, afirmou. Os demais guias vendem em torno de 20 mil exemplares. Para ter no guia 10 mil vinhos a editora conta com a colaboração de 1500 profissionais selecionados que degustam mais de 40 mil vinhos em diversas cidades da França.

 

Tive o prazer de novamente participar desta degustação independente e imparcial. Os vinhos são todos degustados às cegas. Na minha mesa a denominação escolhida foi Pézenas, a terra de Molière, degustamos 15 vinhos sendo 4 de 2017 e 11 de 2016, sempre às cegas e com garrafas apenas numeradas. O nível estava bem alto e representativo da denominação de origem. Os vinhos da zona geográfica AOC Languedoc Pézenas, 24 km2, possuem um solo variado com uma mistura de calcário, xisto e basalto vulcânico. As uvas são Syrah, Grenache e Mourvèdre que devem responder por no mínimo 70% do corte e complementarmente podem ter Carignan e Cinsault. Por ser pequena busca fazer vinhos de muito boa qualidade, as vinhas devem ter ao menos sete anos de idade, o rendimento é inferior ao autorizado e o envelhecimento deve ser de no mínimo um ano. Santé.

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Paris encanta como capital mundial do vinho

Wine Paris terminou nesta quarta-feira, dia 13, e conseguiu mostrar o charme do lado off deste salão dedicado ao vinho. Paralelamente às degustações, palestras e formações durante o dia Paris recebeu à noite eventos que permitem antever o quão atraente para os visitantes pode ser a capital francesa.

Encontros B to B aconteceram de 7 a 10 em um hotel durante o World Wine Meetings. Foi só trabalho. Charmoso mesmo são os eventos para convidados como o organizado por duas Denominações de Origem do Languedoc Fitou, a mais antiga, e Picpoul de Pinet, a maior produtora de brancos da região, que optaram pelo Allénoteque, o novo bar de vinhos do chef triplamente estrelado Yannick Alléno. Show.

Paris é uma atração à parte durante Wine Paris.

Pomerol, uma das mais prestigiosas denominações de Bordeaux, realizou uma degustação no hotel Paris Le Grand, da rede Intercontinental, ao lado da Opéra, ponto turístico obrigatório da cidade. A mais bela jogada foi a dos produtores do Vale do Loire que usaram como palco Paris vista do famoso bateau-mouche. Organizaram um happy hour na terça-feira, de 19 às 22 horas, durante um cruzeiro pelo Sena. Enquanto as papilas dos profissionais e jornalistas degustavam os bons vinhos do Vale do Loire, famoso por seus magníficos de castelos, seus olhos admiravam os maiores monumentos parisienses e a Torre Eiffel iluminada.

Imagine um grande evento como a feira de Bordeaux, Vinexpo, em Paris. Vai ser uma enorme e charmosa festa do vinho. Paris by Wine? Santé.

 

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Paris é a capital mundial do vinho?

A França não ia ficar sem reagir ao forte crescimento da feira alemã de Prowein. Paris será o campo de batalha desta guerra que tem como objetivo trazer para de volta para a França a supremacia sobre os salões de vinho. Vinovision era um mediano salão de vinhos setentrionais franceses com participação do Loire, Centro, Beaujolais e Champagne. Acontecia em Paris. Vinovision comprou Vinisud, o tradicional e importante salão bienal dos vinhos do Sul da França e o transformou em anual. Um ano em Montpellier, como rezava a tradição, e o ano seguinte, este ano, em Paris juntamente com Vinovision. Dessa união nasceu o ambicioso projeto Wine Paris que começou ontem e vai até o dia 13 no Parque de Exposições de Paris porta de Versailles.

O fato de ser em fevereiro ajuda na luta contra Prowein que é em março. Vinexpo Bordeaux, a antiga maior do mundo acontece em junho, pois isto atende aos interesses dos anfitriões, mas já é tarde para as compras na Europa. Os alemães colocaram sua máquina de guerra (eficácia, precisão…) contra o glamour dos châteaux e festas de Bordeaux. Ganharam.  Hoje são 6.500 expositores de todo o planeta. Mas o império contra-ataca e Bordeaux já prepara seu próximo salão, também em Paris, mas em janeiro de 2020. Os grandes vinhos de Bordeaux e de toda a França, estarão aliados ao charme de Paris neste combate. Pode ser uma boa estratégia. Nos dois casos Paris ganha.

Wine Paris tem forte presença de produtores franceses. (foto: Jean Bounan)

Não faz sentido a maior feira ser na Alemanha, mas as divisões entre Vinisud e Vinexpo e as datas criaram a oportunidade. Londres que é um grande mercado já havia visto sua feira minguar e se tornar algo apenas para os comerciantes locais. Wine Paris começa modesta com 10 países, 7% do total, e uma forte representação francesa. São 2.000 expositores. Mas Bordeaux enviou apenas uma participação simbólica de 200 produtores. Para os visitantes são 1200 vinhos em degustação livre. Em todo caso vai começar a incomodar.

Mas a grande vencedora será Paris. Cidade onde mais se consome vinho no mundo com 49,5 litros por pessoa e 23.570 pontos de venda on-trade e off-trade (lojas e supermercados). São 20.000 bares, cafés, restaurantes e hotéis na região parisiense (on-trade). Cereja no bolo a capital francesa tem 142 estrelas no guia Michelin, sendo 10 restaurantes com 3 estrelas. Além de uma rede de formadores de opinião de grande importância internacional. Acredito que se depender apenas da Cidade das Luzes a alemã Dusseldorf vai perder esta guerra.

É sempre bom lembrar que a união faz a força, mas ainda não vai ser dessa vez. Não vejo espaço para tantas feiras na França. Os produtores não conseguem pagar tantos stands, viagens e deslocar equipes comerciais o tempo todo. Santé.

 

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Chuvas aceleram colheita no Languedoc, causam desastres e 12 mortes

Sexta-feira, sábado e domingo visitei em companhia de alguns amigos da ABS-Rio quatro propriedades do Languedoc. Em La Clape, a bela denominação comunal próxima de Narbonne, visitei o Château d’Anglès, em Cabardès, perto de Carcassonne e mais no interior, visitei o Château de Pennautier do Conde de Lorgeril e o Château Ventenac dois estilos bem diferentes apesar da proximidade. Domingo estive numa outra denominação comunal, a de Corbières-Boutenac, no Château de Luc da família Fabre. Todos tinham a preocupação de terminar a colheita no mais tardar no domingo, pois uma previsão de chuva forte se anunciava. Todos conseguiram aumentar a cadência e terminar a colheita. Em breve conto os detalhes das visitas. Mas isto não foi o mais importante do dia.

Clique para ver imagens aéreas da situação.

 

Rio Orbieu que normalmente é um riacho. (foto Didier Granat)

Ninguém poderia imaginar que a chuva seria tão forte no departamento do Aude. A meteorologia francesa previu chuva forte, lançou um alerta laranja. Foi pouco. A chuva começou tarde da noite. Somente na segunda feira às 6 horas da manhã o serviço meteorológico trocou o alerta de laranja para vermelho. Muito tarde. Cidades inundadas, pessoas mortas, rios e canais transbordaram e pontes rompidas. Foi terrível. Em menos de 5 horas 295 mm forma despejados dos céus, o que representa aqui seis meses de chuva. O rio Orbieu subiu 8 metros. Em belas casas como na cidade de Trèbes a água atingiu 2 metros dentro das residências. Até o momento são confirmados 12 mortos, 1 desaparecido, 8 feridos e 3331 lares evacuados para evitar o pior. Uma barragem foi aberta, pois poderia romper. A coisa foi tão sinistra que o Primeiro Ministro Eduard Philippe veio fazer uma visita para acompanhar a situação. Santé.

Ce pont a été détruit par les terribles inondations dans l'Aude

Ce pont a été détruit par les terribles inondations dans l'Aude

Posted by BFMTV on Monday, October 15, 2018

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Safra 2018 terá maior volume do que a de 2017

A safra de 2017 foi pequena em toda a França devidos aos caprichos da mãe natureza. Já 2018 com as boas chuvas de maio e junho e o calor do verão promete uma colheita bem maior. Mas nem tudo é alegria. Fortes ataques de míldio, especialmente no sul da França, que prejudicou sobretudo os que conduzem o vinhedo em modo orgânico, e um tanto de granizo e geada tiraram a alegria de alguns produtores. A produção vai ser maior e a safra promete ser de boa qualidade. Em consequência devemos ter menor pressão sobre os preços.

As videiras possuem raízes que podem chegar a 40 metros de profundidade.

O forte calor das últimas semanas na França tem prejudicado os cerais e outras lavouras. Mas a uva ama o sol. Suas raízes profundas encontram a água a dezenas de metros da superfície. Vamos aguardar e ver como vai ser a colheita que já está começando em algumas regiões. Somente ao final poderemos ter um balanço mais preciso. Santé.

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Trilha com vinhos e alta gastronomia em La Clape no Languedoc

No último domingo participei do XV Sentiers Gourmands em La Clape Vinhateiro, uma trilha apetitosa no sul da França. Foram 9,5 km de marcha acompanhados da boa cozinha do chef Marc Schwall, Cuisiniers Cavistes de Narbonne, dos bons vinhos da denominação e de um lindo dia ensolarado na beira do Mediterrâneo. Cheguei com um grupo às 11:45 e pegamos em seguida nosso kit para a trilha: chapéu de palha, taça de vinho, caderneta com os nomes dos vinhos e roteiro, lápis e os tickets para cada prato do programa. Tudo dentro de uma bolsinha tiracolo para pendurar no pescoço. 1450 pessoas pagaram 56€ para participar do evento. Era forte a presença de ingleses e belgas.

Participantes retiram os seus kits no Château Pech-Céleyran em La Clape.

A primeira parada era pertinho do Château Pech-Céleyran, nosso ponto de partida. Bastaram 250 metros e ostras da ilha Saint Martin em Gruissan e um gaspacho Andaluz com pão frito e olivas em compota nos esperavam. Para degustar tínhamos seis vinhos sendo quatro brancos e dois rosés, onde destaco dois brancos. Château La Negly, Brise Marine, 2017, que foi muito bem com o gaspacho, importado pela Grand Cru. E o branco da cooperativa Cave de Gruissan, La Clape, 2017, que com seu frescor e aromas fez bom duo com as ostras. Em La Clape os vinhos brancos têm na Bourboulenc e Grenache branca as uvas dominantes, mas também são importantes a Marsanne, Roussane, Clairette, Rolle (Vermentino na Itália) e Picpoul, além de outras complementares.

Vista da tenda onde foi servido o prato principal.

Subimos a colina e aproveitamos a bela vista que nos oferecia de um lado os arredores de Narbonne, vinhedos e do outro o Mediterrâneo. Atravessamos umas parcelas de vinha e após uns vinte minutos de marcha e muito bate papo chegamos na segunda etapa do percurso. Uma entrada fria nos aguardava. Era um Entremelé de tourteau (siri gigante) e camarão num molho vinagrete de maracujá, muito bom. Aqui tivemos quatro brancos, um rosé e um tinto. O branco Classique do Château d’Anglès 2016 é um vinho de grande qualidade. O proprietário é Eric Fabre, ex-diretor técnico de Lafite Rothschild. Importado pelo Supernosso de BH.

O La Clape branco da Cave de Gruissan sendo servido.

Seguimos avançando com nosso grupo e chegamos na entrada quente. Era um delicioso raviole de pato confitado acompanhado de um minestrone de legumes, molho de vinho da uva grenache e um tomme de ovelha ralado. Quatro tintos e um rosé se apresentaram. Me chamou a atenção o Château Capitoul, Rocaille, 2016, que agora gira em torno do grupo Bonfils um dos grandes players do Languedoc. Os tintos têm nas uvas Syrah, Grenache e Mourvèdre sua base. Carignan e Cinsault são utilizadas de forma complementar.

Mais uma boa marcha, outra colina e chegou a vez de comermos um feijão branco com uma linguiça de porco preto ao torresmo. Delícia para matar a fome acompanhado do habitual pedaço de pão. Este é obrigatório nas refeições francesas. Aqui tinha mesa e conseguimos sentar na sombra. Que beleza. Os bons vinhos, seis tintos e um rosé, faziam a alegria dos participantes. Muitos destaques e cito aqui Château Rouquette sur Mer com sua Cuvée Amarante, tinto, 2015. A propriedade fica debruçada ao Mediterrâneo na antiga ilha de La Clape. Isso mesmo na época galo-romana era uma ilha, hoje está unida ao continente. Este vinho de Jacques Boscary é o ADN do Château. É o AOC mais em conta da casa, mas o que melhor expressa o terroir. Château Mire l’Etang, 2016, Duc de Fleury e o L’Intrus, 2016, do Mas de Soleilla (importado por Casa do Vinho do Armando Martini em BH). Outro bom vinho é o do Domaine Sarrat de Goundy, Le Planteur, tinto 2016. O Rosé Domaine d’Angel 2017 fez bonito.

 

Penúltima etapa antes do retorno ao ponto de partida nos levou a um queijo de cabra da fazenda, isto é, não pasteurizado, La Chamoise. Para escoltá-lo três brancos e dois tintos. O branco da Abbaye des Monges, Augustine, 2016, é produzido por um amigo, Paul de Chefdebien, nesta abadia cisterciense que data de 1202, do qual nos resta a capela Nossa Senhora dos Olieux. O vinho tem um corte de Bourboulenc (60%) e Rousanne e seu nariz é floral. Na boca frutas brancas e cítrico, tônico e com bom frescor. Um par perfeito para o queijo de cabra.

Ao final da trilha todos os vinhos do evento podiam ser novamente degustados ou comprados ao preço Château.

Descendo a colina voltamos ao Château Pech-Celéyran para sobremesa e café. Como na denominação não tem vinho doce ou espumante, a mousse de chocolate que estava dentro de uma casca de ovo, o petit gâteau e a compota de framboesas tiveram de se contentar com água e café Lavazza. Outra opção é o participante recomeçar a degustação ao som de bandas de música por todo o entardecer. Santé.

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