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Trilha com vinhos e alta gastronomia em La Clape no Languedoc

No último domingo participei do XV Sentiers Gourmands em La Clape Vinhateiro, uma trilha apetitosa no sul da França. Foram 9,5 km de marcha acompanhados da boa cozinha do chef Marc Schwall, Cuisiniers Cavistes de Narbonne, dos bons vinhos da denominação e de um lindo dia ensolarado na beira do Mediterrâneo. Cheguei com um grupo às 11:45 e pegamos em seguida nosso kit para a trilha: chapéu de palha, taça de vinho, caderneta com os nomes dos vinhos e roteiro, lápis e os tickets para cada prato do programa. Tudo dentro de uma bolsinha tiracolo para pendurar no pescoço. 1450 pessoas pagaram 56€ para participar do evento. Era forte a presença de ingleses e belgas.

Participantes retiram os seus kits no Château Pech-Céleyran em La Clape.

A primeira parada era pertinho do Château Pech-Céleyran, nosso ponto de partida. Bastaram 250 metros e ostras da ilha Saint Martin em Gruissan e um gaspacho Andaluz com pão frito e olivas em compota nos esperavam. Para degustar tínhamos seis vinhos sendo quatro brancos e dois rosés, onde destaco dois brancos. Château La Negly, Brise Marine, 2017, que foi muito bem com o gaspacho, importado pela Grand Cru. E o branco da cooperativa Cave de Gruissan, La Clape, 2017, que com seu frescor e aromas fez bom duo com as ostras. Em La Clape os vinhos brancos têm na Bourboulenc e Grenache branca as uvas dominantes, mas também são importantes a Marsanne, Roussane, Clairette, Rolle (Vermentino na Itália) e Picpoul, além de outras complementares.

Vista da tenda onde foi servido o prato principal.

Subimos a colina e aproveitamos a bela vista que nos oferecia de um lado os arredores de Narbonne, vinhedos e do outro o Mediterrâneo. Atravessamos umas parcelas de vinha e após uns vinte minutos de marcha e muito bate papo chegamos na segunda etapa do percurso. Uma entrada fria nos aguardava. Era um Entremelé de tourteau (siri gigante) e camarão num molho vinagrete de maracujá, muito bom. Aqui tivemos quatro brancos, um rosé e um tinto. O branco Classique do Château d’Anglès 2016 é um vinho de grande qualidade. O proprietário é Eric Fabre, ex-diretor técnico de Lafite Rothschild. Importado pelo Supernosso de BH.

O La Clape branco da Cave de Gruissan sendo servido.

Seguimos avançando com nosso grupo e chegamos na entrada quente. Era um delicioso raviole de pato confitado acompanhado de um minestrone de legumes, molho de vinho da uva grenache e um tomme de ovelha ralado. Quatro tintos e um rosé se apresentaram. Me chamou a atenção o Château Capitoul, Rocaille, 2016, que agora gira em torno do grupo Bonfils um dos grandes players do Languedoc. Os tintos têm nas uvas Syrah, Grenache e Mourvèdre sua base. Carignan e Cinsault são utilizadas de forma complementar.

Mais uma boa marcha, outra colina e chegou a vez de comermos um feijão branco com uma linguiça de porco preto ao torresmo. Delícia para matar a fome acompanhado do habitual pedaço de pão. Este é obrigatório nas refeições francesas. Aqui tinha mesa e conseguimos sentar na sombra. Que beleza. Os bons vinhos, seis tintos e um rosé, faziam a alegria dos participantes. Muitos destaques e cito aqui Château Rouquette sur Mer com sua Cuvée Amarante, tinto, 2015. A propriedade fica debruçada ao Mediterrâneo na antiga ilha de La Clape. Isso mesmo na época galo-romana era uma ilha, hoje está unida ao continente. Este vinho de Jacques Boscary é o ADN do Château. É o AOC mais em conta da casa, mas o que melhor expressa o terroir. Château Mire l’Etang, 2016, Duc de Fleury e o L’Intrus, 2016, do Mas de Soleilla (importado por Casa do Vinho do Armando Martini em BH). Outro bom vinho é o do Domaine Sarrat de Goundy, Le Planteur, tinto 2016. O Rosé Domaine d’Angel 2017 fez bonito.

 

Penúltima etapa antes do retorno ao ponto de partida nos levou a um queijo de cabra da fazenda, isto é, não pasteurizado, La Chamoise. Para escoltá-lo três brancos e dois tintos. O branco da Abbaye des Monges, Augustine, 2016, é produzido por um amigo, Paul de Chefdebien, nesta abadia cisterciense que data de 1202, do qual nos resta a capela Nossa Senhora dos Olieux. O vinho tem um corte de Bourboulenc (60%) e Rousanne e seu nariz é floral. Na boca frutas brancas e cítrico, tônico e com bom frescor. Um par perfeito para o queijo de cabra.

Ao final da trilha todos os vinhos do evento podiam ser novamente degustados ou comprados ao preço Château.

Descendo a colina voltamos ao Château Pech-Celéyran para sobremesa e café. Como na denominação não tem vinho doce ou espumante, a mousse de chocolate que estava dentro de uma casca de ovo, o petit gâteau e a compota de framboesas tiveram de se contentar com água e café Lavazza. Outra opção é o participante recomeçar a degustação ao som de bandas de música por todo o entardecer. Santé.

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