O Grande Prêmio do Canadá de Fórmula 1 foi uma mistura de emoções. Muito me lembrou do mesmo GP há 20 anos. Na corrida de 1991, o pole liderou a corrida até a última volta, quando deu a vitória para o piloto que vinha na segunda colocação. Na ocasião, a vitória foi de Nélson Piquet, que viu do cockpit da Benetton o abandono da Williams de Nigel Mansell.
Vinte anos depois, em 2011, a corrida foi bem mais agitada e molhada. Mas, o clímax veio na última volta, quando o pole Sebastian Vettel não resistiu à pressão e cedeu a liderança para Jenson Button. Depois de quatro horas de prova, o piloto da McLaren venceu sua 10ª corrida na categoria. Pela forma como foi construída sua vitória, certamente este GP entrou para a história da F1.
O campeão de 2009 foi fantástico. Sim, apesar de ele ter se tocado com Lewis Hamilton e depois com Fernando Alonso, o inglês fez seis pit stops (sendo uma parada por penalidade), caiu diversas posições, fez grandes ultrapassagens e foi incrivelmente rápido. Até eu postar este texto aqui no Jornal do Brasil, a FIA não tinha se pronunciado sobre uma possível punição ao vencedor por causa dos toques.
A McLaren foi a única que conseguiu desbancar a Red Bull em 2011. Apesar de não ter sido muito rápida na classificação, a equipe de Woking mostrou que estava bem acertada para o GP. Não arrisco a dizer que o carro de Hamilton estava bom porque nem deu tempo. O inglês se envolveu num toque com Button no início da prova. O resultado foi um pneu furado para Jenson e o abandono de Lewis. O incidente foi o tal ‘coisa de corrida’.
E param de colocar culpa em Hamilton. O campeão de 2008 é arrojado, mas não faz essas besteiras que dizem por aí. Devemos analisar as atitudes, principalmente nas pistas, dos pilotos e não achar que fulano ou beltrano é culpado apenas porque se envolve em incidente de corrida.
Se tiver um culpado, será Jenson, que não viu o bico de Lewis; mas, como escrevi, não houve culpados que mereçam punição.
O mesmo penso sobre o incidente que Button se envolveu com Fernando Alonso. É claro que o bicampeão vai reclamar muito, mas o toque foi um incidente comum em corridas de carro.
Mas uma coisa precisa ser escrita. A McLaren de Button foi sensacional também porque a pista secou. No molhado, o rendimento do MP4-26 não foi tão bom.
Com pista úmida, Vettel deu show. Mas não vou escrever o óbvio aqui sobre o talento de Sebastian. Prefiro destacar a grande corrida de Michael Schumacher. O heptacampeão fez pela primeira vez uma grande apresentação desde que retornou de sua aposentadoria. A ultrapassagem sobre Felipe Massa e Kamui Kobayashi de uma só tacada foi sensacional! No final, cedeu a segunda colocação para Button e perdeu o pódio para Webber. O quarto lugar foi um grande resultado para ele e para a Mercedes.
Destaque também para Kobayashi, que fez um ótimo início de corrida, mas parece que perdeu o fôlego depois da parada da bandeira vermelha, que durou mais de 90 minutos por causa da forte chuva. O que o nipônico fez é algo que merece destaque. Andar boa parte da prova em segundo lugar com uma Sauber não é para qualquer um!
Apesar do erro, acho que Felipe Massa fez uma ótima apresentação. Mesclou estilo arrojado e cerebral. Acho que poderia lutar por um lugar no pódio, mas foi vítima da aquaplanagem a 16 voltas do fim. A parada nos boxes para troca do bico acabou com qualquer chance de bom resultado na corrida. Felipe chegou em sexto.
Discreto, quase sem ser notado, Rubens Barrichello fez uma boa prova. Com a fraquíssima Williams, Rubinho terminou em nono lugar.
Confira como ficou a classificação final do Grande Prêmio do Canadá de Fórmula 1:
1. Jenson Button (McLaren-Mercedes)
2. Sebastian Vettel (Red Bull-Renault)
3. Mark Webber (Red Bull-Renault)
4. Michael Schumacher (Mercedes)
5. Vitaly Petrov (Lotus Renault)
6. Felipe Massa (Ferrari)
7. Kamui Kobayashi (Sauber-Ferrari)
8. Jaime Alguersuari (Toro Rosso-Ferrari)
9. Rubens Barrichello (Williams-Cosworth)
10. Sebatien Buemi (Toro Rosso-Ferrari)
11. Nico Rosberg (Mercedes)
12. Pedro de La Rosa (Sauber-Ferrari)
13. Vitantonio Liuzzi (Hispania-Cosworth)
14. Narain Karthikeyan (Hispania-Cosworth)
15. Jerôme D’Ambrosio (Marussia Virgin-Cosworth)
16. Timo Glock (Murussia Virgin-Cosworth)
17. Jarno Trulli (Lotus-Cosworth)
Não completaram:
18. Paul di Resta (Force India-Mercedes)
19. Pastor Maldonado (Williams-Cosworth)
20. Nick Heidfeld (Lotus Renault)
21. Adrian Sutil (Force India-Mercedes)
22. Fernando Alonso (Ferrari)
23. Heikki Kovalainen (Lotus-Cosworth)
24. Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes)