Uma estreia num circuito de verdade

A escassez de pilotos da Austrália nos últimos tempos pode dar a falsa impressão do peso que o país tem na F1. Mark Webber não é o protótipo de campeão mundial (apesar de quase ter sido ano passado) e, por isso, pode ter contribuído para o ‘esquecimento’ da Austrália no mundo da Fórmula 1.
Os mais atentos sabem que a Austrália não se resume a Webber. É só olhar para trás. Foi lá que nasceu um dos maiores da história da categoria: Jack Brabham foi bicampeão em 1959 e 1960 com um Cooper e tri com um modelo construído por ele próprio, em 1966. Além de Brabham, o país também já vibrou com o título mundial de Alan Jones (1980). Também é notório que há tempos a Austrália não produz um vencedor na F1.
No Grande Prêmio da Inglaterra, uma marca ficará para trás. Depois de 34 anos, haverá dois pilotos australianos no grid – isso se a Hispania não pregar uma peça para cima de Ricciardo e não permitir que o jovem fique dentro dos 107%. A última vez que isso aconteceu foi no GP da Áustria de 1977. Na ocasião, Vernon Schuppan, de Surtees, estava no grid e viu o compatriota Alan Jones, piloto da Shadow, vencer sua primeira corrida na F1.

E para aqueles que gostam de combinações do destino, lanço uma dica: desde 2003, nenhum piloto conseguiu repetir a vitória – Rubens Barrichello, Michael Schumacher, Juan Pablo Montoya, Fernando Alonso, Kimi Raikkonen, Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e Mark Webber.
Tem um nome de piloto de ponta aí que está faltando. Pois é, Felipe Massa ainda não tem o troféu de vencedor em Silverstone em sua coleção. Não quero parecer pessimista, mas o cenário não está favorável para o brasileiro da Ferrari. A Pirelli vai utilizar os pneus macios e duros na pista inglesa. E como já se sabe, a Ferrari não rende o desejado com as borrachas duras.
Além de Rubinho, em 2003, o Brasil já venceu ali com Emerson Fittipaldi (1972 e 1975, que foi a última do rato na F1) e Ayrton Senna (1988). Nosso outro tricampeão nunca venceu o GP da Inglaterra, mas foi o brasileiro que mais poles marcou: Nélson Piquet largou na frente em 1984, 1986 e 1987. Senna (1989) e Barrichello (2000 e 2003) foram os outros brasileiros que cravaram poles na corrida britânica.